CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de setembro de 2016

REPARTIÇÕES NO AMAZONAS - 1970


Sacado ainda do Almanaque Municipal Brasileiro, vai abaixo a relação, com o respectivo endereço, das repartições estaduais e federais e de outros órgãos da administração funcionando em Manaus, na abertura da década de 1970.

Era governador do Estado o Dr. Danilo Duarte de Matos Areosa (1967-71).


COOPERATIVAS
Banco Popular de Manaus Ltda. Rua Guilherme Moreira, 171 Cooperativa de Consumo dos Empregados da COPAM - Rua Rui Barbosa
Cooperativa de Consumo dos Funcionários do Banco do Brasil - Rua Luís Antony, 763

FRIGORÍFICOS
Fricarne Ltda. - Avenida 7 de Setembro, 1.288
Indústrias e Produtos Alimentícios de Manaus - Avenida Epaminondas, 726
Matadouro Frigorífico de Manaus S/A. FRIGOMASA - Rua Marechal Deodoro, 271

HOTÉIS
Alvorada Hotel - Rua Comendador Clementino, 220
Eldorado Hotel - Avenida Eduardo Ribeiro, 333
Grande Hotel - Avenida 7 de Setembro, 826
Hospedagem Garrido - Rua Dr. Moreira, 148
Hotel Amazonas - Turismo Ltda. - Praça Adalberto Valle
Hotel Amazonas - Anexo - Rua Dr. Moreira, 54
Hotel Central - Rua Dr. Moreira, 210
Hotel Floriano Peixoto - Avenida Floriano Peixoto, 108
Hotel Formosa - Rua Leovegildo Coelho, 210
Hotel Ideal - Avenida Eduardo Ribeiro, 906
Hotel Madrid - Avenida João Coelho, 2.060
Hotel Presidente - Rua Marechal Deodoro, 125
Hotel Veneza - Avenida 7 de Setembro, 1.043
Líder Hotel - Avenida 7 de Setembro, 827
Lord Hotel Ltda - Rua Marcílio Dias, 217/225
Nova Olinda Hotel - Rua Dr. Moreira, 190
Rio Mar Hotel - Rua Guilherme Moreira, 325
Palace Hotel - Avenida 7 de Setembro, 593

IGREJAS E AGREMIAÇÕES RELIGIOSAS
Abrigo Redentor - Avenida Joaquim Nabuco, 1.023
Arcebispado de Manaus - Avenida Joaquim Nabuco, 1.035
Casa Nossa Senhora da Divina Providência - Rua Ramos Ferreira, 954
Catedral Metropolitana de Manaus - Praça Oswaldo Cruz Convento das Irmãs Aparecida - Rua Comendador Alexandre Amorim, 333
Convento do Preciosíssimo Sangue - Avenida Constantino Nery
Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Manaus - Avenida Joaquim Nabuco, 1.023
Igreja Batista de Constantinópolis - Avenida Leopoldo Pores, 419
Igreja Presbiteriana de Manaus - Rua Silva Ramos, 493
Igreja São José - Rua Visconde de Porto Alegre, 820
Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria - Praça São Raimundo
Padres Franciscanos - Terceira Ordem Popular - Praça Nossa Senhora de Fátima
Padres Redentoristas - Rua Comendador Alexandre Amorim, 330
Paróquia Nossa Senhora de Nazaré - Praça Adrianópolis Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Rua Inocêncio Araújo, Educandos
Paróquia Santa Luzia - Rua Santa Luzia
Paróquia de São Francisco - Praça Coari
Paróquia de São Raimundo - Praça São Raimundo
Primeira Igreja Batista de Manaus - Avenida Joaquim Nabuco Segunda Igreja Batista de Manaus - Rua Simão Bolívar, 203
Seminário Metropolitano São José - Rua Emílio Moreira, 601

JORNAIS
A Crítica - Rua Lobo d'Almada, 278
A Notícia - Praça Tenreiro Aranha, 33
Empresa Jornal do Comércio Ltda - Avenida Eduardo Ribeiro, 566
Imprensa Oficial - Rua Lonardo Malcher, 1.189
O Jornal e Diário da Tarde - Avenida Eduardo Ribeiro, 556

RÁDIO--ESTAÇÕES
Rádio Baré Ltda - Avenida Eduardo Ribeiro, 566
Rádio Difusora do Amazonas - Rua Joaquim Sarmento, 100 Rádio Rio Mar Ltda - Rua Dr. Jerônimo Ribeiro
Sociedade Rádio Tropical - Rua José Paranaguá, 400-2º andar

