CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, setembro 24, 2015

IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS (2)

Os vigários da capela de N. S. dos Remédios desta cidade, 

desde 1850 à 1927:
 
Igreja dos Remédios, em construção no início do sec. XX

Para substitui-lo, também interinamente, na vigararia dos Remédios foi nomeado o padre José Henrique Felix da Cruz Dácia. Por ato do Bispo Diocesano, de 3 de abril de 1883, foi nomeado vigário encomendado da freguesia de N. S. dos Remédios o padre Cruz Dácia.

O ato do ilustrado prelado, encomendando a igreja dos Remédios ao padre Cruz Dácia, naturalmente deve ter sido o resultado de uma representação dos paroquianos daquela freguesia em que pediam à S. Exa. Revma. a nomeação daquele sacerdote para seu vigário.
Durante uma pequena ausência do padre Cruz Dácia, em 1885, foi vigário dos Remédios o padre Luiz Gonzaga de Oliveira.


* * *

Em janeiro de 1888 foi nomeado vigário da paróquia de N. S. dos Remédios o padre amazonense Dr. Wolfango Rafael Nunes de Abreu. Era natural deste Estado, filho legítimo do tenente do Exército Manoel Martinho dos Santos Abreu e de D. Antonia Nunes de Abreu.

Fez o curso de humanidades no Seminário do Carmo de Belém. Completara os seus estudos em França e aí, no Seminário de S. Sulpício de Paris, em 26 de maio de 1887, recebeu o grau de bacharel em Direito Canônico.

Muito jovem ainda e bastante ilustrado, o padre Wolfango de Abreu angariou as mais sinceras simpatias entre os seus paroquianos durante os poucos anos que paroquiou a igreja de N. S. dos Remédios. O jovem levita viveu exclusivamente para a sua igreja, a consolar os tristes, os fracos e as dores.

O seu caráter e as suas belas qualidades tinham a consistência e o polido do aço que resiste a todos os golpes.

O padre Wolfango de Abreu regressou a Manaus, vindo de Paris, a 27 de dezembro de 1887. Dias depois foi nomeado vigário dos Remédios. A 1º de junho de 1890 faleceu, nesta capital, vítima de uma violenta febre cerebral.

Serviu como vigário da paróquia de N. S. dos Remédios durante dois anos e cinco meses completos. Contava 26 anos de idade.

* * *
Ostensório - acervo da igreja
dos Remédios

Foi novamente chamado para paroquiar a igreja de N. S. dos Remédios o cônego Cruz Dácia. Em fins de 1896 fez uma viagem a Belém, em visita à sua família ali residente.

O governador-geral do bispado, monsenhor Francisco Benedito da Fonseca Coutinho, designou o padre Manoel Raimundo Nonato Pita para dirigir a igreja dos Remédios.

A 17 de novembro de 1895, na nossa Catedral, o Sr. Bispo Diocesano conferia as quatro primeiras ordens ao então seminarista desta diocese Nonato Pita. Recebera as sagradas ordens de diácono, na igreja de S. Sebastião desta capital, a 6 de setembro de 1896.
Em 5 de maio de 1897 regressou o cônego Dácia, reassumindo a vigararia.

Os serviços que o virtuoso apostolo da religião do Calvário, padre Nonato Pita, prestou ao humilde rebanho confiado à sua direção espiritual estão na consciência de quantos professam o culto católico; e nós, que, como jornalistas, interpretamos os sentimentos da população, que nos identificamos com o povo nas suas manifestações mais justas, não podemos deixar de consignar aqui a relevância dos esforços postos ao serviço da causa da religião pelo ilustre sacerdote padre Nonato Pita.

Em março de 1900, o cônego Cruz Dácia, que há muitos anos, exercia o ministério paroquial na igreja de N. S. dos Remédios, voltou novamente ao exercício de suas elevadas funções, do qual se havia ausentado. Foi grande a satisfação de seus paroquianos, pois o cônego Dácia era muito estimado, pelo seu zelo e dedicação pela causa da igreja, pelas suas maneiras lhanas de tratar e sobretudo pelo seu talento e ilustração.

A 7 de agosto do mesmo ano seguiu para Roma. Daí foi para Paris e depois para a cidade do Porto, Portugal, em visita à uma sua irmã, que ali residia.

O cônego Cruz Dácia faleceu, em Belém, a 16 de agosto de 1908.

O estimado sacerdote achava-se recolhido, como pensionista, na enfermaria S. José do hospital da Santa Casa de Misericórdia daquela cidade desde o dia 10 de julho daquele ano e ainda que se tivesse retirado daqui bastante enfermo, a notícia do seu traspasse surpreendeu-nos dolorosamente.

Era que o cônego Dácia conquistara simpatias por aquele coração extraordinariamente bom, que o tornava um ente quase proverbialmente caridoso. As suas economias eram partilhadas pelos pobres e por isso morreu sem conhecer a opulência. 

(SEGUE)

sábado, agosto 15, 2015

IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS (1)


Prossigo com a segunda parte da publicação sobre os vigários desta paróquia, cuja relação foi extraída do livro EGREJA DOS REMEDIOS, de autoria de J. B. (João Batista Faria e Souza), publicado em 1927 pelo Diário Oficial do Estado.


Atual igreja de N. S. dos Remédios (2005)


Os vigários da capela de N. S. dos Remédios desta cidade, desde 1850 à 1927: 


