CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, julho 09, 2024

MANAUS: JORNAL GREMIAL EM 1936 (2)

 O GRÊMIO, periódico lançado pelos integrantes do Grêmio Estudantal Humberto de Campos, alunos do Ginásio Amazonense Pedro II, traz no 2º número do primeiro ano, circulado em julho de 1936, um poema de Moacyr Rosas (futuro odontólogo e membro de várias Academias e autor de diversos livros), aqui postado.

Cabeçalho do jornal

Jovens bem relacionados, obtiveram o anúncio como se observa da fábrica de cervejas da família Miranda Corrêa.

Anúncio da XPTO e o poema de Moacyr Rosas

TEU LAÇO DE FITA

À D. L.

Apanha a essência destas fundas mágoas / 

Concentra o fogo nos teus seios nus.  (Castro Alves)

        Menina bonita!

Teu laço de fita

Prendido à cabeça

Igual borboleta

Pousada na flor...

Menina bonita!

Teu laço de fita

É mesmo um primor

É um laço de amor

Que já me prendeu... (segue)


quinta-feira, maio 16, 2019

JOAQUIM MARINHO E BRAHMA


Há um mês prometi visitar o acervo do Joaquim Marinho, convidado por sua filha. Contudo, tenho falhado vergonhosamente. 

Joaquim Marinho (de óculos)
No entanto, revirando meus arquivos, encontrei acolá o Marinho, então integrante da empresa Quarteto Propaganda, ocasião em que acompanhava uma equipe da Cervejaria Brahma, em Manaus, a qual vinha ultimar a produção da bendita em nossa cidade.

A notícia estampada no Jornal do Commercio (26 setembro 1972), aqui compartilhada, acrescenta um fragmento à história da produção cervejeira em Manaus. É sabido que a pioneira foi a Cervejaria Amazonense, fundada no início do século passado, cuja relíquia ainda se pode observar a beira do igarapé de São Raimundo. Encerrada a produção foi, no início dos anos 1970, adquirida pela cervejaria Astra, de Fortaleza. Não demorou muito, e esta foi repassada ao controle da Brahma.
Naquele local, bairro de Aparecida, a Brahma operou até quando se incorporou à cervejaria Antarctica, cuja união sob a denominação de Ambev evidencia, em nossos dias, potência internacional.

Recorte do Jornal do Commercio, 26 setembro 1972
A Brahma mandou a Manaus dois técnicos do seu Departamento de Marketing, para dirigirem um estudo sobre o mercado local. São eles, Jorge Parente Junior e Felipe Franklin Filho. O primeiro (foto) em companhia de Joaquim Marinho, da Quarteto Propaganda, esteve ontem em visita a nossa Redação.
Informou-nos Jorge Parente Junior, que enquanto não começar a produção da Brahma amazonense (prevista para meados de 1973), o abastecimento local continuará sendo feito pela fábrica da Brahma do Rio de Janeiro.Adiantou-nos, por outro lado, que a água fornecida pela Cosama foi considerada excelente para fins cervejeiros, segundo análise realizada pelo Laboratório Central da Brahma.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

CERVEJARIA AMAZONENSE

Editado em Portugal, o ANNUARIO DE MANÁOS circulou informações de 1913-14. Nele se encontra a relação de todas as repartições federais e estaduais, assim como dos Poderes do Estado com os respectivos membros. A relação contempla os funcionários de todas as categorias.
Igualmente participa deste noticioso as mais importantes firmas comerciais da cidade.
As fotos expostas mostram os dirigentes da Cervejaria Amazonense, que produzia além do chopp, cervejas, gelo e outros refrigerantes. Em outra, vê-se a fábrica, plantada no bairro dos Tocos, hoje de Aparecida, às margens do igarapé de São Raimundo. Sua estrutura centenária segue resistindo, apesar de desativada há décadas. 


Dirigentes e técnicos (acima) e a fábrica (abaixo)




sexta-feira, setembro 29, 2017

PUBLICIDADE: ANO 1923


Anúncios sacados da revista Redempção (1923), pode-se observar que alguma empresa ou comércio ou produto perdurou por bom tempo. 








segunda-feira, outubro 24, 2016

MANAUS: 347 ANOS

Para relembrar a cidade nascida na margem esquerda do Rio Negro, que segue crescendo com afinco, para isso, enfrenta com determinação os desafios casuais. 
Nesta data, Manaus, a capital do estado do Amazonas, comemora 347 anos de existência, ainda que inexista registro formal deste evento.  
Parabéns pra você!






