CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

12 de abril de 2016

JULIO UCHOA: CURIOSIDADES

Júlio Uchoa, saudoso professor e homem de letras, escrevia sobre a história dos homens e do Estado do Amazonas, escritos quase sempre publicados em jornais da cidade. O post abaixo recolhi do Jornal do Commercio (25. set. 1955). 





Júlio Uchoa
Da Associação Amazonense de Imprensa

EXTENSÃO TERRITORIAL 
O Estado do Amazonas, com a criação dos Territórios Federais do Guaporé e Rio Branco, perdeu 472.643 quilômetros quadrados, ou seja, uma área superior à de 15 Estados brasileiros, continuando, mesmo assim, à dianteira das demais Unidades Federadas, com a superfície de 1.586.473 quilômetros quadrados.

 CURIOSIDADES DA AMAZÔNIA 
Sob o título acima, o escritor Otto Schneider, em Curiosidades Brasileiras, à página 154, escreve: “Manaus é antiga cidade da Barra ou Fortaleza da Barra do Rio Negro. Em 1846, com o nome de Vila de São José da Barra do Rio Negro era elevada à categoria de cidade. Em 1856, o primeiro presidente Tenreiro Aranha mudou essa denominação para Manaus”. 
Repare o leitor: três períodos, três “heresias” contra a história regional. Se não, vejamos:
1)   – Barra do Rio Negro era a sede do nascente povoado, Fortaleza da Barra – o fortim, destinado à sua defesa, aquela deu nome a essa; o autor, com aquele “ou”, parece confundir uma cousa com a outra;
2)   – elevação da Vila da Barra à categoria de cidade se verificou a 24 de outubro de 1848, pela Lei nº 145, e não em 1856;
3)   – em 1856, era chefe do governo, o doutor João Pedro Dias Vieira (3º presidente), ano em que, de fato, ocorreu a mudança de nome, de cidade da Barra do Rio Negro para cidade de Manaus, em virtude da Lei n° 68, de 4 de setembro; entretanto, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha nada tem a ver com o acontecimento, pois que, tendo assumido a suprema direção da Província do Amazonas, na qualidade de seu primeiro presidente, a 1º de janeiro de 1852, aí se conservou até 27 de junho do mesmo ano, quando transferiu estas funções ao 1º vice-presidente, doutor Manoel Gomes Correa de Miranda, não mais retornando ao cargo, do qual foi exonerado a 31 de dezembro.

 FORTALEZA DE SÃO GABRIEL 
“A fortaleza de S. Gabriel foi fundada em 1763 de ordem do governador Manuel Bernardo de Melo e Castro. Serve de registra à navegação do Rio Negro. É um pentágono irregular cujo maior lado, extremado por dois meio baluartes, deita para o rio; os dois pequenos lados não passam de singelos e fracos muros.
Dezesseis canhoneiras para insignificante artilharia, três guaritas fazem toda a sua importância, que além do lastimável estado a que está reduzida se torna quase nula por ser dominada por uma colina que deveria abranger, e que lhe proporcionaria um ponto de vigia de longo alcance.” (Araújo e Amazonas, Dicionário Topográfico)