CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de novembro de 2014

PRIMEIRA SEMANA DE NOVEMBRO




Este período ofereceu-me fortes motivos para minhas postagens, mas, algumas dificuldades me impediram. Vou aqui resumir.

Na segunda (3), lembrei-me do nascimento do filho Roberto que, lamentavelmente, tive que levá-lo para a sepultura. Perdi o filho, e nele, um auxiliar bastante ligado às buscas pelos diversos acervos da cidade e às publicações próprias. Deus o tenha!

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Capa da Revista
No dia seguinte (4), completei 20 anos de admissão no IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas). Era então presidente o comendador Junot Carlos Frederico e o orador oficial, que realizou o discurso de recepção, Jayme Pereira.
A sede – Casa de Bernardo Ramos – apresentava-se em péssimo estado. A deterioração tomava conta de todas as dependências. Debaixo, pois, desse infortúnio, tomei posse na noite desse dia. Dos integrantes da Casa, compareceram uns poucos. Na solenidade, para agradecer à corporação que então servia, usei o uniforme da Polícia Militar. Confesso, contudo, que estava contente, felicíssimo, pois essa primeira aprovação premiava minhas primeiras investidas nos arquivos e as claudicantes publicações.

Fui empossado na Cadeira 24, cujo patrono é frei Gaspar de Madre de Deus. Sucedia ao saudoso arcebispo de Manaus, dom João de Souza Lima que, depois de renunciar à mitra local, se retirou para Salvador (BA), onde faleceu.
Logo me engajei com o presidente Junot Frederico, tentando ajudá-lo de alguma forma, pois as dificuldades eram enormes. Tanto que os membros mais políticos, ou ligados a esses, movimentavam-se em busca de ampla reforma no prédio. Somente na gestão seguinte, de Arlindo Porto, é que o IGHA conseguiu apoio federal e, assim, a Casa ganhou a cara que ainda conserva.

Na virada do século, participei da presidência do Instituto. Nessa ocasião, o IGHA tinha o prédio já recuperado, mas faltava organizar a parte interna, como dispor o vasto e diversificado acervo. Foi quando me empenhei ao extremo, agindo qual um mestre de obras ou coisa equivalente. E, mediante auxilio estadual, pudemos (são tantos os integrantes empenhados) atualizar a Casa de Bernardo Ramos.

Ao final dessa gestão, como não conseguisse me manter na diretoria e, depois de uma disputa pela presidência visivelmente viciada, afastei-me pesaroso dessa agremiação cultural. Permaneci espiando de longe e, apesar das mágoas, torcendo pelo sucesso. Que, infelizmente, não aconteceu.
O atual presidente, Antônio Loureiro, permitiu a minha colaboração, apesar de não integrar a atual diretoria. Assim, participei da organização da Revista do IGHA, datadas do 1º e 2º trimestres últimos. E, no início de 2015, já decidi volver ao arquivo e à biblioteca da Casa para contribuir no renovamento destes.
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Na quarta-feira (5), outro filho, outro aniversário. Eduardo completou 42 anos, nascido em Fortaleza (CE), ocasião em que eu frequentava um curso policial militar. Acertei com meus pais, então residentes em Santos (SP), para que o nascimento ocorresse naquela cidade. No entanto, um mês antes do previsto, o cearense nasceu.
Eduardo vive hoje em Manaus, depois de passar por Brasília (DF) e Porto Velho (RO), com a mulher Cíntia e o filho Dudu.

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No casamento de Diego
Em 7, sexta-feira, era aniversário do Diego. Outro filho, sim. Dessa maneira, consegui um fato excepcional: filho dia sim, dia não. Superei a marca de meu falecido pai, que gerou três filhos no mês de junho. 
Diego casou no ano passado, tendo curtido uma brevíssima temporada nos EUA. Agora, já estava esperando o primeiro descendente. Aliás, uma descendente. Entusiasmado com aquele país, convenceu a mulher gestante e, sábado (8), voltaram aos EUA para o nascimento da filha.
Confesso que fiquei surpreendido com esta atitude, tão esquisita, mas fiquei contente por dois motivos: a disposição deste jovem filho em planejar e, mesmo diante de entraves costumeiros, executar esse plano tão audaz; segundo, porque vou ser avô de uma americana-amazonense (ou uma gringa-cabocla). Sucesso, meu garoto, já dei início as comemorações.

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Enfim, no sábado (8), a Polícia Militar do Amazonas ocasionou a formatura solene para lembrar o “retorno da tropa de Canudos”. A solenidade ocorreu na Praça da Polícia, diante do saudoso quartel do Comando Geral, hoje Palacete Provincial. A canícula daquela manhã não ajudava em nada, dia extremamente quente, deve ter assustados aos convidados, pois poucos compareceram à festa. Nenhuma palavra nos jornais locais. Nada na imprensa falada. Dessa maneira, a efeméride importantíssima para a corporação de Cândido Mariano manteve-se na obscuridade.
Escrevi sobre a participação da Força Estadual em Canudos (BA), no livro Cândido Mariano & Canudos, edição da Universidade Federal, no centenário deste acontecimento (1997). Também por ocasião do centenário escrevi um texto para o jornal Em Tempo, que pretendo postar.
Bandeira conduzida em Canudos

Cabe esclarecer que, o evento que a PMAM promove anualmente, diz respeito ao retorno da sua tropa enviada contra os conselheiristas, adeptos de Antônio Conselheiro. No final daquele século (1897), esse batalhão, como todos que participaram da contenda desigual e fratricida, foram recebidos como “heróis”. É bem verdade que, as vésperas de completar doze décadas, e atendendo ao “politicamente incorreto”, a visão sobre essa luta inverteu os papeis dos contendores.
No entanto, os comandados do tenente-coronel Cândido Mariano, de alguma forma, ajudaram a finalizar aquela “Guerra do fim do mundo”, no dizer de Vargas Llosa. Nunca mais se ouviu o choro de brasileiros, resultante de lutas entre irmãos.