A 19 de agosto de 1882 o padre Dr. Santos Pereira seguiu, doente, para a capital da Bahia, donde era filho. Ali faleceu a 22 de outubro daquele ano. Contava 58 anos de idade, pois nascera em 1824. Fora casado, negociante, lavrador, subdelegado de polícia e capitão da Guarda Nacional na sua província, Bahia.
 Residiu em Manaus por mais de doze anos. Era o irmão mais velho de Dom Manoel dos Santos Pereira, que faleceu como bispo de Pernambuco.
 Dom Manoel nascera também na capital da Bahia, a 12 de março de 1827. Recebeu a ordem de presbítero em 1853. Foi visitador do arcebispado da Bahia em 1856, e depois professor no seminário, cônego da Catedral, examinador sinodal, vigário-geral e desembargador da Relação Eclesiástica. Distinguido com o título de prelado doméstico do Santo Padre Pio IX, serviu, duas vezes, como vigário capitular da Bahia. Em 1890, preconizado bispo titular de Eucarpia e nomeado bispo auxiliar de Dom Antonio de Macedo Costa, no Pará e Amazonas, foi sagrado em São Paulo, a 31 de agosto do mesmo ano.
 Eleito bispo de Olinda em 1893, tomou posse da diocese, a 29 de dezembro desse ano. Sentindo-se agravarem-se os seus padecimentos em Pernambuco, retirou-se para a capital da Bahia, onde faleceu a 25 de abril de 1900.
* * *O padre José Lourenço da Costa Aguiar (que mais tarde foi o primeiro bispo da Diocese do Amazonas), foi nomeado vigário-geral do Alto Amazonas por provisão do Bispo Dom Antonio de Macedo Costa, de 9 de janeiro de 1877, em substituição ao padre Dr. Santos Pereira. Aqui chegando, prestou juramento e entrou em exercício a 16 do mesmo mês. A 29 de abril retirou-se para Belém, onde, ao chegar foi, por Portaria do governador do bispado, cônego Sebastião Borges de Castilho, de 4 de maio, nomeado cura interino da freguesia da Sé e assumiu o exercido no mesmo dia. Foi confirmado no curato, por provisão de D. Antonio, de 22 de novembro desse ano, e nele sempre reconduzido até 1889, quando pediu e obteve exoneração.
 O padre Costa Aguiar, proposto por Dom Antonio, em 2 de agosto de 1876, para a cadeira de cônego da Sé, vaga pelo falecimento do cônego Estulano Alexandrino Gonçalves Baião, foi apresentado, por carta imperial de 18 de janeiro de 1877, pela Princesa regente em nome do Imperador. Confirmado nesse cargo, de acordo com as instituições canônicas, por provisão de 13 de março do mesmo ano, passada pelo governador do bispado, cônego Borges de Castilho, quando o padre Costa Aguiar saiu de Manaus, a 29 de abril, já era cônego da Sé do Pará. O padre Raimundo Amancio de Miranda, nomeado vigário-geral do Alto Amazonas e vigário interino da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios desta capital, por portarias do Bispo Diocesano, Dom Antonio de Macedo Costa, datadas de 11 de novembro de 1878, chegou a Manaus a 6 de dezembro do mesmo ano.
 No domingo, 22 do mesmo mês, às 7 horas da manhã, instalou a nova paróquia de N. S. dos Remédios, instituída canonicamente pela provisão de 22 de outubro daquele ano do Sr. Bispo Diocesano. Disse a sua primeira missa paroquial, produzindo nessa ocasião um formoso discurso.
 O Amazonas, o decano da imprensa de Manaus, naquela época, assim noticiou a instalação da paróquia de N. S. dos Remédios, na sua edição de 25 de dezembro:
"No dia 22 do corrente mês, às 7 horas da manhã, foi instalada a paróquia de N. S. dos Remédios pelo vigário-geral da província do Amazonas, o padre Raimundo Amancio de Miranda, que chegou a esta capital no dia 6 do dito mês, vindo a bordo do vapor Marajó.Sua Revma., depois de ter celebrado o santo sacrifício da missa, ato este que foi bastante concorrido, fez uma predica que a todos muito satisfez.
A tão distinto sacerdote, pois, cumprimentamos e dirigimos os nossos emboras, não só pela sua chegada entre nós, como pela mencionada instalação".
 Estão ainda muito vivos na memória do povo, para que os recordemos agora, os assinalados serviços prestados a esta terra, que era a sua, pelo benemérito amazonense padre Amancio de Miranda.
Educado sob os auspícios do genial bispo Dom Macedo Costa, que tinha o segredo, no dizer de um jornalista contemporâneo, "de procurar pérolas esparsas nas densas florestas amazônicas e com elas ornar o céu da ciência." O padre Amancio de Miranda chegou com o talento de que dispunha a emparelhar à figura homérica de seu benfeitor: tal a eloquência de sua palavra, tal o prestígio de sua autoridade.
 O padre Amancio de Miranda não foi só um distinto sacerdote, um orador consumado, um notável jornalista, mas, a par de tão eminentes qualidades de espírito, sua revma. ocupou as mais elevadas posições sociais, que a um amazonense, até então, foram dadas a ocupar em sua terra: foi presidente da Província, por duas vezes; fundador da Santa Casa de Misericórdia e seu provedor; fundador da paróquia de N. S. dos Remédios e do patrimônio da Diocese; diretor geral da instrução pública; diretor geral dos índios; professor do Lyceu Amazonense, hoje Gymnasio Pedro II; diretor do Instituto Amazonense; reitor e professor do Seminário de São José, onde se prepararam muitos moços, que, atualmente, ocupam saliente papel na alta magistratura, no funcionalismo público, no comércio e nas profissões liberais etc.
 Não foi um desconhecido que passasse pelas altas regiões do poder, foi um benemérito da Pátria, filho do trabalho e da pobreza honrada que, no esforço próprio e no mourejar de cada dia, conseguira elevar-se entre os seus concidadãos, exercendo posições eminentes na administração pública do Amazonas.
 No período agitado da Questão Religiosa, o padre Amancio de Miranda, ainda muito moço, prestou assinalados serviços à Igreja, distinguindo-se na tribuna e na imprensa, onde fez espargir as primícias de sua peregrina inteligência ao serviço de uma vasta erudição. Da sua vida de combate intensa e fecunda legou aos seus conterrâneos, à esta terra que ele tanto amara, a lição exemplaríssima de ser grande nos faustos do poder e maior ainda na constrição da adversidade, de ser pobre, quando dispunha do prestigio do governo e ficar mais pobre ainda ao deixar o governo para voltar à obscura mais sublime missão do apostolado católico. Falaremos do padre Amâncio de Miranda mais adiante.
* * *Em 1880, em substituição ao padre Amâncio de Miranda, que fora nomeado reitor do Seminário de São José, foi nomeado vigário interino da paróquia de N. S. dos Remédios o padre amazonense João Rodrigues de Assunção, que residiu cerca de dois anos entre nós e gozou sempre da estima geral, sendo muito querido dos seus paroquianos pelas suas maneiras afáveis e reto espírito.
 O padre João Rodrigues, que exercia também o cargo de professor de Latim do Liceu Amazonense, faleceu, em 10 de julho de 1882, em Tauapessaçu, no rio Negro, para onde seguira em maio, em procura de alívio aos seus sofrimentos.
"A morte desse digno sacerdote, disse o presidente da Província, Dr. José Paranaguá, ocasionou para a instrução pública da Província uma perda bem sensível". (SEGUE) 


