CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Dom João Irineu Joffily. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom João Irineu Joffily. Mostrar todas as postagens

sábado, setembro 03, 2016

IGHA - NOTA PARA O CENTENÁRIO

Para o centenário do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), esta nota foi compartilhada da Gazeta da Tarde, extinto jornal circulado em Manaus, em 1919, quando esta agremiação comemorava seu segundo aniversário.

Detalhe da primeira página deste extinto matutino

A festa do Instituto Histórico

O coronel Bernardo Ramos faz monumental conferência sobre as inscrições e tradições do Brasil pré-histórico


Conforme estava anunciado, hoje, às 9 horas, no salão nobre, do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas (sic), o nosso ilustrado patrício coronel Bernardo Ramos, com uma assistência numerosíssima, realizou a sua primeira conferência sobre Inscrições e Tradições do Brasil pré-histórico.

A sessão foi aberta à hora determinada por S. Exa. Dom Irineu Joffily, bispo do Amazonas, que produziu brilhante discurso alusivo à conferência, fazendo ressaltar, com a sua palavra sóbria e encantadora, os elevados méritos do conferencista ilustre, que, depois de profundas cogitações e demoradas pesquisas científicas, vem afinal revelar os mistérios até aqui desconhecidos, os sagrados arcanos de maravilhas até então ignorados.

A palavra do digno sacerdote, em sendo de uma singeleza que embevecia, teve lances verdadeiramente empolgantes. Finda a sua oração, que teve o aplauso geral da assembleia, seguiu-se com a palavra o coronel Bernardo Ramos que, ao subir à tribuna, foi recebido com estrepitosa salva de palmas.

A conferência do nosso patrício foi verdadeiramente magistral. Com uma dicção impecável, e dono de um cabedal científico inexaurível, o conhecido homem de saber fez demoradas digressões pelas regiões esquecidas do passado, estudando civilizações mortas e desvendando o que há de singular, extasiante e maravilhoso nessas paragens esmaecidas pela bruma das eras apagadas, e, com o fulgor incomparável de estilo, trouxe-as, traduzidas e interpretadas, para o nosso tempo, através de vasta e copiosa documentação cientifica.

Não nos sobra tempo e espaço para dizermos em ligeira resenha o que foi essa peça monumental.

O coronel Bernardo Ramos, pelos aplausos frenéticos que recebeu, deve avaliar como o público de nossa terra admirou o seu trabalho, que será, mais tarde, sem dúvida alguma, patrimônio para a nossa história e para nossas letras.

Amanhã, às 8:30 horas, realizar-se-á no mesmo lagar, a segunda parte da conferência tão brilhantemente iniciada. O nosso erudito patrício se proporá a mostrar a chave misteriosa de 157 inscrições hieroglíficas até hoje envoltas na mais [completa desinformação].

MANAUS, DOMINGO 4 DE MAIO DE 1919  
NO INSTITUTO HISTÓRICO

A segunda conferência do coronel Bernardo Ramos

O salão de honra do Instituto Histórico esteve hoje de fond en comble. Com o êxito brilhante alcançado pelo nosso ilustrado patrício em sua primeira conferência, a sociedade erudita de nossa terra despertou e mais solícita aplaudiu o notável homem de ciência que mais uma vez mostrou à sociedade os seus profundos conhecimentos na matéria em que trouxe, durante quase duas horas, com viva curiosidade a seleta assistência que o ouviu.

A sessão foi aberta precisamente às 9 horas, usando da palavra o nobre antístite amazonense dom Irineu Joffily, que disse, em súmula, com a sua palavra persuasiva e eloquente, ir continuar com nosso ilustre coestaduano a defender e sustentar a tese que, com tanta segurança e brilho, sob os mais significativos aplausos, iniciara ontem.

