CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de janeiro de 2018

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS [2]


Recorte do periódico, de 14 maio 1960
A morte do subcomandante dos Bombeiros Voluntários, em 1960, pela forma e a situação como ocorreu, repercutiu na provinciana cidade de Manaus. Os textos postados bem demonstram a solidariedade de todos, autoridades obrigadas pela função pública, e o povo, em geral, como se depreende do testemunho dos donos da empresa sinistrada. 
Ainda nos conhecíamos a todos, ou pelo nome de família ou por alcunha típica. Éramos um imenso grupo quase familiar, ligados pela afetividade e outras virtudes.
Diante dessa intensa causa, a cidade chorou no velório de Constantino Machado. As manifestações foram amplas, como bem publicou em suas páginas o Jornal do Commercio (14 maio 1960) . E aqui são postadas. 

Ainda na alma e no coração do povo a triste
recordação de C. Machado

A sociedade amazonense, as classes militares e autoridades principais do Estado prestaram sua última homenagem ao denodada soldado do fogo — Concedida pensão vitalícia à viúva de Constantino Machado pelo governador do Estado

Ainda repercute dolorosamente em todos os círculos sociais de Manaus a brutal tragédia que, à noite de quinta-feira, roubou a vida do Sr. Constantino Machado, figura que em vida, desfrutou de real apreço entre nós, pela sua capacidade de trabalho, dedicação afetiva à família e grande cooperador de nossa modelar Cia. de Bombeiros Voluntários, onde era um dos seus subcomandantes.

Dada a lacuna que o mesmo deixou na sociedade de Manaus, na Cia. de Bombeiros Voluntários, nossa reportagem procurou ouvir o comandante Ventura, colega e amigo do inditoso soldado do fogo, para que nos dissesse algo sobre a vida do mesmo.

Soubemos, então, ter sido um exemplar companheiro da esquadra dos homens que lutam contra os sinistros dos incêndios, onde durante seis anos empregou suas atividades. Estava Constantino Machado trabalhando em um show que, brevemente, seria levado a efeito no Teatro Amazonas por iniciativa do comandante Ventura e seus companheiros, em benefício das crianças internas do Educandário Gustavo Capanema. Deixou viúva dona Maria Machado e mais três filhinhos menores.

OS FUNERAIS
Seu sepultamento, manhã de ontem, constituiu outra demonstração de apreço em que era tido, tornando-se verdadeira apoteose de saudade e de dor, entre seus colegas, amigos, e toda a nossa sociedade, deixou a sua passagem através da morte para a eternidade.
Se corpo foi velado no salão nobre do Luso Sporting Club, onde uma Guarda de Honra prestou-lhe as homenagens fúnebres. A Guarnição Federal se fez representar, no velório, por oficiais, sargentos e praças. A Polícia Militar da mesma forma.

Reprodução do JC, 14 maio 1960

Sr. Antonio José Pina agradece à cobertura dada pelo “Associado”, a respeito da tragédia em que desapareceu o subcomandante Constantino Machado
Recebemos atenciosa carta datada de 12 do corrente, cujo teor damos abaixo e pela qual aquele cidadão, tio do infortunado Sr. Constantino Machado, recentemente morto no desastre ocorrido naquele dia, com o carro-pipa dos Bombeiros Voluntários, vem trazer de público seus agradecimentos ao JORNAL DO COMÉRCIO a respeito da cobertura que fizemos em torno do lutuoso fato, inclusive nossas crônicas e artigos a respeito:

Manaus, 12 de maio de 1960
Ilmo. Sr.
Diretor do JORNAL DO COMÉRCIO
Nesta

Como tio do Sr. Constantino José Machado, subcomandante dos Bombeiros Voluntários, tragicamente desaparecido no dia 12 do corrente, quando desempenhava o cumprimento do seu abnegado dever, venho, com o devido respeito, apresentar a minha sincera e imorredoura gratidão, não só pela completa reportagem noticiosa a respeito do corrido, como também pelos comoventes artigos publicados sobre a vida de meu infortunado sobrinho.

Atenciosamente
Antonio José Pina