CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de janeiro de 2018

UMA QUASE EXPERIÊNCIA JORNALÍSTICA [1]


O autor, na "ótica" do Jack
Catando, como de hábito, alfarrábios “escondidinhos”, dei com essa preciosidade própria. Explico. Em 1996 ou 97, o jornalista Evaldo Ferreira, hoje no Jornal do Commercio, convenceu-me a escrever uma coluna jornalística. Não relembro o nome do periódico, nem a regularidade do trabalho. Lembrava apenas de ter elaborado um exercício como teste e, como desisti do embate, arquivei o material.

Hoje, vinte e tantos anos depois, reencontrei-me com o Resumo (pretenso título da coluna) que vai aqui postado, abandonando o gueto em que fora enfurnado. Depois desse longo período, os assuntos parecem estar fora de ordem.

RESUMO

BATER O CENTRO


De fato, ninguém resiste a uma boa conversa. “Cantado” pelo editor Evaldo Ferreira e apoiado por esta máxima, aceitei o desafio de produzir algo com regularidade na imprensa. Como todo desafio, preparo-me para suplantar os percalços. Intento resumir certas questões: as angústias da população ou, talvez, as que mais me angustiam. Em resumo, lembrando um amigo ardoroso atleta televisivo, é hora de “bater o centro”. De pé esquerdo (foto), zebra.


CENTENÁRIO DO TEATRO AMAZONAS
1996 foi o ano do centenário do Teatro Amazonas! Para tanto, o tenor José Carreras subiu recentemente ao palco e levou ao delírio os enfatiotados presentes, depois de nos levar bons “trocados”. Na época se especulou porque tanto dinheiro para um único artista.  Certo mesmo, é que nada mais se viu sobre o centenário. Nada mais se gastou em reais para relevar a decantada data natalícia.
Foi necessária a presença da brasileiríssima Petrobras, através da Refinaria Isaac Sabbá, para reavivar a lembrança da efeméride. Neste final de semana ocorreu a presença da Orquestra e Coral de funcionários da Petrobras. O espetáculo agradou, obviamente, afinal os manauenses ansiavam por um bom espetáculo, tanto que as palmas foram em demasia, até quando não se devia aplaudir.
Agora, quando a Orquestra e Coral executaram o nosso Hino Nacional, muitos dos presentes optaram por ouvi-lo, sentados! Isto é brasilidade? Ou, ao se desrespeitar este símbolo pátrio, como chegar à cidadania plena?
Acredito que nada mais será realizado para comemorar a data. Não seria mais interessante, despirmo-nos da frescura brega do “boi-bumbá” e dividir o Teatro em duas galeras: vermelho e azul? Até a Internet estaria compondo este primor de festa. Cem anos depois, o TA ainda motiva abstração, o povo dentro ou fora. Dá-lhe azul e vermelho!

ELEIÇÃO MUNICIPAL
Será inesquecível, por distintos motivos: o número de candidatos e suas promessas mirabolantes, o uso da televisão no horário nobre e a máquina de votar. Para não cansar. Li em um jornal local, sobre o número de militares que buscam uma vaga na Câmara. Trata-se de cerca de vinte candidatos, assegura a matéria, quando na verdade só de policiais, excluindo-se os militares federais, são trinta. Sim, sob a direção de um coronel-prefeito. Portanto, se este segmento da sociedade eleger a todos seus candidatos, teríamos Manaus sob o comando dos militares. Acabaria a esculhambação, sintetiza o mesmo periódico. Talvez, o autor do comentário tenha assistido ao horário gratuito, quando as sandices de tantos ofendem a tão poucos.
Mas, a providência legal de permitir que o horário nobre da TV aceitasse a propaganda de seus candidatos, permite observar o tamanho da legenda. Legenda é, entre outras verdades, a capacidade dos partidos de colorir a seus indicados. O defunto sempre é possuidor de bons predicados. Na TV, não acontece o mesmo com os indicados?
Finalmente, a máquina de votar é realidade. Em determinada feira de informática, aproveitei para aprender a votar. A grande pergunta é saber como anular o voto. Como fazíamos na cédula eleitoral, que permitia escrever alguns destemperos e palavras impublicáveis, daquelas que se entende até abreviada. Aprendi a anular o voto, ainda bem. A vantagem maior fica para os candidatos, ou melhor, para a genitora de todos eles, que a partir da próxima eleição perde o direito de ser xingada. 


OLIMPÍADA
Lembrança da peça exposta
na Praça do Congresso
A importante parada desportiva do século ocorreu nos EUA. O Brasil participou com brilhantismo, sem falar do “desdouro” no futebol masculino. O importante foi a cobertura jornalística. Vimos tudo e mais que o satélite permite. Impressionou a todos o patriotismo dos narradores, a técnica dos comentaristas, enfim, apenas medalhamos, porque os atletas não ouviam aos apresentadores da televisão. Quanta sabedoria estes transmitem com poder de descrever o óbvio, na loucura de mostrar o que todos não conseguem ver.
Há outra olimpíada, esta dos deficientes físicos. Que ocorre com a televisão? Será vergonhoso, ou deprimente mostrar cenas de pessoas com pernas ou braços mecânicos? Falta apoio das empresas, pois, como vender apenas para deficientes. Como explicar tal discriminação, se queremos tê-los como iguais.

SEMANA DA PÁTRIA/96
Fria, a despeito do tempo calorento, repleta de fatos estranhos: seu início ocorreu no segundo dia. Afinal, começar em um domingo, não dava. Na segunda, o trânsito foi destroçado pelo fogo simbólico. Depois, um balé selvagem animou os transeuntes, porquanto as gradas autoridades não deram o mínimo. Desculpe, sim, o governador deitou falação e gabou o esforço estudantil. A semana homenageava o Meio Ambiente, tão em moda, mas o fogo queimava a árvore debaixo da qual espalhava sua chama. No dia 5, inventaram uma homenagem ao primeiro governador - Presidente Figueiredo, não apareceu qualquer autoridade. Caiu do céu um buquê de flores. A banda de música não tocou, mas o povão queria mesmo era o festival da Velha Serpa. Aos pombos nosso fundador.