CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Aristophano Antony. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aristophano Antony. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, maio 14, 2012

Informativo do IGHA, 2002


Para lembrar o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e o saudoso associado Ruy Lins, reproduzo o Informativo de maio de 2002. A redação e tudo mais que este impresso exigia ficavam a cargo de Ruy Lins, denominado de Diretor. Há dez anos não mais circula qualquer noticiário. A segunda parte recorda nossa Biblioteca Pública, cercada de tapumes há sete anos.

 

MOMENTOS DA NOSSA HISTÓRIA

7 DE MAIO DE 1758
É instalada a Capitania de São José do Rio Negro, com a posse do seu primeiro governador, Joaquim de Meio e Póvoas, que governaria até 25/12/1760, tendo como sede a Vila de Barcelos, no rio Negro, antiga aldeia de Nossa Senhora da Conceição de Mariuá. Esta Capitania obteve a sua emancipação administrativa por Carta Régia de 3 de março de 1755.

14 DE MAIO DE 1848
Instalado o Seminário Episcopal de São José, em Manaus, pelo bispo diocesano do Pará e Amazonas, dom José Affonso de Moraes Torres. Ainda em pleno funcionamento, é o mais antigo estabelecimento de instrução do Estado do Amazonas.

17 DE MAIO DE 1870 - A Sala de Leitura criada pelo presidente (3.° vice-presidente, no exercício da presidência, de abril a junho de 1870) da província, major Clementino José Pereira Guimarães, é verdadeiramente a origem da Biblioteca Pública (provincial do Amazonas, que foi instalada no ano seguinte pelo presidente José de Miranda da Silva Reis (1870-72). Mais tarde, a 27 de maio de 1882, o presidente José Lustosa da Cunha Paranaguá (1882-84), oficializa a nobre instituição, patrimônio e símbolo cultural do Amazonas, hoje com o nome de Biblioteca Pública do Amazonas.

1º DE MAIO DE 1874
O presidente da Província do Amazonas, Domingos Monteiro
Peixoto (1872-75), ao sancionar a Lei nº 287, eleva as freguesias de Alvellos (com o nome de Coari) e Codajás a categoria de vilas.


22 DE MAIO DE 1875
O governo imperial manda desarmar a Fortaleza de São José do Rio Negro, construída em 1669, em derredor da qual surgiu o núcleo populacional que deu origem a cidade de Manaus.

14 DE MAIO DE 1881
A freguesia de Lábrea, localizada à margem direita do rio Purus, pela Lei nº 523 sancionada pelo presidente da Província, Satyro de Oliveira Dias (1880-81), é elevada à categoria de Vila. 

9 DE MAIO DE 1884
Nascimento do doutor José Francisco de Araújo Lima, possuidor de uma esplendorosa inteligência e brilhante lastro cultural. Estudou no Colégio Santa Catarina e no Ginásio Amazonense Pedro II. Farmacêutico pela Faculdade de Medicina da Bahia (1902), médico pela Faculdade do Rio de Janeiro(1912), e especialista em medicina tropical pela Universidade de Paris. Diretor Geral da Instrução Pública, Prefeito de Manaus (com uma magistral administração) e deputado federal, atividades que desempenhou com rara competência e dignidade.
Fundador da Academia Amazonense de Letras, ocupou a Cadeira nº 17, cujo Patrono é Francisco de Castro; hoje, é o patrono da Cadeira nº 25 - Araújo Lima.
 

12 DE MAIO DE 1887
O presidente da Província do Amazonas, coronel Conrado Jacob de Niemeyer (1887-88) sanciona a Lei nº 744 criando o município de Urucará, rio Solimões.

3 DE MAIO DE 1889
Morre no Rio de Janeiro o engenheiro civil João Wilkens de Matos, barão de Mariuá. Presidente da província do Amazonas de 1868-70. Anteriormente, logo após ter chegado a Manaus, em 1851, foi secretário-geral de Obras Públicas e diretor da Instrução Pública.
Também foi deputado estadual. Manaus homenageia seu antigo presidente com a rua de Wilkens de Mattos, localizada no bairro de Aparecida.

