CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

7 de março de 2016

EDUCAÇÃO NO AMAZONAS: NOTAS (2)

Terceira parte do trabalho produzido sobre a Educação no Estado, elaborado pelo acadêmico João Crisóstomo de Oliveira, e publicado como folheto, em 1981, sob os auspícios do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA).

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Quando despertou o ano de 1888, já existiam no Amazonas, oito professores diplomados, sendo cinco pelo Colégio Brasileiro e três pela Escola Normal.
Muita gente que ainda vive em Manaus (setembro de 1961), passou pelas aulas das saudosas professoras Maria Telles Monteiro e Elvira Corrêa de Miranda Lima, ambas saídas daquele colégio. Serviram, com dedicação e competência, o magistério público da Capital, até sua jubilação.

O Colégio Brasileiro pouco sobreviveu ao falecimento de sua fundadora e diretora Dona Carolina Ribeiro, a 29 de abril de 1889.
Uma das fontes de cultura do Amazonas está, sem dúvida, na sua Biblioteca Pública, que foi criada em consequência da Lei nº 582, de 27 de maio de 1882, instalada no Consistório (lado oriental) da Igreja Matriz, em Manaus. Anualmente, de quando em quando o orçamento da Província dava-lhe uma pequena verba para aquisição de livros, expediente e pessoal.

Por iniciativa do presidente Jose Paranaguá, que governou o Amazonas de 17 de março de 1882 a 16 de fevereiro de 1884, a Biblioteca foi enriquecida de obras numerosas e escolhidas, em Paris, por incumbência dada, ali, ao insigne patrício nosso, Dr. Benjamin Franklin de Ramiz Galvão (mais tarde, barão de Ramiz Galvão), sob a responsabilidade da Delegacia do Tesouro Nacional, em Londres. (Para maior esclarecimento, consulte-se o precioso livro de Genesino Braga, Nascença e Vivência da Biblioteca do Amazonas. Manaus: 1958).
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"Por ato de 4 de março de 1884, do vice-presidente em exercício, coronel Guilherme José Moreira, foi nomeado o bacharel Manoel Francisco Machado para o cargo de Diretor-Geral da Instrução Pública, o qual em consequência de ter sido aposentado o respectivo diretor Agostinho Benjamin de Souza, estava sendo ocupado pelo diretor da Escola Normal Dr. Jonatas de Freitas Pedrosa". (J. B. p. 172).
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Ainda mais uma reforma do ensino público, ao ensejo da administração do presidente Dr. Teodoreto Souto, empreendida a 19 de julho de 1884, pela qual o serviço de ensino ficara dividido em cinco categorias, sendo uma delas o do ensino da Escola Normal. E dizia: "... O ensino normal ficará anexo ao Liceu, compreendendo as matérias especificadas no regimento citado" (J. B. p. 188).
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Nova reforma em 10 de junho de 1885, pelo presidente Ernesto Adolfo de Vasconcelos Chaves, da qual não escapou a Escola Normal cujo curso continuou feito em três anos, mas ainda anexo ao Liceu, todavia emancipado daquele, por um certo número de cadeiras. Na reforma, entendeu-se melhorar a distribuição das cadeiras do currículo. Diga-se, de passagem, que Ernesto Chaves foi um dos espíritos mais brilhantes e dinâmicos que administraram a província do Amazonas.
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"As primeiras conferências pedagógicas feitas em Manaus, foram realizadas pelo grande educador brasileiro Hilário Ribeiro. A primeira, sobre o seu método de ensino, foi efetuada às 8 horas da manhã, de 23 de julho de 1886, no prédio da escola S. Vicente. O ilustre professor fez mais duas conferências". (J. B. p. 203).
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Parecia um prazer, se não uma preocupação, reformar as reformas. Deste modo, o Pe. Raimundo Amâncio de Miranda, vice-presidente (em exercício de 2 a 12 de julho de 1888), apenas estando 10 dias no governo, alterou a duração do curso normal, que era feito em três anos, passou para quatro, importando o fato em nova distribuição das cadeiras e jogo de matérias.

