A postagem reproduz o poema de Clóvis da Mata - Deus no Amazonas, em que louva a realização do Congresso Eucarístico Nacional em Manaus, em julho de 1975, portanto, há 50 anos. Da ornamentação produzida para a festa religiosa resta a Cruz no pátio da Igreja de Fátima, obra do artista Severiano Porto.
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| Jornal do Commercio, 20 julho 1975 |
Sob um pálio de luz
nas alturas
Refulgindo de Fé e de
Amor,
neste chão que a tantos deu glória
oh! Senhor dos
Altares, fulguras,
na imponente canção da
Vitória!
Acústica do mundo cristão
e vergel de lembranças sagradas,
o Teu nome rebrilha nos
Salmos
e agasalha milénios de
História!
Nossas matas, dosséis de verduras
conhecidas por Selva Selvaggia
constituem a bela
escultura
que Vossa sempiterna presença
às páginas do Gênesis
deu,
na visão imortal do profeta!
Rei dos Reis, o Teu
trono é eterno,
e um céu de alabastro
e de luz
sobre a terra da Fé, que é unção,
onde o povo exultante
Te adora
e com todos reparte o
Pão.
No recesso dos templos
sagrados
Tua imagem entre lírios reluz
ante as velas eretas e
ardentes
incensadas por
turibulários
que invocam o poder da
Oração
contra os ímpios e vãos
aretinos,
adorando o
Menino-Jesus!
Amazonas, Estado
altaneiro
que se ergue indomável
e viril,
tens um nome que fala
de amor
e rebrilha nos céus do
Brasil
com requintes das aves
canoras
como rios que se
beijam no alvor
das manhãs, em idílios de correr,
e esmagam irmãos
ribeirinhos.
És portal da União e
da Fé,
catedral nacional da oração,
no teu solo sagrado
chantaram
nosso símbolo — a Cruz
dos Altares
dos cristãos, é na dor
refrigério,
dos ateus, conversão nos esgares!
Amazonas das lendas suntuárias
o teu dorso se ergueu
bem no alto,
pois do plano naval
transbordou
tuas águas cidades
cobriram,
quem ousara, Amazonas,
dizer-te,
neste instante de tanto
esplendor,
que o Congresso tuas águas
não viram?
Há presença de Deus na
floresta,
na grandeza do solo e
dos rios,
no carinho das aves
cantantes
que a ternura teceram nos
ninhos;
na bondade do povo
glebário,
nas casinhas de teus
ribeirinhos,
que em lufadas de vento
compõem
as medonhas tragédias
dos rios
no transcurso das
cheias hiantes
Manaus, coração da Amazônia
por direito e
estratégia local
repetindo o feito de outrora
hoje ergues o fulvo ostensório
e convidas ao rito litúrgico
o rebanho de Deus nas
planuras,
ante os céus a o
esplendor da aurora.
És sacrário da Paz e
Harmonia,
Altar-mor de ungidas
orações
circundado de luz
triunfal,
sob o manto da
Eucaristia!
Peregrinos n’estoria
te rendem
homenagem, e ao Pai-Redentor,
são romeiros de outras
distâncias
que a Cruz a Bíblia
transportam
como fontes eternas de
amor.
Que após o Congresso
Eucarístico
destas plagas, com raro
fervor
irradiam mensagens
divinas
em hosanas ao
Cristo-Senhor;
Pai de pobres e ricos
também,
exaltado que foi nas origens
no soturno da gruta em
Belém
que no início do mundo foi Verbo,
hoje em dia é Verbo e
Mundo,
dê a todos unidos de Fé,
como exemplo de santa
humildade
um Amazonas de Paz e
de Amor.

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