Subiu à tribuna, em seguida, o coronel Bernardo Ramos. O orador fez o prodígio de ser longo e detalhado sem fatigar; e, com a eloquência e a lógica irrefragável da sua documentação cientifica, haurida em sábios de reputação mundial, traduziu, explicou, interpretou, aduzindo considerações de ordem científica, a um sem número de inscrições hieroglíficas gravadas em pedras e rochas espalhadas pelo sertão do nosso país. (...)

Falou depois o dr. Vivaldo Lima, externando-se sobre a mesma ordem de considerações e, em seguida, encerrou a sessão o ilustre prelado que em breves palavras, de cintilante urdidura afirmou que, si, de verdade, o trabalho do coronel Bernardo Ramos, resistir aos entrechoques da crítica, — e resistirá pelas suas vastas dimensões cientificas — então o nosso coestaduano receberá os loiros e terá a glória que merece.

A assistência foi numerosíssima. Esteve presente o dr. governador do Estado, acompanhado de seu ajudante de ordens. Mais uma vez a GAZETA cumprimenta com muita efusão o digno amazonense.

terça-feira, maio 19, 2015

DOM JOÃO DE SOUZA LIMA (1)

Foto da solenidade, arquivo do IGHA
Em quase um centenário de atividades, a Casa de Bernardo Ramos acolheu entre seus membros apenas dois Bispos da Igreja católica. O primeiro – dom João Irineu Jofilly, ajudou a fundar esse Instituto em 1917. O segundo, Dom João de Souza Lima, ocupou a Cadeira 24, patronada por frei Gaspar de Madre de Deus. Foi recebido em outubro de 1969, pouco mais de dez anos após tomar posse na arquidiocese do Amazonas.

Dirigia o IGHA o desembargador João Corrêa, que presidiu uma solenidade repleta de autoridades e convidados. Padre Nonato Pinheiro, orador da Casa, fez a oração de boas-vindas. A partir dessa postagem, e dividida em três partes, reproduzo a mencionada saudação.


Senhor Arcebispo
Dom João de Sousa Lima


O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) pela segunda vez tem a honra insigne de acolher em seu grêmio um bispo da Santa Igreja. Logo no dealbar de sua inauguração, em 1917, outro antístite, também chamado João, abrigou-se à sombra dessa casa austera, como seu " primeiro vice-presidente, aqui deixando o esplendor de sua mitra fulgentíssima, o brilho meridiano de sua inteligência, a grandeza de sua cultura polimorfa, o colorido de sua palavra eloquente e o fascínio de sua forte e inconfundível personalidade: Dom João Irineu Joffily.
Paraibano de nascimento, sua fisionomia, iluminada pelo fulgor de dois grandes olhos penetrantes, revelava as cintilações de todos os talentos. Sacerdote da arquidiocese de João Pessoa (PB), teve a dita de ser o "baculum senectutis", o cajado da velhice do preclaro Dom Luís Raimundo da Silva Brito, arcebispo de Olinda e Recife, uma das mais soberbas culturas do Episcopado Nacional, maranhense ilustre, que tanto se constelara de glórias no Rio de Janeiro, como pregador da Capela Imperial.
Foi na escola de Dom Luís de Brito que vosso egrégio antecessor no sólio episcopal amazonense se preparou para as lides pastorais, assim na, então, Diocese do Amazonas como na Arquidiocese de Belém do Pará, cujo sólio também ilustrou com acendrado zelo e alto descortino.

Outro Dom João ingressa agora solenemente neste areópago de cultura, apercebido do mesmo caráter episcopal, das mesmas virtudes apostólicas e dos mesmos
pergaminhos de inteligência e erudição, que vossa reconhecida modéstia não logra ocultar, porque o passado, no dizer de elegante escritor, ainda quando anda, sente-se que tem asas...