SINDICATOS
Federação da Agricultura do Amazonas - Avenida Joaquim Nabuco, 639
Sindicato de Condutores Autônomos de Veículos de Manaus - Rua Monsenhor Coutinho, 253
Sindicato dos Conferentes e Consertadores de Carga do Porto de Manaus - Avenida 7 de Setembro, 740 s/407/8
Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Manaus - Avenida 7 de Setembro, 740 – 7º andar, s/706/10
Sindicato dos Empregados do Comércio de Manaus - Rua Luís Antony, 307
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Amazonas - Avenida Getúlio Vargas, 321
Sindicato dos Estivadores de Manaus - Visconde de Mauá, 265 Sindicato da Indústria da Extração da Borracha no Estado do Amazonas - Rua Barroso, 142
Sindicato dos Jornalistas do Amazonas - Rua Barroso, 142 Sindicato dos Oficiais de Máquinas e Transportes Fluviais do Amazonas - Rua Marcilio Dias, 256
Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias de Serrarias e Móveis de Madeira de Manaus - Rua Marcílio Dias, 265
Sindicato dos Operários nos Serviços Portuários de Manaus – Rua Frei José dos Inocentes, 275
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo de Manaus - Rua Henrique Martins, 204 2º andar / sala 201
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem de Manaus - Rua Leopoldo Peres, 841 Educandos
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Manaus - Rua Marcílio Dias, 256

ÓRGÃOS E ENTIDADES FEDERAIS NO AMAZONAS
1 Banco do Brasil S.A. - Av. 7 de Setembro, 444 - Fone: 2-2000
2 Banco da Amazônia S.A. - Av. 7 de Setembro, 735 - Fone: 2-43503
3 Caixa Econômica Federal do Amazonas - Rua Guilherme Moreira, 356 — Fone: 2-2860
4 Capitania dos Portos do Amazonas, Acre e Territórios Limítrofes - Rua Marquês de Santa Cruz, s/n
5 Comando da Guarnição Federal de Manaus - Rua José Clemente, s/n — Fone: 2-1500

6 Delegacia Federal de Saúde da 2ª Região - Rua José Clemente, 322
7 Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional - Rua Marcílio Dias, s/n
8 Delegacia Regional do Ministério do Trabalho - Rua Marechal Deodoro, 215
9 Delegacia Federal de Agricultura - Rua Ramos Ferreira, 386
10 Delegacia Regional da SUNAB - Rua Comendador Alexandre Amorim, s/n

11 Departamento Nacional de Endemias Rurais - Rua Miranda Leão, 432
12 Departamento dos Correios e Telégrafos - Rua Marechal Deodoro, s/n
13 Destacamento da Força Aérea de Manaus - Aeroporto de Manaus - Ponta Pelada
14 Departamento de Promoção Agropecuária do Amazonas - Av. Joaquim Nabuco, 278
15 Escola Técnica de Manaus - Av. 7 de Setembro, s/n
16 Fundação Serviço Especial de Saúde Pública FSESP - Av. Joaquim Nabuco, 1.755
17 Inspetoria de Defesa Sanitária Animal - Rua Leovigildo Coelho, 308 - Fone: 2-0888
18 Empresa de Navegação da Amazônia ENASA - Rua Marechal Deodoro, 61 - Fone: 2-4280
19 Inspetoria Regional de Estatística Municipal - IBGE - Rua Lobo d'Almada, 272
20 Inspetoria dos Índios - Rua Dr. Alminio, 193
21 Inspetoria da Alfândega de Manaus - Av. Eduardo Ribeiro, s/n
22 Instituto Nacional de Previdência Social — INPS - Praça Pedro II, s/n – Fone: 2-2405
23 Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário — INDA - Av. Joaquim Nabuco, 628
24 Instituto de Pesquisas da Amazônia INPA - Rua Guilherme Moreira, 112
25 Justiça Federal no Amazonas - Av. Epaminondas, 92
26 Primeiro Distrito de Portos, Rios e Canais - Rua Visconde de Mauá, 178
27 Primeiro Distrito Rodoviário do Amazonas - Av. Eduardo Ribeiro, 342
28 Serviço Nacional da Lepra - Rua Ferreira Pena, 184
29 Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM - Rua Costa Azevedo, 198
30 Superintendência do Desenvolvimento da Pesca — SUDEP - Av. 7 de Setembro, 162
31 Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA - Av. Eduardo Ribeiro, s/n
32 29ª Circunscrição de Recrutamento - Praça Pedro II, s/n