quarta-feira, agosto 12, 2015

IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS

Este post foi sacado do livro Egreja de Nossa Senhora dos Remedios: uma perigrinação evocadora do passado (Manaus: Imprensa Oficial, 1927), de autoria de João Batista Faria e Souza, que se identificava pelas iniciais J. B. Autor de várias obras sobre a história do Amazonas, todas "fora de catálogo", J. B. desapareceu de nossos cuidados.
Capa da publicação

Apenas, creio eu, segue homenageado pelo IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), na condição de patrono de uma das Cadeiras daquela agremiação.
Na condição de redator do Diário Oficial, J B aproveitou para extrair de documentos oficias páginas e páginas da evolução de nossa cidade e de muitos de seus abnegados habitantes. Ainda de seus cuidados, o IGHA guarda uma hoje pequena parte da coleção de jornais publicados em Manaus, desde a origem da Província, organizada pelo mencionado J. B.

Os vigários da capela de N. S. dos Remédios desta cidade, desde 1850 à 1927:

Incendiada a igreja da freguesia, padre João Antonio da Silva passou a servir na capela de N. S. dos Remédios. Era então Vigário-Geral da Província o cônego Joaquim Gonçalves de Azevedo, que faleceu como arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil a 6 de novembro de 1879.
Em fevereiro de 1855, o bispo do Pará e Amazonas, Dom José Afonso de Moraes Torres, resolveu permitir que, na capela do Seminário de São José, se administrassem todos os Sacramentos até que se edificasse uma Igreja Matriz. Nesse ano, a 10 de agosto, pelo aumento de serviço eclesiástico, foi nomeado coadjutor o padre Antonio Tavares Dornelas, que indo ao Rio de Janeiro no ano seguinte regressou a esta capital como capelão alferes da Repartição Eclesiástica do Exército. 
A 9 de novembro de 1856, apresentou-se ao comandante das Armas e, a 10, foi mandado admitir como adido ao Corpo Provisório da Província, "a fim de ser empregado como conviesse ao serviço". O padre Dornelas, que continuou como coadjutor do padre João Antonio, foi nomeado professor da escola de primeiras letras mandada estabelecer na guarnição do Amazonas por Aviso do Ministério da Guerra, de 19 de agosto de 1853. Essa escola foi instalada, nesta capital, a 3 de novembro de 1858.
Em Aviso desse Ministério, de 4 de abril de 1859, foi determinado que o capelão alferes padre Dornelas seguisse para o Rio Grande do Sul, para servir na guarnição dessa Província.  O padre Dornelas seguiu para o Sul a 11 de junho daquele ano, deixando o cargo de coadjutor da freguesia desta capital.
A 26 de março de 1862, prestou juramento e entrou em exercício do cargo de coadjutor o padre José Maria Fernandes, nomeado por provisão de 25 do mesmo mês. A 8 de maio, foi nomeado coadjutor o padre João Antonio de Faria, que, a 16 de dezembro do mesmo ano, foi dispensado, a seu pedido. 
No ano seguinte, a 28 de fevereiro foi nomeado coadjutor o padre Belarmino Francisco Marfins Gafanho, que assumiu o exercício a 8 de março. Assumira a vigararia-geral e da paróquia o cônego Romualdo Gonçalves de Azevedo.
A 25 de setembro, no impedimento do cônego Romualdo de Azevedo, o padre Manoel Justiniano de Seixas assumiu o exercício desses cargos. Dispensado a seu pedido, foi substituído, a 27 de outubro, na paróquia pelo coadjutor padre Inácio Heinze, que havia sido nomeado a 24.
Este foi dispensado a 2 de novembro, sendo substituído pelo padre João dos Santos Ferreira. 
Falecendo o pároco João Antonio da Silva a 26 de fevereiro de 1863, foi nomeado vigário interino o padre Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque que, a 2 de julho desse mesmo ano, foi nomeado coadjutor. O padre João dos Santos Ferreira, chegado a esta capital no dia 22 de julho de 1864, tomou posse, a 23, do cargo de coadjutor, para que fora nomeado pelo Bispo a 16 do mesmo mês.
A 6 de janeiro de 1865 tomou conta da vigararia o padre José Jesus Maria Pinto. Em 31 de outubro do mesmo ano foi nomeado o padre Manoel José Sanches de Brito, vigário encomendado da freguesia desta cidade. Tomou posse a 6 de novembro. Era então coadjutor o padre Augusto Collére.Por provisão do Bispo, de 16 de julho de 1866, foi nomeado o padre Dr. Antonio José Bentes vigário-geral e pároco interino de Manaus. Assumiu o exercício a 23 do mesmo mês. No ano seguinte, a 5 de março, foi nomeado reitor do Seminário de São José, continuando como pároco e vigário-geral. 
A 4 de dezembro desse mesmo ano (1867) o padre Bentes obteve dois meses de licença para ir a Belém. O requerimento em que pedia essa licença ao Bispo era concebida nestes termos:
"Exmo. e Revmo. Sr.O padre Dr. Antonio José Bentes, vigário-geral do Alto Amazonas, pároco interino de Manaus, precisando chegar a cidade de Belém da Província do Pará, a negócios de família, e também conferenciar com V. Exa. a respeito desta paróquia, vem pedir a V. Exa. três meses de licença, para esse fim, deixando encarregado da paroquia o reverendo padre Torquato, residente nesta cidade, do que esperaR. M.Manaus, 25 de novembro de 1867.Padre Antonio José Bentes.
DESPACHO:Concedemos dois meses de licença.Paço Episcopal, 4 de dezembro de 1867.+Antonio, Bispo do Pará".
 Ficou na direção da vigararia-geral do Alto Amazonas e da paróquia de Manaus, o reverendo padre Torquato Antonio de Souza. O padre Antonio José Bentes era doutor in Sacra Teologia pela Academia de Santo Apolinário, em Roma. 
O sitio Caxangá, no igarapé dos Educandos, onde está hoje construída a Usina Brasil Hevea, pertencia ao padre Bentes, que tinha ali a sua residência. O padre Bentes, já então cônego da Catedral de Belém, faleceu a 15 de abril de 1883, nessa cidade.
O padre Bentes, outra vez licenciado, foi substituído pelo coadjutor padre Augusto Collére e, mais tarde, pelo frei Samuel Luciani. 
Por provisão do Bispo, de 31 de março de 1869, foi nomeado o padre Dr. José Manoel dos Santos Pereira, pároco de Manaus e vigário-geral do Alto Amazonas. Foi apresentado por decreto de 12 de janeiro de 1870.
Em 25 de março do mesmo ano prestou juramento, como vigário colado da freguesia de N. S. da Conceição de Manaus. 
Sobre esse vigário escreveu o presidente, tenente-coronel João Wilkens de Mattos, no relatório com que abriu a Assembleia Legislativa da Província, a 25 de março daquele ano:
"Acha-se entre nós o Revmo. padre Dr. José Manoel dos Santos Pereira, vigário-geral da Província, e da paróquia desta capital, em que foi apresentado por decreto de 12 de janeiro último. A presença desse ilustre sacerdote tem levantado do abatimento moral e material o culto divino, que tanto havia sido esquecido nesta capital.A igreja dos Remédios, que serve de Matriz desde 1851, achava-se em um estado pouco decente.Reconhecendo eu o zelo e inteira dedicação no padre Dr. Pereira, não me demorei em prestar-lhe todo o auxílio compatível com as minhas atribuições. De acordo com ele, e sob a direção do chefe das obras públicas, tratei de regenerar, na parte material, o único templo em que os ofícios divinos eram e são celebrados. Essa igreja atesta o zelo apostólico de seu vigário, e contrasta singularmente com o passado.Sois testemunhas dos melhoramentos que esse templo recebeu, e do esmero do seu pároco, cuja palavra se faz ouvir todas as vezes que o cumprimento dos deveres de um bom pastor o exige. Não podem haver justas queixas contra o indiferentismo do atual vigário; ele é incansável, e extremamente devotado ao seu ministério"

