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sábado, novembro 19, 2022

PMAM – BANDA DE MÚSICA (III)

Alguns cuidados exercitados sobre a Banda de Música vão aqui relacionados, constantes de um capítulo escrito para um almejado livro sobre a corporação musical. 

Apresentação da Banda em Itacoatiara 

Pouco antes e bem adiante do Governo Militar

 Em janeiro de 1963, Plinio Ramos Coelho assumiu pela segunda vez o governo do Estado e, na ocasião, nomeou um comandante antirregulamentar para a Polícia Militar do Estado: o 1º tenente PM Alfredo Barbosa Filho, ligado ao governador pelo futebol do Nacional FC. Barbosa foi cassado juntamente com o chefe do Poder Executivo na instalação do Governo Militar (1964-85).

Plínio Coelho

Arthur Reis tomou posse do Poder Executivo em junho de 1964. Enquanto aguardava a indicação do comandante da Polícia Militar pelo então Ministério da Guerra, manteve o comandante transitório, tenente-coronel PM Manuel José Moutinho Junior. Em outubro, assumiu o major EB José Jorge Nardi de Souza, que permaneceu somente 10 meses à frente da corporação. Isso mostra certo descompasso nas ações dos militares no Amazonas, no campo da Segurança Pública, até então custodiada pela Chefia de Polícia.

Outra desventura viria a reboque, acabando por se engajar no aquartelamento da Praça da Polícia. Aconteceu na permuta do major EB Jorge Nardy pelo capitão EB Hernany Guimarães Teixeira, que comandou a corporação entre março de 1966 e outubro de 1967. O infortúnio estava na presença do jovem capitão, oficial intermediário, quando a PM contava em seus quadros com tenentes-coronéis. Resumindo a opera: o referido capitão findou por se intrigar com camaradas verde-oliva, exatamente pelo desnível hierárquico.  


Quando o capitão Hernany deixou abruptamente o comando da Força Estadual, o governador Arthur Reis foi compelido a substitui-lo pelo oficial mais antigo, o tenente-coronel PM Omar Gomes da Silveira (1916-87). A partir desta mudança e até o extremo do Governo Militar, sem interrupção, os comandantes pertenceram aos quadros do Exército, do posto de tenente-coronel.

 

No período, o regente da Banda foi o 2º tenente (comissionado) Ernani Puga, que assumiu em 1963 e se retirou em agosto de 1967. Sua saída coincidiu com a substituição do capitão comandante da PM.

Não creio que o comando tenha se empenhado com o setor musical, diante da calamidade que predominava na corporação. À época, em junho de 1966, estava eu ingressando na PM e posso testemunhar: sequer havia uniforme para todos os policiais. Sequer havia capacetes, nem armamento adequado (revólveres eram contados). A alimentação era fornecida somente para o pessoal de serviço, os demais, se se alimentassem, pagavam pela boia. Eu estava nesse grupo. Para conturbar ainda mais o desastre, a Zona Franca de Manaus, apesar de criada em fevereiro de 1967, demorou algum tempo para gerar os oportunos incentivos.

A atividade da Banda resumia-se a esses encargos: a formatura geral pela manhã, junto com o Batalhão Amazonas, que marchava saindo do pátio interno do quartel, contornava a Praça da Polícia e o Colégio Estadual para, em frente do quartel, saudar a autoridade de plantão. Em seguida, ocorria o cumprimento do QTS (Quadro de Trabalho Semanal), com os ensaios programados, se não houvesse alguma tocata em inauguração ou em outros empreendimentos do Estado, além de cumprimento de solicitações reservadas.  E não eram poucas, a Banda era requerida ou escalada para todos os eventos. Às vezes, tendo que repartir seu quadro para atender aos compromissos diários.

Um salto triplo no tempo...  

O comandante-geral entre 1989-91, coronel Romeu Medeiros, exigiu da corporação musical um desempenho mais dinâmico. Bastante inovador, extravagante, diria. Porque, tendo este, numa de suas andanças pela Europa, assistido em soberba apresentação orquestral o Bolero de Ravel, Medeiros formulou uma aposta com o mestre da Banda, tenente Souza Lima. De que somente se sentiria realizado no comando, quando a Banda de Música da Polícia Militar tocasse o famoso clássico. Em resumo: a Banda não venceu a porfia, frustrando ao comandante-geral.

Coronéis Medeiros (perfil), Orleilson
(de frente) e Alfaia.

Malgrado a frustação, este comandante, para melhor aperfeiçoar a cultura musical do referido regente, buscou cooperação no Rio de Janeiro, ONDE???. Para isso, enviou o tenente a um estágio no Rio, objetivando aprimorar a técnica e incutir neste a administração dos músicos. Outra iniciativa: Medeiros determinou um recital da Banda no coreto da Praça da Polícia, à tarde de todas as sextas-feiras. Havia continuamente um “respeitável público”: os comerciários no final do expediente, os estudantes saindo e entrando nas escolas próximas e outros transeuntes, além dos moradores da vizinhança. Tinha início, para atender esse objetivo, às 17 horas.

Mais outro empreendimento deste comandante. Em 1990, Medeiros enviou para a empresa Weril Instrumentos Musicais Ltda., sediada em São Paulo, os instrumentos então existentes na Banda. Detalhe oportuno: esses instrumentos haviam sido adquiridos com o aval da Suframa, ao tempo do tenente-coronel EB Wilson Ribeiro Raizer (comandante-geral entre 1979-81). Estavam em uso, portanto, há dez anos!

O comandante Medeiros contratou com essa fabricante do ramo para que, efetuando um reparo geral, descartasse os inúteis. Algum tempo depois, os diversos instrumentos devidamente restaurados e cromados retornaram a Manaus. Devido à cromagem, bastante se destacavam. Assim, a apresentação do instrumental ocorreu em solenidade de formatura no CFAP, no Dia do Soldado de 1990, presente o comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA) – general Santa Cruz, e seu assistente, general Taumaturgo Vaz.

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