Roadway de Manaus 

Restaurante Chapéu de Palha, já demolido

Edifício ainda existente, abrigando no térreo uma loja TVLar

Cruzamento da avenida Sete de Setembro e rua Joaquim Nabuco


quarta-feira, janeiro 01, 2014

MEU 2013


Aprendi bastante ano passado. Aprendi na busca dos órgãos de defesa do consumidor, porque fui um relapso comprador. Mas não foi bem assim. As empresas precisam ser penalizadas, quem sabe assim passem a cumprir as obrigações básicas. A respeitar os direitos básicos do consumidor. Abaixo, as minhas aventuras.
Produto amazonense. A torre ainda se
encontra firme no bairro de Aparecida

Em fevereiro, uma família (quatro pessoas) em sua primeira viagem perdeu o horário do voo. Eu havia comprado as passagens, por isso, tão logo fui alertado do incidente, corri à empresa aérea. A TAM. No primeiro contato, nada consegui de positivo, apenas soube que as reservas de volta tinham sido canceladas. Pedi a devolução e recebi perto de 25% do pagamento realizado. Ou seja, em quatro passagens compradas, recebi a devolução de UMA. Nada satisfeito, recorri ao Procom, que marcou a audiência para quatro meses depois. Mas valeu, porque antes da audiência em outubro a TAM me devolveu o restante.
No mês seguinte, recorri à Brastemp para marcar o reparo de uma lavadora de roupas. Manaus está dividido por três lojas de assistência. A empresa que me cabe nesse latifúndio veio ao meu apartamento. Indicou o problema e a solução. No dia imediato, um sábado, trouxe a máquina de passar cartão e recolheu o valor. Depois, houve uns desencontros, e o reparo não foi realizado. Fui a Decon (Delegacia do Consumidor) que me tratou com cordialidade, marcando a data da audiência. No dia aprazado, o responsável pela empresa não compareceu. Ainda desconheço o motivo, mas, três meses depois, o reparo foi realizado.
Há seis meses comprei uma mesa de jantar na Citylar. Esta empresa me vendeu junto um seguro da mesa. Isso mesmo, um seguro. Logo a mesa da marca Ponzoni, do Rio Grande do Sul, começou a mostrar sua fragilidade. Recorri à Citylar, que descartou qualquer acerto, pois isso cabia ao seguro. Acionou a seguradora, que me ligou, mas nem deixou o endereço.  A atendente me prometeu mandar a assistência técnica mais próxima, porém deve ter descoberto que Manaus fica longe “pra burro”, e o burro do consumidor – eu – estou esperando sentado. E a mesa se desmontando.
Pra encerrar o ano, em dezembro adquiri dois pneus na Pneuforte. Substituídos os pneus e efetuado o alinhamento, veio a necessidade de cambagem e outros apliques, que dispensei. Tudo bem. Ocorre que os pneus usados, os velhos, que podem ser aproveitados adiante, não me foram devolvidos. Telefonei reclamando, mas, somente depois de duas viagens à empresa, recebi o que me pertencia.
Enfim, atraído pelo anúncio da Probel, oferecendo uma TV LED 32’ Semp Toshiba na compra de um colchão, embarquei. Tudo acertado, a entrega foi prometida para no máximo em dez dias úteis. Vencidos estes, reclamei à vendedora. Aguardei mais dois dias, quando em nova reclamação, foi-me prometido o colchão para o dia seguinte – sábado. Chegou pela tarde, antes da chuva. Eu, que esperava o transporte em caminhão baú, tive que me contentar em vê-lo numa Chevy, parecendo mudança de terceira classe. Pior, desacompanhado de nota fiscal, e demostrando um acabamento bem inexpressivo. Sem nota fiscal, como vou acionar a garantia?
Prometi a mim mesmo, na passagem de ano, não repetir essa dose cavalar de desacertos. Espero ter aprendido as lições. Prometi ainda que vou me empenhar na atualização deste Blog.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

PALACETE MIRANDA CORRÊA

O texto abaixo, extraído de um periódico local, conta com detalhes a evolução da família Miranda Corrêa, que construiu fortuna em Manaus, e marcou aqui sua presença com a Fábrica de Cerveja Amazonense e a residência deslumbrante na avenida Eduardo Ribeiro – o Palacete Miranda Corrêa.
Esta publicação jornalística ocorreu pouco antes da demolição do palacete; em seu lugar, foi construído o edifício Miranda Corrêa, inaugurado em 1974.
Teatro Amazonas e o Palacete, desmontado em 1971

