CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de novembro de 2014

RUA DA MATRIZ


Rua Lobo d'Almada, esquina da av. Sete, atualmente

Durante o governo de Adolpho Lisboa (1900-07), a cidade de Manaus conheceu grandes obras, algumas ainda atualizadas, a demonstrar esse empreendimento. A hoje rua Lobo d’Almada é uma lição. Sua localização, como se pode ainda notar, ultrapassava de forma irregular alguns cursos de água, criando com isso dificuldades para o trânsito em geral.

Nivelada e calçada no governo do coronel Lisboa, ainda sob a denominação de rua da Matriz, teve seu nome mudado. Uma campanha do centenário Jornal do Commercio, que apoiava a administração municipal, publicou o suelto abaixo, opinando pela indicação do nome deste prefeito para identificar esta artéria.

Como se vê, não obteve sucesso, pois o Conselho optou com absoluta fidelidade pelo nome de Lobo d’Almada, que segue pouquíssimo conhecido. Falo de um português que, no período colonial, administrou com bastante sucesso este pedaço amazônico.

RUA DA MATRIZ

A antiga e conhecida rua da Matriz esdestinada, por sua posição central, a vir a ser uma das melhores e mais concorridas desta florescente cidade. Convém, entretanto, alarga-la desde já para mais acentuar a sua futura beleza, favorecendo os proprietários, e convidando-os a novas e mais elegantes construções.
A parte compreendida entre as ruas Municipal e Henrique Martins já se acha definitivamente amplificada, calçada e edificada, apresentando o bom aspecto de cidade moderna.

Os dois trechos que ficam entre as ruas Henrique Martins e 24 de Maio contem do lado oriental uma serie de casinhas velhas e esboroadas, faltas de higiene, mal construídas e pior frequentadas, salvo poucas exceções; hortas e capinzais mal cultivados, terrenos baldios, lugares de lixo, cercados apodrecidos e desmantelados pela ação do tempo.

Facilmente e por pouco dinheiro o Município ou o Estado poderia expropriar prédios e terrenos, nas dimensões solicitadas pela utilidade pública, para alargamento e embelezamento desta parte da cidade.

Mais fácil e rápido será o aformoseamento do trecho situado entre as ruas 24 de Maio e José Clemente, que só é composto de cercados, podendo ser imediatamente recuados até o alinhamento verdadeiro já determinado pelo prédio de canto onde há um estabelecimento denominado Club da Bola e por outras casas novas ali construídas.

Tudo isto é requerido com urgência, não só pelo embelezamento como também pelo saneamento dos quarteirões adjacentes.

O nome de rua da Matriz é de uma impropriedade que não se justifica.

Teve sua origem no fato desta rua dar acesso à Catedral erigida à praça 15 de Novembro; mas muitas outras ruas dão acesso da mesma forma àquele templo, e algumas delas com mais forte razão poderiam ser chamadas da Matriz ou antes da Catedral.

O que se chamou propriamente rua da Matriz em tempos remotos foi a parte da rua que ladeava a igreja pela direita, em frente aos antigos estabelecimentos comerciais do Barrigudo, Jacynto e outros, demolidos e substituídos pelo lindo jardim municipal que circunda a mesma igreja.

Melhor denominaríamos hoje essa artéria da cidade – Avenida Coronel Lisboa –, rendendo assim um justo preito de homenagem e agradecimento ao vulto nobre e simpático do chefe do Município, que maior soma de serviços, e os mais relevantes, tem prestado à capital do Estado do Amazonas.

Aí fica a ideia que de coração folgaríamos de ver abraçada pelo ilustrado Conselho Municipal em sua presente reunião.


(*) Jornal do Commercio, 26 de janeiro de 1905