Sacerdote secular da Diocese de Pesqueira, cedo manifestastes pendor para o magistério, lecionando, entre outras disciplinas, a ciência altíssima das Matemáticas, que na estimativa de grandes mestres, tanto contribui para disciplinar os talentos e comunicar aos espíritos particular cunho de exação e equilíbrio, dando a tudo a justa medida do comedimento e da proporção. Professor de renome da ciência dos números, haveis de ter experimentado a veracidade e o encanto daquela observação de Dom José Pereira Alves, Bispo de Niterói, em cujos lábios de ouro, ou em cujo cálamo de filigranas, encontrei esta pepita: "Em tudo sinto a poesia, até na austera Matemática, pelo menos no cálculo sublime!". Acredito que o estudo e domínio dessa disciplina tão exata haja influenciado poderosamente em vossa formação, dando-vos essa admirável exação que todos surpreendemos na administração da arquidiocese e no governo da vida, reflexo do longo trato de uma das ciências exatas, cujo magistério exercestes em Pesqueira (PE) com tanto proficiência e brilho.


UM DEPOIMENTO VALIOSO

    Tive a ventura de conhecer em São Luís do Maranhão vosso grande amigo, pai e protetor, o       saudoso arcebispo Dom Adalberto Acioly Sobral, bispo de Pesqueira (PE) e posteriormente arcebispo de São Luís do Maranhão, onde a irmã Morte o foi buscar para o repouso dos Justos, na mansão de Deus. Nunca me foi dado ver outro homem de tão singular personalidade, o qual, servindo-me de palavras de Camilo, aplicadas aos poetas, me dava a impressão de anular em si mesmo todas as leis da física ou da fisiologia, para viver de uma única entranha:
o coração! Homem de coração tão grande, que não sei como lhe cabia no peito! Teve-me a seu lado muitas vezes, quando lá estive em viagem de férias, no ano de 1950.


Ainda não éreis nosso arcebispo metropolitano, e mais de uma vez me falou dos vossos talentos e da vitória de vossos estudos no Seminário de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, para onde vos enviara em' seminarista, dando-vos oportunidade de uma formação intelectual mais apurada, na forja dos grandes mestres que, sabem ser os filhos de Santo Inácio de Loyola, que reservam tanto devotamento ao estudo das ciências e ao trato das letras, tão em consonância com o oráculo das Letras Santas, a afirmar: "Labia sacerdotis custodiunt scientiam!" (Os lábios do sacerdote guardam a ciência!).
Aprimorados vossos conhecimentos no estudo e na leitura, sorvendo em torrente os lampejos mentais de preceptores preexcelsos, iniciastes vosso currículo sacerdotal na Diocese de Pesqueira (PE), onde mão poderosa de Pio XII vos foi buscar para colocar-vos entre os príncipes da cristandade, robustecendo com a plenitude do sacerdócio. Primeiro Diamantina, em Minas; depois, Nazaré da Mata, em vosso estado natal, vos receberam como Pastor das almas, respectivamente como Bispo e Bispo Diocesano. Naquela diocese sertaneja ouviste pela terceira vez a voz do Vigário de Cristo, promovendo-vos a Arcebispo Metropolitano de Manaus, onde tendes desenvolvido um fascinante programa pastoral, dedicando-vos com alma, inteligência, coração e vida ao anúncio da palavra de Deus, a transmissão da mensagem do Evangelho, pão e luz, que sustenta e ilumina as almas sequiosas dos orvalhos celestes!

O que realizastes na arquidiocese de Manaus é obra que vos enaltece e glorifica. Por vossa indústria e zelo, novas prelazias foram criadas, fundando-se na capital novas residências religiosas. Muito vos empenhastes na irradiação das escolas radiofônicas e na promoção de semanas de ruralismo, dando vosso incentivo à fixação do homem do campo em seu próprio meio, levando-o a não se empolgar pelas miragens mirabolantes da capital, onde o índice de desemprego desafia a acuidade de sociólogos e governantes.