Manaus vai ficando sem os seus marcos de uma época de muito luxo e bom gosto.  O Palacete Miranda Corrêa é um deles que vai desaparecer (*)
No início do presente século, a região amazônica parecia centralizar o processo de desenvolvimento econômico do país. Em poucos anos, a borracha tinha transformado a região mais desabitada da América do Sul no espaço responsável pelo segundo lugar da riqueza brasileira. Apenas o café com sua cultura tradicional sobrepunha-se com grande superioridade às pequenas cidades (a primeira pouco mais que uma vila), conseguiram reunir uma renda per capita muito superior a do Rio de Janeiro e São Paulo.
Um grupo privilegiado de famílias e firmas importadoras e exportadoras controlava tal riqueza que, infelizmente, não ficava na Amazônia. Apenas pequenos resíduos se localizavam em Manaus e Belém, na forma de impostos estaduais e municipais, pagamento de mão de obra, palácios, palacetes, teatros e outros edifícios públicos.

Esse panorama “grosso modo” do deserto amazônico e de suas duas capitais, comandando os rios da borracha, com seus nordestinos afoitos, sofrendo a ilusão da riqueza, que terminava nas mãos dos proprietários dos seringais e, finalmente, em mãos das casas aviadoras de Belém e Manaus, o que vale dizer nos centros capitalistas mais desenvolvidos da Europa e dos Estados Unidos.

Alguns nomes de famílias, no Pará e no Amazonas, sobreviveram a todo esse período aventureiro e aleatório, que viria a se tornar lendário na história da economia mundial. Essas famílias, no Pará: Acatauassú, Lemos, Malcher, Pinho, Miranda Corrêa, foram algumas entre as que construíram grandes casas em Belém.
A família Miranda Corrêa, originária da região do Lago Grande, nas vizinhanças de Santarém, descendia de um velho tronco português miscigenado com os índios da região. Na época da borracha formava um verdadeiro clã, filhos de Jucundina (plataforma de cacau no baixo Amazonas, e de Inocêncio, juiz) vivendo, em sua maioria em Belém do Pará.
Eram eles os engenheiros Luiz Maximino e Antonino Carlos, o médico Deoclécio, os bacharéis Carolino e Adelino, o almirante Altino, o comandante Acrisio Fulvio e duas irmãs: Joana e Sinhá Sussuarana. Todos obtiveram sucesso financeiro e construíram grandes casas em Belém e, mais tarde, no Rio de Janeiro, onde por exemplo, Antonino Carlos  e mais tarde sua viúva Zélia, possuíram  uma das mais belas mansões da Av. Vieira Souto, em Ipanema. O clã Miranda Corrêa, no Pará, era aparentado de grande número de famílias importantes e com os futuros casamentos terminou interligado a quase todas as famílias mais antigas do Pará e do Maranhão.
Luiz Maximino, engenheiro civil, foi o responsável pela construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança e pela construção de um grande número de prédios importantes de Belém. Sócio de um dos homens mais ricos e requisitados do Pará, Francisco Bolonha, engenheiro e arquiteto, responsável pela implantação do “art nouveau” no Estado vizinho, fizeram construir a Fábrica de Cerveja Paraense e a Fábrica de Gelo Amazonense. Outro irmão fazia parte da sociedade – Antonino Carlos. Mais tarde desfazem a sociedade, ficando os dois irmãos Miranda Corrêa com a fábrica de gelo amazonense e a família Bolonha com a fábrica de cerveja paraense.
Nessa época, Luiz Maximino constrói uma belíssima mansão em Belém do Pará, na Avenida Independência. Dentro do gosto “art nouveau” é um palacete com três andares que sobrevive até hoje.
Antonino Carlos vem para Manaus a fim de dirigir a fábrica de gelo em constante progresso. Luiz Maximino segue para o Rio, viajando em seguida para Nova York, com toda a sua família. Pretendia montar, de sociedade com um amigo português, uma fábrica de guaraná nos Estados Unidos. Após residir ali  longa temporada, resolve voltar ao Rio de Janeiro, assustado com a epidemia de poliomielite que grassava naquela cidade.
Em Manaus, Antonino Carlos, que montara uma casa de venda de chopes e um cinema faz sociedade com os irmãos Luiz Maximino, Altino, Carolino, Joana e Deoclécio e funda a Cervejaria Amazonense, que passaria a ser dirigida até sua morte ocorrida em Lisboa, por ele e por seu irmão Luiz Maximino. Após a morte de Antonino Carlos, a direção da empresa ficaria nas mãos de Luiz Maximino, já então, um dos três sócios restantes: Zélia Viana (viúva de Antonino Carlos), Geralda (viúva de Deoclécio) e Luiz Maximino.
A casa que ficou conhecida como o Palacete Miranda Corrêa e que agora será demolida para dar lugar ao edifício Maximino Corrêa, não foi construída por Luiz Maximino. Adquiriu-a de um comerciante português, de nome Coutinho, que a fizera construir dentro da linha do grande arquiteto francês Mansard, bem ao gosto das mansões normandas e bretãs. No momento de adquiri-la, hesitou entre a casa que residiria por mais de 30 anos e o Palacete Scholz (atual Palácio Rio Negro), ambas a venda pelo mesmo preço.
O impaludismo que grassava naquela região da cidade, fez com que se decidisse pela casa da Avenida Eduardo Ribeiro. Reformou-a por diversas vezes, respeitando sempre sua arquitetura original. Enquanto habitada pela família era decorada com móveis franceses, condizentes com cenários de grandes festas e recepções.
Em suas salas se encontravam dois pianos  de cauda, um Beckstein, e outro Cramer, que foram utilizados por todos os grandes pianistas que visitaram o Amazonas, entre eles Souza Lima, Guiomar Novaes, Madalena Tagliaferro e outros. Luiz Maximino era um profundo conhecedor de música, sendo ele mesmo pianista e compositor.
Muitos dos móveis e objetos de arte que se encontravam na bela residência foram partilhados entre seus oito filhos: Renato Américo, Luiz Almir, Eunice, Clarice, Arlete, Yvete, Déa e Haydéa. Outros se encontram guardados na Cervejaria Miranda Corrêa. Outros, ainda, foram vendidos a particulares.
Um belo lustre de forjado e cristal francês assinado encontra-se, por exemplo, no gabinete dos governadores do Amazonas, adquirido pelo professor Arthur Reis. Anteriormente estava colocado no gabinete do velho Maximino Corrêa. Importado de Paris pelo engenheiro e decorado com motivos amazônicos (orquídeas), encomendado especialmente para sua casa. Um dos seus pianos de cauda encontra-se na Academia Amazonense de Letras, doado por seus descendentes ao centro musical que leva seu nome.
O prédio é, sem dúvida, um dos mais belos exemplos arquitetônicos de Manaus. O único prédio dentro do estilo normando que Mansard usaria em tantos palácios e castelos da França, lembrando a ala mais antiga de “Versalhes”, do castelo “Champs de Bataille” na Normandia (propriedade dos duques  d'Arcourt) que tem sensibilizado  tantos membros da família Miranda Corrêa em viagem pelo norte da França.
(*) A Notícia, sexta-feira, 17 de setembro de 1970. Recorte cedido pelo pesquisador Ed Lincon.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Cervejaria Amazonense: centenário