33 Polícia Federal - Av. Joaquim Nabuco, 1.552 - Fone: 2-5109

27 de setembro de 2016

AMAZONAS, 1970

O AMAZONAS É ASSIM (*)
Capa da publicação

Vegetação

A ocorrência de uma densa cobertura florestal é o aspecto mais característico da Amazônia. Pelos limites exteriores da selva correm os limites da região natural. A mata amazônica, denominada "hileia" (Hyloea) por Humboldt, é a mais vasta floresta equatorial do mundo.

Vista de um avião, sua paisagem é de incrível monotonia. As copas das árvores, que se sucedem contínuas e de altura irregular, lembram a superfície de um colossal tapete verde-escuro, esponjoso, estendido até o horizonte, em todas as direções. Rasgões relativamente estreitos deixam apenas passar os rios, únicos caminhos por onde o homem pode esgueirar-se até o interior daquela compacta massa vegetal.

Vista desde o chão, porém, a uniformidade cede lugar a uma extrema variedade. Conforme o sítio em que se encontra, a floresta amazônica se subdivide em: mata de igapó, mata de várzea — que R. Rodrigues Lima ainda reparte em mata de várzea baixa e de várzea alta — e mata de terra firme. Cada uma delas tem um conjunto de plantas típicas, mas muitas espécies existem que crescem em várias formações.

Assim, a mata de igapó é muito rica em palmeiras, especialmente o jupati e o açaí; na mata da várzea vicejam em grande número a seringueira e a sumaúma, e a castanha-do-pará ergue-se dominadora em imensas extensões de mata de terra firme.
Quando uma estrada corta a mata virgem de terra firme – como a Manaus-Itacoatinga (sic), a Belém-Brasília ou a Brasília-Acre – pode-se observar com clareza a estrutura da hileia, a luta por um lugar ao sol e a adaptação dos indivíduos ao meio.

Os gigantes da mata são as árvores emergentes, com 35 metros ou mais de altura, que expandem suas copas por cima das demais, aqui e acolá, como ilhas num oceano revolto. Este oceano de verdura é formado pela abóbada foliar, entre 20 e 35 metros, onde, ao contrário, as copas das árvores se comprimem, alongando-se na direção vertical, em disputa da luz. Entre cinco e 20 metros, o andar arbóreo interior é constituído por árvores de troncos finos e poucas folhas que crescem à procura do nível superior da vegetação.

Rodovia Manaus-Porto Velho, 1970

Do solo até cinco metros, arbustos, samambaias e outras pequenas plantas formam o sub-bosque, cujas formas vegetativas são adaptadas à vida num ambiente de estufa morno, úmido e de penumbra. Muitas plantas deste andar têm folhas grandes, capazes de captar avidamente em seus estômagos a energia dos raros feixes de luz infiltrados através da verdura e que escorrem por suas pontas afiladas o excesso de água sobre elas acumulado.

A densidade vegetal da selva amazônica é ainda aumentada pelos cipós, pendentes das árvores mais altas e que ligam os diferentes andares; pelas epífitas, que crescem agarradas aos troncos e galhos das árvores, e pela infinidade de vegetais inferiores: os musgos, os líquens, os fungos, os cogumelos.

É uma ilusão de origem literária pensar que a hileia se apresenta, por toda parte, como uma floresta de folhas perenes. Certamente é a mata de várzea e, nas áreas de clima sempre úmido, como o do Alto Rio Negro, também a de terra firme. Nas partes onde a estação seca é pronunciada, entretanto, uma fração das árvores perde as folhas –particularmente as árvores emergentes – no auge da estiagem.

As raízes chatas, verticais e triangulares, chamadas "sapopembas", que apoiam como escoras certas árvores, dão uma impressão exagerada sobre a grossura das mesmas. Raríssimas devem ser aquelas cujos troncos, à altura do peito de um homem, alcançam dois metros de espessura. A natureza parece sugerir que a hileia é uma formação jovem, recém-instalada na Amazônia, fato que só pode ser comprovado, porém, através de um exame dendrológico sistemático ou do exame com carbono 14.