Sintonizando com o espirito da época, tende-vos preocupado com o problema das lideranças, brotando de vosso zelo a fundação da Maromba, centro arquidiocesano para formação de líderes e promoção de cursos de superior cultura, religiosa, social e filosófica. Se é verdade o que proclamou Bacon, que são as ideias que governam o mundo, aprendestes que urge disciplinar nas mentes dos homens ideias fecundas e luminosas, para a floração primaveril de atos decisivos e decisões supremas no rumo de uma comunidade feliz, no clima e na luminosidade daquele MUNDO MELHOR, preconizado pela genialidade de Pio XII, e cujos horizontes azuis tão bem divisastes em memorável Carta Pastoral aos diocesanos de Nazaré da Mata (PE), dada a estampa pela Editora Vozes, de Petrópolis.

segunda-feira, maio 24, 2010

Memorial Amazonense XXIII

Maio, 24

1858 – Nasce em Campina Grande (PB), Dom João Irineu Joffily, terceiro bispo do Amazonas. Dirigiu a Igreja do Amazonas entre 1916 e 1924, quando foi transferido para o arcebispado do Pará.




 1898 – Nasce em Osela (POR), José Maria Ferreira de Castro. Quando jovem, visitou a região amazônica, primeiro parada na cidade de Belém (PA) e depois em um seringal no rio Madeira (AM), extraindo dessa experiência os fundamentos do livro A Selva, publicado em 1930.




Doado pela Sociedade Amigos de Ferreira de Castro, da Ilha da Madeira (POR), ao tempo do Prefeito Manoel Ribeiro, o busto do escritor português foi inaugurado em 1986, na Praça da Polícia, em Manaus.


1903 – Nasce em Manaus, Aristophano Antony. Era filho de Leandro Perdigão Antony e de Maria Ferreira Antony. Foi casado com Edail Cordeiro Antony (filha do coronel Pedro Henrique Cordeiro Junior) e tiveram oito filhos, pela ordem: Leandro, Maria Eneida, Ruth, Maria Luiza, Maria de Lourdes, José Rogério, Flavio e Ana Rita.


Jornalista por vocação, exerceu o mister ao longa da vida. Assim, trabalhou nos jornais de Manaus Jornal do Commercio e O Dia, alguns fundados por ele, como O Jornal. Em 1937, fundou o próprio jornal, o vespertino A Tarde. Com o desaparecimento deste, passou a colaborar em A Crítica.


Foi presidente do Atlético Rio Negro Clube durante 16 anos. Ingressou na Academia Amazonense de Letras em 1947. Pertencia também ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha) e da Academia Acreana de Letras. Fundador da Associação Amazonense de Imprensa, foi seu presidente até sua morte.


Morto em 3 de agosto de 1968, está sepultado no cemitério São João. Toda sua obra literária aconteceu postumamente: Sombras e Reflexos (21 nov. 1968); Política, Democracia e Revolução (critica literária) e Evocações Sentimentais (um canto de fé, esperança perseverança e exaltação à sua companheira de todas as horas).


No centenário de seu nascimento, a Casa de Adriano Jorge dedicou-lhe a sessão solene, ocasião em que distribuiu a Seleta do Centenário, organizada por Max Carpenthier e Flávio Antony.


1958 – Toma posse no arcebispado do Amazonas, em solenidade realizada na Catedral de Manaus, Dom João de Souza Lima. Oriundo da diocese de Nazaré (PE), cujo brasão (foto) assinalava sua vocação pela Igreja. Permaneceu no posto até 1980, ocasião em que renunciou ao cargo.

1950 – Nasce em Itacoatiara (AM), Paulo Roberto Vital de Menezes. Realizou seus estudos secundários no Seminário São José, instalado no cruzamento da rua Emilio Moreira com Ramos Ferreira. Desativado o seminário, ali funcionou o Instituto de Ciências Humanas e Letras (Ichl) da Ufam. Hoje, abriga um departamento da Uninorte.
Vital ingressou na Polícia Militar do Estado e, sendo major, comandou o 2º batalhão de polícia, na Velha Serpa. Na reserva como coronel, segue trabalhando na direção da Segurança do Estado, como subsecretário.