CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de setembro de 2016

PROJETO RONDON

Capa do Almanaque
O post seguinte foi compartilhado do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Estado do Amazonas, ao tempo do governador Danilo Areosa (1967-1971). O compêndio foi impresso no Rio de Janeiro: empresa O Cruzeiro, 1970, 335 p.
Não há indicação do autor, apenas agradecimentos “ao Dr. Sinval de Andrade Gonçalves, secretário de Imprensa e Divulgação do Palácio Rio Negro, a colaboração prestada”.
O Projeto Rondon, conheci-o como expectador, em nossos dias contudo desconheço sua existência. Penso que o projeto cumpriu seu papel quando do Governo Militar. O texto delineia ligeira dose de seu intento junto aos universitários brasileiros.

PROJETO RONDON
O Projeto Rondon é um movimento surgido no meio universitário brasileiro, tendo por lema "Integrar para não Entregar". Tendo como patrono Cândido Mariano da Silva Rondon, já está institucionalizado através do Decreto n° 62.927, de junho de 1968, sob a forma de um Grupo de Trabalho, integrado por todos os Ministérios e debaixo da responsabilidade direta do Ministério do Interior.
É um movimento diferente de seus congêneres, não sendo inspirado ou copiado de outros, constituindo-se em uma atividade bastante complexa, dinâmica e com grande riqueza de potencialidade. Essas características justificam o processo com que vem sendo estruturado, de maneira progressiva e experimental, de acordo com as características peculiares ao nosso país, com a realidade e a magnitude de seus graves e complexos problemas socioeconômicos, e, particularmente, respondendo aos anseios, à maneira de ser, pensar e agir de nossa própria juventude.
Nada nele é imposto. Tudo é reflexo e resposta aos impulsos emitidos. Daí a grande dificuldade dessa estruturação: não deformá-lo, burocratizando-o ou fazendo-o afastar-se da espontaneidade com que foi criado e de sua identidade com o pensamento dos jovens.
É um programa de educação, ou melhor, de complementação prática da formação universitária. Seu objetivo é a integração do jovem e da própria Instituição Universitária à realidade brasileira, de forma a que participem mais diretamente da problemática do Desenvolvimento da Integração Nacional e da Valorização do Homem. Sua forma de atuação é a do aprendizado indireto, através da prestação de serviços. Seu princípio básico, o do voluntariado.
O PROJETO RONDON não visa resultados imediatos e nem se propõe a resolver problemas de qualquer natureza; quando muito, presta apenas sua colaboração. O que pretende realmente é a formação de uma mentalidade nacional, através da motivação e do aperfeiçoamento prático e objetivo daqueles que serão, logicamente, os líderes de amanhã e de onde sairão, em todos os campos de atividade, os responsáveis pela condução de nossos destinos.
Procura-se, através desses estágios, fortalecer nos jovens a consciência da responsabilidade social que adquiriram ao se incluírem dentre os que tiveram o privilégio do ensino superior.
Numa época em que os jovens de quase todo o mundo se revoltam contra os sistemas universitários, por julgá-los estáticos e por isso mesmo obsoletos, não os conduzindo para as reais necessidades dos mercados de trabalho e formando-os mais acadêmicos do que ajustados às futuras atividades profissionais, o PROJETO RONDON lhes dá ampla oportunidade de verificar a viabilidade de aplicação do que aprenderem nas escolas, aperfeiçoar e adaptar métodos de trabalho e conhecer novos mercados, carentes de mão-de-obra especializada.
Além de sua programação normal, empenha-se o PROJETO RONDON atualmente em dois pontos básicos: a criação de "campus" avançado e aproveitamento no interior dos profissionais recém-formados. O "campus" avançado, inovação que está revolucionando o conceito de universidade, consiste na extrapolação do "campus" natural das escolas.
Cada universidade terá, nas áreas menos desenvolvidas do País, um "campus" experimental. Nele, equipes de alunos e professores, mensalmente renovadas, trabalharão, sob a forma de estágio curricular, dentro de um programa ajustado com as autoridades locais, de maneira contínua. Com isto, além dos grandes benefícios que terão os jovens, permitir-se-á que regiões carentes de técnicos disponham de uma gama variada de especialidades.
Como característica de países em via de desenvolvimento, a grande concentração urbana acarreta ao País um processo heterogêneo de desenvolvimento. Assim, ao lado de áreas de acelerado progresso, outras existem que, sem a infra-estrutura e técnica necessárias, permanecem estáticas.
Em complementação a este paradoxo, os grandes centros começaram a ficar saturados de mão-de-obra técnica. Seus mercados de trabalho, já suficientemente explorados, fecham-se ao profissional recém-formado.

Visando à correção deste contraste, o PROJETO RONDON procura canalizar e dirigir novos técnicos para áreas cujos mercados começaram apenas a surgir. Em torno do lema: "Integrar para não Entregar'', o PROJETO RONDON vem aproximando brasileiros de todos os recantos, acima das paixões políticas e das estéreis e demagógicas discussões de fundo ideológico.