A complexidade da hileia tem chamado a atenção de muitos cientistas. Deffontaines informa, sobre este assunto, que, enquanto as florestas europeias, já meticulosamente estudadas, contêm 200 espécies arbóreas, na selva amazônica foram, até hoje, catalogadas mais de 400 árvores, e seu conhecimento completo está longe de ser atingido.

Tal riqueza botânica equivaleria a uma pobreza econômica, porque as florestas das zonas temperadas e frias, sendo mais homogêneas, permitiriam sua exploração a custo mais baixo, visto que as espécies de valor comercial se sucedem a pequena distância. A hileia já não é assim e a exploração dos seringais silvestres foi um exemplo disso. Mesmo nas concentrações naturais de hévea, no Acre e sudoeste do Amazonas, a distância a percorrer entre duas seringueiras mais próximas é da ordem de 300 metros, pelo menos.

Claro que tal condição é desfavorável à hileia para o extrativismo vegetal; contudo, nesta mesma forma econômica, a heterogeneidade da mata equatorial permite uma variedade muito maior de atividades extrativas que as florestas de coníferas.

A relativa dificuldade da produção coletora na selva amazônica reside sobretudo na falta de conhecimento empírico. No entanto, os caboclos da região sabem muito bem, por exemplo, que a castanha-do-pará se encontra, principalmente, no Médio Tocantins e no Itacaiúnas (Pará), bem como nos vales do Madeira e do Purus; que os vales seringueiros por excelência são os do Juruá, Purus e Madeira, e que as matas do Médio Araguaia são ricas em mogno.

Segundo assegura o prof. Lucio de Castro Soares, em seu livro Amazônia,    riquíssima em espécies botânicas, a hileia amazônica oferece quantidade incalculável de matérias-primas vegetais de grande valor industrial, algumas delas essenciais à  civilização moderna.

Dentre estas matérias-primas contam-se madeiras para todos os fins, óleos e resinas para a indústria de tintas, vernizes e lubrificantes; vários látex producentes de borracha; fibras; frutos alimentícios. 


A abundância de alimentos e de água na floresta amazônica sustenta variadíssima fauna terrestre e aquática, donde serem a caça e a pesca importantes fontes de riqueza da Amazônia.

(*) Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

21 de setembro de 2016

AUTORIDADES NO AMAZONAS - 1970


Governador Areosa no quartel do CIM,
entregando medalhas 
RELAÇÃO DE AUTORIDADES DO ESTADO DO AMAZONAS (*)

Autoridades Estaduais:

Governador do Estado - Danilo Duarte de Matos Areosa
Vice-Governador - Homero de Miranda Leão
Chefe da Casa Civil – Dr. João Martins da Silva
Chefe da Casa Militar – Coronel PM Themistocles Henriques Trigueiro
Subchefe da Casa Civil – Dr. Emerentino Rodrigues Manso
Subchefe da Casa Militar – Tenente-Coronel PM Alcimar Guimarães Pinheiro
Oficial de Gabinete p/Assuntos Particulares – José Araújo Cavalcante
Ajudante de Ordens do Governador – Capitão PM Odacy de Lima Okada
Diretor dos Serviços Gerais do Palácio Rio Negro – Onofre de Queiroz Martins
Diretor da Divisão do Serviço Social – Demóstenes Raymundo de Queiroz Buzzaglo

Secretários de Estado:
Secretário do Interior e Justiça – Dr. José Cantanhede de Mattos Filho
Secretário de Fazenda – Dr. José Lopes da Silva
Secretário de Administração – Dr. José Caitete da Silva Filho

Autoridade Eclesiástica
Arcebispo de Manaus – Dom João de Souza Lima

Autoridades do Judiciário:
Presidente do Tribunal de Justiça – Des. Sady Paiva
Presidente do Tribunal Regional Eleitoral – Des. Joaquim Paulino Gomes

Autoridades Federais:

Ministério da Aeronáutica
Comandante da Base Aérea – Coronel Av Moacir de Carvalho Aires

Ministério da Agricultura
Diretor Estadual do MA – Dr. Mário Alves Malafaia
Delegado do IBRA  – Dr. Caio Cézar de Araújo
Delegado do INDA – Dr. José Ribamar Siqueira

Ministério das Comunicações
Diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – Dr. Mário Frazão Tavernard

Ministério da Educação e Cultura
Reitor da Universidade – Dr. Jauary G. de Souza Marinho
Inspetor Seccional do MEC – Prof. Agenor Ferreira Lima

