CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de maio de 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (X)

Aquartelamento

A partir de abril de 1877, a Guarda Policial aloja-se em prédio situado “à praça de Pedro II canto da rua do Governador Victorio”. No entanto, o edifício posteriormente ali levantado, bem consagra a esquina. Trata-se do Hotel Cassina. Edificado na primeira década do século XX, hospedava seleta freguesia, de nacionais e estrangeiros, de passagem pela capital da borracha em busca do Eldorado.


Atual estado do Hotel Casina, 2010
Ante o declínio avassalador da goma elástica, porém, o edifício entra em decadência e se converte no Cabaré Chinelo. A alcunha aludia ao meretrício de baixo padrão que o frequentava. Enfim, abandonada e desfigurada, a edificação aguarda as providências do novo milênio.



No cruzamento aludido também funcionou a Escola Normal, assegura a professora Assislene Mota, escrevendo sobre A Escola Normal da Província do Amazonas (2009).

Para a recém instalada Guarda Policial, significa o segundo quartel. O primeiro, ocupado por ocasião da fundação, era a residência situada “na subida da praça da Imperatriz para a de Tenreiro Aranha, e com entrada para o lado de uma e outra praça”. Esta praça corresponde em nossos dias “ao local ao lado esquerdo da igreja Matriz.”
Diário Oficial do Amazonas, 4 maio 1926


O imóvel fora arrendado por cinco anos, a contar de 1º de maio de 1876. Mas, a precariedade das acomodações e a ameaça de ruína, revelada em decorrência da chuvarada caída no final daquele ano, obrigaram o Governo, após inspeção técnica, a transferir os Guardas.

Relatório usual


Ao entregar a presidência da Província ao bacharel Agesilau Pereira da Silva, em 26 de maio de 1877, Domingos Jacy Monteiro apresenta usual Relatório. Dissertando sobre a Polícia, assegura que, por deficiência de pessoal, se obriga “a nomear oficiais que comandam destacamentos para os cargos de delegado e subdelegado, não obstante ser isso contrário às recomendações do governo.”


Em nossos dias, observando o mapa dos delegados de polícia no Interior, de competência da Secretaria de Segurança, se verá que a situação continua próspera. Ou seja, a situação permanece como “dantes”.


O documento de Domingos Monteiro, graduado em ciências jurídicas e sociais, revela um sério cultor das letras. Destaca-se, porém, pelo estilo satírico, mofador, com que descreve os assuntos pertinentes ao governo.

Listo dois tópicos: ao avaliar a Guarda Policial, refere-se a nomeação de oficial do Exército como auxiliar do comando, para a instrução dos guardas. No primeiro instante, houve certo progresso, “mas depois o ajudante começou a não ajudar, o instrutor a não instruir, e parte dos soldados a entregar-se à embriaguez e até a aplicar-se à ratonice”.


Em outro, ao retratar visita realizada à Enfermaria Militar do Exército: “Depois das duas horas da tarde, ainda não havia na enfermaria um só dos medicamentos receitados nesse dia; encontrei em uma boceta um pouco de ceroto simples, batizado com o nome de sebo de carneiro”.


A descrição da revista prossegue com a ênfase peculiar do dirigente, mas, o desapreço profissional com os doentes, afigura-se presente.

Aumento de efetivo

Manáos provincial
Agesilau Pereira da Silva, presidente da Província, altera a força da Guarda Policial e reforma seu Regulamento, consoante a Lei n.º 370/1877. O efetivo passa a contar 99 homens, dos quais, cinco são oficiais e os demais, praças. O artigo 2.º autoriza a presidência “a reformar o atual regulamento”. Executado o disposto, o Regulamento toma o n.º 32.


Em 9 de agosto, o Governo estabelece normas para distribuição e modelo do uniforme da Guarda Policial.



• Mudança de comandante

Em 13 de agosto, ocorre a primeira substituição no comando da Guarda Policial. É exonerado Severino Eusébio Cordeiro, tenente reformado, e nomeado o tenente José Leonilio Guedes, ambos do Exército. Este, todavia, se conserva curto tempo na direção. O arquivo histórico da corporação preserva sucintos dados sobre o mesmo. O mínimo existente é desabonador, pois, assinala ter sido “exonerado do comando desta Guarda Policial, por conveniência do serviço público”.
Semelhante a este fato, são numerosos os registros de queixumes acerca da atuação de oficiais do Exército, na Província do Amazonas.