CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de maio de 2013

AS ARMADURAS DA POLÍCIA MILITAR


Detalhe da armadura
existente na PMAM
Em seu livro Histórias facetas de Manaus, o saudoso mestre Mário Ypiranga conta uma bem interessante faceta sobre estas peças, adquiridas na França no início do século passado. São duas, e fizeram parte de um pacote que incluía diversos ornamentos bélicos, hoje em exposição no Palacete Provincial.


As vestimentas metálicas eram apresentadas como medievais, quando verdadeiramente eram peças fabricadas como adereços. Mas, como impressionavam!. E, como eram capazes de comportar um homem, em algumas paradas de Sete de Setembro “desfilaram” em carro aberto.

A respeito do desfile há outra faceta acontecida em 1957. Cleto Veras, major do Exército, comandante da Polícia Militar, determinou ao capitão Edmundo Monteiro, comandante dos Bombeiros, que usasse a tal armadura no desfile do Dia da Pátria. O capitão reclamou alegando a dificuldade em suportar o trambolho em meio ao sol forte.

O comandante da PM não admitiu a desculpa, disso resultou uma desavença entre ambos, que por pouco não chegou ao desforço físico.

Eu desconhecia que essa peça metálica tivesse saído do quartel. Assim pensando, promovi uma exposição de material da PM no Shopping Amazonas. A expo foi dividida em três seções, e a armadura representava os primeiros momentos da vida policial militar no Amazonas. Pensava que a “armadura medieval” fosse dominar a exposição.

Isso não aconteceu em função da presença de uma motocicleta Harley Davidson. Essa, de fato, concentrou as atenções de tantos marmanjos, que chegaram a imaginar um clube da Harley.

Mais adiante, quando eu dirigia o Museu Tiradentes, para ilustrar uma entrevista com o comandante da PM, levamos a armadura ao estúdio da TV Amazonas, então situada na avenida Carvalho Leal, na Cachoerinha. Desconheço o ibope alcançado. Isso dito, vamos à faceta contada pelo professor Mário Ypiranga.

COURACEIROS EM MAUS LENCÓIS  (*) 

De vez em quando estou encontrando uma foto batida por mim durante certa parada, ao lado do Teatro Amazonas. Não sei quem o autor intelectual da "patriótica" inovação, mas ela acabou em corre-corre quase fatal. Haviam metido dois soldados arigós dentro das armaduras medievais do museu da Polícia Militar, a fim de desfilarem.

Só mesmo uma cabeça desmiolada poderia conceber aquela farsa extemporânea. Quando o sol começou a esquentar o metal
da armadura completa, os dois arigós não aguentaram o calor e se mexiam gritando, dando azo a que o povo saudasse a marmotada com gritos e assovios, isto porque, para desvestir os dois títeres
deu um trabalhão. Quase morriam sufocados.
 
(*) Mário Ypiranga Monteiro. Histórias facetas de Manaus: anedotas envolvendo figuras amazonenses. Manaus: Edições Governo do Estado, 2012.