CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

20 de maio de 2010

Os Cinemas de Manaus II

Cine Odeon (1913-1973)
Ed Lincon

Com localização privilegiada na Av. Eduardo Ribeiro esquina com a rua Saldanha Marinho, o cine Odeon, conhecido como “a Pérola da Avenida” foi construído em estilo neoclássico exclusivamente para funcionar como casa cinematográfica, pois nem palco possuía. A fachada estava pintada em tons rósea e branca. Pertencia à empresa Moreira, Lages & Cia., da qual também fazia parte Rodolpho de Vasconcellos.
O cine Odeon foi inaugurado na noite de 21 de fevereiro de 1913.

 
Jornal do Commércio (22.02.1913):

Com assistência dos representantes dos jornais desta capital, inauguraram ontem à noite os Srs. Moreira, Lages & Cia, o Cinema Odeon, de sua propriedade e sito à av. Eduardo Ribeiro. Instalado com conforto e sóbria elegância, apresenta essa nova casa de diversões um belo salão de espera, amplamente iluminado por 21 focos elétricos e vários ventiladores que nele conservam constante e agradável temperatura. A sala de espetáculos dispõe de 380 cômodas cadeiras, podendo comportar até 500 espectadores e sendo servida por 35 focos elétricos e 12 ventiladores.
A cabine de projeções se acha colocada em compartimento isolado convenientemente, de forma a evitar qualquer perigo de acidentes. Foi passada com grande nitidez, a película “Os Filhos do General”.


Para o povo, a abertura ocorreu a 23, com entradas a 1$000 (mil réis) e 1$600 (mil e seiscentos réis). Considerado o cinema da elite, o Odeon logo se transformaria na sala preferida das famílias amazonenses rivalizando apenas com o Polytheama, da empresa Fontenelle e o Alcazar, da empresa Luso-Amazonense.

Para o fornecimento de filmes, os proprietários do Odeon firmaram contrato com a empresa paraense Teixeira, Martins & Cia. Lembrando que os filmes eram mudos, a orquestra do Odeon era regida pelo maestro João Donizetti, dividindo a batuta com o maestro Luiz França, também regente do Teatro Alcazar.

Em 1914, o proprietário da Cervejaria Miranda Corrêa, fabricante da cerveja XPTO, e da Casa de “Schopps” (ortografia da época) localizada na Eduardo Ribeiro ao lado do cinema, Maximino de Miranda Correa compra o prédio do Odeon e o fecha para reformas. Sua reabertura ocorre a 3 de maio, agora com programação da Agência Geral Cinematográfica.


Em dezembro de 1914, o Odeon é arrendado para a empresa Fontenelle, que estabelece a programação simultânea com o cine Polytheama. Devido a crise desencadeada com o fim do monopólio da borracha, vários estabelecimentos comerciais fecham as portas definitivamente. A partir de 22 de janeiro de 1917, diante da escassez de filmes, o Odeon não funcionava às terças e quintas.


Em 1918, a “gripe espanhola” atinge o Amazonas e causa a morte de milhares de pessoas. Atendendo ao pedido do superintendente (prefeito) municipal, a empresa Fontenelle suspende as funções cinematográficas de suas salas em 3 de novembro, aproveitando para reformá-las.


O Odeon e o Polytheama só voltam a funcionar em janeiro seguinte. Ainda em 1918, o governador Pedro de Alcântara Bacellar (1917-1920) adquire o Palacete Scholz e o modifica para a sede do governo com a denominação de Palácio Rio Negro. Silvino Santos é contratado como cinegrafista e realiza um de seus filmes: Amazonas, o maior rio do mundo (1918).


A 21 de janeiro, é exibido no Odeon, O Horto florestal, outro filme produzido por Silvino para esta empresa e que se destinava a divulgar o Amazonas no sul do país (este filme também esteve em cartaz no Polytheama, nos dias 21 e 26 de janeiro).


No começo de 1937, o Odeon é fechado para reforma, reabrindo a 23 de maio. Em setembro de 1938, a “pérola da avenida” exibe o seriado Tarzan, o homem macaco, com grande sucesso de público. Outros seriados também reinariam neste centro de diversões: Flash Gordon, Adaga de Salomão, Roy Rogers e seu cavalo Trigger, Perigos de Nioka etc.

Com a morte de Maximino Corrêa em 1943, o cine Odeon é adquirido pela empresa Fontenelle, que passa a ser proprietária de três salas de exibição. Nove anos depois, Alberto Carreira contrata nova reforma no cinema da Eduardo Ribeiro.

A reforma e ampliação do cine Odeon promove a demolição da antiga fachada neoclássica, e oferece um prédio de arquitetura “moderna”, bem ao estilo dos anos 1950. O autor do projeto da nova fachada do Odeon foi o engenheiro José Rodrigues Pereira e as obras executadas pelo construtor Joaquim Cunha.



A Gazeta (20.04.1953) informa que
“... as obras do Cinema Odeon, completamente reconstruído e modernizado graças à iniciativa progressista do Dr. Alberto Carreira da Silva, diretor principal da conceituada Empresa Fontenelle, detentora do primado cinematográfico em nossa capital. A ampliação do prédio em que funcionava o tradicional Odeon, situado à Avenida Eduardo Ribeiro, há mais de 30 anos, e sua completa remodelação interna vão torná-lo o mais confortável e elegante cine de Manaus, atestando a capacidade bem orientada daquela respeitável empresa amazonense. Responde o Dr. Carreira da Silva, com esse empreendimento notável e duradouro, à assiduidade e preferência do povo manauense às casas de diversões da Empresa Fontenelle. (segue)