CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, dezembro 21, 2017

NOVAMENTE É NATAL [4]

Detalhe da capa
Nossa cidade, no Natal de 2009, foi convidada a assistir o Concerto de Natal, denominado de Natal Amazônico, Tempo e Eternidade, que foi encenado no Largo de São Sebastião. Aconteceu na noite do Dia de Natal, e teve a Secretaria de Cultura como a gestora e produtora do espetáculo.

A inovação consistiu em transpor o cenário do nascimento de Jesus para as barrancas do rio Negro, nosso ancoradouro. O consagrado poeta Max Carpenthier, competente em sua produção regional e de cunho religioso, foi o autor do texto ganhador do concurso de dramaturgia criado para essa festa.

Era um tempo em que os homens lançavam seus insistentes olhares para a salvação do planeta. A Amazônia sempre despertou essa preocupação. Assim, do espetáculo, recolhi a Cena XV (O Credo do Cientista), que teve a Intervenção Eletrônica produzida pelo artista DJ Kleber Romão.



Cientista:

Senhor, na noite do Teu nascimento,
em que recordamos que a Encarnação
concentra no Teu ser o apogeu das forças
naturais e divinas, eu, que vivo a estudar os movimentos da evolução, rezo diante de Ti o meu credo amazônico:
 Eu creio que a conjugação das potências vegetais, animais
e líquidas incessantemente se desdobram em mais e mais
mistérios revelados, para a realização do destino
humano. Creio que a missão dos frutos, a doação dos
peixes, a múltipla vitalidade que se arrasta na jiboia, salta
na jaguatirica e alcança o céu nos pássaros, tudo é,
ao mesmo tempo, paraíso recapitulado, riqueza do presente, 
provisão do futuro. 
Creio na harmonização das sabedorias ancestrais e contemporâneas. Creio que a sustentabilidade inaugura uma nova era da Amazônia. Creio na convivência solidária da estrada e do rio. Creio na solidariedade entre a várzea e a fábrica, entre a tarrafa e o computador. Creio na complementaridade entre o tambor e o celular. Creio nas trocas culturais como processo civilizador. Creio que na preservação ambiental e no amor ao belo e às artes sustentamos o mais antigo fundamento da plenitude da vida.
Plenitude da vida, Senhor, é o outro nome do teu Reino. Amém.

quinta-feira, dezembro 03, 2015

ARISTÓTELES ALENCAR

Semana passada, em busca de dados sobre as primeiras turmas do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais do Exército) em Manaus, deparei com o nome do aluno Aristóteles Conte de Alencar. Pertenceu a segunda turma, cuja formatura ocorreu em 25 de agosto de 1945.
Também encontrei seu nome entre os bacharéis da FDA, turma de 1943. Portanto, quanto ingressou no NPOR estava recentemente graduado em Direito.
Sei mais que seu filho - Aristóteles - é medico cardiologista, pertencente aos quadros da Polícia Militar do Estado. E que montou seu consultório no imóvel onde residiu seu genitor, cuja referência encontra-se na calçada, no Largo de São Sebastião (foto).
O texto abaixo, sacado do Jornal do Commercio (29 fevereiro 1972), conta um pouco mais do saudoso professor Aristóteles Conte de Alencar.


Educadores de ontem e de hoje
Aristóteles Conte de Alencar, o nome focalizado hoje – A sua vida como professor

