Fascículo 1
CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
segunda-feira, março 30, 2026
MEUS OITENTANOS (1)
domingo, abril 28, 2024
INSTITUTO VACINOGÊNICO: MANAUS 1906
A postagem reproduz a notícia sobre a inauguração do escudo municipal no futuro Instituto Vacinogênico (destinado à produção de vacinas e à própria vacinação como forma de combater doenças infecciosas), instituição sanitária muito em voga no início do século 19. Não há notícia de quanto durou este estabelecimento, e até se funcionou. O prefeito Adolpho Lisboa, também comandante da Polícia Militar estadual, por demais esquisito, não compareceu, apesar de que haveria uma solenidade na Vila Operária com seu nome, construída no hoje bairro de Aparecida.

Brasão do município de Manaus

Notícia circulada no Jornal do Commercio,
22 novembro 1906
Realizaram-se ontem, às 7 ¹/² horas da manhã, as cerimônias de que demos notícia, inaugurando-se o escudo municipal na fachada do edifício em que vai ser instalado o Instituto Vacinogênico desta cidade, e, sendo em seguida, colocada a primeira pedra do sexto grupo da “Vila Operária Adolpho Lisboa”, no Plano Inclinado. O ato foi presidido pelo dr. Thaumaturgo Vaz, secretário do Município e representante do exmo. sr. coronel Adolpho Lisboa, digno superintendente desta capital.
Da solenidade da colocação da pedra, lavrou-se a competente ata, que foi assinada por todos os presentes. No cofre depositado sob a referida pedra foram encerrados os exemplares dos jornais do dia e diversas moedas brasileiras, francesas, chilenas e argentinas. Falou, por essa ocasião, o dr. Thaumaturgo Vaz, o qual, em nome do coronel Superintendente de Manaus, disse que sua exa. sentia-se feliz pelo auspicioso acontecimento que marcava um grande melhoramento à cidade, para o engrandecimento da qual não poupava esforços, trabalhando sem cessar no sentido de rodear os seus munícipes de todos os benefícios e confortos.
Estiveram presentes na bela festa, entre avultado número de pessoas, cujos nomes não nos foi possível reter, os dr. Thaumaturgo Vaz, representando o sr. coronel Adolpho Lisboa; dr. João Carlos Antony, chefe da seção de Obras da Municipalidade; dr. Theogenes Beltrão, chefe do Serviço Sanitário do Município; coronel Avelino Rodrigues, diretor-geral da Secretaria Municipal; cônsul francês, mr. Victor Derbés, construtor da “Vila Operária”, e tenente-coronel [Guarda Nacional] Henrique Rubim, pelo JORNAL [do Commercio].
Mr. Victor Derbés ofereceu aos convidados um Iunch, bebendo, por essa ocasião, o sr. cônsul francês pela felicidade do ilustre superintendente Adolpho Lisboa, de quem disse ser amigo dos seus compatriotas e grande auxiliador dos estrangeiros que aqui vêm trabalhar. Esse brinde foi correspondido pelo representante de s. exa. que em frases eloquentes agradeceu as lisonjeiras palavras do sr. cônsul, saudando, por sua vez, em nome do município de Manaus e de seu superintendente, à Pátria Francesa.
domingo, maio 16, 2021
TRÂNSITO EM MANAUS
Em trabalho para o Batalhão de Policiamento de
Trânsito (BPTran) recolhi de jornal local esta imagem, que mostra um ônibus construído
de madeira, em uso na capital, e a exposição das mazelas do transporte
coletivo, que segue assombrando os usuários. Fato ocorrido há quase 50 anos.
Edição do Jornal do Commercio,
em 7 nov. 1971
Ônibus sem nenhuma condição de conforto,
esquema de viagens que repousa no mais intolerável descaso; todos esses ingredientes
têm um só significado: Constantinópolis Transporte Coletivos, empresa
concessionária da linha de veículos do bairro de Educandos.
