CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

2 de dezembro de 2011

Morte do comandante Ventura: 50 anos (2/5)


Há 50 anos, em 6 dezembro, desaparecia o comandante Ventura, condutor da Sociedade dos Bombeiros Voluntários de Manaus (1952-63). Vítima de acidente de trânsito, quando regressava do combate ao fogo em dependências do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram), na rodovia Torquato Tapajós.

O Jornal. Mnaus, 9 maio 1956
 
Em veneração ao ilustre personagem da história amazonense, durante esta semana vou postar o capítulo que elaborei para o livro Os Bombeiros do Amazonas, ainda em processo editorial. Sigo transcrevendo sucinta biografia de José Ventura, escrita por sua filha.

Após o casamento, em 1930, o casal veio morar na Lusitana Industrial Ltda., à rua Alexandre Amorim, 289, Aparecida, onde mais tarde seria a sede dos Bombeiros Voluntários de Manaus e hoje funciona o Fórum Des. Mário Verçosa.
A Lusitana produzia juta alcatroada, material para calafetar embarcações; botões de jarina e de ossos, e fundição. Minha mãe, usando macacão como todos os empregados, trabalhava junto. Talvez tenha sido a primeira mulher a usar uma vestimenta masculina, em Manaus. Estamos falando da década de 1930, em diante.
A fábrica ia bem, até que sofreu um incêndio. Aconteceu ao tempo da Segunda Guerra, na mesma ocasião em que o navio Baipendi foi a pique. Minha mãe, que assistiu os primeiros momentos da tragédia, contou-me que o incêndio começou quando uma empregada propositalmente jogou um fósforo aceso na juta, material bastante inflamável.
O fogo espalhou-se rapidamente, destruindo grande parte da fábrica, restando apenas a fundição. Os bombeiros municipais pouco puderam fazer. A deficiência deles era bastante conhecida, agravada pelas deficiências da cidade, como a falta de água e de hidrantes.
Algum tempo depois, ocorreu outro grande incêndio. Na fábrica de bebidas de Virgilio Rosas, situada à rua Marcilio Dias, no Centro. Aconteceu em agosto de 1951. A família dele, que morava no andar superior da fábrica, quase morreu. Seu Virgilio, que muito havia nos ajudado na ocasião do incêndio da Lusitana, tornara-se ainda mais amigo de meu pai. Por isso, uma grande tristeza tomou conta de nossa casa.
Foi a partir dessas tragédias que meu pai decidiu criar o serviço de bombeiros voluntários, despertando-lhe o voluntário que fora na cidade natal. E logo aconteceu. Meu pai, então, transformou-se no comandante Ventura.
Para isso, ele conseguiu ajuda da colônia portuguesa, a maioria seus amigos; de parte dos governos; contou com jovens do bairro de Aparecida e adjacências, e instalou o posto no próprio terreno da fábrica e da moradia. Dessa sorte, o telefone de casa e da Lusitana era também o dos voluntários: anote ¾ 2513.
Os voluntários passaram logo a funcionar, mas a Sociedade dos Bombeiros Voluntários de Manaus (SBVM) somente foi fundada em 24 de abril de 1952. Aqui se manifestaram os amigos de meu pai, cuja relação se encontra nos estatutos da associação. Na primeira reunião, o comandante Ventura foi eleito diretor do voluntariado e somente o deixou com sua morte. (segue)