24 DE MAIO DE 1903
Nasce em Manaus, o jornalista Aristophano Antony. Um dos varões mais ilustres e dignos da nossa cidade, de antiga e tradicional família amazonense, e responsável por uma prole honrada e de projeção social no Amazonas. Sempre foi jornalista, marcando época na imprensa de Manaus com o seu vespertino "A Tarde".
Fundador e presidente da Associação Amazonense de Imprensa, além de ter pertencido a inúmeras instituições culturais. Sócio efetivo da Academia Amazonense de Letras, tomou posse a 13 de agosto de 1949, na Cadeira nº 18, cujo Patrono é Jonas da Silva.  

18 DE MAIO DE 1931
Morre em Manaus, Francisco Pedro de Araújo Filho. Manaus é um
rincão abençoado pelo fato de ter abrigado um tornem como Araújo Filho, jurista pela Faculdade de Direito do Recife. Na advocacia e no magistério prontificou como um cintilante astro de primeira
grandeza. Com o seu extremado amor pelo Amazonas, deixou uma descendência de abençoado esplendor e dignidade.
Fundador da Academia Amazonense de Letras, é o Patrono da sua Cadeira nº 5, que ocupou com o brilhantismo da sua inteligência e cultura. 


sexta-feira, dezembro 31, 2010

Feliz Ano Novo

Hoje, não podia ser diferente, saúdo o Ano Novo. Mas, antes agradeço o ano que passa. Motivos não me faltam, em especial por este espaço. E pelas tantas bênçãos recebidas, de sorte que me cabe mesmo é levantar as mãos para o Altíssimo.

Agradeço especialmente aos que consultaram o “catador de papéis”, que comentaram e que, acima de tudo, incentivaram a minha produção. Prometo para o 2011 dobrar o trabalho. Ah, sim, e melhorar a publicação.

Trouxe para esta passagem de ano duas publicações jornalísticas. A primeira veiculada em A Gazeta, no último dia de 1950. Nela, seu proprietário, o saudoso jornalista Aristophano Antony comenta para os leitores a passagem do Tempo e do Destino, "que regem nossan passadas sobre o mundo".

Editorial de A Gazeta. Manaus, 31 dez. 1950



A outra é um trabalho plástico de Moacir andrede, já então conceituado artista das cores. Lamento que à época O Jornal não dispussesse do hoje corriqueiro recurso das cores. O tema é a Paz, saudando o dia universal da confraternização.
O Jornal. Manaus, 1º jan. 1960
O terceiro registro é de ordem familiar, junto nesta foto duas gerações: o avô Manoel e a neta Sofia. São mais de noventa anos a separar esses dois olhares. Que este registro represente bem o momento que vivemos hoje, a passagem do tempo.

Manoel e Sofia Mendonça, dez. 2010
Esclareço que avô e neta estão ótimos, assim será o 2011para todo visitante!

sábado, junho 05, 2010

Memorial Amazonense XXIII

JUNHO, 5
Catedral de Manaus, 2003

1905 – Morreu em Lisboa (POR) Dom José Lourenço da Costa Aguiar, bispo do Amazonas. Seus restos mortais repousam no jazigo a entrada da Catedral de Manaus.



1947 – Morreu em Manaus, Jonas Fontenelle da Silva, que, em 1912, associado ao irmão Raymundo, fundou a Empresa Cinematográfica J. Fontenelle, proprietária do cinema Polyteama (av. Getulio Vargas). A empresa evoluiu quando adquiriu o cinema Odeon (av. Eduardo Ribeiro), já descrito neste espaço, e dois outros cinemas.
Cinema Odeon, 1953
Detalhe da fachada do cine Politeama, de
Manaus, amor e memória, 2004

Recebeu a graduação em odontologia por faculdade do Rio de Janeiro (1899).
Notabilizou-se como poeta qualificado, tendo publicado: Ânforas, livro de estréia; Ulhanos (1902) e Czardas (1923), reeditado pela Editora Valer, em 1998.


