CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

26 de abril de 2016

CORAL JOÃO GOMES JUNIOR

Maestro Nivaldo e o Coral
O autor deste texto, extraído do matutino A Crítica (14 abril 1956), era o então repórter Jorge Tufic, que se iniciava nas lides jornalísticas e se preparava para o grande salto, o de poeta consagrado em Manaus. Seu artigo homenageava a outro artista, ao maestro Nivaldo Santiago, que acabara de fundar o Coral João Gomes Junior, que ele tratou como o estabelecimento de um conservatório.

Temos um Conservatório



Jorge Tufic


MANAUS tem a honra de hospedar um verdadeiro maestro. Que aqui veio para cumprir a espinhosa missão de, arrostando com as maiores dificuldades, fundar um Conservatório de Música. Maestro Nivaldo é um desses espíritos que, coroados pelo próprio destino de realizar uma obra grandiosa, com muito de loucos, naturalmente, nada há que lhes dificulte o mister.

E assim foi que recebemos, dias passados, a notícia alvissareira: fundara-se o “Instituto Musical Santa Cecília”. Estão, por isso, de parabéns todos aqueles que se dedicam ou admiram a divina arte. Pois o Instituto, com suas portas abertas, recebe e aprimora talentos, Maestro Nivaldo cujos conhecimentos ainda mais se aprofundam, mercê de uma cultura musical bem formada, através de estudos e ensaios consecutivos, não se ponha em dúvida a sua capacidade de trabalho, que reconhecemos altamente profícuo.
Nivaldo Santiago, em out. 2010
Pelo menos foi essa a impressão que tivemos, levados que fomos a conhecer o artista. A palestra que mantivemos, numa atmosfera agradável e serena, o que dela lucramos, a lição de entusiasmo e perseverança que aprendemos, tudo isto ainda perdura, indelével, em nossa memória.

A brevidade do espaço, porém, impede um possível extravasamento da nossa parte. Damos apenas os parabéns desta coluna, ao maestro e seus auxiliares.

Lá encontrareis também a senhora Neuza Ferreira, que vos há de ser útil e atenciosa. Nesta terra em que poucos são os que se voltam para as coisas da Beleza, meu caro Nivaldo, é com o mais vivo interesse que as jovens vocações musicais do Amazonas recebem a boa nova. Porque em verdade era esta a sua aspiração máxima. Era este o seu desejo. Que se fundasse um Conservatório, e o mesmo estivesse ao alcance de suas mãos.


Estão-lhes, portanto, abertos os horizontes da música.