CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, outubro 08, 2024

PMAM: NOTA PARA SUA HISTÓRIA

 Após passar pela Casa Militar do governador (1982-83), dediquei-me ao estudo da história da Polícia Militar do Amazonas. Para tanto, tomei cuidado com mais afinco dos arquivos da corporação, do Museu Tiradentes e de outros centros de coleta de dados espalhados pela cidade e cidades alhures. Com esse empreendimento, “renunciei” aos comandos de tropa, permanecendo seguidamente em função burocrática.

As lições aprendidas no decurso dessas atividades me estimularam a redigir o Relatório aqui postado, o qual não granjeou do destinatário – coronel Guedes Brandão – qualquer afago.  

Antigo quartel da PMAM na Praça da Polícia

RELATÓRIO               Manaus-AM, 27 de outubro de 1992

Ao: Sr. Coronel PM Comandante-Geral

Venho pelo presente encaminhar a Vexa. algumas informações que julguei de interesse deste Comando, fruto do trabalho que dirigimos, mesmo sem obrigação funcional, diante da condição do signatário. Trata-se do ARQUIVO GERAL e do MUSEU TIRADENTES, além da melhor divulgação de nossa BANDA DE MÚSICA, órgãos integrantes de nossa história, de nossa parte cultural.

Particularmente, estive presente ao II Encontro Cultural do Estado, presente o subsecretário de Cultura, do Presidente do Conselho de Cultura, de dirigentes da Fundação Universidade do Amazonas. Na ALE, contatamos o deputado Sebastião Nunes (PT) que preside a Comissão de Cultura daquele Poder.

Algumas providências tomadas junto ao Comando anterior: contato com a TV Educativa para a confecção de um VIDEO CLIP com a Banda de Música, cujo trabalho já se iniciou e breve se tornará realidade. Precisamos de algum patrocinador. Contrato verbal com empresa de vídeo para elaboração de vídeo com os ex-comandantes. Trabalho já iniciado com o coronel Neper.     

Ofício à Superintendência do Teatro Amazonas solicitando data para a apresentação da BANDA DE MÚSICA em um AUTO DE NATAL, congregando a família policial militar. Data já fornecida. Recebi convite da direção cultural do Shopping Center para apresentação da Banda de Música, em tarde de sábado ou domingo, na praça interna. Falta marcar a data. Ensaiar o programa. Se possível, um fardamento (melhorado) para os músicos.

Quanto ao Arquivo Geral encaminhei um relatório ao comando anterior, cuja cópia segue em apenso. Já estabeleci contato com a FUA (Fundação Universidade do Amazonas), falta prosperar. Permita-me convidar o Magnífico Reitor e dirigente da Faculdade de Biblioteconomia para uma visita.

Peça existente no
Museu Tiradentes

Sobre o Museu Tiradentes. Gostaria de receber ordens para dirigi-lo. Tenho voltado emu empenho em recolher objetos de nossa história, da história da corporação. Ainda não escrevi um relatório, por falta de maiores recursos técnicos. A vontade de acertar, vai suplantar estes óbices. Tenho a promessa de ajuda do subsecretário de Cultura para este setor, a quem já convidei para uma visita, seguida de almoço. Urge ampliar e modernizar o Museu, utilizando as dependências do Comando-Geral. Já possuímos material bastante e plano acerca da ampliação.

Registrei as ajudas prometidas: de alguns empresários, de pessoas ligadas à corporação para pagamento dos vídeos programados com os ex-comandantes. Intitulado de MEMÓRIAS, já foi iniciado. Do Consulado peruano, cujo titular tem convite para visitar este quartel, Museus e seus conterrâneos. Falta agendar a data. De museus locais, alguns de caráter nacional, com reservas capazes de melhorar e contribuir financeiramente. Da Emamtur (Empresa Amazonense de Turismo), cujo órgão permite novos trabalhos, nova apresentação de nosso Museu. Permitir a visita de turistas, mediante pagamento. Órgãos de Imprensa, através de seus setores culturais.

Para concluir, senhor comandante, permita me colocar ao dispor de VExa. para dar prosseguimento ao proposto. Esperamos receber a colaboração de companheiros, para que o progresso se faça mais adequado. 

Roberto Mendonça Tenente-Coronel PM

terça-feira, maio 16, 2023

MUSEU TIRADENTES: UM TELEX

 Já no crepúsculo do meu serviço ativo na Polícia Militar do Amazonas, cuidava do Museu Tiradentes. Em dezembro de 1992, fui entrevistado pela jornalista Leila Leong para o jornal A Crítica. Que publicou a matéria, trazendo apreciável efeito para o esforço que eu dedicava a esse ponto de cultura da cidade.