O poeta nasceu no Piauí, em 1880. Pertenceu à Academia Piauiense de Letras e à Academia Amazonense de Letras, onde ingressou ocupando a Cadeira 23, todavia, por modificação estatutária, esta tomou o número 18, agora sob o patronato de Jonas da Silva. São sucessores na Cadeira: o saudoso Aristophano Antony e Jorge Tufic (ocupante).

segunda-feira, maio 24, 2010

Memorial Amazonense XXIII

Maio, 24

1858 – Nasce em Campina Grande (PB), Dom João Irineu Joffily, terceiro bispo do Amazonas. Dirigiu a Igreja do Amazonas entre 1916 e 1924, quando foi transferido para o arcebispado do Pará.




 1898 – Nasce em Osela (POR), José Maria Ferreira de Castro. Quando jovem, visitou a região amazônica, primeiro parada na cidade de Belém (PA) e depois em um seringal no rio Madeira (AM), extraindo dessa experiência os fundamentos do livro A Selva, publicado em 1930.




Doado pela Sociedade Amigos de Ferreira de Castro, da Ilha da Madeira (POR), ao tempo do Prefeito Manoel Ribeiro, o busto do escritor português foi inaugurado em 1986, na Praça da Polícia, em Manaus.


1903 – Nasce em Manaus, Aristophano Antony. Era filho de Leandro Perdigão Antony e de Maria Ferreira Antony. Foi casado com Edail Cordeiro Antony (filha do coronel Pedro Henrique Cordeiro Junior) e tiveram oito filhos, pela ordem: Leandro, Maria Eneida, Ruth, Maria Luiza, Maria de Lourdes, José Rogério, Flavio e Ana Rita.


Jornalista por vocação, exerceu o mister ao longa da vida. Assim, trabalhou nos jornais de Manaus Jornal do Commercio e O Dia, alguns fundados por ele, como O Jornal. Em 1937, fundou o próprio jornal, o vespertino A Tarde. Com o desaparecimento deste, passou a colaborar em A Crítica.


Foi presidente do Atlético Rio Negro Clube durante 16 anos. Ingressou na Academia Amazonense de Letras em 1947. Pertencia também ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha) e da Academia Acreana de Letras. Fundador da Associação Amazonense de Imprensa, foi seu presidente até sua morte.


Morto em 3 de agosto de 1968, está sepultado no cemitério São João. Toda sua obra literária aconteceu postumamente: Sombras e Reflexos (21 nov. 1968); Política, Democracia e Revolução (critica literária) e Evocações Sentimentais (um canto de fé, esperança perseverança e exaltação à sua companheira de todas as horas).


No centenário de seu nascimento, a Casa de Adriano Jorge dedicou-lhe a sessão solene, ocasião em que distribuiu a Seleta do Centenário, organizada por Max Carpenthier e Flávio Antony.


1958 – Toma posse no arcebispado do Amazonas, em solenidade realizada na Catedral de Manaus, Dom João de Souza Lima. Oriundo da diocese de Nazaré (PE), cujo brasão (foto) assinalava sua vocação pela Igreja. Permaneceu no posto até 1980, ocasião em que renunciou ao cargo.

1950 – Nasce em Itacoatiara (AM), Paulo Roberto Vital de Menezes. Realizou seus estudos secundários no Seminário São José, instalado no cruzamento da rua Emilio Moreira com Ramos Ferreira. Desativado o seminário, ali funcionou o Instituto de Ciências Humanas e Letras (Ichl) da Ufam. Hoje, abriga um departamento da Uninorte.
Vital ingressou na Polícia Militar do Estado e, sendo major, comandou o 2º batalhão de polícia, na Velha Serpa. Na reserva como coronel, segue trabalhando na direção da Segurança do Estado, como subsecretário.


terça-feira, abril 20, 2010

Aderson Andrade de Menezes

Quando da morte de Aderson de Menezes, em Manaus circulou um encarte especial de O Jornal, contando com o depoimento de vários intelectuais. Escolhi o texto do saudoso padre Nonato Pinheiro, para exprimir o sentimento que se espalhou por tantos que o conheciam. A morte estupida do mestre Aderson aconteceu no campus da Universidade de Brasília. Em 1970.


