CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, maio 13, 2026

DIA DAS MÃES (2)

Dona Dora

 

ODE ÀS MÃES

10.05.2026

Renato Mendonça


Ó mães, eternas guardiãs da vida, 

vosso amor não conhece fronteira, 

nem o tempo ousa pôr medida 

na chama viva que arde inteira. 

 

Ó mães, missão sublime vos guia, 

do ventre ao infinito, sois luz, 

Maria vos simboliza em harmonia, 

mãe de esperança, mãe de Jesus.  

Ó mães, que em silêncio ofertais 

paz aos filhos em meio à tormenta, 

vosso abraço é o templo, é o cais, 

vosso gesto é força que os sustenta.  

Ó mães que acolhem sem gerar, 

corações órfãos de afeto e calor, 

vosso abraço é o lar, é o lugar, 

vosso gesto é a pureza da flor.  

Ó mães que enfrentam dissabores, 

sustentam lares em desamor, 

e ainda assim plantam flores, 

com a coragem de quem vence a dor.  

Ó mães que fazem do cotidiano do lar 

um altar de ternura e dedicação, 

educam filhos com toque divino singular, 

como quem traduz a vida em oração. 

 

Ó mães que se tornam dedicadas avós, 

bisavós, raízes de novas gerações, 

como barcos que viajam ao ritmo de nós [1] 

para o oceano eterno de emoções.  

Ó mães que partiram do plano terreno, 

mas ainda, como estrelas, brilham no céu, 

vosso amor é, e sempre foi, o farol sereno, 

vossa história de vida é o legado fiel.  

Ó mães, minhas heroínas eternas, 

que semeiam um amor visceral, 

marcas indeléveis, sempre modernas, 

reverenciadas ontem e hoje, um ritual.  

Ó mães, gratidão sempre, parabém! 

vosso amor é o hino que nos sustém.

 


[1] plural de nó, unidade de medida que mede a velocidade aquática, igual a uma milha náutica por hora.

domingo, maio 12, 2024

MAIS UMA HOMENAGEM

 

DIA DA MÃE

12.05.2024


Renato Mendonça

 Quando eu a vejo, paralisada dentro do belo quadro, fixado na parede azul claro do meu quarto, e olho em seus olhos, sinto que ela esteve conversando com o Senhor; intuo que ela quer me transmitir seus ensinamentos aprendidos na curta passagem pela vida terrena e os de agora, na vida espiritual. Não sei como isso pode acontecer, mas tenho certeza de que acontece...


Dona Dora

Recebo sua mensagem metafísica mesmo não estando mais ali na sua presença. E, às vezes, acredito que Deus quer me motivar, e a usa para isso: abastece-me com a força da sua fé; cumula-me com o discernimento para invocar a sacralidade das coisas, como se fosse um modo de escutá-Lo; faz-me compreender a emblemática da nossa natureza humana, a fim de percorrer o difícil caminho da felicidade.

Francisca P. Lima

É místico! É mágico e esplêndido sentir esses fluídos positivos invadindo a alma, apesar de parecer estranho para a maioria das pessoas. Porque esse comportamento transcende o entendimento habitual, as pessoas só acreditam em coisas palpáveis, e não percebem que o que movimenta o nosso corpo é o espírito. E esse espírito — imortal! — não tem idade, não se presta ao descanso; quer nos animar sempre, mesmo que as adversidades estejam ali presentes.

Não desejo individualizar esta homenagem, a despeito da introdução se referir apenas à minha mãe. Quem me deu à Luz, assim como a mãe de Jesus, representa todas as mães que pude conviver e me abastecer de seus carinhos, mimos e ensinamentos. E foram algumas, com os seus estereótipos diversos, mas com seus encantamentos únicos, sublimes. Eu sou fã de todas as mães verdadeiras, aquelas que sofrem ou se encantam com seus filhos, as que têm a empatia materna tatuada no coração; há aquelas que, além de cuidar e educar os filhos, ainda têm a sua função de filha dedicada, zelam por seus pais idosos ou doentes. Nutro por essas espetaculares criaturas humanas um sentimento de admiração, de carinho e, simbolicamente, quero consagrá-las no altar da glória de Deus. 

