CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de dezembro de 2011

Natal inesquecível

Roberto Mendonça, Natal 2011
Escolhi passar o Natal bem longe de casa, para isso tomei os caminhos aéreos e as vias terrestres, e aportei em Florianópolis (SC). Tudo parecia estar no mesmo lugar, desde quando usufrui desta cidade durante um semestre, há quase três décadas.

Com hotelaria farta na Ilha, tornou-se fácil a hospedagem. E, como propala o slogan hoteleiro, estava no centro de tudo. Observei a cidade enfeitada para essa festa familiar. As lojas cheias, no movimento geral. Programei a missa do galo, agora rezada no início da noite.
Mas me faltou muito, pois a festa do Natal é bonita, portanto, é difícil encontrar quem não goste.  Deixe para trás os meus mais próximos. E para complicar, uma chuva fina e persistente desabou sobre a Ilha, deixando-me ”ilhado” na Ilha. A chuva durou vinte e quatro horas. O restaurante do hotel falhou e passei outros incidentes mais, foi assim que curti meu Natal inesquecível.

Aproveito esta post para, aproveitando o Natal, abraçar a quantos me entusiasmaram com suas visitas e comentários. E para marcar a data, reproduzo o soneto do saudoso poeta Jorge de Lima.

POEMA DE NATAL
NUMA certa noite de Natal,
aquele homem de uma grande metrópole
queria um abrigo para passar a noite;
um reveillon, uma mulher ou mesmo um bar servia,
Mas todas essas coisas tinham muitos corações
por dentro delas.
E, entretanto, todas essas coisas estavam muito vazias,
O homem foi, então, passear pelas ruas;
mas o povo era tanto que o homem
pedia um abrigo para se livrar dos outros,
E o homem fugiu da metrópole
e buscou os caminhos que vão ter
às pequenas aldeias.
Mas o povo que vinha nos caminhos
para a grande metrópole
esbarrou no homem sem abrigo.
E foi então que os sinos de Cristo
começaram a chamar o homem fugitivo
para o novo caminho em que Jesus seguia.
Excedente de A Túnica Incontil. Publicado em o Estado da Bahia, Salvador, 24 dezembro 1938