CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

6 de abril de 2016

SEBASTIÃO NORÕES

Sebastião Norões
Bem próximo de completar 60 anos de seu lançamento, o livro de poesias do falecido Sebastião Norões – Poesia Frequentemente – tem a primazia de ter sido o primeiro livro editado por um membro do Clube da Madrugada.

Para marcar tão faustoso acontecimento na cidade de Manaus, o jornalista e poeta Jorge Tufic, saudando o colega, publicou em A Crítica (25 abril 1956) o artigo aqui postado.

POESIA FREQUENTEMENTE

Jorge Tufic

Acontecimento invulgar na história literária do Amazonas, podemos dizer, foi a estreia, em livro, no dia 23 deste, do poeta Sebastião Norões. E dizemos isso porque o próprio poeta, em pessoa, esteve presente na ocasião em que Poesia Frequentemente estava sendo exposta à venda na Livraria Escolar, e ele mesmo, Norões, encarregara-se de brindar aos amigos e inúmeros admiradores com exemplares autografados.

Com isso, pois, com essa atitude, corajosa e espontânea, assume o poeta uma posição definida em face das letras amazonenses. Vem ele acompanhada de uma vasta experiência no dia-a-dia da Vida, nesse contato intelectual e emotivo com as coisas que o circundam, viagens, leituras, relações humanas etc.

A poesia de Sebastiao Norões não se apresenta revestida de nenhum aparato ou roupagens tecnicistas a que se deixam, comumente, subordinar o pedantismo poético dos “noviços” e deliberado exibicionismo dos que somente através do floreio verbal são capazes de produzir alguma coisa.

Não. Ela nasce despreocupada e feliz, lembrando nesse particular, a poesia de um Manuel Bandeira (leiam-se Santuário e Mar Despovoado) ou a de um Ledo Ivo dos últimos poemas.

Poesia emoção. Poesia sentimento... Essa poesia cujos filamentos de sonho, amor, ternura é uma profunda filosofia que nos mantém constantemente em ligação com o “fundo das coisas”; essa poesia, país de origem de todo verdadeiro bardo, na qual nos integramos num pleno e total relaxamento das cordas emotivas de nosso ser...

Não sendo este, porém, lugar apropriado, em que possamos entrar na substância do livro, com um certo e natural espírito de crítica o que faremos na próxima edição de MADRUGADA, o que nos resta fazer, portanto, é parabenizar o companheiro Norões pelo trabalho, paidéguamente heroico, o qual de publicar um livro em Manaus, e que vem de se coroar, agora, de êxito completo.

Que sirva isto de lição para nós outros. Que sirva isso de lição para aqueles que não vêm em nosso restrito meio intelectual, possibilidade, de qualquer natureza, que recompensem esforço e dinheiro empregados. Porque temos esperanças que em breves dias o Amazonas terá, também, venha isso do céu ou da boa vontade dos homens de espírito, a sua Casa Editora. É quando, então, poderemos pensar em recompensas literárias...