Além de tudo isso, a empresa
possui veículos em número não suficiente, que prejudica o seu péssimo
funcionamento quando algum tem de ir para o conserto.
Às terças-feiras, e quando há jogo
de futebol, a determinação dos dirigentes é de colocar os veículos no
itinerário da rua Luís Antony. E que se lixe quem procurar um desses veículos
nas paradas do centro da cidade, principalmente à noite, problema que já vem
sendo veemente reclamado e combatido.
quarta-feira, fevereiro 19, 2020
CORPO DE BOMBEIROS MUNICIPAIS (1952)
| Capa do livro |
sábado, maio 18, 2019
EFEMÉRIDES FAMILIARES
| Manuel Mendoza |
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| Ivo Manuel (à esquerda) com o autor, saboreando o escocês |
sexta-feira, maio 03, 2019
OS COLETIVOS DE MANAUS
Alguns detalhes para a história do transporte coletivo de Manaus, em particular do bairro de Educandos, sacados do matutino A Crítica, de março de 1969, portanto, há 50 anos.
| Recorte de A Crítica, 1º março 1969 |
O velho e populoso bairro de Educandos vai também possuir ônibus modernos. A Constantinópolis Transportes Coletivos que o serve há anos, acaba de adquirir dez novos e modernos transportes, que chegarão de São Paulo dentro de mais trinta dias.Seus principais sócios, Júlio Nogueira, Agenor de Souza Segadilha e José Maria de Souza Martins, entregaram ontem ao gerente da IMESA o cheque no valor de 48 milhões, de cruzeiros antigos, que totalizaram 96 milhões para a aquisição de dez ônibus metálicos, carroceira em Duralumínio, marca Striulli, montados em chassi Ford, série F600. Cada ônibus atenderá confortavelmente a 33 passageiros sentados.
O gerente da IMESA, que aparece recebendo o cheque da Constantinópolis, seguirá hoje à tarde para São Paulo de onde trará os ônibus que chegarão a Manaus em princípio de abril. Naquela data, a empresa retirará da linha de Educandos os “cavalos de pau” que servem o bairro desde 1952, e que já prestaram valioso serviço àquela população.Antes, corriam avulsos agrupando-se numa só empresa, que vem dando todo esforço no sentido de melhor servir cada vez mais os moradores de Educandos e, por consequência, a Zona Franca de Manaus.
quinta-feira, julho 26, 2018
CONSTANTINÓPOLIS
Bairro que congrega milhares de gente humilde; um pedaço esquecido de Manaus que ainda espera a proteção dos poderes públicos; trincheira onde permanece um exército de trabalhadores pelo engrandecimento desta terra infeliz — Constantinópolis possui, como os demais bairros de Manaus, a sua própria vida, os seus próprios problemas e amarga também o sofrimento e a miséria. (...)
Presa fácil dos caçadores de votos; gente humilde e ignorante que se deixa levar pelos demagogos, ambiciosos — aquela gente de Constantinópolis, sempre se apresentou como fator indiscutível na organização da sociedade amazonense, trabalhando nas mais difíceis tarefas; sendo ela aquela que, jamais se negou a lidar com o trabalho mais sacrificado das fábricas e das usinas, ou a exercer outras tarefas também medíocres, mas sempre honradas; mas mesmo assim nunca foi olhado com a consideração que merece; nunca recebeu o amparo de que necessita, e daí os mais desprimorosos conceitos que se lhe fazem.
Ali permanece uma infância infeliz, que não sentindo a assistência necessária, é obrigada a enveredar pela senda do crime e da prostituição. Bairro populoso, sustentáculo de nossa economia porque dali saem os homens que lidam nos mais duros trabalhos; bairro essencialmente operário, Constantinópolis carece de mais escolas e é merecedor de melhor sorte. Embora seja um dos mais populosos bairros de Manaus, ainda não compreenderam os poderes públicos que Constantinópolis já necessita de um hospital. Ao contrário, desassistido e pobre, doentio na sua maioria, aquele povo não dispõem nem ao menos de postos médicos onde possa se socorrer nos casos mais urgentes.