* * *
Em 1872, visitaram esta capital os respeitáveis Prelados desta diocese e da do Rio Grande do Sul. Chegaram a 13 e regressaram à Belém a 20 de outubro daquele ano. Ambos pregaram e celebraram na igreja de N. S. dos Remédios.
A população de Manaus mais uma vez manifestou os seus sentimentos religiosos, por ocasião da recepção de tão dignos luzeiros da Igreja Brasileira.
O presidente da Província, que era então o Dr. Domingos Monteiro Peixoto (mais tarde barão de S. Domingos), e o vigário-geral e da paróquia, padre Dr. Santos Pereira, se viram cercados das pessoas mais gradas nas manifestações de apreço aos distintos hóspedes.

* * *
O vigário padre Dr. Santos Pereira percebia dos cofres provinciais os vencimentos anuais de 800$000 réis e o seu sacristão, Antonio José Corrêa (nomeado por provisão do vigário-geral de 30 de abril de 1870) os de 360$000 réis por ano, ou 30$000 por mês.
* * *
O padre Dr. Santos Pereira inaugurou a nova igreja matriz de N. S. da Conceição (hoje Catedral) em 15 de agosto de 1877, pronunciando um belíssimo discurso. (Segue) 

terça-feira, junho 02, 2015

GUERRA DO PARAGUAI (1865-70)

A Guerra do Paraguai segue promovendo debates. Ainda nesta semana, pode-se ler na revista Veja artigo sobre o assunto, onde o autor destaca a Batalha do Riachuelo, vencida pelo Brasil há 150 anos, em 11 de junho de 1865.
Distintivo de Voluntário
da Pátria

Escreve o articulista: “Nas salas de aula brasileiras, a Guerra do Paraguai é frequentemente retratada como uma injusta ação militar contra um país pacifico, patrocinada por interesses imperialistas ingleses. Essa versão não tem nenhuma base histórica”.

Entretanto, como tudo isso começou. Basta lermos abaixo a versão esposada por um contemporâneo daquele desastre sul-americano. Quando os minguados sobreviventes dos “voluntários” do Amazonas aqui desembarcaram, receberam justas homenagens. Parte dessas, estão descritas no Archivo do Amazonas (Ano I, vol. I, nº 4, de 23.abr.1907).

Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, filho do fundador da província do Amazonas, autor do trabalho abaixo, denomina aos voluntários de heróis, afinal estavam retornando do conflito. Tantas décadas depois, após estudos e estudos sobre a conflagração, autorizam a mudança no tratamento dos voluntários.
Ainda no texto, parece-me que o autor trocou o parentesco dos Nery citados. Marcelino era o pai de Silvério (major, que frequentou o campo de batalha, onde foi ferido na perna), que foi pai de Silvério (governador) e Constantino, entre outros.

DATA MEMORÁVEL

Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha

A 25 de julho de 1870 de volta do Paraguai, depois da terminação da guerra declarada de surpresa, a mais afrontosa ao Brasil, pelo tirano Solano Lopez, ferindo-nos na honra nacional, desembarcaram no porto de Manaus 55 bravos amazonenses, glorioso resto da grande falange de voluntários da pátria, que partiram do Amazonas para desagravar a Nação ultrajada tendo por divisa: vencer ou morrer!

O comandante deste punhado de heróis, que seria Benjamin ou Luiz Antony, se não morressem ambos no campo da honra, defendendo com as armas na mão briosa e denodadamente a sacrossanta causa da pátria, foi o valente e brioso capitão do exército Marcelino José Nery, natural do Pará, filho do não menos valente e brioso major Silvério José Nery e irmão do muito ilustre tenente-coronel do estado-maior de 1ª classe do exército, governador deste Estado, Dr. Antonio Constantino Nery.