O Liceu Amazonense recebeu outro nome: Curso do Liceu Amazonense.

A Escola Normal ainda não ficara sossegada, pois em 12 de outubro de 1888, por lei promulgada pela Assembleia Provincial, foi-lhe extinto o lugar de professor de Religião. E, ainda, pela Lei nº 813, de 19 de julho de 1889, o presidente fora autorizado a reorganizar a Instrução Pública, e mandar adotar o Regulamento nº 17, de 28 de março de 1883, para evitar que houvesse duas cadeiras da mesma disciplina, nos dois cursos conjuntos Liceu e Escola Normal. Questão de economia.

Era diretor da Escola Normal o Prof. Francisco Antônio Monteiro, que, em relatório ao presidente Manoel Francisco Machado fizera-lhe ver que o Liceu e a Escola careciam de material didático. Em vista do precário estado das finanças da Província, o presidente deixou de atender ã solicitação, "cuja necessidade reconhecia, recomendando apenas a atenção da Assembleia o curso de Pedagogia em que eram necessários os objetos pedidos porque tratava-se de introduzir o ensino intuitivo na massa dos professores que desconheciam completamente e cuja aplicação produziu a superioridade dos americanos, como povo observador". (J. B. p. 213).
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No ano de 1889, quando o regime do Império já tinha seus dias contados, era este o quadro docente da Escola Normal:
1 - Cadeira de Português - Dr. Augusto Lins M. de Vasconcelos;
2 - Idem de Francês - Manoel de Miranda Leão;
3 - Idem de Geografia - Dr. Domingos Teófilo de Carvalho Leal;
4 - Idem de Aritmética e Geometria - Carlos Pereira de Pinho;
5 - Idem de Desenho - Dr. Lauro Batista Bittencourt;
6 - Idem de Pedagogia - Dr. José Mateus de Aguiar Cardoso;
7 - Idem de Ciências Físicas e Naturais - Farmaceutico Francisco Antônio Monteiro;
8 - Idem de Música - Maestro Adelelmo Francisco do Nascimento;
9 - Idem de Caligrafia - Carlos da Silva Pereira;
10 - Idem de Prendas Domésticas - Maria Lira de Amorim Antony.

O novo regime político implantado, no País, a 15 de novembro de 1889, ensejou mais largos horizontes ao progresso da Província, pela descentralização dos seus poderes administrativos mais diretos no uso da autonomia regional.
Outras reformas do ensino seriam inevitáveis.

O Governo Provisório da República, como toda gente sabe, nomeou o capitão Augusto Ximeno de Villeroy para o cargo de governador do Estado do Amazonas. Foi um dos seus primeiros atos o Decreto nº 15, de 17 de janeiro de 1890, extinguindo o Liceu Amazonense, que vinha prestando ótimos serviços à mocidade. Em seu lugar, criou o Instituto Normal Superior, cujo fim principal, não era formar bacharéis em ciências e letras, mas futuros e mais hábeis "professores primários", em um curso de quatro anos. Não demorou intangível o plano Villeroy, pois veio logo a sofrer apreciáveis modificações que não valem ser especificadas nestas simples notas, currente calamo, sabre a evolução do ensino secundário e normal do Amazonas.
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O Instituto Normal Superior ia desaparecer. Certo foi o que aconteceu, pelo menos o seu nome, sob o governo de Eduardo Gonçalves Ribeiro (o Pensador), pelo Decreto nº 34, de 13 de outubro de 1893, que criou o Ginásio Amazonense ao que se anexou o Curso Normal, composto das mesmas disciplinas do seu irmão xifópago, com o excedente de duas cadeiras especiais: Pedagogia e Prendas Domésticas.
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O Decreto nº 448, de 25 de setembro de 1900, desanexou do Ginásio o Curso Normal, com a denominação de Escola Normal do Amazonas. A nova entidade do ensino profissional, já autônoma, no sentido pedagógico, não se retirou do edifício do Ginásio. Apenas mudou de salões. E já foi uma conquista da sua própria evolução. (continua)