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domingo, junho 07, 2020

CORPO MUSICAL DA PMAM


A Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas, criada a partir do decreto 11/1890, em consonância com o Relatório de 3 de junho de 1893, do comandante major Raymundo Affonso de Carvalho, e, ainda, o disposto na Lei 3.514/2010 (LOB/PMAM), passa a ter a denominação de Corpo Musical 1º Tenente Joaquim/C Mus, com as prerrogativas de Companhia Independente.
Músicos da Banda no coreto da Praça da Polícia

Muito bem. Não obstante uma NGA (NORMAS GERAIS DE AÇÃO) não possuir força de lei, acredito que este pormenor já foi superado, pois, dez anos são passados desde sua promulgação.
A Banda possui, enfim, denominação e data de fundação. Agora se trata de Corpo Musical, e o nome escolhido foi o do tenente Joaquim Henrique de Souza, que a conduziu no período de 1954-60. Tratou-se de mais um cearense, nascido em Santanópolis em julho de 1922, a reger essa corporação musical. Joaquim ingressou na PMAM e diretamente na Banda em 1948, deve ter chegado com largo cabedal de música, pois, seis meses depois (fevereiro de 1949) foi promovido a 1º sargento, e a subtenente em dezembro de 1953.
O ano seguinte foi marcado pela disputa eleitoral, no meio da qual houve troca de governador e de comandante da PMAM. Nesse panorama político, Joaquim foi promovido a tenente músico, por merecimento, em 11 de junho de 1954, na vaga do tenente músico Nicanor Puga Barbosa (avô do atual Reitor da Ufam: Sylvio Mário Puga Ferreira).
Todavia, não há registro acerca de qualquer curso que este maestro tenha realizado. Como a grande escola musical de tantos nordestinos era o aprendizado de música, dito de “ouvido”, Joaquim se beneficiou desse aprendizado.
Banda em desfile militar ao lado do Teatro, anos 1950

O Amazonas passava por sérias dificuldades financeiras, passava pelo “fundo do igarapé” de durezas, encerrando desse modo o governo francamente sensabor de Álvaro Maia (1951-55). De certo, graves embaraços alcançavam a corporação militar do Estado, prova disso foi a declaração do governador Plínio Coelho, ao tomar posse no início de 1955, quando afirmou ter encontrado a Polícia Militar em “estado pré-falimentar”, sob a heroica administração do coronel Neper Alencar.

A Música, Palácio
Rio Negro
Confesso que fui surpreendido por esta legislação, surpreendente para quem se dedica em restaurar a passagem deste Corpo Musical. Tenho semipronta uma retrospectiva sobre a Música na Polícia Militar do Amazonas, basta-me somente acrescer o material desta NGA para rematar.
Retomo ao maestro Joaquim: este deixou a regência da Banda em 1960, por motivo de moléstia, indo se tratar em Fortaleza (CE). Dois anos depois, foi reformado por invalidez no posto de 1º tenente, aos 40 anos de idade.
Livre do quartel, passou a atuar na formação e condução da Banda da Escola Técnica de Manaus, muito bem festejada nos desfiles escolares da Semana da Pátria, rivalizando com as bandas do Colégio Estadual, Instituto de Educação e Benjamin Constant, entre outras.

Tenente Joaquim faleceu em Manaus, em 10 de junho de 1993.

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