CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de maio de 2013

IGREJA DOS REMÉDIOS (2ª Parte)


LIGEIRO HISTÓRICO DA IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS
Francisco Bemfica (*)

Altar da igreja dos Remédios,
2004
A 16 de dezembro de 1901, foi solenemente realizada a colocação de uma pedra fundamental para uma nova igreja. Dois anos após, em agosto de 1903, já se achava pronta a sua capela, cuja benção lhe foi lançada a 14 do mesmo mês.
Ainda no referido ano, a lei municipal nº 307, de 2  de setembro, autorizava a Superintendência (prefeitura) de Manaus, a “auxiliar com a quantia de 5.000$000 as obras de reconstrução da igreja dos Remédios”. Outra lei municipal, nº 385, de 20 de dezembro de 1904, dava-lhe outro crédito de mais 5.000$000 para seu auxílio no orçamento de 1905.

Por outro lado, monsenhor Antero José de Lima, que fora em 1901 nomeado vigário da paróquia, despendia esforços para uma definitiva reconstrução da igreja.
Dom Irineu Jofilly
Nesse sentido, convidou seus paroquianos para uma reunião que se realizou a 21 de março de 1904, para a escolha, dentre eles, de “alguns para auxiliarem na indicação de medidas práticas, lembrando cada  um o que  achasse melhor”. Escolhida a comissão, esta ficou assim composta: coronéis Antônio Bittencourt, Ramalho Junior e Francisco Bittencourt; doutores Rodrigo Costa e Elias Tomé de Souza. Eram secretários os coronéis Felipe Minhós e Lopes Braga.
Pelos esforços dessa comissão e a boa vontade dos paroquianos, foram os trabalhos de reconstrução iniciados em agosto de 1905, ficando a direção técnica sob as vistas do arquiteto José Antônio Gomes.
O Congresso, em 6 de outubro do citado ano, apresentava uma emenda, com nº 39 ao projeto nº 11, em que ficava o Governo autorizado a “pagar 40.000$000, a título de indenização, à igreja dos Remédios, pela cessão do terreno em que se acha construído a escola Públio Bittencourt”, hoje secretaria-geral da Instrução  Pública”. Essa emenda foi aprovada na sessão seguinte, a 17 do mesmo mês.

Mas, apesar desses auxílios, dos óbolos dos católicos e a boa vontade da comissão, anos depois, as obras, mais uma vez, eram paralisadas...
* * *
Sob a direção de Dom Irineu Jofilly, em 1920, foi reiniciada, definitivamente, a reconstrução da igreja começada em 1901 com o lançamento de uma pedra fundamental. Organizaram-se listas para os fieis e pessoas amigas contribuírem mensalmente com qualquer importância.
Dessas listas a maior contribuição era de 50$000 (cinquenta mil réis), e a menor 1$000 (mil réis). Afora essas contribuições mensais, outras eram recebidas em esmolas avulsas. E tão grande foi a caridade dos católicos que em setembro de 1922 os óbolos recebidos perfaziam o promissor total de 88.676$100.

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A bondade cristã da Sra. D. Zila Amaral, levou-a a ofertar à igreja uma belíssima imagem de N.S. dos Remédios, de tamanho natural. A benção da nova imagem foi levada a efeito no dia 16 de março de 1923, às 16h30, mais ou menos. Ato brilhante, que muito rejubilou os católicos e o povo.


Serviram de paraninfos os senhores comendador J.G. Araújo, coronel Leopoldo de Mattos, Dr. Samuel Uchoa, desembargador Paulino de Mello, Dr. João Baptista de Faria e Souza, coronel Pedro de Souza, coronel Pedro Cavalcante, Francisco Bonates, desembargador Luna Alencar; e as Senhoras Eliza de Rezende do Rêgo Monteiro (esposa do governador), Cândida Monteiro, Lucia Murity, madame Brestilau de Castro, Lucinda de Faria, Leopoldina de Brito Pereira, Brasilina Cândida de Lima, Francisca Monte de Assis, Emília Reis (mãe de Arthur Reis), Maria Emília Moraes, Virgínia Azevedo Pessoa, madame Flávio de Castro, Benvinda Coelho, Mercedes Madureira de Pinho, Alcinda Sá Antunes, Nini Jardim, Filomena Castelo Branco, Esmeralda Cassiana e a família Borba.
Atingiu a 1.680$000 o total de óbolos oferecidos pelos paraninfos, sendo maior o do comendador J. G. Araújo, que foi 1.000$000 (um conto de réis).
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Falecendo, a 11 de outubro de 1924, monsenhor Antero José de Lima – “um dos vultos mais representativos do nosso clero” – passou a desempenhar o cargo de vigário da freguesia dos Remédios monsenhor Dr. Raymundo de Oliveira, nomeado por Dom Basílio Pereira, bispo da Diocese do Amazonas.


Monsenhor Alcides
Albuquerque, vigário dos
Remédios
Monsenhor Oliveira não poupou esforços para terminar as obras da igreja, que há tanto tempo vinham sendo começadas e logo interrompidas, e que foram a grande preocupação de monsenhor Antero. E afinal, com mais um pouco de esforço, auxiliado sempre pelo generoso povo católico do Amazonas, que jamais se negara a amparar essa obra de tanto valor moral, que há muito vinha desejando se consumasse, conseguiu monsenhor Oliveira terminar, definitivamente, a reconstrução da antiga ermida erguida em 1817.


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E hoje – quando na Espanha e na Rússia se destroem num vandalismo louco centenas de catedrais – a igreja N.S. dos Remédios é mais um templo que possuímos para, num recolhimento sagrado, numa fé verdadeiramente cristã, orar pelos que merecem piedade... pelos inconscientes... por todos os desgraçados que, por falsas religiões, pretendem sem jamais conseguir negar a existência de um poder sobrenatural, formidando, único dominador do cosmos e que leva o homem, mesmo sendo um descrente de sua força, no momento mais crítico de sua vida, quando já não mais espera dos recursos terrenos, a voltar os olhos para os céus e numa derradeira prece clamar – Deus!

Março de 1932.
(*) Reproduzido da revista Victoria-regia, abril de 1932. O autor do texto era diretor e redator da publicação.