CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de dezembro de 2015

ITINERÁRIO ANDINO (3)

Na metade do século passado, os médicos Djalma Batista e Moura Tapajós empreenderam uma viagem por países andinos, saindo de Manaus (AM) e passando por Iquitos (Peru). Concluído o périplo, o primeiro elaborou a publicação em jornal do relato dos acontecimentos. Adiante, foi transformado em impresso, sob o título: Itinerário transadino (1951), que o autor dedicou ao companheiro de viagem.

                  
Plaza das Armas, com a igreja no conjunto




LIMA, SUAS FLORES E SEUS ENCANTOS

A sala de visitas da capital peruana é magnífica: um palácio de mármore e pórfiro, onde o viajante admira majestosa obra de arte, com uma perfeita distribuição de serviços. Do Aeroporto de Limatambo, numa tarde friorenta e sem sol, começamos a mirar a cidade, cercada de morros nublados e se estendendo para todos os lados.
 Em Lima chama logo a atenção o aspecto alegre e sossegado da terra e da gente. Todos amáveis, bem humorados, vivendo a sua vida entre flores e jardins. Pelo menos os burgueses...

Seu desenvolvimento é um caso curioso: em torno do núcleo central, a velha cidade dos Vice-Reis, onde se vêm as ruas estreitas da época colonial, com a sua arquitetura característica, de balcões nas fachadas (há quadras inteiras de casas desse estilo, que traduz uma reminiscência mourisca), com persianas que quase nunca se abrem, se desenvolveram numerosos pueblos, que se foram reunindo, para formar a extensa metrópole de hoje, de quase um milhão, onde convivem quatorze municipalidades independentes, dentro de duas províncias, que vão do mar (Callao, o porto, foi uma cidade isolada e é hoje uma cidade autônoma) até as Serras, para lá de Chosica.
San Isidro, Miraflores, Herradura — bairros situados a cavaleiro do mar — são uma maravilha e um encanto. Serenos como só eles. Amplas ruas ajardinadas, onde os olhos se deleitam numa policromia de estarrecer. E que casas! quanto bom-gosto! quanta beleza!
Obrigado, querido amigo Lucho Ibañez, que nos levaste pela pitoresca cidade que tanto nos encantou, mostrando-nos tudo com uma solicitude paciente e cativante! A ti e a Eduardo, autênticos representantes da estirpe arequipeña dos Ibañez, com os seus 14 ramos...

No centro de Lima, entre a Plaza San Martin (benditos fotógrafos ambulantes que nos fixastes ao lado da estátua do grande General, e ainda nos encravastes numa cédula de 10 soles!) — entre a Plaza de San Martin e a Plaza de Armas, está o grande comércio de Lima: no Jiron Union estão as casas de moda e de artigos regionais, as platerias e perfumarias; estão também as calçadas pisadas pelas limeñas elegantes, de olhos e cabelos negros, geralmente bem envolvidas em costumes de lã e peles vistosas, que eu asseguro muito em segredo — dão uma imponência agradável às mulheres...

Detalhe da fachada da Catedral de Lima-Peru
A Plaza de Armas é típica em todas as cidades de origem espanhola: Palácio do Governo, Municipalidade, Catedral... Na de Lima, porém, há uma particularidade: todas as construções obedecem a um estilo próprio, rigorosamente colonial, com portales e fachadas magníficos. No Palácio da Municipalidade fomos admirar uma das preciosidades artísticas limeñas: salões ricamente decorados, sem exibição nem demasia, com telas assombrosas de Merino e Montero (guardo profunda impressão de La venta de las acciones, Las Tapadas e La Loca, em que Merino culminou a sua capacidade de fixar tipos e expressões). E que assombro a Biblioteca, toda talhada em madeira!

Também na Plaza de Armas está Francisco Pizarro — o Conquistador entre monstruoso e glorioso — montado no seu cavalo de bronze, para contemplação dos séculos, e guardado no seu esquife de mortal, dentro da Igreja, para que os homens meditem no "memento" eterno...
O Palácio de la Torre-Tagle, onde hoje está instalado o Ministério do Exterior, é uma autêntica relíquia de alto preço, com os seus 200 anos de existência, dois balcões, salões, quadros, móveis, espelhos e pátios. Corramos às igrejas: entremos na Basílica Jubilar e não nos impressionemos com a riqueza dos altares e a imponência das imagens. Fixemos o ponto para onde mais se dirigem os fiéis: lá está uma simples cruz de madeira desbotada pelos beijos que nela são depositados; uma placa assinala o lugar onde a parede se abriu para que um frade em cuja santidade o povo acredita, como em Manaus se crê fervorosamente na “Santa Etelvina”, perseguido pelo demônio, pudesse passar incólume!
Depois visitemos a Igreja de S. Pedro, da Companhia de Jesus (La Iglesia Jubilar). A 1 da tarde se rezava missa. Imensa e grandiosa obra de arte, com altares em ouro ou madeira, pinturas impressionantes e sobretudo com aquela quietude dos templos, com o seu quê de mistério e de atração! Detenhamo-nos porém no Santuário de Santa Rosa de Lima, — único sul-americano que já mereceu canonização, e isto 30 anos depois de seu falecimento, ocorrido em 1631. Lá estava a sua cadeira e a sua cama tosca; a imagem diante da qual rezava os lugares onde recebeu as aparições e onde impôs em si própria flagícios e martirizações; algumas pinturas chucras com os seus milagres. Lá ouvimos também a sua história: a renúncia do amor de um noivo que provavelmente a adorava, em troca do amor divino; os 30 e poucos anos de vida heroica. E dizer que olhares profanos se detiveram diante de tudo aquilo, buscando uma interpretação psicológica para o caso da famosa Santa limeña! (continua)



25 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL


Kopenhagen, Natal 2003
Esta Mensagem tem uma pequena história: foi-me enviada pelo meu irmão Renato para saudar o Natal de 2006. Entretanto, por motivos de desacertos da informática, ou mais certo por falta de conhecimentos, estes votos chegaram ao destino neste ano. Por isso, faço dela tema desta postagem.
Aproveito para ilustrar com algumas fotos de passagens natalinas. Para aquele que passar por esta página, registro meus votos (atuais) de toda alegria e de bonanças que o saco do Noel carrega.

