CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, agosto 22, 2019

LABOR FUTEBOL CLUBE

Foto recolhida do Jornal do Commercio, 14 nov. 1972
A Usina Labor, de IB Sabbá, que funcionou na avenida Leopoldo Peres, Educandos, onde ora se localiza o supermercado Atacadão, empregava um número formidável de operários no beneficiamento da borracha. A extensão de sua propriedade comportou a construção de um “campo de futebol”. Esses dois bens promoveram a existência do Labor Futebol Clube. Clube que, por anos, disputou com galhardia o campeonato amador da categoria. Até o advento da FAF (Federação Amazonense de Futebol) quando foi implantado o futebol profissional na cidade, e cujo sucesso aniquilou algumas agremiações do porte desse clube suburbano.

Morador do bairro, sempre que eu transitava pela frente da usina parava nas grades de proteção para observar o trabalho dos operários. A péla (ou bola) de borracha, depois de passadas repetidas vezes na máquina de laminação, era transformada numa espécie de tapete. O cheiro desprendido do produto era agradável.
Quanto ao campo: como o Labor participava do campeonato amazonense de futebol, seu estádio, acredito intitulado de Otílio Farias, gerente da usina Labor, era utilizado. Não creio que se cobrasse ingresso, pois não me lembro de ter pago. Mas, assisti muitos jogos ali realizados. Do Labor contra os bons e saudosos times de Manaus.

Abaixo uma nota publicada no Jornal do Commercio (14 novembro 1972), falando do campeonato jogado no bairro.

O Labor Esporte Clube conquistou o título de tetra campeão do bairro de Educandos, após derrotar o Corinthians FC pelo alto marcador de 5 X 1, numa demonstração da sua grande categoria.
Nessa conquista o Labor utilizou os seguintes atletas: Evilásio, Daniel, Pedro, David, Mario Jorge, Melo, Marialvo, Eduardo, Jones, Ezequiel, Osvaldo, Alves, Ademir e Euler.
Francisco Caetano de Andrade é o presidente do clube, que tem como técnico Zildo Dias da Silva. 

quinta-feira, julho 26, 2018

CONSTANTINÓPOLIS


Nascido em Constantinópolis, estava eu às vésperas de completar sete anos quando o texto abaixo compartilhado circulou no vespertino Diário da Tarde (18 janeiro 1953). Lido por esses dias, mais de sessenta anos depois, fiquei imaginando o lugar desgraçado, infeliz onde nasci. Só havia misérias, infortúnios, se acreditar na descrição do jornalismo de antanho.

Recorte do referido vespertino
Não há uma indicação de bem-estar, da presença de qualquer organismo que proporcionasse um bom final de semana. Nem a igreja do padre Antonio Plácido, nem a igreja Batista de (que ainda conserva) Constantinópolis, tão pouco o cine Vitória ou a Usina Labor, menos ainda a beira do rio Negro e do igarapé de Educandos serviam de atenuantes. Nada. Somente aflições.
Ainda não havia o consumo de drogas, longe do nível de nossos dias, a cachaça seria essa desgraça para os homens e, para as mulheres, a prostituição. Acredito que o jornalista (não identificado, como era praxe da época) escreveu a matéria para cumprir a pauta, com interesse da empresa Archer Pinto, quem sabe, em atingir algum governante, ou todos.
Sorte grande, creio hoje, ter eu escapado desse inferno, se existiu nessa dimensão.


Bairro que congrega milhares de gente humilde; um pedaço esquecido de Manaus que ainda espera a proteção dos poderes públicos; trincheira onde permanece um exército de trabalhadores pelo engrandecimento desta terra infeliz — Constantinópolis possui, como os demais bairros de Manaus, a sua própria vida, os seus próprios problemas e amarga também o sofrimento e a miséria. (...)
Presa fácil dos caçadores de votos; gente humilde e ignorante que se deixa levar pelos demagogos, ambiciosos — aquela gente de Constantinópolis, sempre se apresentou como fator indiscutível na organização da sociedade amazonense, trabalhando nas mais difíceis tarefas; sendo ela aquela que, jamais se negou a lidar com o trabalho mais sacrificado das fábricas e das usinas, ou a exercer outras tarefas também medíocres, mas sempre honradas; mas mesmo assim nunca foi olhado com a consideração que merece; nunca recebeu o amparo de que necessita, e daí os mais desprimorosos conceitos que se lhe fazem.
Ali permanece uma infância infeliz, que não sentindo a assistência necessária, é obrigada a enveredar pela senda do crime e da prostituição. Bairro populoso, sustentáculo de nossa economia porque dali saem os homens que lidam nos mais duros trabalhos; bairro essencialmente operário, Constantinópolis carece de mais escolas e é merecedor de melhor sorte. Embora seja um dos mais populosos bairros de Manaus, ainda não compreenderam os poderes públicos que Constantinópolis já necessita de um hospital. Ao contrário, desassistido e pobre, doentio na sua maioria, aquele povo não dispõem nem ao menos de postos médicos onde possa se socorrer nos casos mais urgentes.