Uma lâmpada que se apagou

O Jornal, 26.04.1970

Custou-me acreditar na dura realidade, quando liguei o meu receptor no momento exato em que a estação noticiava o falecimento de Aderson Andrade de Menezes, um dos espíritos mais lúcidos da intelectualidade contemporânea de minha terra. Conheci-o pessoalmente em 1947, através de um circunstância a um tempo litúrgica e filial, quando me foi cometida a incumbência de celebrar, durante um ano inteiro, uma vez por mês, as missas em sufrágio da alma de seu genitor, na igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Impressionou-me a assiduidade desses irmãos à missa mensal mandada rezar pela família na intenção de Tude Henriques de Menezes. Foi o início do nosso conhecimento. Eu, jovem padre, e ele, já bacharel em Direito, com seu conceito firmado na sublime esfera da inteligência.


Um dia, sou chamado à residência do escritor Péricles Moraes, presidente da Academia Amazonense de Letras. Era eu o secretário do sodalício. O eminente crítico literário, que foi, a muitos títulos e a todas as luzes, o maior escritor do Amazonas, estava preocupado com o preenchimento das vagas da confraria. Naquele tempo, o processo não era o da inscrição do candidato. Os próprios luminares do Areópago das Letras, com suas pupilas de lince, escolhiam seus novos Pares. Sentia-se a preocupação do inolvidável presidente na seleção dos novos acadêmicos. Repugnava-lhe o ingresso, para o cenáculo das letras, dos medíocres e mistificadores literários. Chamou-me para conversarmos de espaço sobre os valores da terra no campo da literatura e da cultura literária. Sempre receou, contudo, a eventualidade de uma recusa por parte do candidato, o que seria, de qualquer maneira, desprimoroso para a Academia. Confiou-me a missão sigilosa e diplomática de consultar os doutores Abdul Sayol de Sá Peixoto e Aderson Andrade de Menezes sobre como receberiam sua eleição para a “Casa de Adriano Jorge”. Cumpri a missão, segundo suponho, a contento. Ambos responderam que, se bem consideravam excessivamente honrosa a distinção, não cometeriam a indelicadeza de uma recusa. E foram eleitos: Abdul, para a cadeira de Eduardo Prado, que pertencera a seu glorioso pai, o desembargador Antonio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto; e Aderson, para a cadeira de Silvio Romero. O primeiro, porém, não tomou posse de sua poltrona, que foi declarada novamente vaga, decorrido o tempo previsto e concedido pelo Estatuto.


Notei que Aderson se entusiasmou pela concessão da láurea acadêmica. Dentro em breve tomava posse da poltrona de Silvio Romero, que encontrou grávida de esplendores, pois nela sucedeu ao grande Alfredo da Mata, cujo retrato fidelíssimo nos traçou em seu discurso de recepção, (...)


Aderson entrou para a Academia na presidência de Waldemar Pedrosa, seu grande amigo e mestre, de quem nos legou precioso estudo, entronizando a pena no cérebro e no coração, e que constitui seu canto de cisne, seu nupérrimo livro Waldemar Pedrosa (notas biográficas e textos documentais). Foi recebido, sous la coupole, pelo acadêmico Aristophano Antony, que proferiu, a meu juízo, um dos seus mais belos e substanciosos discursos, em estilo eminentemente acadêmico, limado e polido.


Aristophano fez ligeiros reparos ao discurso de Aderson, no que prendia aos títulos de Alfredo da Mata. Mencionou que o ilustre médico pertenceu aos Institutos Históricos do Ceará, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, sendo ainda sócio ad honorem das Academias de Ciências, de Lisboa e de Estocolmo, tendo sido agraciado por 34 faculdade de medicina de vários países, inclusive pela famosa Sorbonne, que lhe conferiu o titulo de professor honoris causa.