Cervejaria Miranda Corrêa, anos 1940
Inaugurada nessa data, o prédio construído no bairro de Aparecida, de propriedade da família Miranda Corrêa, ainda segue contemplando a cidade. Foi ali no barranco do igarapé de São Raimundo que surgiu o centenário edifício, hoje desativado. Apesar desse impacto, já contemplou algumas marcas da festiva bebida.
Seu fundador foi o engenheiro Luiz Maximino Miranda Corrêa, de família de Santarém (PA). Registra um conterrâneo deste empreendedor, que a Fábrica de Cerveja Paraense trabalhou politicamente para evitar semelhante indústria na Amazônia, que trouxesse competição.
Em 1909, os irmãos Miranda Corrêa, apoiados pelo deputado Raul de Azevedo, conseguem autorização para a implantação “de uma fábrica de cerveja, guaraná e outros refrigerantes, implícita a fabricação de gelo”. No mesmo ano foi lançada a pedra fundamental, à frente o industrial Antonino Corrêa. Morto este, prematuramente, Luiz Maximino assume a direção.
Rótulos de produtos da Cervejaria Amazonense















Prédio da cervejaria (à esq.) ainda existente
no bairro de Aparecida. 
No local, é  fabricada a cerveja Kaiser
As duas guerras mundiais do século passado impõem diversos e duros abalos a essa indústria que, contudo, não a abateram. Funcionou esta, primeiro, com o fornecimento de gelo e de chope. Depois, com os refrigerantes e com a conhecida cerveja XPTO, que os apreciadores, os da terceira idade atual, apelidaram de Maroca. Resistiu às dificuldades costumeiras e ao desastre da borracha e suas consequências. Até que, já em principio da Zona Franca (1967) foi adquirida pelo fabricante da cerveja Astra, de Fortaleza (CE). E segue toda uma história que os jovens sabem em detalhes.
Para comemorar esta data, reproduzo rótulos e fotos deste altaneiro edifício, que segue ressalvando os empecilhos de nossas conquistas. 

terça-feira, janeiro 18, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (XLIII)

Janeiro, 18

1918 – Nasceu no Rio de Janeiro, Ormail Stockler de Oliveira Junqueira, falecido coronel do Exército. Quando major, em abril de 1962, assumiu o comando da Polícia Militar do Amazonas, a convite do governador Gilberto Mestrinho. O antecessor do coronel Stockler fora o doutor Assis Peixoto, nomeado coronel para a função.

