Amanhã (1º de abril), completam-se 25 anos do
falecimento do padre-poeta L. Ruas (Luiz Augusto de
Lima Ruas), autor de Aparição do Clown, longo poema religioso, editado
em 1958. Intentei realizar uma homenagem pública ao poeta, porém, fracassei. Lamento,
mas a direção da arquidiocese de Manaus – procurada - não acolheu minha
pretensão. Assim, vou republicar algumas páginas do mestre, para cumprir meu desígnio.
Nesta homenagem, começo com as
palavras do professor Marcos Frederico (doutor em Literaturas de Língua
Portuguesa), expostas no livro L. Ruas: Poesia Reunida (Manaus:
Travessia, 2013):
“Luiz Augusto de Lima Ruas (L. Ruas) é, sem qualquer favor, uma das mais expressivas vozes da poesia do Clube da Madrugada, essa agremiação que renovou as letras amazonenses da década de 50, no século passado.
Sem exagero, diria que seu livro de estreia, Aparição do clown, cuja primeira edição consta ter sido em 1958, o coloca entre os poetas com participação eficaz na literatura brasileira. Entretanto, não é conhecido nos meios acadêmicos brasileiros, porque poucos são os artistas locais que conseguem “furar” o bloqueio dos meios de comunicação e ser divulgados nacionalmente.
Graças a Roberto Mendonça, esse pesquisador incansável da obra de L. Ruas, temos agora a totalidade da produção lírica desse vigoroso artista. Além dos poemas de Aparição do clown, encontram-se também reunidos neste livro aqueles que constituíram o Poemeu, livro que, tendo sido premiado em 1970, só encontrou a luz de uma publicação em 1985.
Afora estes, encontram-se os textos que, circunstancialmente, foram inseridos em outras obras. Se não bastasse este trabalho, Mendonça ainda coletou produções inéditas do grande poeta, um dos quais – o poema “Mar” – nos mostra uma faceta original de seu trabalho: as técnicas do Concretismo.”
A seguir, um dos poemas
coletados em Poemeu ou O (meu) sentir dos outros.
SONETO (*)
Estas aves vêm sempre, ao fim da tarde,
Descansar seus remígios agourentos
No pomar de onde colho doces frutos
Com que faço meus vinhos suculentos.
Elas vêm de bem longe. Me olham sempre
Com desdém. E nas asas trazem ventos
Que uma vez, já faz tempo, naufragaram
Minha nave que nautas desatentos
Dirigiam. E estas aves que me espiam
Lá de cima das árvores crescidas
No pomar irrigado com águas verdes.
Bem conhecem meu fim. Vencido nauta
Pus-me, agora, a plantar frondosas copas
Que sugerem veleiros em meu canto.
(*) Também publicado na Seleta
Literária do Amazonas, de José dos Santos Lins (1966).
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