CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, março 23, 2021

POLICIAMENTO DO TRÂNSITO EM MANAUS

Provocado pelo comando do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), iniciei uma retrospectiva sobre este serviço prestado pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM), desde – acredito – 1964. Ou seja, desde quando referido emprego esteve conjugado entre a PM e o Departamento de Trânsito (Detran). Esclareço que este evoluiu de Delegacia de Tráfego para Delegacia Especializada de Trânsito (DET), cuja sede ocupou o prédio no cruzamento da rua José Paranaguá com a avenida Floriano Peixoto (ainda de pé, ora pertencente à firma comercial).

A Portaria expedida pelo delegado do DET, para disciplinar as taxas permitidas aos choferes (termo da época), foi retirada do Diário Oficial. Serve para se avaliar custos, quando nossa moeda era o Cruzeiro (Cr$). E mais, avaliar os extremos de nossa cidade.








sábado, junho 13, 2020

MANAUS EM FOTO (2)



Quem ainda não conhece os Portos de Lenha, comuns nos rios amazônicos e que servem de abastecimento aos navios a vapor, poderá ter uma ligeira ideia deles, tirando uma mirada do sugestivo cliché acima.
Realmente, grande é a semelhança entre os admiráveis Portos de Lenha dos rios Solimões e Negro e esse que se localiza ali às biqueiras do edifício onde funciona o Departamento Estadual de Segurança Pública, em frente ao Grande Hotel que, pode dizer de  passagem, é mesmo sob qualquer prisma, um autêntico Porto de Lenha.
Moroso, sem dúvida, é o pessoal que trabalha no embarque de lenha, para o estranho navio que ali se abastece, e isto porque, cada vez que os fornecedores chegam ao porto fica congestionado durante vários dias. E, contudo isso, é que as autoridades competentes não tomam qualquer providência para descongestioná-lo.
Enfim, são coisas de Manaus.


O jornal A Gazeta destacava em sua edição alguma foto, para mostrar algum deslize da administração municipal. Neste, o clichê mostra o cruzamento da rua Marechal Deodoro com a avenida Sete. Na esquina estava o Grande Hotel, aos fundos estava o “casarão”, alcunha da Chefatura de Polícia, prédio desaparecido em favor da expansão do Banco do Brasil.
E a monturo de lenha mostrada na foto, que a reportagem sutilmente critica, pertence ao hotel, que foi desativado, mas o prédio segue referenciando o local. E o local pacato e sem transeuntes de antanho, nada se parece com o movimento de nossos dias.
A cena é de 1955, quando o governador Plínio Coelho começava sua administração, impondo uma renovação no Estado.

sábado, agosto 04, 2018

LUPANAR "PISCINA CLUBE"

Sede do Piscina Clube, 1973

Durante décadas, funcionaram na cidade os prostíbulos, locais reservados à exploração da prostituição. As casas de tolerância (uma das alcunhas utilizadas) ou os estabelecimentos eram conhecidos por nomes extravagantes (Lá Hoje, Bom Futuro, Saramandaia, entre outros), obviamente para marcar a localização e atrair devidamente a clientela masculina. O consumo de bebida alcoólica e uso de outros “baseados” completavam o cardápio e a noitada. E quase sempre havia uma cena de pugilato, quando não de crimes mais violentos.

Não mais existe esse tipo de “diversão”. No entanto, a falida animação noturna vem sendo estudada por mestres e professores de áreas do comportamento, assim como por historiadores (como Aguinaldo Figueiredo) que desejam ao menos mapear a localização dessas instalações.

Para evitar excessos, então, equipes das Polícias Civil e Militar estavam sempre rondando no local. Em uma dessas operações, jovens delegados (como se vê pela descrição jornalística) prenderam jogadores de futebol arruaceiros, envolvidos em briga generalizada no lupanar “Piscina Clube”, conforme registro do Jornal do Commercio (de 18 fevereiro 1973).