Gov. Plínio Coelho, 1963
No ano seguinte, Plínio Coelho retorna ao Palácio Rio Negro, na condição de governador. Ao promover a mudança do comandante da PM, o substituto do coronel Stockler é o primeiro tenente PM Alfredo Barbosa Filho.

Quando em nosso cotidiano, a conversa paralela interroga-me sobre a mudança superior realizada na PM, costumo lembrar esses fatos. Apesar de pouco condizentes com as bases militares.


1962 – Por iniciativa do padre Lino, redentorista, é fundada a Sociedade Atlética Guarda de Aparecida (SAGA), de moderna arquitetura, situada a rua Wilkens de Matos, em Aparecida. Bem próxima da centenária Cervejaria Amazonense. Consta que o terreno foi adquirido pelos genitores deste sacerdote.
A sociedade promovia o congraçamento das famílias e, em especial, dos jovens do bairro. Algum tempo depois foi vendido, tendo desaparecido a edificação original, em seu lugar surgiu o espigão, onde funcionou, entre outros, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), na década de 1980.

Cervejaria Amazonense, no bairro de Aparecida, ainda existente
1966 – Ocorreu a instalação do Banco de Produção e Fomento do Estado do Acre, melhor conhecido por Banacre. Esteve localizado a Rua Henrique Martins 286, ao lado da Papelaria Velho Lino, e do Banco do Estado do Amazonas (fundos).

1973 – Para concretizar os entendimentos, o Governo Estadual, pelo governador João Walter de Andrade, e o Municipal, sendo prefeito Paulo Pinto Nery, firmam o convênio que transfere o serviço de combate a incêndios e afins para a gestão da Polícia Militar do Amazonas.

terça-feira, outubro 12, 2010

CERVEJARIA AMAZONENSE - INAUGURAÇÃO

Próximo de completar um século, em 12 de outubro de 1912, a família Maximino Corrêa, oriunda do vizinho estado do Pará, inaugurou a primeira cervejaria em Manaus, a Cervejaria Amazonense. Para mais detalhes, consulte o blog do rocha.

A pedra fundamental, ou seja, o início da contrução ocorreu em 20 de fevereiro de 1910, há, portanto, um século. Quando inaugurada, a fábrica serviu para a produção da cerveja XPTO e produtos afins, além de continuar com a fabricação de gelo cristal. O gelo, que fora o produto básico vendido pelos irmaõs Corrêa a partir de 1905, deu partida ao elevado desempenho da firma Miranda Corrêa.

Anúncio publicado em
O Jornal, fevereiro 1934

Os deslevos com a produção, levou a família a "importar" um edifício estilo "castelo bávaro" para servir de fábrica, o qual ainda existe no bairro de Aparecida, localizado à margem do igarapé de São Raimundo. O local era bastante privilegiado, além da água em abundância, permitia uma visão panorâmica da cidade de Manaus.   

A empresa subsistiu por mais de meio século, apesar do definhamento da economia amazonense. Serviu aos lares e aos bares por décadas, até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense.

A expansão do comércio com a instalação da Zona Franca de Manaus, a partir de 1967, levou a fabricante da cerveja XPTO a mudar de proprietário.

Primeiro passou à direção de J. Macedo, com sede em Fortaleza (CE), que em 1970 adquiriu aquele patrimônio. Durou pouco a presença dessa empresa. Dois anos depois, passou ao gerenciamento da Brahma, então de conceito nacional, que construiu uma nova fábrica no mesmo local, abandonando o castelo.
Com a fusão da Brahma e Antarctica, as instalações foram novamente comercializadas, passando a produzir a cerveja Kaiser.

"Bolacha" existente nos anos 1950
Para ilustrar tão brilhante data, apresento duas lembranças salvas do espólio do saudoso artista plástico e poeta Anísio Mello, apreciador de uma boa cerveja. A primeira, é um suporte de mesa de bar, em nossos dias mais conhecido por "bolacha". A segunda, um haikai inserido em seu livro Kaleidoscopio (2002):

E presa na taça
como se fosse um licor
a cerveja espuma.


Publicado em Jornal do Commercio.
Manaus, 26 maio 1955

   
Para melhor degustar este brinde, convoco outro saudoso poeta - Farias de Carvalho, autor do poema Walquiria líquida.