Sem um policiamento rigoroso; carecendo de luz e de água; sem ao menos uma feira onde comprar o alimento; com suas ruas e becos sempre em completa escuridão –Constantinópolis se transformou em campo aberto à ação dos criminosos, dos ladrões audaciosos, que assaltam em plena via pública ou chegam ao ponto de arrombarem residências, porque lhe falta a vigilância policial. A esta, porém, façamos justiça, não cabe exclusiva culpa porque aqueles becos em completa escuridão se apresentam como armadilhas traiçoeiras, onde o crime se verifica, e o criminoso se acoberta, sendo difícil por isto mesmo a proteção policial.
Ali sim, é que se verifica a deficiência assistencial em que vive a infância do Amazonas. Aquelas prostitutas em corpo de meninas, são o efeito da desorganização em que vivemos. Elas, sem a proteção necessária, sem o chamamento ao caminho do bem, sem os recursos indispensáveis para o convívio num meio mais elevado, se transformam então em vítimas pela hipocrisia da chamada “alta sociedade” e de repasto aos instintos bestiais dos “bonitões” e endinheirados. Isoladas no seu próprio ambiente, como a uma barreira imposta ao desenvolvimento social pelos preconceitos e pelo seu estado de pobreza, são forçadas então a seguir o destino de todas as jovens infelizes e desassistidas, ignorantes e necessitadas – a prostituição. (...)
Filhos que não conhecem pais; meninos ignorantes que não veem uma esperança de melhores dias; juventude forcada a seguir o caminho do crime; bairro infeliz sem um hospital, becos escuros que são verdadeiras armadilhas; povo desprezado e sempre ludibriado pelos políticos despudorados, são os complementos desse quadro entristecedor que se denomina Constantinópolis: expressão maior de miséria e sofrimento.



sábado, março 10, 2018

EDUCANDOS

A Usina Labor de beneficiamento de borracha, pertencente a holding I.B. Sabbá, virou supermercado (Atacadão, é o do momento). Durante décadas dominou a mão-de-obra do bairro, com seus operários constituiu um time de futebol, que participava do certame da FADA (Federação Amazonense de Desportos Atléticos), ao tempo do futebol amador. 
Para incrementar essa equipe, a indústria possuía um campo de futebol em seu imenso terreno, que servia ainda para a disputa de jogos pelo campeonato. 

Uma figura que vale lembrar é a de Otilio Farias. Não sei bem sua função na empresa, apenas que morava em frente ao emprego e era pessoa bem requisitada no bairro de Educandos.

Recordei esses esgarçados fatos para postar a foto do Labor EC, retirada da edição do Jornal do Commercio (14 novembro 1972). Lamento que o noticioso tenha relacionado os atletas empregando apenas o nome esportivo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2018

EDUCANDOS: FITEJUL

Recorte do periódico citado
O bairro de Educandos e adjacência - eu me lembro muitíssimo bem - possuíam um original sistema marcador de horas. Um relógio excêntrico. Constituído pelo toque de cada fábrica existente no bairro. A serraria dos Pereira, a Fitejul (a grande empregadora, que funcionava 24 horas) e o cinema Vitória, com sua música tradicional.

Um dia, registro abaixo, a Fitejul pegou fogo. O bairro perdeu por um lapso de tempo o aviso sonoro emitido pela industria de IB Sabbá, conclamando os operários e que tocava de quatro em quatro horas. 

A Fitejul sucedeu à Usina Labor, que industrializava borracha, que encerrada, o prédio permaneceu bastante tempo fechado, até se transformar em Supermercados DB, até ser, em nossos dias, transferido para o Atacadão. 

A postagem foi compartilhada de A Crítica, 15 maio 1965.



20 MILHÕES NO FOGO 
A agilidade e a pronta intervenção do corpo de Bombeiros Municipais evitaram ontem, pela manhã, a total destruição do prédio da Fitejul S.A., empresa do Grupo Sabbá, localizado na avenida Leopoldo Neves [correto é Leopoldo Peres], em Educandos. Um incêndio irrompeu e destruiu o escritório e o almoxarifado daquela fábrica de fiação e tecelagem de juta, cujos prejuízos vão acima de 20 milhões de cruzeiros, sem adicionar-se o que poderá vir futuramente, com a perda de documentos relacionados com inúmeras transações.O motivo determinante do incêndio ainda não foi elucidado tecnicamente, embora existam algumas versões ainda imprecisas que poderão conduzir o inquérito policial a encontrar as razões do acidente. 
Os detalhes amplos da tragédia já foram ontem relatados pela imprensa vespertina e pelas emissoras, salientando-se, porém, este: as labaredas atiradas pelo vento que soprava forte na ocasião ameaçavam inúmeras palhoças adjacentes, mas tudo foi evitado, graças à rapidez dos bombeiros da Prefeitura e os socorros do Destacamento da FAB.
A Delegacia especializada ontem mesmo, iniciou sindicâncias para concluir o inquérito instaurado.
A foto é um flagrante do trabalho dos “soldados do fogo” da PMM no salvamento do prédio sinistrado.