Atual Palacete Provincial, antigo Quartel da Polícia

Dias depois, em 26 de dezembro, encaminhei àquele matutino um Telex, agradecendo o trabalho jornalístico. Trinta anos depois compartilho neste espaço aquele documento para sublinhar o avanço tecnológico de então possibilitado pelo Telex.

Depois de agradecer em nome da corporação, registrei que a publicação promoveu “o renascer das cinzas, dos fantasmas, dos zumbis que guardam a porta principal do quartel, como sentinela fiel e consciente de sua responsabilidade, com o olhar confiante no futuro de nossa cidade”.

Aproveitei para assinalar que fora contemplado com inúmeras manifestações de apoio e de estímulo, oportunidade em que desejei “sucesso à jornalista, no Ano Novo, com votos de progresso continuado e duradouro”.

Lá no rodapé, quase ilegível, alcancei o nome de uma policial feminina – Idenilde (onde andará ela?), a responsável pela digitação.

O Museu continua funcionando no mesmo local, agora sob a denominação de Palacete Provincial. Venha conhecê-lo e as outras atrações culturais.

Cópia do Telex mencionado


domingo, janeiro 29, 2023

PALACETE PROVINCIAL: SUA INAUGURAÇÃO

Em 2002, há duas décadas, a Praça da Polícia perdeu seu maior referencial, o quartel da Força Pública, que foi transferido para o bairro de Petrópolis. Sete anos depois, em 25 de março de 2009, o governo do Estado inaugurou naquelas dependências o Palacete Provincial, que segue oferecendo diversas atividades culturais.
Quartel da Polícia Militar, em festa noturna

Na ocasião desta solenidade, o matutino EM TEMPO circulou um caderno Especial, no qual ocupei uma página, entrevistado pelo jornalista Evaldo Ferreira sobre a mudança do comando da Polícia Militar do Amazonas.  

Recorte do jornal EM TEMPO, 25 mar. 2009

Em 2002, depois de passar 107 anos no Palacete Provincial, o Comando-Geral da Polícia Militar teve de ser transferido para outras instalações no bairro de Petrópolis. O coronel reformado Roberto Mendonça, que foi subchefe da Casa Militar de 1983 a 1984 e subcomandante da corporação de 1993 a 1994, lembra que a mudança dividiu opiniões.

"A situação em que estava o prédio, bastante deteriorado, inclusive o seu entorno, e pequeno demais para a corporação, levou a PM a procurar outro local e liberar o Quartel da Praça da Policia para outra destinação. Entretanto, muitos dos policiais saudosos, entre oficiais e praças, realmente “choraram” essa separação. Até hoje, muitos gostariam de ver a PM de volta no local”, comentou o ex-PM que serviu a corporação par 30 anos.

Segundo o militar aposentado, o que determinou, de fato, a transferência do Comando-Geral da PM foi a falta de estrutura física. "A mudança era necessária porque o prédio não tinha mais condições físicas de abrigar o efetivo, que havia crescido com o tempo, e nem mesmo os próprios carros dos militares. Agora, o Comando está mais bem instalado", comentou.

Roberto Mendonça é favorável à reutilização do antigo prédio da PM, que, agora se tornou um centro cultural. "A cidade ganhou um belo edifício de arquitetura antiga", disse, elogiando o trabalho de restauro realizado no prédio pela Secretaria de Estado e Cultura (SEC). "Ele também será muito importante porque vai abrigar importantes museus do Estado, como o Tiradentes, que tem peças adquiridas há mais de cem anos, entre elas a bandeira que os soldados amazonenses levaram a Canudos", comentou.

O ex-PM registrou a história da corporação na série "Memória", que foi lançada pelo governo do Estado em novembro de 2000. Ele também pretende lançar o seu livro "Administração do Coronel Lisboa", sobre a vida do também militar Adolpho Lisboa, no atual complexo do Palacete Provincial. O livro é um ensaio histórico que recebeu o prêmio Arthur Reis, concedido pelo Conselho Municipal de Cultura (ConCultura), por meio do projeto cultural Prêmios Literários Cidade de Manaus. 

PM continua no palacete

A Polícia Militar não foi totalmente retirada do prédio, após o restauro do Palacete Provincial. O secretário estadual de Cultura, Robério Braga, informou que o antigo gabinete do comandante, juntamente com todo o mobiliário original, como sofás, cadeiras, mesas, armários, além de objetos de arte, entre eles escudos, brasões, esculturas etc. foram completamente restaurados com o intuito de ser novamente utilizado pelo Comando Geral da PM em ocasiões solenes. "Da mesma forma que o governador Eduardo Braga recepciona chefes de Estado e outras autoridades no Palácio Rio Negro, o comandante da PM poderá realizar suas reuniões e receber convidados aqui no seu Gabinete", explicou Robério, destacando que a sala contém, ainda, a memória da PM. "Todos os boletins históricos da PM foram recuperados e agora estão disponíveis. A história da corporação está registrada aqui", frisou.