Recorte do Jornal do Commercio, 18 fevereiro 1973
 Não fosse a intervenção da Polícia Militar, teria havido morte, ontem, por volta das duas horas da madrugada, em frente ao Piscina Clube, quando uma tremenda pancadaria ali se formou, ninguém entendendo mais ninguém. Até aquele horário, o ambiente era de perfeita harmonia naquela boate. Com um número regular de frequentadores, todos se divertiam bastante.
No entanto, uma luta corporal travada entre quatro indivíduos, entre os quais os jogadores do Fast Clube Zé Carlos e Almir, fez com que outras pessoas que se encontravam no salão do Piscina Clube, intercedessem (sic) na "turumbamba ", procurando contornar a situação, mas terminando por complicá-la. Numa fração de segundos, ninguém entendia ninguém. "O pau cantava no centro", as mulheres corriam, alguns frequentadores, aproveitando-se do tumulto, fugiram, para não pagar as despesas.

No auge do conflito, o pessoal da Secretaria de Segurança, entre os quais os Delegados Alfredo Maia, Wallace Bastos, Ananias Gadelha, Djalma Martins, Petrônio Carvalho Tavares e outros, que a poucos instantes se encontravam no "Chapéu de Palha", ali chegaram.

Nesse ínterim, os homens da Rádio Patrulha que ali se encontravam, fazendo as batidas de praxe, procuraram contornar a situação, entretanto, isso só depois de muita pancadaria. Os policiais, com muito esforço, conseguiram agarrar nove elementos, visivelmente embriagados, que se desdobravam diabolicamente no conflito, visto que os demais conseguiram fugir, na hora do "pega prá capar".

Inicialmente, os indivíduos foram conduzidos ao Distrito de Petrópolis e, posteriormente, à subdelegacia do bairro do Japiim, pelo fato de ali oferecer maiores condições para a prisão dos baderneiros. Foram as seguintes as pessoas presas: os jogadores de nomes Zé Carlos (goleiro e zagueiro do Fast Clube), Holanda e Almir, um bancário, o comerciante Edson Rosas, Raimundo Castro de Almeida, Júlio da Silva Alencar e Francisco Cabral da Costa.

domingo, abril 08, 2018

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA


Ao assumir o governo, João Walter (1971-75) deparou-se com a recém-criada Secretaria de Segurança, que substituía a provinciana Chefatura de Polícia, instalada em “casarão” centenário na rua Marechal Deodoro, quase esquina da avenida Sete. Nele funcionava, além da chefia, várias delegacias ditas especializadas, pois outras de atendimento geral funcionavam em bairros mais populosos.
A primeira grande separação dessa estrutura ocorreu com a transferência da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio (DCCPa), antes nominada de Delegacia Especializada de Roubos e Furtos.
O compartilhamento desta reportagem foi feito do Jornal do Commercio (8 novembro 1972), lembrando que desde julho daquele ano já funcionava a Rádio Patrulha, em seus prosaicos Fuscas. Relembro que esvaziado o “Casarão da Marechal”, como também era alcunhado, foi leiloado e adquirido pelo Banco do Brasil, onde instalou sua sede regional, cuja entrada encontra-se na rua Guilherme Moreira.

 Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio está na Cachoeirinha

A Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, desde segunda-feira última, passou a funcionar na antiga Delegacia da Cachoeirinha, por determinação da chefia geral da SESEP [a sigla da Secretaria de Segurança está troncha, deveria ser como restou conhecida, SESEG] que visou a dar maiores possibilidades de atendimentos aos queixosos, assim como também aos presos que terão um xadrez devidamente adaptável, dentro das condições higiênicas e mais humanas no cumprimento da pena.
No prédio foram feitas reformas gerais, incluindo a construção de mais salas, tais como alojamentos para os policiais de permanência, novos sanitários e uma sala isolada para o Delegado de plantão.Toda sua instalação elétrica foi substituída, além de receber nova pintura interna e externa.
ACOMODADOS
Moradores daquele bairro ao serem abordados pela reportagem, disseram que foi boa a iniciativa da SESEP. “Pelo menos, nos sentimos mais seguros contra os assaltos que, ultimamente, vinham ocorrendo neste bairro e outros lugares aqui por perto, pois, sabemos que a DCCPa estará rondando toda a área suburbana da cidade.”
NO CENTRO
Algumas pessoas acharam que ficará muito contramão, se for apanhado um ladrão no centro da cidade por algum popular. Este terá que depender de condução para ser entregue à Polícia ao menos que se opte dar-lhe muita pancada e depois soltá-lo.
A PRÓXIMA
A próxima Delegacia a ser transferida do “casarão” da Marechal Deodoro, será a de Crimes Contra a Pessoa, que passará a funcionar na Subdelegacia de Adrianópolis, na primeira quinzena de dezembro, enquanto se processa a total restauração do prédio daquela subdelegacia.
E, assim, quebra-se a tradição de cem anos, onde o velho “casarão” começou a criar suas Delegacias e agora se separará de uma por uma até que o prédio fique totalmente vazio.

quarta-feira, março 14, 2018

EDUCANDOS E SÃO LÁZARO: ANOTAÇÕES



Da mensagem governamental (março de 1964), a última assinada pelo governador Plínio Coelho, à Assembleia Legislativa, extraí esses tópicos, que sirvam a história dos bairros de Educandos e São Lázaro. 
O assunto diz respeito a Segurança Pública, que sempre foi um assunto complexo. Nessa oportunidade, o gerenciamento superior cabia à Secretaria de Interior e Justiça, pois existia a Chefatura de Polícia, a quem cabia a cessão do pessoal. 
9. GARANTIAS A LIBERDADE DE CULTOS
Expedimos instruções ao Delegado Geral de Educandos para assegurar a liberdade de culto das Igrejas Evangélicas ou Protestantes, situadas naquele populoso bairro, fazendo valer o § 7º do art. 141, da Constituição Federal vigente, isto para atender solicitação do Pastor Geraldo Dias da Rocha, da Igreja Batista de Constantinópolis.

12. SUBSTITUIÇÃO DO DELEGADO DE POLÍCIA DE EDUCANDOS
Através do Of. G-SIJ/850-63, de 10.7.63, solicitamos de Vossa Excelência a exoneração do senhor AMÉRICO NOGUEIRA DO AMARAL, que exercia aquela função acusado por inúmeras pessoas, residentes naquele barro, da prática de corrupção, violência arbitrária e abuso de poder. Para ratificação dessas denúncias conseguimos apreender naquela Delegacia Geral: palmatória, pilão, cavalete, usados pelo mencionado Delegado como instrumento de espancamento e tortura, como outrora acontecia na Idade Média antes das ideias renovadoras do Marquês de Becaria que humanizaram o Direito Penal, até aos nossos dias. Em boa hora o referido Delegado foi exonerado por Vossa Excelência sendo nomeado para aquelas funções o comissário EUDES DE ARAÚJO COSTA.


15. SUBDELEGACIA DO BAIRRO DE SÃO LÁZARO.
Atendemos Vossa Excelência o abaixo assinado de moradores deste novel núcleo populacional engastado na periferia suburbana de nossa capital, foi-nos encaminhado o referido documento para que esta Secretaria verificasse a possibilidade de ser criado o mencionado órgão policial.
Imediatamente, tomamos as medidas necessárias e mandamos ouvir tanto a Secretaria de Viação e Obras Públicas (SVOP) como o DESP (Delegacia Especializada de Segurança Pública) que se manifestaram favoravelmente pela criação dessa Subdelegacia. Através do setor competente, elaboramos o devido projeto que já foi transformado em Lei, publicado no Diário Oficial de 23 de dezembro último, criando a Subdelegacia do bairro de São Lázaro.