CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, outubro 30, 2011

PONTES DE MANAUS (3/4)

Após as quatro pontes construídas no governo de Eduardo Ribeiro, decorreram mais de três décadas até que o governo do Amazonas edificasse uma nova ponte. Ocorreu no governo de Efigênio Salles (1926-1930). Trata-se de outra ponte romana de pequeno porte (menos de duzentos metros), que serviu para extinguir o insulamento do bairro de Constantinópolis (agora Educandos).

Mas a história desta ponte tem outro componente, a própria comunidade, sob a liderança de Jacques Souza Lima, Júlio Barbosa e Pedro Telles, que fundam a Sociedade Esportiva de Constantinópolis. Isto e tudo sobre o bairro de Educandos quem melhor narra é o jornalista Cláudio Amazonas.

Detalhe do jornal comemorativo, editado por Cláudio Amazonas,
vendo-se o governador Efigênio Salles
Sucede que os moradores do bairro somente se ligavam com o centro de Manaus utilizando as catraias. O governo, exigido pelos lideres, negociou a seguinte empreitada: a Sociedade Esportiva se encarregaria de abrir a “estrada” de Constantinópolis (agora av. Leopoldo Péres) e o governo, da ponte necessária para atravessar o igarapé da Cachoeirinha.

A ponte (à esq.) e a Baixa da Égua, na inauguração, no
jornal comemorativo de Cláudio Amazonas
Assim, utilizando pás, enxadas e facões (terçados), e partindo do Alto, os moradores ultrapassaram a Baixa da Égua, seguiram com a picada em direção ao bairro da Cachoeirinha. Limparam, para isso, a “estrada” de 20m de largura e 1550m de extensão, consumiram 608 dias (pouco mais de um ano e oito meses) na obra.

Conforme acordado, o governo fez construir uma ponte romana sobre o igarapé. A engenharia buscou as margens mais próximas, encontrando no local denominado de Pancada.

A ponte, projetada e construída pelo engenheiro Antonio Rodrigues Vieira Junior, e iniciada em 1927, foi inaugurada dois depois com o nome do governador. Seguiu servindo ao tráfego de veículos e pedestres até a construção da ponte JK, em 1958.


Atualmente, com a remodelação do local, esta ponte foi desativada, servindo apenas de decoração.
* *  *

Somente duas décadas depois, em 1948, os sãoraimundenses, carinhosamente alcunhados de “bucheiros”, foram libertos pela construção de uma ponte, que permitia o tráfego rodoviário com o centro de Manaus.
Esta edificação leva o nome de Eurico Gaspar Dutra, então presidente da República, e a homenagem ocorreu pelo incentivo financeiro disposto pela União. Na esfera estadual, que seguia sem recursos, era governador, Leopoldo Neves, mais conhecido pelo apelido familiar de Pudico.


A ligação ocorreu no igarapé do Franco, depois de passar pelo bairro da Glória, já na av. Leopoldo Neves (hoje, injustamente mudada para Kako Caminha). Em nossos dias, ainda devido a recuperação urbanística de Manaus, segue atendendo o trânsito no sentido bairro-centro.  (segue).

segunda-feira, janeiro 10, 2011

GONÇALO DOS SANTOS, O MARRETEIRO


Gonçalo Santos, 1962
De Bom Conselho (PE) à Vila da Prata, em Manaus, passando pela União Atlética de Constantinópolis (UAC), Gonçalo dos Santos, o Marreteiro, escreveu uma vida rocambolesca. Esta nota vem a propósito de lembrar o décimo ano do falecimento deste aventureiro, digamos, bem sucedido em Manaus. Tanto que alcançou a Assembleia Legislativa do Amazonas, como deputado.
Gonçalo morreu a 7 de janeiro de 2001, no PS 28 de Agosto, aos 83 anos, levado por uma série de enfermidades e acossado pela senilidade. Morava, então, no bairro Vila Prata.