Sem um policiamento rigoroso; carecendo de luz e de água; sem ao menos uma feira onde comprar o alimento; com suas ruas e becos sempre em completa escuridão –Constantinópolis se transformou em campo aberto à ação dos criminosos, dos ladrões audaciosos, que assaltam em plena via pública ou chegam ao ponto de arrombarem residências, porque lhe falta a vigilância policial. A esta, porém, façamos justiça, não cabe exclusiva culpa porque aqueles becos em completa escuridão se apresentam como armadilhas traiçoeiras, onde o crime se verifica, e o criminoso se acoberta, sendo difícil por isto mesmo a proteção policial.
Ali sim, é que se verifica a deficiência assistencial em que vive a infância do Amazonas. Aquelas prostitutas em corpo de meninas, são o efeito da desorganização em que vivemos. Elas, sem a proteção necessária, sem o chamamento ao caminho do bem, sem os recursos indispensáveis para o convívio num meio mais elevado, se transformam então em vítimas pela hipocrisia da chamada “alta sociedade” e de repasto aos instintos bestiais dos “bonitões” e endinheirados. Isoladas no seu próprio ambiente, como a uma barreira imposta ao desenvolvimento social pelos preconceitos e pelo seu estado de pobreza, são forçadas então a seguir o destino de todas as jovens infelizes e desassistidas, ignorantes e necessitadas – a prostituição. (...)
Filhos que não conhecem pais; meninos ignorantes que não veem uma esperança de melhores dias; juventude forcada a seguir o caminho do crime; bairro infeliz sem um hospital, becos escuros que são verdadeiras armadilhas; povo desprezado e sempre ludibriado pelos políticos despudorados, são os complementos desse quadro entristecedor que se denomina Constantinópolis: expressão maior de miséria e sofrimento.
sábado, maio 26, 2018
CONSTANTINÓPOLIS - 1952
| Diário da Tarde, 8 de julho de 1952 |
A reportagem compartilhei do Diário da Tarde (8 julho 1952). Nesta data, eu morava na rua Inácio Guimarães, onde dez dias depois minha mãe - gravemente enferma - viria a falecer, e o Cine Vitória estava em obras.
domingo, outubro 30, 2011
PONTES DE MANAUS (3/4)
Mas a história desta ponte tem outro componente, a própria comunidade, sob a liderança de Jacques Souza Lima, Júlio Barbosa e Pedro Telles, que fundam a Sociedade Esportiva de Constantinópolis. Isto e tudo sobre o bairro de Educandos quem melhor narra é o jornalista Cláudio Amazonas.
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| Detalhe do jornal comemorativo, editado por Cláudio Amazonas, vendo-se o governador Efigênio Salles |
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| A ponte (à esq.) e a Baixa da Égua, na inauguração, no jornal comemorativo de Cláudio Amazonas |
Conforme acordado, o governo fez construir uma ponte romana sobre o igarapé. A engenharia buscou as margens mais próximas, encontrando no local denominado de Pancada.
A ponte, projetada e construída pelo engenheiro Antonio Rodrigues Vieira Junior, e iniciada em 1927, foi inaugurada dois depois com o nome do governador. Seguiu servindo ao tráfego de veículos e pedestres até a construção da ponte JK, em 1958.
Atualmente, com a remodelação do local, esta ponte foi desativada, servindo apenas de decoração.
A ligação ocorreu no igarapé do Franco, depois de passar pelo bairro da Glória, já na av. Leopoldo Neves (hoje, injustamente mudada para Kako Caminha). Em nossos dias, ainda devido a recuperação urbanística de Manaus, segue atendendo o trânsito no sentido bairro-centro. (segue).





