CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

17 de setembro de 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA

A primeira parte de um conteúdo sacado do Almanaque Municipal Brasileiro, do ano de 1970, quando governava o Estado Dr. Danilo Duarte de Matos Areosa. 

O AMAZONAS É ASSIM
Resumo histórico:
Posição geográfica: 2° 8' 30" lat. N; 9° 49' 00" extremo S.;
56° 04' 50" extremo E.; 73° 48' 06" extremo O. long. W. Gr.


O Estado do Amazonas é o mais extenso de todos os Estados brasileiros. Com os seus 1.564.445 km2, o Amazonas apresenta os mais variados aspectos, que vão das várzeas a um relevo importante; de igarapés a rios dignos de nota; da vegetação rasteira à grande floresta.

Confina com seis países estrangeiros. Ao Sul limitam-no o Estado de Mato Grosso, a República da Bolívia e o Estado do Acre; a Oeste, o Peru, Equador e Colômbia; ao Norte, a Venezuela; a Leste, a Guiana e o Estado do Pará.

O Amazonas divide com o Pará o poderoso Rio Amazonas; mas tem uma parte muito maior desse rio que o Pará e é a unidade político-geográfica que dispõe da mais extensa superfície fluvial do mundo.

O Amazonas é geralmente baixo e quase inteiramente produto do período terciário. O seu contorno irregular muito se aproxima do quadrado, estendendo-se por mais de 15 graus de longitude e mais de 15 graus de latitude. O equador passa pela sua parte Norte, correndo o leito principal do Rio Amazonas numa latitude quase uniforme de 3 graus Sul; a maior parte do Estado acha-se, pois, no Sul da zona tórrida.

A vida no Amazonas não é mais perigosa do que em outras regiões, como na África Ocidental, por exemplo. É uma terra em que a colheita é perpétua, em que a natureza não dorme nem descansa. É uma terra de poderosos rios, que são as suas estradas, entre florestas que, se não fossem habitadas, se poderiam considerar virgens.

De Parintins, situada a 676 milhas a oeste da cidade (sic) do Pará, até Tabatinga, onde o grande rio, vindo do Peru, penetra em território brasileiro, há 1.074 milhas de distância. Nesse enorme trajeto, três imensos rios entram no Amazonas, procedendo do Norte — o Içá, o Japurá e o Negro; e cinco, do Sul — o Javari, que é a linha divisória com o Peru, o Jataí, o Juruá, o Purus e o Madeira.

Todos estes grandes rios têm ainda inúmeros afluentes; e há outros rios menores procedentes do Norte ou do Sul que às dezenas desembocam na grande artéria amazônica e que são do volume do Tâmisa, do Sena ou do Tejo. A par do explorador, do seringueiro e do negociante de madeiras, o geógrafo, muito especialmente, tem aqui vastíssimo campo de trabalho.

O maior dos grandes rios que desaguam no Amazonas, dentro dos limites do Estado, é o mais oriental, o Madeira, que, vindo das altas montanhas da Bolívia, tem um curso de 3.107 milhas.

Em todo o vasto Estado, as margens do rio, revestidas de grandes florestas constituem o horizonte do viajante, e em nenhuma dessas florestas se poderia penetrar sem o auxílio do guia, do terçado [facão] ou do machado. As florestas do Amazonas têm sido chamadas "o desespero dos botânicos". Depois de apresentar uma lista bem minuciosa de orquídeas e palmeiras, conhecidos monarcas das plantas e árvores da Amazônia, diz o geógrafo francês Eliseu Reclus: "Quanto às outras produções da floresta, preciosas madeiras, borracha, variadas gomas, resinas e substâncias canforadas, o botânico as classificou em milhares de espécies e a indústria está sempre aprendendo a conhecer os seus valores s e aplicá-las".

Em relação à fauna, podemos citar o mesmo autor: "Reina um silêncio tumular em muitos pontos da floresta, de onde se poderia inferir que a fauna é mal representada; entretanto, se não são muito numerosos os representantes de cada família, as espécies oferecem uma variedade singular". Durante os seus onze anos de exploração no Amazonas, o naturalista Bates (a quem tanto deveu o ilustre Darwin) colecionou 14.712 espécies de animais, 8.000 dos quais eram completamente desconhecidos da ciência.

Francisco Orellana, o espanhol – quem primeiro desceu o Amazonas com 50 companheiros –, fez referência no seu relatório a grande número de vilas nas margens desse rio. Três séculos depois, 150 tribos distintas que povoavam essas vilas desapareceram. A invasão dos brancos sem dúvida concorreu muito para diminuir a população indígena e é muito raro encontrarem-se índios de pura raça nas margens dos rios. Existem ainda, na selva, tribos belicosas que evitam a presença dos civilizados, atacando-os quando penetram em seus territórios.

No setor de colonização do Amazonas ou dos altos rios, os mestiços e especialmente os cearenses, estes de cruzamento português, indígena e africano, são em maior número. A história do suprimento de trabalhadores ao Amazonas é uma curiosa página da história da pátria. Assim, tem sido comprovado que uma proporção apreciável de seringueiros procede não do estrangeiro, mas sim do Ceará, vindos em menor escala os demais Estados do Nordeste.


E são os Estados nordestinos que têm ajudado a povoar a imensa Amazônia. Muitos a procuram ávidos pela riqueza que os seringais possam lhes proporcionar; outros, fugindo da impiedosa seca que os reduz a verdadeiros trapos humanos. A grande maioria não enriquece. Poucos se tornam os "coronéis" dos velhos tempos. Mas, em compensação, a família se reproduz abundantemente. (segue)