A vida deste pernambucano em Gonçalo: o rei da noite (as peripécias de um certo Marreteiro) – leva a assinatura e a competência de Cláudio Amazonas. O jornalista Cláudio, nascido no Alto da Boa Vista, leia-se bairro de Educandos, conheceu o biografado desde os melhores momentos da UAC. Detalhes: Constantinópolis foi o nome imposto ao bairro de Educandos, que o “rei da noite” detalha. E a União começou como união de amigos. Marreteiro hoje é camelô.

Criação da UAC, em O Jornal, Manaus, 17 jul. 1949

Gonçalo (chapéu na mão) fala ao reporter de O Jornal.
A competência do autor ficou comprovada, tanto pelo relacionamento com o amigo Marreteiro, quanto pelo prêmio conquistado da Prefeitura de Manaus pelo livro, em 2007.

domingo, dezembro 05, 2010

Cinemas de Educandos, em Manaus II

Cine-Teatro Rio Negro (1949-1953)


Nos jornais, não se encontra referências acerca do Cine-Teatro Rio Negro, apenas que esteve localizado no bairro de Educandos. Ainda assim retirada de um brevíssimo apontamento, compulsado em O Jornal (30 out.1950), sobre o bairro. Assinada pelo então jornalista Arlindo Porto (1929 - hoje membro da Academia Amazonense de Letras), a matéria assegura que no local “há um cinema em funcionamento e outro em construção.” Em funcionamento, o Rio Negro, e em construção, o Vitória.

As únicas informações sobre este cinema estão registradas em um livro de Cláudio Amazonas (1945-) sobre o Educandos. Cláudio assegura que este cine fora inaugurado a 7 de setembro de 1949, situado na esquina da rua Amâncio de Miranda com o beco dos Passos.
Tem mais, o imóvel pertencera a Walter Scott da Silva Rayol (1905-1970), político e cronista esportivo. Mas, que logo o transferira para Gonçalo Batista dos Santos (1918-2001), pernambucano, aqui chegado em agosto de 1945 para participar da 1ª Exposição-Feira da Amazônia (Feira de Amostras). Gonçalo, por suas atividades mercantis, adquiriu a alcunha de "Marreteiro".

O Rio Negro possuía 200 assentos de madeira, dispostos em fila que formava uma espécie de arquibancada íngreme. Largas brechas no assoalho permitiam aos garotos assistir a sessão das 20h, sempre proibida aos menores de 14 anos.

A programação e, em especial, a publicidade do cine Rio Negro era realizada pelo próprio Gonçalo, que anunciava em cartazes as atrações do dia: “Hoje vai sem bom. Porada (com um “r” apenas) é mato”. Isso era motivo de gozação. Seja para quem o conhecia e tinha alguma intimidade, seja para quem o detestava, em maior número.

Gonçalo empregava como ajudante o cômico Canela, também chegado a Manaus na mesma época, que circulava pelas ruas de Educandos montado em longas pernas-de-pau e em megafone improvisado anunciava de forma bem-humorada:
Venham assistir o grande sucesso de hoje no Cine-Teatro Rio Negro, o maior cinema do mundo, porque nunca enche!
Enfim, recorda Cláudio, o cine Rio Negro não teve uma existência duradoura, desaparecendo em meados de 1953. Gonçalo dos Santos parece ter se desiludido com a atividade cinematográfica, preferindo buscar outros empreendimentos mais lucrativos.

Além disso, a proximidade da abertura do cine Vitória terminou por sepultar os sonhos de “Marreteiro” com relação à sétima arte. A despeito de sua curta trajetória, o Cine-Teatro Rio Negro exibiu alguns filmes famosos; e até assistiu ao surgimento do cine Constantinópolis, logo transmudado em cine Rex (1952-1954).

Mestrinho visita Educandos. O Jornal. Manaus, 16 fev. 1959

Ainda que sem relação com o cinema do Marreteiro, a foto com o governador Mestrinho mostra o início da urbanização do bairro.