Filho do falecido professor João Luiz de Alencar e de Dona Raimunda Ferreira de Alencar, Aristóteles Conte de Alencar fez seus primeiros estudos em sua própria terra natal: Amazonas. Porém, no decorrer de 1926, em Sergipe, onde esteve, em companhia de sua família em visita aos seus avós paternos, estudou no Colégio Tobias Barreto, de Aracajú, e, posteriormente, em São Cristovão, antiga sede do próspero e culto Estado sergipano, cursou o Grupo Escolar Vigário Barroso, no qual fez a segunda série, em curso de nível primário. 
Ao regressar a Manaus, matriculou-se no então Grupo Escolar Presidente Arthur Bernardes, hoje com a denominação de Euclides da Cunha [bairro da Cachoeirinha], onde completou definitivamente o curso primário.
Então ingressou no antigo Ginásio Amazonense Pedro II, que nos dias atuais tomou o nome de Colégio Estadual do Amazonas, onde fez todo o curso secundário. Em curso superior, o professor Conte de Alencar estudou inicialmente na Faculdade de Direito de Niterói, mas, em virtude de seu antecipado regresso ao nosso Estado, à maneira do que tinha acontecido anos atrás, o Prof. Aristóteles teve que transferir-se para a nossa tradicional Faculdade de Direito do Amazonas, onde recebeu o grau de Bacharel em Direito, no ano de 1943. 
Aristóteles Conte de Alencar iniciou-se no magistério em 1936, no Colégio Cardeal Leme, do Rio de Janeiro, quando de um convite feito pelo então lente de Português e Francês do referido colégio, Prof. Edmundo Fernandes Levy. Para o então neófito professor Aristóteles Alencar, era o seu “batismo de fogo” no professorado, mister tão honrado, mas nem por isso sempre afortunado.
E dessa feita o Prof. Alencar mostrou valor, competência, desprendimento, saindo-se com galhardia dessa dura prova. A Escola Técnica de Comércio Solon de Lucena foi um dos primeiros educandários em que o professor Conte de Alencar emprestou seus serviços como preceptor. Nesta escola ocupa as catedral de Matemática Comercial, Matemática Financeira e Elementos de Estatística. 
Ingressou no Instituto de Educação do Amazonas, ainda na profícua administração de Leopoldo Amorim da Silva Neves, por convite do saudoso mestre Abílio de Barros Alencar para substituí-lo no IEA, e até hoje continua como guieiro de gerações e gerações que passam pelos bancos escolares do estabelecimento de ensino do Alto da Avenida.
Atualmente o Prof. Aristóteles Conte de Alencar leciona ainda nos seguintes educandários: Escola Normal Rural Benjamin Constant; Escola de Comércio Dom Bosco; Escola Técnica de Comércio Brasileira, além de ensinar, particularmente, em sua residência, Matemática e Estatística.
Depois de colhermos boa parte da vida escolar e vida no magistério do professor Aristóteles Conte de Alencar, inquirimos o mestre sobre diversos pontos da educação e da instrução em nossos dias, ainda assim com a adoção dos modernos métodos pedagógicos. A respeito do assunto em tela o professor Conte de Alencar assim se expressou: “A adoção, no Brasil, dos modernos métodos pedagógicos, como consequência do atual desenvolvimento de sua civilização, sob todos os aspectos, vem apresentando dia a dia reais progressos em nosso campo educacional. O governo brasileiro, por sua vez, vem encarando esse relevante problema com demonstrado interesse, procurando adaptá-lo à realidade de nossa complexa formação social”. 
Diz mais adiante o professor Alencar: “Havia, de fato, uma necessidade inadiável para a modificação, pelo menos do nosso sistema pedagógico, até então modelado pelos tradicionais métodos de ensino, os quais, sob vários aspectos, não mais consultavam ou obedeciam aos ditames do imperativo do momento presente. A tendência, portanto, era a busca para a tentativa de um outro sistema de ensino, mais apropriado ao nosso ambiente sociológico. Surgiram, então, os tão discutidos métodos pedagógicos, ditando novos princípios e novas leis, tudo estabelecido através de experiências concretas”. (...) 
Nesse ponto — palavras do repórter — estamos de pleno acordo com o mestre, posto que o professor e o método se identificam e quase nunca se desassociam, surgindo daí as correlações entre esses dois fatores de importância vital e de predominâncias acentuadas no ensino. São dois pontos básicos, inseparáveis, e, se assim não fosse, tornar-se-iam (ambos: o preceptor e o método) improdutivos, ineficazes, contraproducentes.
Conclui o ilustre mestre: “Dentro de meu ponto de vista situo-me entre aqueles que julgam perfeitamente que todo professor deve achar o seu próprio método, inteiramente pessoal e original, mas, uma vez adquiridos os seus princípios gerais, cabe a cada um descobrir as modalidades daquele que melhor convenha ao seu temperamento e esteja de acordo com a sua personalidade, contando que a sua vocação pedagógica possa ser realizada da melhor maneira possível. 
Em nossos dias, os problemas da educação, na maior parte, dos países, tornaram-se, de certa maneira, similares; as soluções apenas são influenciadas pela diferença de tradição e de cultura peculiares a cada um” 
.
Chegamos por fim, ao termo dessa rápida biografia do professor Aristóteles Conte de Alencar, um mestre que de fato merece o mais alto galardão como preceptor de muitas gerações de jovens, no seio dos quais encontra amiúde a gratidão, como um tributo aos seus imensos esforços em favor do ensino e da instrução no Brasil.



domingo, novembro 16, 2014

CLUBE DA MADRUGADA: 60 ANOS | 4


Logomarca do Clube da Madrugada


No próximo sábado 22, o Clube da Madrugada completa sessenta anos. A Academia de Letras encerra sua homenagem a esse movimento cultural da cidade. Outros encontros acontecem na Universidade Federal e na do Estado.
Minha lembrança vai abaixo com fotos do encontro realizado em frente ao Teatro Amazonas, na passagem do cinquentenário.

No palco, Tenorio Telles, Sergio Cardoso e Maury Marques, Afonsina     



Mauri Marques e seu conjunto Jiquitaia

Roberto Mendonça e Francisco Gomes da Silva, lendo.