Ministério do Exército
Quartel do 1º BIS, em São Jorge
Comandante Militar da Amazônia e 12ª RM – General de Divisão José Nogueira Paes
Chefe do Estado-Maior – Coronel Arídio Brasil
Comandante do 1° BIS – Tenente-Coronel Paulo Figueiredo A. Oliveira
Chefe da 29ª CSM – Major Expedito de Souza Pereira
Chefe do SNI (Agência de Manaus) – Tenente-Coronel Roberto Monteiro de Oliveira
Chefe da Comissão Geral de Investigações [CGI] e Comandante do CIGS – Tenente-Coronel Jorge Teixeira de Oliveira

Ministério da Fazenda
Delegada da Receita Federal – Sra. Cecilia Margarida de Oliveira
Delegado de Arrecadação – Dr. Colmar Medeiros Rabelo

Ministério do Interior
Superintendente da Zona Franca de Manaus – Coronel [EB] Floriano Pacheco
Diretor do Escritório da Sudam – Dr. Neper Antony

Ministério da Justiça
Delegado Regional de Policia Federal – Dr. Márcio José de Oliveira
Juiz Federal – Dr. Ariosto de Rezende Rocha
Juiz Federal Substituto – Dr. Aderson Pereira Dutra

(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

19 de setembro de 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA (2)

O AMAZONAS É ASSIM - 2ª parte (*)

Quando Portugal, na primeira metade do século XVI, dividiu o Brasil em capitanias ou províncias desiguais, o Amazonas não foi incluído, e só depois de 1636 se estabeleceu na embocadura do imenso "mar de água doce" a Capitania de Joanes, hoje Ilha de Marajó.
Embarcações no porto de Manaus, 1970

Quem primeiro descobriu o Rio Amazonas foi o espanhol Vicente Yanez Pinzon, companheiro de Colombo, que explorou a costa no Norte do Brasil e reconheceu o estuário. Em 1519, Gonçalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru, partiu do Pacífico em busca do Eldorado que, embora hoje no domínio da fantasia, empolgou a imaginação e credulidade da Europa por meio século.

Pizarro não foi longe, mas o seu lugar-tenente Orellana, traindo-o, quando a sua expedição estava nos maiores apuros, abandonou-o. Depois de ter descido o Amazonas, com alguns homens, e chegado ao Atlântico, Francisco Orellana seguiu para a Espanha, para onde levou maravilhosas lendas, grandemente exageradas como de costume. Entre elas contava-se a das mulheres guerreiras (também atribuída a Gonçalo Pizarro, que teve de explicar as causas do insucesso da sua expedição), de onde o grande rio tirou o seu nome – Amazonas, dado depois ao maior Estado do Brasil.

Um século depois, outro espanhol, Juan de Palácios, partindo de Quito, no Equador, chegou à confluência do Rio Napo com o Amazonas, continuou até a entrada do Rio Negro e foi morto pelos índios. Os companheiros que se salvaram conseguiram alcançar Belém, fortaleza fundada pelos portugueses no estuário.

Dirigida pelo capitão-geral Velho de Carvalho, partiu de Belém, rio acima, uma expedição em 1637 que, depois de um ano de quase incríveis aventuras, chegou a Quito, em 1638. Espanha e Portugal estavam então sob uma só coroa, e os pioneiros foram entusiasticamente recebidos. Esta foi a primeira expedição bem sucedida na travessia do continente, nesta latitude, de leste para oeste, e a sua ousadia e sucesso estão no mesmo nível do colossal trabalho dos brasileiros, na última metade do século XIX, no Amazonas.

Voltando a Belém, em 1639, Pedro Teixeira, chefe da expedição, levantou um marco na foz do Rio Napo, como sinal da ocupação do país pelos portugueses – fato que, devido à separação entre Portugal e Espanha, no ano seguinte, foi um dos principais argumentos aduzidos por Portugal para provar o seu direito a toda bacia do Amazonas até aquele ponto.

Em 1625, os holandeses estabeleceram uma feitoria no [rio] Xingu, um dos afluentes do [rio] Amazonas, mas foram, com outros aventureiros, gradativamente expulsos pelos portugueses, que conseguiram alcançar o completo domínio do rio, cuja livre navegação fecharam aos estrangeiros. Só depois de 1867 o Amazonas foi de novo franqueado ao mundo.

