CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

21 de março de 2016

BAIRRO DE EDUCANDOS

O extinto matutino A Gazeta, de propriedade de Artur Virgílio Filho (deputado federal), estava ligado ao então governador Gilberto Mestrinho (1959-1963). Nele pontificava o jornalista Ramayana de Chevalier, que servia ao governo dirigindo o Daspa (Departamento de Assistência ao Servidor Público do Amazonas). 

Recorte do matutino 


Chevalier dispunha de espaço privilegiado, o cabeçalho da primeira página, para escrever seus artigos, que podiam ser juras de amor ao governo e ataques aos adversários, como Plínio Coelho; também considerações sobre a política nacional, marcada pela vitória e a renúncia de Janio Quadros, em agosto de 1961. E outros temas, bem mais deleitosos na pena caliente deste saudoso periodista, nascido em Manaus, porém, “cobra” criado no Rio de Janeiro.


Para incrementar a propaganda do governo, A Gazeta abriu a coluna intitulada Governo do Povo. Nela circulavam pequenas notícias, muitas delas truncadas ou incompletas, sobre as atividade de Mestrinho.


Reproduzo duas notas, que dizem respeito ao bairro de Educandos, às vezes tratado por Constantinópolis. Aproveito para registrar que estudei no Machado de Assis antes da reforma citada. E que o Grupo na estrada, hoje avenida Leopoldo Péres, ainda se chama Monteiro de Souza.


A residência da minha família, à rua Inácio Guimarães, possibilitou-me conhecer ao Pedro Telles, latifundiário, cujo nome era repetido e temido na extensão do bairro. Seu advogado –Dr. Jauary Marinho– foi por anos, durante o Governo Militar, o segundo Reitor de nossa Universidade Federal (Ufam).

 
Rua Inácio Guimarães, atrás do Cine Vitória, vendo-se, ao alto, as torres
inacabadas da igreja de Educandos, 1961

Edição de 16 outubro 1961

Cumprindo mais um dos compromissos assumidos para com o nobre povo que o elegeu e que o retribui com uma popularidade que sobrepaira acima das intrigas e misérias da política, o governador Gilberto Mestrinho entregou ao Sr. Pedro Telles e ao Dr. Jauary Marinho a importância de 10 milhões de cruzeiros, com que o Estado do Amazonas compra, para posterior distribuição aos seus atuais ocupantes, as terras do bairro de Educandos.

Havia os que diziam que essa promessa do governador, fora fogo de demagogia em hora de eleição. Hoje esses negadores da boa-fé de Gilberto devem estar como porcos: com a cara na lama.

 

Edição de 17 outubro 1961

O Educandos sempre foi um bairro explorado pelos demagogos de hora de eleição. Poucos governos –e honra se faça a eles se lembraram daquela parte de Manaus. Mas o Mestrinho entendeu que tudo que se fizesse por aquela gente, era pouco.

Pegou o velho Grupo [Escolar] Machado de Assis e modernizou-o. Ficou uma obra magnífica, de encher os olhos. Fez o mesmo naquele outro da subida da estrada de Constantinópolis. Mas ainda era pouco em matéria de educação, pois a garotada do bairro é imensa. E fez construir mais um Grupo, desta vez no meio de um Conjunto Educacional sem par em nosso Estado [acredito que se trata da EE Diana Pinheiro,  na av. Presidente Kennedy]

Mandou construir um belíssimo campo de esportes em frente da Igreja. Construiu uma moderna subdelegacia de Polícia [hoje servindo a uma ONG, na avenida Leopoldo Péres], para conter os maus elementos e proteger as famílias do bairro. Mandou construir um mercado moderno e modelo [Dr. Jorge de Moraes, que foi prefeito de Manaus] e foi o Educandos um dos primeiros bairros a ter estendidas nas suas ruas a nova rede elétrica.