Desembarcando na cidade de Belém este mesmo contingente de voluntários da pátria a 15 de julho do mesmo ano, o Diário do Gram Pará, na sua edição de 16, escreveu a seu respeito o seguinte: “Aquartelaram ontem no quartel de artilharia 55 voluntários amazonenses, as preciosas relíquias das legiões com que contribuiu o Amazonas para a desafronta da honra nacional ultrajada por Solano Lopez, e para a grande obra da redenção do povo paraguaio; vão para Manaus no vapor Belém”.
A sua chegada nesta capital foi rejubilosamente festejada pelo povo e pelo governo.
O presidente da Província, general Miranda Reis, o presidente do município, Dr. Canavarro, o vigário-geral, Pe. Dr. Santos Pereira, a imprensa representada pelo tipÓgrafo e escritor Cunha Mendes, grande número de cidadãos, e a Sociedade Ateneu das Artes, donde nascera a Emancipadora do Amazonas, representada por mim, como seu fundador, cheios do mais vivo entusiasmo, com alocuções análogas  manifestamos a gratidão da pátria a esses beneméritos amazonenses e o “jubilo, como disse o Comércio do Amazonas, na sua edição de 28, de que se achavam possuídos  por verem restituídos aos seus penates esses poucos que restavam da grande legião de romeiros da liberdade com que concorreu a província do Amazonas para debelar a ignorância, o fanatismo e a escravidão em que jazia mergulhado o desditoso, hoje feliz, povo do Paraguai.

O discurso do representante do Ateneu das Artes, sendo proferido na porta da igreja, em frente dos voluntários, sem os vivas ao imperador, ao conde d’Eu, ao presidente da Província, que substituíram por conta e risco do Comércio do Amazonas, os levantados à Nação Brasileira, à República e à Soberania do povo, resultou ao orador a intimação ali mesmo, de prisão por ordem do presidente, que uma hora depois ficara sem efeito.

No mesmo dia 25, também tinha sido intimado da sentença que o condenara no processo de responsabilidade de imprensa, que lhe movera Clementino José Pereira Guimarães, achando-se este na administração do Amazonas na qualidade de vice-presidente.

O discurso, “que em nome do Ateneu das Artes proferiu, como noticia o Comércio do Amazonas, o ilustrado senhor Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, na porta da igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em frente dos voluntários da pátria”, foi o seguinte:

Amazonenses que, da mais arriscada quão gloriosa cruzada, voltais cobertos de glória ao seio dos vossos penates; distinto e brioso paraense que ao vosso nome juntais o honroso título de artista, que vos confere a arte de Gutemberg, a quem foi dada a honra de comandar a tão denodados patriotas ao fim desta cruzada da liberdade, para onde cada cidadão se fizera um soldado, cada soldado um bravo, cada bravo um mártir à santa causa da pátria; recebam nas poucas palavras que neste momento vos ditam meu coração, em nome do Ateneu das Artes, dessa instituição popular, cuja divisa é a instrução e  a caridade, um voto do mais cordial e mais sincero reconhecimento, que vos tributa pelo heroísmo com que sempre vos prestastes nos combates em prol da liberdade, do direito, da justiça e da lei.Brasileiros, a vossa santa abnegação pelo amor da pátria só nos espartanos, nos valorosos companheiros de Leonidas no desfiladeiro de Termópilas, poderá achar exemplo.
A vossa abnegação pela pátria vos fez esquecer não só a família, como vos conduziu a que em holocausto oferecêsseis vosso precioso sangue à sua sagrada causa, contanto que se levasse de vencida à ponta de baionetas ou a fogo de fuzis e de bombardas a sanha do despotismo, que do divino rosto da liberdade havia apagado a luz para um povo inteiro, já que outros meios mais humanos, mais razoáveis, foram completamente baldados!
Fostes daqui em avultado número e apenas regressais poucos, mas bravos, para melhor atestardes às vindouras o heroísmo daqueles cuja glória permanecerá para sempre gravada na história, a fim de memorar valorosos feitos com que souberam eles proceder nos mais renhidos combates contra inimigos denodados, e nos quais tinham a mais gloriosa morte em sacrifício da vitória que para a pátria alcançavam.
Cruzados da liberdade, a pátria agradecida vos tece mil louvores como prova da mais inequívoca gratidão, e vos estende os braços para neles vos receber, qual mãe estremecida à idolatrados filhos, que, cegos pelos seus extremos, e o mais ardente amor, não trepidaram um só momento em ir afrontar perigos eminentes para defendê-la de um ultraje!
Diante do extermínio que a tudo parecia destruir qual seria a mãe que não se suporia órfã de seus caros filhos?!A vossa dedicação pela pátria vos tornou merecedores de honroso acolhimento que ela voz faz nesse momento.
Voluntários da pátria, a vossa missão está terminada, repetem milhões de bocas desde aqueles longes do Prata até as nossas recônditas florestas do Amazonas; mas o patriotismo e a religiosa devoção que observais pelas liberdades, de certo que bradarão mais alto, que essas bocas: ainda não!E não. A pátria ainda clama pelos auxílio de seus filhos, e, a vós, mais do que qualquer outro, porque já sabeis como se leva a liberdade a inóspitas e estrangeiras gentes, incumbe atender-lhe as queixas, para que nós então guiados pelo vosso desapego à vida em prol da sua causa vos possamos imitar.Assim como de vós exigiu ela, que levásseis a liberdade a um povo escravizado e fanático pelo despotismo, e fostes pronto em aceitardes o honroso mandato, com mais razão hoje suplica-vos alcanceis a de filhos seus, vossos irmãos, que gemem sob o jugo da mais negra e mais aviltante escravidão!
Escravidão! Triste condição a que chega o homem: o escravo não tem direitos a alegar, desde que não é mais senhor de si, não tem vontade, e é obrigado a sempre obedecer, sofrer calado, trabalhar e viver sem honra! E quantos brasileiros não vivem reduzidos a semelhante estado de degradação e envergonhados ocultam o nome de sua nacionalidade.
Cidadãos, cruzados da liberdade, vós jamais podeis sentir em vossos ouvidos o ecoar das queixas de tantos infelizes nossos irmãos, do vosso grêmio com desprezo sob o bárbaro e desumano jugo da escravidão.
A vós, pois, voluntários do Amazonas, ainda resta o sagrado dever de tomardes a iniciativa da emancipação desses nossos irmãos, que trazem estampados na fronte o estigma da escravidão, e a nós o de seguir o vosso exemplo.Viva a Nação BrasileiraViva a RepúblicaViva o bravo general CâmaraViva o Exército e a Armada brasileiraViva os voluntários do AmazonasViva o brigadeiro OsórioViva a soberania do Povo.