Até 1822, quando o Brasil se fez independente como Império, o território, agora conhecido por Amazonas, fazia parte da Capitania do Pará, com uma sub-capitania em São José do Rio Negro, estabelecida em 1755. O primeiro governador, Joaquim de Melo Póvoas, fez de Barcelos o seu quartel-general, no vale do Rio Negro, acima da cidade de Manaus, sendo Barcelos uma das muitas povoações fundadas pelos jesuítas nessa região.
O terceiro governador, Manoel da Gama Lobo [d’Almada], transferiu a sede do governo para a Barra do Rio Negro, hoje Manaus – capital do Estado do Amazonas –, então uma simples vila missionária.
Depois da Independência, em 1822, os habitantes de Rio Negro bateram-se pela sua autonomia e estabeleceram um governo provisório; mas, tendo sido subjugados, foi Rio Negro de novo incorporada, em 1832, como comarca da Província do Pará. 
Contudo, continuaram a protestar e, em 1850, conseguiram uma lei que separava da Província do Pará a Comarca de Rio Negro, elevando-a à categoria de Província sob a denominação de Amazonas, em 1° de janeiro de 1852. A vila da Barra do Rio Negro, elevada a cidade, que por uma vizinha tribo de índios foi de novo batizada com o nome de Manaus, ficou sendo a sede governo.
Até 1853, a navegação do Amazonas era feita por batelões, que levavam muitas semanas a chegar ao Rio Negro, tendo o governo central sistematicamente proibido a navegação a vapor naquele rio. Contudo, em 1852, o Visconde de Mauá, o mesmo homem que dirigira a construção da primeira estrada de ferro no Brasil, obteve um monopólio de navegação no Amazonas, e nesse mesmo ano foi organizada a Companhia de Comércio e Navegação, com o capital de 4.000 contos de réis.
Vinte anos mais tarde, depois de ser franqueada ao mundo a navegação no Amazonas (1872), essa Companhia se transformou na Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas, pertencente aos ingleses, que tão bons serviços prestaram no desenvolvimento da região.

Depois passou ela para o domínio do governo brasileiro com o nome de Serviços de Navegação da Amazônia e Administração dos Portos do Pará (SNAPP), mais tarde, já no governo da Revolução de 31 de março de 1964, transformada apenas em Empresa de Navegação da Amazônia Sociedade Anônima (Enasa).

De 1872 em diante o progresso passou a ser rápido e, por volta de 1874, começou a linha subsidiada de vapores entre Liverpool e Manaus, outra para os Estados Unidos e ainda outra para o Rio de Janeiro e portos de escala, em 1884.
Então Palácio Rodoviário, 1970

Em 1889, com a proclamação da República, a Província tornou-se o autônomo Estado do Amazonas, dirigido por um governador e uma Constituição própria. 
Vale recordar o barão Sant'Anna Nery, na sua maravilhosa obra A Terra do Amazonas: — "A causa e efeito do desenvolvimento do comércio no Estado do Amazonas é a facilidade do transporte. Em 1872 entraram 51 vapores; em 1906, o número atingiu 1.248".
A franquia do colossal rio foi o ponto de partida do progresso do Amazonas, aumentado pela sua subsequente independência do Pará.
(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

17 de setembro de 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA

A primeira parte de um conteúdo sacado do Almanaque Municipal Brasileiro, do ano de 1970, quando governava o Estado Dr. Danilo Duarte de Matos Areosa. 

O AMAZONAS É ASSIM
Resumo histórico:
Posição geográfica: 2° 8' 30" lat. N; 9° 49' 00" extremo S.;
56° 04' 50" extremo E.; 73° 48' 06" extremo O. long. W. Gr.


O Estado do Amazonas é o mais extenso de todos os Estados brasileiros. Com os seus 1.564.445 km2, o Amazonas apresenta os mais variados aspectos, que vão das várzeas a um relevo importante; de igarapés a rios dignos de nota; da vegetação rasteira à grande floresta.

Confina com seis países estrangeiros. Ao Sul limitam-no o Estado de Mato Grosso, a República da Bolívia e o Estado do Acre; a Oeste, o Peru, Equador e Colômbia; ao Norte, a Venezuela; a Leste, a Guiana e o Estado do Pará.

O Amazonas divide com o Pará o poderoso Rio Amazonas; mas tem uma parte muito maior desse rio que o Pará e é a unidade político-geográfica que dispõe da mais extensa superfície fluvial do mundo.

