CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

6 de janeiro de 2018

BRANCO SILVA (1892-1959)

Vinicius Silva, Niterói-RJ, em 2016
Transcrevo neste post o folheto sobre este saudoso grande artista, a mim ofertado por seu filho Vinicius Silva, residente em Niterói (RJ). Não se trata de uma biografia ou arte semelhante, porém registros de lembranças filiais.

Aos 93 anos, Vinicius segue colecionando troféus, ainda em dezembro passado esteve em Manaus para receber uma homenagem.



Mais conhecido pelo seu presépio do que pelas suas pinturas, Branco Silva (que é comumente chamado de Branco “e” Silva) na vida real chamava-se Leovigildo Ferreira da Silva. Amazonense, nascido no Seringal São João, nas barrancas do rio Purus na entrada do rio Tapauá, em 1892, era filho de um rico comerciante português que fez fortuna na época como exportador de borracha.

Com um ano e meio de idade viajou para Europa acompanhado de suas irmãs, de alguns parentes mais próximos e dos velhos. Fez o curso primário em Berna [Suíça], depois estudou em Lisboa, no Liceu de Artes e de Ofícios e Artes.

Com a queda da borracha, seu pai mandou buscá-lo de volta para Manaus. Além disso, Branco já estava na idade de servir ao Exército. No 27º BC teve como companheiros Álvaro Maia [que foi interventor e governador do Estado] e Américo Antony [competente poeta].

Ao chegar a Manaus ele sentiu-se como um "peixe fora d'água", explica o filho. "Ele vinha de um meio intelectual mais sofisticado, falava e escrevia bem o espanhol, o francês e o alemão. Montou o ateliê de pintura, trabalhou como cenógrafo e produziu placas para o comércio de Manaus, além famoso pelas decorações que fazia para as festas de Carnaval dos Clubes".

Branco Silva, tela existente
no ateliê do filho
Além do ateliê, ensinava e produzia pinturas, Branco Silva gravitava em torno das iniciativas privadas dos europeus funcionando como intérprete.
Segundo seu filho, o presépio que Branco Silva começou a esculpir em 1929 funcionava como “caça-níqueis" que ajudava seu pai a sustentar a família. Para visitar o presépio era cobrado ingresso e o público não se cansava de admirá-lo. Fora da época natalina eram apresentadas cenas de amazônicas feitas por ele em papel-marché também mediante pagamento de ingresso.

Os navios que faziam a rota para Manaus incluíam no seu roteiro turístico uma visita às exposições do Branco Silva.

Em determinada época da sua vida, o pintor partiu de Manaus para fazer um levantamento das propriedades da família no Purus. Ali passou um ano inteiro. O contato com a exuberante natureza r a para sempre a sua obra paisagista.

Nos anos 40, através da sua amizade com Ademar de Barros (na época, governador de São Paulo), Branco Silva sai do Amazonas. 


Atualmente em Manaus encontram-se pouquíssimos quadros pintados por Branco Silva. Seu filho ofereceu a explicação para o fato dizendo que, na partilha dos bens, os quadros ficaram com seus irmãos que moram em Manaus, com ele ficou o presépio.