 Prédio teve várias utilizações

Antes de abrigar a sede do Comando Geral da PM, o Palacete Provincial teve várias utilizações. Ele começou a ser construído, em 1861, para ser a residência do empresário e capitão da Guarda Nacional Custodio Pires Garcia, que faleceu deixando a obra inacabada. Em 1867, foi comprado pelo presidente provincial José Bernardo Michilles para transformá-lo Paço Municipal.

No ano de 1873, o então presidente da Província (1873-1875) Domingos Monteiro Peixoto concluiu a obra para abrigar as várias repartições provinciais. Após um  ano, em 25 de março, com as obras concluídas, foram instaladas no edifício a Assembleia Provincial, a Repartição de Obras Públicas, a Biblioteca Pública e o Liceu Provincial – atual Colégio Amazonense D. Pedro II. Entretanto, a inauguração ocorreu somente em 28 de fevereiro de 1875.

Durante o governo de Eduardo Ribeiro (1892-96), o Palacete passou a ser o comando da Polícia Militar. Hoje, o prédio considerado um patrimônio tangível que foi tombado em conjunto com a Praça Heliodoro Balbi e o Colégio Amazonense D. Pedro II, encontra-se sob a proteção especial da Comissão Permanente de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico.

quarta-feira, maio 30, 2018

SEMANA NACIONAL DOS MUSEUS

Quartel da Praça da Polícia, hoje
Palacete Provincial

Há três anos, em maio, a direção do Museu Tiradentes, situado no Palacete Provincial, convidou-me para que organizasse uma exposição sobre a Polícia Militar do Amazonas. Aceitei com prazer, tendo escrito o texto abaixo como apresentação da mostra.

EXPOSIÇÃO

MILÍCIA DO AMAZONAS, TEUS SOLDADOS...

A 13ª Semana Nacional dos Museus – cumprida no mês passado, estimulou ao Museu Tiradentes a realizar uma exposição sobre a Polícia Militar do Amazonas (PMAM).  Obsequiada com a preferência, e mais, com o evento no Palacete Provincial, antiga sede de seu comando, esta corporação militar aceitou prazerosamente o brinde. Para concretizá-lo, incumbiu-me de organizar a Exposição, cuja denominação empresta a primeira estrofe de sua canção: Milícia do Amazonas, Teus Soldados.  Esclareço que a oportunidade se mostra bastante propícia, porquanto esta corporação vem se empenhando em reorganizar seu Arquivo Histórico. Com essa meta, uma equipe vem digitalizando o material disponível, empenhando-se com mais afinco na documentação de seu pessoal. Convém advertir que a documentação sob cuidados técnicos data a partir de 1936, quando a PMAM foi reincorporada ao sistema de Segurança do Estado, visto ter sido desativada pelo governo getulista em novembro de 1930.
O material exposto, constituído de fichas individuais da permanência na milícia amazonense, que oferece grande número de informações passível de diversificados estudos. Algumas observações se destacam: a procedência do pessoal, caracteres individuais e a filiação; o nível de escolaridade (bom número de analfabetos); o tempo de serviço prestado; as recompensas obtidas e as punições sofridas; o tipo de fardamento; além de fotografias em bom estado. Enfim, no conjunto, os diversos exemplares de fichas empregadas na instituição de Cândido Mariano.
Cópia deste material em breve será anexada ao Museu Tiradentes, que reconhecidamente necessita de renovação periódica. Esta exposição, estou certo, assinala o começo dessa renovação.
Espero que você aproveite convenientemente este evento.
Roberto Mendonçacoronel reformado da PMAM

quarta-feira, março 28, 2018

PESSOAL “ANTIGÃO” DA PMAM



Expostas no Museu Tiradentes no Palacete Provincial, estas fotos mostram integrantes da Polícia Militar do Amazonas. Raros os identificados, a maioria prossegue anônima. Ao expor estes dados, espero a contribuição para a identificar estes personagens.



Na foto, parte superior (à esq.), uma tropa sob o comando do major Júlio Cordeiro de Carvalho (anos 1950), o uniforme foi utilizado até meado dos anos 1960; ao lado, a foto mostra sargentos ladeando a um oficial, certamente na década de 1940.

Em baixo: dois momentos do grupamento do Cosme-e-Damião, instituído na PMAM em 1957. À esquerda, atrás dos policiais, vê-se parte do nicho com a imagem de São Jorge; à direita, o filho (não identificado) do policial faz entrega do mascote (carneiro) do grupamento.

domingo, junho 12, 2016

PLACAS HISTÓRICAS - PMAM