O Amazonas é geralmente baixo e quase inteiramente produto do período terciário. O seu contorno irregular muito se aproxima do quadrado, estendendo-se por mais de 15 graus de longitude e mais de 15 graus de latitude. O equador passa pela sua parte Norte, correndo o leito principal do Rio Amazonas numa latitude quase uniforme de 3 graus Sul; a maior parte do Estado acha-se, pois, no Sul da zona tórrida.

A vida no Amazonas não é mais perigosa do que em outras regiões, como na África Ocidental, por exemplo. É uma terra em que a colheita é perpétua, em que a natureza não dorme nem descansa. É uma terra de poderosos rios, que são as suas estradas, entre florestas que, se não fossem habitadas, se poderiam considerar virgens.

De Parintins, situada a 676 milhas a oeste da cidade (sic) do Pará, até Tabatinga, onde o grande rio, vindo do Peru, penetra em território brasileiro, há 1.074 milhas de distância. Nesse enorme trajeto, três imensos rios entram no Amazonas, procedendo do Norte — o Içá, o Japurá e o Negro; e cinco, do Sul — o Javari, que é a linha divisória com o Peru, o Jataí, o Juruá, o Purus e o Madeira.

Todos estes grandes rios têm ainda inúmeros afluentes; e há outros rios menores procedentes do Norte ou do Sul que às dezenas desembocam na grande artéria amazônica e que são do volume do Tâmisa, do Sena ou do Tejo. A par do explorador, do seringueiro e do negociante de madeiras, o geógrafo, muito especialmente, tem aqui vastíssimo campo de trabalho.

O maior dos grandes rios que desaguam no Amazonas, dentro dos limites do Estado, é o mais oriental, o Madeira, que, vindo das altas montanhas da Bolívia, tem um curso de 3.107 milhas.

Em todo o vasto Estado, as margens do rio, revestidas de grandes florestas constituem o horizonte do viajante, e em nenhuma dessas florestas se poderia penetrar sem o auxílio do guia, do terçado [facão] ou do machado. As florestas do Amazonas têm sido chamadas "o desespero dos botânicos". Depois de apresentar uma lista bem minuciosa de orquídeas e palmeiras, conhecidos monarcas das plantas e árvores da Amazônia, diz o geógrafo francês Eliseu Reclus: "Quanto às outras produções da floresta, preciosas madeiras, borracha, variadas gomas, resinas e substâncias canforadas, o botânico as classificou em milhares de espécies e a indústria está sempre aprendendo a conhecer os seus valores s e aplicá-las".

Em relação à fauna, podemos citar o mesmo autor: "Reina um silêncio tumular em muitos pontos da floresta, de onde se poderia inferir que a fauna é mal representada; entretanto, se não são muito numerosos os representantes de cada família, as espécies oferecem uma variedade singular". Durante os seus onze anos de exploração no Amazonas, o naturalista Bates (a quem tanto deveu o ilustre Darwin) colecionou 14.712 espécies de animais, 8.000 dos quais eram completamente desconhecidos da ciência.

Francisco Orellana, o espanhol – quem primeiro desceu o Amazonas com 50 companheiros –, fez referência no seu relatório a grande número de vilas nas margens desse rio. Três séculos depois, 150 tribos distintas que povoavam essas vilas desapareceram. A invasão dos brancos sem dúvida concorreu muito para diminuir a população indígena e é muito raro encontrarem-se índios de pura raça nas margens dos rios. Existem ainda, na selva, tribos belicosas que evitam a presença dos civilizados, atacando-os quando penetram em seus territórios.

No setor de colonização do Amazonas ou dos altos rios, os mestiços e especialmente os cearenses, estes de cruzamento português, indígena e africano, são em maior número. A história do suprimento de trabalhadores ao Amazonas é uma curiosa página da história da pátria. Assim, tem sido comprovado que uma proporção apreciável de seringueiros procede não do estrangeiro, mas sim do Ceará, vindos em menor escala os demais Estados do Nordeste.


E são os Estados nordestinos que têm ajudado a povoar a imensa Amazônia. Muitos a procuram ávidos pela riqueza que os seringais possam lhes proporcionar; outros, fugindo da impiedosa seca que os reduz a verdadeiros trapos humanos. A grande maioria não enriquece. Poucos se tornam os "coronéis" dos velhos tempos. Mas, em compensação, a família se reproduz abundantemente. (segue)