Não resisto a tentação de transcrever o seguinte trecho do formoso discurso de Aristophano Antony, talvez o mais cintilante e comovedor, quando a Academia coroava de louros a fronte de Aderson Andrade de Menezes:


“Aqui chegastes, depois de fácil caminhada, entre epinícios consagradores ao vosso êxito. Nesta hora que vos será, como também a nós, inesquecível, os nossos corações comungando os mesmos ideais, pulsam ritmados por igual emoção.” (...) “Não vos arrependereis, entretanto, do convívio dos vossos confrades, que vos acolhem de encontro ao coração. Eles vos falarão sempre aquela linguagem do afeto e do carinho, linguagem que possui a claridade das estrelas e a suavidade encantadora das rosas.”


Uma vez acadêmico, Aderson Andrade de Menezes teve rebrilhante relevo na Casa de Adriano Jorge e Péricles Moraes. Foi quem recebeu no sodalício o acadêmico José Lindoso, eleito para a cadeira de Araujo Lima, e seu contemporâneo no Colégio Estadual e na Faculdade de Direito. (...)


O egrégio extinto foi diretor da Faculdade de Direito do Amazonas, e de sua passagem por essa Casa deixou profundos e lampejantes sulcos, chegando a escrever-lhe a História, quando das comemorações cinquentenárias dessa benemérita instituição, para a qual entrou com a suculenta e magistral tese “Do Mandato político na democracia representativa” (Tese de concurso à Cátedra de Teoria Geral do Estado, na Faculdade de Direito do Amazonas), para cuja feitura consultou um elenco de obras notáveis, o que positivou os altos quilates de sua erudição. Catedrático de Teoria Geral do Estado, deu à estampa um precioso manual da matéria, que o revelou contubernal dos mais insignes mestres do Direito (...)


Que direi dos cargos que ocupou? Em todos se houve com brilho e elegância: diretor da Faculdade de Direito; diretor da Penitenciária Central; Chefe de Polícia; diretor da Faculdade de Ciências Econômicas; juiz substituto da Capital; secretário de Educação e Cultura e magnífico Reitor da Universidade do Amazonas.


No exercício de alguns desses cargos manifestou extremos de renúncia, tolerância e generosidade. A mim me confiou, em sigilo, que apurou graves irregularidades administrativas de um antecessor seu, num desses cargos. Exibiu-me documentos, ajuntando de logo: “Creia-me, padre Nonato, que não será molestado. Ficarei apenas com a documentação no meu arquivo.”


Como jornalista, Aderson brilhou com impressionante claridade. Recordo-me de uma coluna diária, que ele manteve longo tempo no Diário da Tarde. Eram comentários cintilantes, que de pronto refletiam a inteligência do autor. Um dia não me contive, e perguntei ao amigo Almir Correia, esposo de Amélia Archer Pinto Correia, quem era o redator da coluna. Almir logo me matou a curiosidade: era o Aderson!


Não posso esquecer o orador. Tive ocasião de ouvir grandes discursos de Aderson Andrade de Menezes. Foi orador oficial do Atlético Rio Negro Clube. Como conversador, foi dos mais notáveis que conheci. Sabia prender o interlocutor.


Transferido para Brasília, não morreu sem primeiro cumprir uma destinação que se impusera: biografar o ministro Waldemar Pedrosa, que o amava como a filho. Foi o seu canto de cisne. (...) Meu amigo Satyro Barbosa cedeu-me o seu exemplar para uma leitura, a um termo remansada e emocionante, porque o autor já não se encontrava entre os vivos. Teve a amabilidade de citar um trecho de meu discurso, proferido na Academia na sessão de saudade, realizada no trigésimo dia do falecimento do preexcelso amazonense, em cujo espírito Deus acendeu as estrelas de todas as nobrezas.

Grande Aderson! Só me falta falar do excelente irmão e filho que soubeste ser, e só não o faço, para não ensopar meu artigo com as lágrimas de tua extremosa mãe, cuja dor só não é infinita porque é infinita a consolação filial de teus grandes irmãos!...