Neste dia, escolhido em um domingo do calendário, exclusivamente para homenagear essas altivas criaturas humanas, desejo me congratular com todas elas, com essa legião de anjos terrestres e celestes.

Além de minha mãe, não posso deixar de lembrar de minha avó, Dona Victoria Malafaya. Uma mulher iletrada, mas sábia na condução de uma família destroçada, que soube suprir como uma matriarca, a perda de minha mãe, falecida precocemente. Ensinou-me o caminho do discernimento juvenil e, também, o seu idioma castelhano, que ainda hoje carrego comigo na mente e no coração. Livrou-me muitas vezes dos castigos que meu pai queria me impor, por minhas peraltices. Com sua sabedoria inca, apenas fazia-o refletir que eu era um menino ainda, órfão, e necessitava de amor, carinho e compreensão. E ela soube, em raros momentos de sua vida, me doar esses sentimentos.

Dona Doroteia Santos, foi uma madrasta revestida com uma auréola de mãe verdadeira. Sofremos juntos as dificuldades de uma família humilde numa cidade sem perspectiva econômica dos anos 1960. Ela ensinou-se como lidar com as adversidades e me mostrou um estoicismo incomum para uma mulher com sua limitação cultural. Junto com ela, aprendi que o trabalho dignifica qualquer pessoa, em qualquer idade; aprendi como cuidar os meus irmãos menores, da nova geração; ao lado dela descobri que para ser feliz não necessariamente precisamos de bens materiais, precisamos ter fé no futuro e se rejubilar com o presente. Com aquilo que Deus nos oferece em cada etapa da nossa vida.

A todas essas mães, e outras que falarei em breve, minha gratidão e meu apreço.

Minha congratulação, Mães, em todas as dimensões! 

domingo, maio 14, 2023

DIA DAS MÃES (1)

 Minhas flores (ainda que virtuais) para as Mães que tive o prazer de desfrutar. Cabendo a minha Mãe, dona Francisca Pereira Lima a primazia, pois foi a única a não receber uma festa, que ainda não existia quando ela faleceu.

Sem olvidar a DONA Doroteia, mãedrasta



domingo, agosto 14, 2022

DIA DOS PAIS: MENDONÇA / MENDOZA

 O texto pertence ao Renato |Mendonça, saudando os pais da família, compartilho a única foto (perdão pela qualidade) reunindo-os todos foi clicada em dezembro de 1978.

Miguel Jorge, Luiz Carlos, Dona Dora, Antonio, seu Manuel, o
patriarca, Renato e Roberto (em pé, da esq.) Ricardo e Zé Manoel
(agachados) e as crianças Carlinhos (centro) e Marcelo (de amarelo)

Dia dos Pais 2022 

Renato Mendonça

 

No Dia dos Pais deste ano, quero lembrar que merecem as homenagens não só os pais biológicos, também os adotivos — como o mais pragmático de todos, São José — e, além destes, os patronos no seio familiar.

Usando de uma acepção pouco usual, quero reconhecer esses patronos, normalmente os irmãos mais velhos em uma família, como aqueles que se colocam como protetores ou defensores. Acho que isso é uma das mais nobres funções de um pai.

No meu caso, além do pai que tive e me doou toda a sua sabedoria para educar-me, tive meus protetores. Por isso, sinto-me imensamente protegido, e quero fazer essa singela homenagem, oferecendo-lhes mais uma crônica da minha lavra.

É, também, uma manifestação de gratidão.


Muito obrigado, manos. 
 

quinta-feira, novembro 19, 2020

DIA DA BANDEIRA E + DE DONA DORA

Tenho uma obrigação semanal, na quarta-feira vou à reunião dos filatelistas, ali na praça do Congresso. Bem ao lado de nosso conclave existe uma casa antiga, que vem recebendo nova decoração, por isso mais elegante ainda. Fiz uma foto e envie para meu irmão Renato, lembrando-lhe que ali nossa Dona trabalhou como doméstica. A casa era (ou ainda é) da família Bulbol.