Quando publicou este discurso, o jornal Comércio do Amazonas mudou três desses vivas: o de Nação, para Sua majestade o Imperador; o de República, para S. A. o Conde d’Eu; e do Povo, para Exmo. Sr. Presidente da Província.

domingo, setembro 08, 2013

MANAUS: ANOS 1930 (2)


Praça do Comércio (hoje desfigurada), em 1933
Ainda seguindo as páginas do Amazonas: aspectos socioeconômicos (1930-1939), escrito por José Lopes da Silva (Manaus: SESC/AM, 1995). No capítulo abaixo, o autor descreve a situação de Manaus na década de 1930, observando diversas situações, algumas bem curiosas. 

MANAUS DOS ANOS TRlNTA 

A Inspetoria de Veículos oferecia o seguinte cadastro em 1936: automóveis de aluguel, 55; automóveis particulares, 58; caminhões, 71; bicicletas, 161; motocicletas, 4; carrinhos de bagagem, 42; carrinhos de frutas, 4; carroças, 22; carros de gelo, 6; animais de cangalhas, 115; cavalos de sela, 10 e 22 cavalos de corrida.

Outra evidência do início da década se constituía nos meios de comunicação escrita e falada, específico para o interior do Estado, na divulgação de informes de interesse governamental; e aquele, exercitado pela iniciativa privada constante de jornais e revistas e do Diário Oficial como órgão inerente aos atos e procedimentos do Poder Público, inclusive com edição aos domingos.


Em verdade, o veículo oficial se apresentava com dupla função: a de editar os atos oriundos do Poder Judiciário e de oferecer informações locais e nacionais, transcrição diversas de origem pública e privada, além dos programas de diversão. "Muito grato ficarei prezado amigo se numa das vagas do serviço sanitário ou da profilaxia ocorridas com a saída de Paulo Cerqueira fosse aproveitado o doutor Moraes Rego. Abraços. Efigênio” (nota: tratava-se de um telegrama do senador Efigênio Salles ao presidente Dorval Porto – Diário Oficial, 5 de outubro de 1930).

Outra interessante noticia reproduzia o bilhete seguinte: Rio de Janeiro, 12 de setembro (de 1930). "Meu caro Raimundo Moraes. Recambiado de Madri, onde não estou desde julho passado, recebi aqui o País das Pedras Verdes, que acabei ontem de ler. Como felicita-lo por mais essa obra-prima? V. é de fato um grande escritor e, além disso, um escritor inconfundível. Ex corde. Luís Guimarães.


Outro anúncio, esse de caráter mercantil exercido pelo próprio órgão: "Venda de hoje em diante (10.10.30) lindos álbuns do Brasil, ilustrados, encadernados, dourados a fogo. Próprios para fino presente a preço de Rs. 10$000 quanto cobramos por exemplar, chega ser irrisório. Pedimos ao publico para vir ver o famoso trabalho”.  Tratava-se, portanto, de uma originalidade que os tempos modernos não admitem mais o seu emprego, da mesma maneira, em noticiar os filmes que seriam oferecidos pelos cinemas Odeon, Politeama e Popular, sempre no horário noturno das 8h30, discriminando tanto o elenco como o número de partes de cada exibição.

Os convites naturais aos responsáveis de Na. Sa. de Nazaré em benefício da construção de uma capela, iniciativa de frei José de Leonissa, pároco de São Sebastião, "obreiro incansável da Fé e da Igreja”: “Ontem vieram a esta casa, a Sra. Emília de Castro Santa Cruz e senhorita Maria Cruz  Valdez, a convidar o nosso diretor para mordomo dos solenes festejos que a religião de Manaus promove em honra e benfazeja santa. Tais solenidades que constam de novenário e de quermesse em benefício  da capela de Nossa Senhora de Nazaré prometem revestir-se de desusado brilho”.
Faculdade de Odontologia, edifício atualmente integrado à
igreja de Nossa Senhora dos Remédios

A comunidade manauara servia-se do horário oficial adotado pelo Governo, de conformidade com o decreto específico, que indicava o Relógio Municipal situado à Praça Osvaldo Cruz como seu informante, após os melhoramentos elaborados pela administração Araújo Lima, assim como a partir de 3 de outubro de 1931 a 31 de março de 1932, assumia-se a "hora da economia da luz" (versão antiga do Horário de Verão) em cumprimento ao Decreto n.º 20.466, do Ministro da Justiça.
 
Outros acontecimentos comunitários:
 
• as audiências públicas na Interventoria Federal eram realizadas nas segundas e últimas quartas-feiras das 10 às 12 horas e na primeira e terceira terça-feira, de todos os meses, das 20 às 22 horas, sendo proibida a audiência às senhoras no horário noturno.

• no período de maio/dezembro de 1932, o Posto Lactométrico de Manaus aprovou para consumo os seguintes produtos: 839.470 litros de leite, 9.703 quilos de manteiga, 5.705 quilos de queijos e condenou 11.209 litros de leite pela sua má qualidade.

• o consumo de carne vermelha obtida do abate no Matadouro Municipal apresentou o seguinte resultado no ano: 15.384 bovinos com 2.418.700 quilos; 8.046 suínos com 387.500 quilos; 996 ovinos com 13.600 quilos e 89 caprinos com 750 quilos.

• embora sob promessa da realização da primeira viagem aérea para o dia 20 de outubro de 1933, ao Dr. Waldemar Pedrosa, Interventor interino, a Panair de Brasil somente realizou no dia 25, chegando de Belém às 16horas, cujo regresso ocorreu na manhã de 28 do referido mês.

