CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de maio de 2013

PADRE PAULINO

Governador Mestrinho (à esq.) e padre
Paulino Lemmeier (à dir), 1960
Padre Paulino Lemmeier era, de fato, o alemão chegado a uma cerveja, lembrança da terra natal, certamente. Desembarcou no Brasil, indo direto para Maués (AM), adiante, promovido para a capital, cuidou do rebanho católico do Imboca ou Emboca. Me ajude, professor Figueiredo.
Quando eu era estudante no Seminário São José, no início dos 1960, fui aluno de francês do citado padre. Apesar da canícula, comparecia embatinado, batina preta, para as aulas. Não faltava. Era pontualíssimo. Um dia, sem ideia de traquinagem, enceramos muito bem a sala de aula. O primeiro a chegar foi o padre Paulino, que escorregou e quase foi ao chão com seu corpanzil.
Ouviu as explicações, mas não deixou dúvidas quanto a sua reprovação.  Logo encontrou motivo para sapecar “zero” em todos, menos no futuro padre Epaminondas Lobato. Que Deus o tenha!.

* * *
Arte de estudantes, o saudoso professor Mário Ypiranga (*) conta outra faceta deste sacerdote, que foi o primeiro vigário de Santa Luzia.


PADRE PAULINO

O padre Paulino era alemão de origem e ensinava francês no Colégio Estadual do Amazonas, no meu tempo de professor da casa. Na mesma turma daquele Maíno Maia da Gama. Antes de entrar no Ginásio o padre dessedentava-se com uma ou duas cervejas no bar "Real Colón" (hoje uma filial das lojas Americanas, na proximidade do mesmo Colégio).  

Era muito gordo e não largava a batina, por isso aquelas aulas de uma hora da tarde causavam depressão orgânica e até atonias suores abundantes e tédio. Mas o padre era pé de boi, não faltava,
chegava e saía na hora. Entretanto, suas aulas não aproveitavam porque a turma era das piores que o turno da tarde recomendava.
Assim mesmo o padre Paulino mantinha a disciplina, por isso não era muito benquisto.

Uma tarde, entrando na sala, viu uma quadrinha garatujada no quadro verde:
Paulino sem pau é lino,
Paulino sem lino é mau
Tirando pau do Paulino
Paulino fica sem pau.

O padre não esquentou logo. Pegou o bastão de giz e escreveu por baixo:
Agora é a vez do Paulino
com seu pau e com seu lino
dizer àquele menino
que escreveu verso cretino
que mete o pau no destino

desse poeta pequenino
feio, magro, e franzino,
cujo nome não declino
mas sabem ser o malino
da gama o mais ladino.

Imensa gargalhada recebeu aquela tirada do padre. O safado do Maíno levantou-se, fez uma reverência gaiata e esperou sério, o que viria. Inútil era perguntar quem o autor da pilantragem. A turma era solidária.

Mas, por via das dúvidas, desconfiou do Maíno Maia da Gama. O padre chamou o Cangalhas (inspetor de alunos, estúpido como um carroceiro e ex-craque de futebol) e entregou-lhe a missão de descobrir o autor. Mas antes marcou falta em todos e registrou na pajela o ponto que iria dar e que seria cobrado na primeira prova escrita. O autor não apareceu e a turma inteira foi suspensa por três dias.

 
(*) Mário Ypiranga Monteiro. Histórias facetas de Manaus: anedotas envolvendo figuras amazonenses. Manaus: Edições Governo do Estado, 2012.