Residência dos Bulbol,
na Praça do Congresso

Renato retrucou, relatando a visita que fez a esta residência – aos sete anos - junto com nosso pai, então pretendente da colaboradora (usando uma expressão corrente). Foram recebidos com cortesia, porém, receados pelo patrão. Confessou-me a nostalgia que tomou em virtude da foto e do relato que travamos.


DONA DOROTÉIA

19|11|2002

Renato Mendonça

Chamou-me atenção a data de hoje, ao preencher um documento. Lembrei-me do aniversário de Dona Dorotéia — um dos meus anjos, exaltados em crônicas anteriores — que nos deixou há dez anos.

Pessoa maravilhosa com quem eu convivi intensamente dos oito aos dezoito anos. Depois o acaso tratou de nos afastar. Era minha madrasta — palavra que sempre detestei pela aspereza da pronúncia e porque parece trazer no seu bojo um sentido cruel e uma falta de carinho no tratamento. Esse substantivo não lhe caía bem. Não teve o carinho e afeto específico de uma mãe biológica, porque além de mim, teve outro tanto para criar, porém, compensou com a dedicação e o zelo típico das pessoas de bom coração, sem deixar que eu notasse alguma discriminação pelo fato de ser adotivo.

Casal Manuel e Dora

Contribuiu enormemente na minha educação e me apoiou nas horas mais difíceis. Era uma mulher ativa, excelente dona-de-casa e cozinheira, com uma determinação fora do comum.

Decidimos, instintivamente, mudar seu nome de tratamento para simplesmente “Dona”. Um nome mais curto nos aproximava um pouco mais. Depois, com o passar dos anos, carinhosamente a chamávamos de “Doninha”. O diminutivo lhe engrandeceu ainda mais, e nos colocou — eu e meus irmãos da primeira geração — sob sua proteção. Nos últimos anos de vida ainda voltou a estudar, e se aculturou um pouco mais.

Ela morreu precocemente, vitimada por um câncer no pulmão sem nunca ter experimentado um cigarro. São os desígnios de Deus. Não vamos cobrá-Lo nenhuma explicação, óbvio. Foi embora, mas deixou lições e ensinamentos. Fatos pitorescos que ficaram gravados no nosso álbum de recordações.

Num dia de minha infância, quando criávamos galinha no quintal para comer, ou vender — quando a situação estava preta —, acidentalmente uma pisou um dos seus pintinhos e quebrou-lhe a perna. Fiquei apavorado sem saber o que fazer quando vi aquela fratura exposta. Levei-o até ela, imaginando que o pintinho seria sacrificado. Na mesma hora ela tentou tracionar a perna do pintinho para tentar recolocar o local da fratura em situação de engessar. O pintinho “berrava”. Não foi possível porque já havia passado algum tempo, e o tendão tinha se comprimido. A alternativa que ela encontrou foi cortar o pequeno pedaço do ossinho que sobrava. Cortou-o com uma tesoura de unha. Em seguida pegou dois palitos de fósforo e fez uma tala. Recolocou o pintinho com sua mãe como se fosse coisa mais natural possível.

Para minha surpresa, meses depois aquele pintinho tornou-se o galo do terreiro e não teve nenhuma sequela. As duas pernas do animal ficaram rigorosamente iguais. Milagre? Não sei. (...)

E assim levou sua vida. Alegre, sempre disposta. Gostava de, aos domingos, preparar uma comida especial. Gorda, não se incomodava com isso. Não fazia dieta e, sempre que tinha oportunidade compartilhava com a gente uma caipirinha ou uma cervejinha, apenas para ficar mais contente.

Nos últimos anos a vimos perder peso, fustigada pela doença e pelas internações. Não se entregou em nenhum momento. Tinha sempre a esperança e a fé de curar-se. Era católica fervorosa. Deixou-nos um legado: a alegria de viver e a resignação com as adversidades da vida, que ela nunca reclamava.

Deus a guarde em um lugar de refrigério, de luz e paz. Amém.