• a iniciativa do jornalista Jorge de Andrade de solicitar ao funcionalismo estadual, voluntariamente, a doação de um dia de vencimento por mês, para auxiliar o Estado a cumprir seus compromissos externos, era um dos destaques do Diário Oficial do Estado, em virtude da adesão que "continuava a merecer o apoio de tão alevantada ideia".

• o trabalho benemérito da Cruzada Nacional da Educação sob a administração do Dr. André Vidal de Araújo, para cujo empreendimento a Associação Comercial contribuiu com 500 cartas de ABC, 500 tabuadas, 12 dúzias de lápis "Especial", 10 caixas de giz "Victória", 2 resmas de papel almaço "Victória" e 35 volumes de publicações diversas.

• Edezio de Freitas editava o primeiro Guia Turístico de Manaus, contendo inúmeras fotografias de edifícios e trechos de nossa urbe.

• a instalação da Sociedade dos Amigos das Árvores com o escopo primordial de incentivar o culto e proteção das árvores, concorrendo, também quanto possível, para evitar as devastações das nossas reservas florestais, já bastante desfalcadas pela imprevidência humana.
 
• algumas autoridades do início da década: Dr. Vicente Telles de Souza, diretor da Escola Normal; comandante Braz Aguiar da Marinha Nacional; Prof. Marciano Armond, prefeito de Manaus; Dr. Odilon Conrado, delegado Fiscal; Prof. Plácido Serrano, diretor de Instrução Pública; Dr. Jatyr Pucu de Aguiar, diretor da Repartição das Águas; Desembargador Hamilton Mourão, presidente do Tribunal de Justiça; Dr. Júlio Nery, Fiscal Federal de Ensino; Dr. Francisco Pereira, secretário-geral do Estado; Prof. Felismino Soares, secretário da Escola Normal; Dr. Gentil Bittencourt, secretário da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais.

• a Escola Royal , direção de Hylma e Zenir de Medeiros Raposo, realizou exames finais em 1º.11.30, com a presença do Prof. Agnello Bittencourt, na qualidade de presidente da Banca Examinadora, da senhorinha Sylvia Carneiro dos Santos e do Dr. Admar de A. Thury, examinadores, do Dr. Álvaro Maia, como paraninfo. Diplomados: Leonilda de Carvalho Barroco
Adrião, Plínio Ferreira dos Santos, Cecília Silva, Guilherme Marques de Souza, Gilberto Queiroz Rodrigues, Maria Fernandes Ferreira, Aurélia Albano Romero e Laura Couceiro.

• a nova diretoria da União dos Proprietários de Alfaiatarias de Manaus apresentava a seguinte composição: presidente - José M. Figueiredo; vice-presidente - José Bezerra; 1º secretário - Manuel Arraes P. Barreto; 2º dito - Guilherme Johnson; tesoureiro - José Mafra Filho. Diretores: José Alves Ribeiro do Souto e Nicolau Miguel; Conselho Fiscal: Inácio Coelho, Miguel Antônio da Silva e Assírio de Aguiar Silva.

• a Sociedade Portuguesa Beneficente tinha a seguinte administração: Presidente da Assembleia-Geral, comendador Joaquim Gonçalves de Araújo; 1º Secretário, barão Joaquim de Machado e Silva; 2º dito, José Corrêa dos Santos. Diretoria: Francisco da Silva Mattos Cardoso, presidente; Joaquim Pereira de Moraes Carneiro, vice; João Travassos Vinagre, 1º secretário;
Armando Arnaldo Ferreira de Miranda, 2º dito, José Pinheiro Vieira, tesoureiro; José Pereira Manarte, adjunto e Joaquim Pinto da Silva Junior, como procurador.

• concluíram o ensino secundário no triênio de 1934 a 1936, no Ginásio Pedro II e no Colégio Dom Bosco, 84,51 e 60 alunos respectivamente, enquanto na Escola Normal colocou a disposição da sociedade no mesmo período: 48, 52 e 53 professores de 1º grau.

• o ensino comercial no ano de 1936 apresentou um quadro de134 concludentes preparados pela Escola Solon de Lucena, Colégio Dom Bosco, Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Instituto Benjamin Constant e Escola Prática Senador Lopes Gonçalves.

• o curso superior nos anos de 1934 a 1936 teve a seguinte performance: Faculdade de Direito, 17 advogados, Faculdade de Farmácia e Odontologia, 66 profissionais e Faculdade de Agronomia, 16 agrônomos.

• a Santa Casa de Misericórdia atendeu 1.331 internações, sendo 772 do sexo masculino e 559 mulheres, enquanto o movimento do Hospício Eduardo Ribeiro foi de 23 homens e 22 mulheres, segundo o relatório do governador, Dr. Álvaro Maia, perante à Assembleia Legislativa do Estado no ano de 1936, com referência a assistência hospitalar sob a responsabilidade do Poder Público.

• a estatística criminal expressada pelo Estado, no ano de 1936, ofereceu o seguinte desempenho: 18 defloramentos, 22 estupros, 1 rapto, 4 atentados contra o pudor, 33 homicídios, 4 tentativas de homicídios, 44 lesões corporais leves, 18 lesões corporais graves, 2 castigos imoderados, 16 crimes culposos, 1 calúnia, 1 dano, 11 furtos, 2 estelionatos, 3 roubos 1 desacato, totalizando 182 contravenções e crimes.

• ocorreram em 1936: 21 suicídios, sendo 15 diurnos e 6 noturnos, tendo como causas presumíveis: amores/3, alienação mental/3, revés da sorte/4, doenças diversas/2, desgostos de família/2 e sem qualquer possibilidade de presunção/7. Os locais do infortúnio apresentaram como ambiente: casas de família/17, baia do Rio Negro/2 e casas de prostituição/2.

• a movimentação aeroportuária constituída de aeronaves, embarcações interioranas, navegação de cabotagem e de longo curso no ano de 1936, exibiu a seguinte performance: 55 aviões, 86 motores, 394 lanchas, 357 vapores e 56 paquetes, sendo sua procedência do interior (621), outros Estados (240) e do exterior (87).

quarta-feira, maio 22, 2013

IGREJA DOS REMÉDIOS (2ª Parte)


LIGEIRO HISTÓRICO DA IGREJA DE N. S. DOS REMÉDIOS
Francisco Bemfica (*)

Altar da igreja dos Remédios,
2004
A 16 de dezembro de 1901, foi solenemente realizada a colocação de uma pedra fundamental para uma nova igreja. Dois anos após, em agosto de 1903, já se achava pronta a sua capela, cuja benção lhe foi lançada a 14 do mesmo mês.
Ainda no referido ano, a lei municipal nº 307, de 2  de setembro, autorizava a Superintendência (prefeitura) de Manaus, a “auxiliar com a quantia de 5.000$000 as obras de reconstrução da igreja dos Remédios”. Outra lei municipal, nº 385, de 20 de dezembro de 1904, dava-lhe outro crédito de mais 5.000$000 para seu auxílio no orçamento de 1905.

Por outro lado, monsenhor Antero José de Lima, que fora em 1901 nomeado vigário da paróquia, despendia esforços para uma definitiva reconstrução da igreja.
Dom Irineu Jofilly
Nesse sentido, convidou seus paroquianos para uma reunião que se realizou a 21 de março de 1904, para a escolha, dentre eles, de “alguns para auxiliarem na indicação de medidas práticas, lembrando cada  um o que  achasse melhor”. Escolhida a comissão, esta ficou assim composta: coronéis Antônio Bittencourt, Ramalho Junior e Francisco Bittencourt; doutores Rodrigo Costa e Elias Tomé de Souza. Eram secretários os coronéis Felipe Minhós e Lopes Braga.
Pelos esforços dessa comissão e a boa vontade dos paroquianos, foram os trabalhos de reconstrução iniciados em agosto de 1905, ficando a direção técnica sob as vistas do arquiteto José Antônio Gomes.
O Congresso, em 6 de outubro do citado ano, apresentava uma emenda, com nº 39 ao projeto nº 11, em que ficava o Governo autorizado a “pagar 40.000$000, a título de indenização, à igreja dos Remédios, pela cessão do terreno em que se acha construído a escola Públio Bittencourt”, hoje secretaria-geral da Instrução  Pública”. Essa emenda foi aprovada na sessão seguinte, a 17 do mesmo mês.

Mas, apesar desses auxílios, dos óbolos dos católicos e a boa vontade da comissão, anos depois, as obras, mais uma vez, eram paralisadas...
* * *
Sob a direção de Dom Irineu Jofilly, em 1920, foi reiniciada, definitivamente, a reconstrução da igreja começada em 1901 com o lançamento de uma pedra fundamental. Organizaram-se listas para os fieis e pessoas amigas contribuírem mensalmente com qualquer importância.
Dessas listas a maior contribuição era de 50$000 (cinquenta mil réis), e a menor 1$000 (mil réis). Afora essas contribuições mensais, outras eram recebidas em esmolas avulsas. E tão grande foi a caridade dos católicos que em setembro de 1922 os óbolos recebidos perfaziam o promissor total de 88.676$100.

* * *
A bondade cristã da Sra. D. Zila Amaral, levou-a a ofertar à igreja uma belíssima imagem de N.S. dos Remédios, de tamanho natural. A benção da nova imagem foi levada a efeito no dia 16 de março de 1923, às 16h30, mais ou menos. Ato brilhante, que muito rejubilou os católicos e o povo.


Serviram de paraninfos os senhores comendador J.G. Araújo, coronel Leopoldo de Mattos, Dr. Samuel Uchoa, desembargador Paulino de Mello, Dr. João Baptista de Faria e Souza, coronel Pedro de Souza, coronel Pedro Cavalcante, Francisco Bonates, desembargador Luna Alencar; e as Senhoras Eliza de Rezende do Rêgo Monteiro (esposa do governador), Cândida Monteiro, Lucia Murity, madame Brestilau de Castro, Lucinda de Faria, Leopoldina de Brito Pereira, Brasilina Cândida de Lima, Francisca Monte de Assis, Emília Reis (mãe de Arthur Reis), Maria Emília Moraes, Virgínia Azevedo Pessoa, madame Flávio de Castro, Benvinda Coelho, Mercedes Madureira de Pinho, Alcinda Sá Antunes, Nini Jardim, Filomena Castelo Branco, Esmeralda Cassiana e a família Borba.
Atingiu a 1.680$000 o total de óbolos oferecidos pelos paraninfos, sendo maior o do comendador J. G. Araújo, que foi 1.000$000 (um conto de réis).
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Falecendo, a 11 de outubro de 1924, monsenhor Antero José de Lima – “um dos vultos mais representativos do nosso clero” – passou a desempenhar o cargo de vigário da freguesia dos Remédios monsenhor Dr. Raymundo de Oliveira, nomeado por Dom Basílio Pereira, bispo da Diocese do Amazonas.


Monsenhor Alcides
Albuquerque, vigário dos
Remédios
Monsenhor Oliveira não poupou esforços para terminar as obras da igreja, que há tanto tempo vinham sendo começadas e logo interrompidas, e que foram a grande preocupação de monsenhor Antero. E afinal, com mais um pouco de esforço, auxiliado sempre pelo generoso povo católico do Amazonas, que jamais se negara a amparar essa obra de tanto valor moral, que há muito vinha desejando se consumasse, conseguiu monsenhor Oliveira terminar, definitivamente, a reconstrução da antiga ermida erguida em 1817.


* * *
E hoje – quando na Espanha e na Rússia se destroem num vandalismo louco centenas de catedrais – a igreja N.S. dos Remédios é mais um templo que possuímos para, num recolhimento sagrado, numa fé verdadeiramente cristã, orar pelos que merecem piedade... pelos inconscientes... por todos os desgraçados que, por falsas religiões, pretendem sem jamais conseguir negar a existência de um poder sobrenatural, formidando, único dominador do cosmos e que leva o homem, mesmo sendo um descrente de sua força, no momento mais crítico de sua vida, quando já não mais espera dos recursos terrenos, a voltar os olhos para os céus e numa derradeira prece clamar – Deus!

Março de 1932.
(*) Reproduzido da revista Victoria-regia, abril de 1932. O autor do texto era diretor e redator da publicação.