Betânia, Natal 2009



Igarapé de Manaus, Natal 2009
Morro da Liberdade, Natal 1986

Brasília, Natal 2008


Largo de São Sebastião, Natal 2008


Caro mano Roberto

Estou um tanto soturno e calado. Preguiçoso, poderia se dizer também. Na verdade, os compromissos me tomam o escasso tempo. Posso ser acusado de não colaborar com ele, no entanto ele também não tem cooptado comigo. E este final de ano tem sido uma verdadeira roda-viva. Não reclamo dos afazeres e atributos que temos que cumprir, reclamo das mazelas da vida que nos têm acometido. 
Primeiro, foi a perda prematura do Robertinho. Um garoto com tantas virtudes e coração tão bom não deveria nos deixar assim tão rápido. Nas poucas ocasiões que tivemos, pude perceber a magnitude da sua dedicação e respeito. Senti, como nunca, a verdadeira hospitalidade. E a notícia do seu falecimento me deixou abalado. Mesmo se quisesse te confortar não teria forças nem palavras pra dizer, apenas sentir como um tio abatido pelo infortúnio. 
Agora, de um mês e pouco pra cá, foi a Bela. Essa companheira de tantos anos 31, para ser mais exato teve um AVC. Isso a deixou com sequelas, e tem nos deixado apreensivo quanto a sua recuperação. Não temos envidado esforços, mas mesmo assim a recuperação é lenta e imprevisível. Tenho muita fé em Deus, e sei que esta provação pode ser superada, mas às vezes nos causa certo desânimo, mormente neste momento de festas natalinas. Aquela mulher ativa, cheia de vigor e de vivacidade, não existe mais. Agora está dependente de auxílio e apoio. Ainda bem que a recuperação física está caminhando bem, já anda bem e não depende mais de alguém para ajudá-la. 
Papai está em Barra Mansa desde sábado passado, e eu não tive tempo de visitá-lo. Estou apostando comigo mesmo que possa vê-lo antes do Natal. Seria o mínimo que teria que fazer. 
Aproveito o email para te desejar os melhores votos, todos os votos de saúde, muita saúde, e tanta saúde pra você e toda a família.
Um abraço a todos, e fiquem com Deus. Renato Mendonça

21 de dezembro de 2015

MAESTRO ALBINO DANTAS

Saudoso maestro da Banda de Música da Polícia Militar Amazonense (1942-45), o tenente Albino Ferreira Dantas, oriundo de Quipapá (PE), costumava publicar seus escritos, cujo tema fundamental era a Música. 

Em alguma oportunidade falhou ao elaborar seus esclarecimentos, sendo, por isso, apenado pelo regulamento militar.

A publicação abaixo, às vésperas de completar 70 anos, circulou no vespertino Diário da Tarde, edição de 24 de janeiro de 1946.


Regentes e Músicos!

Albino Dantas

Quem vive fora do meio musical, não faz o cálculo de quanto é difícil organizar ou manter, no mesmo plano, uma Banda de Música, que venha agradar a gregos e troianos nas tocatas realizadas. Reger qualquer organização musical não é somente ter nas mãos uma batuta e dispor dos elementos à vontade, para conseguir boa música.
Existem pormenores bem interessantes, que influem de modo acentuado nessas organizações de arte. Podemos conhecer harmonia muito bem, sermos os tais em teoria, fazermos bonitas instrumentações, tocarmos todos os instrumentos, nada, porém, dará resultado positivo se não existir o máximo que a música exige: bom gosto interpretativo.
Daí o conceito dos grandes mestres. Músico não é aquele que aprendeu a conhecer as notas sem ter o sentimento puro do artista, mas, o que, “não sabendo música, sente os eflúvios divinos da sublime arte dos sons!” Depois, vem o complexo, pessoal, que tem grande relação com o assunto. O músico, diga-se a verdade, é manhoso ao extremo. Tudo lhe ofende e ele toma a mínima coisa como a maior das ofensas. Precisamos de habilidade para conduzi-lo no ofício, do contrário todo nosso trabalho será improfícuo e, consequentemente, sem nenhum valor.
A música, como todas as artes, tem os dias aziagos, e, geralmente, quando tratamos de músicos, são eles os responsáveis por esses malditos dias... Desses erros e injustiças, ditados pelos regentes, vêm inevitavelmente a derrocada dos conjuntos musicais. Quando nos esforçamos para apresentarmos ao público números musicais de valor, como os clássicos, devemos reconhecer que os executantes dispendem de maior esforço que os regentes, pois, enquanto estes regem, aqueles forçam horas e horas os pulmões, esbanjando ar e sobrecarregando horrivelmente os rins. As nossas deduções a respeito do assunto ventilado não primam pela velha praxe do “ouvimos dizer”. Falamos tendo por base os longos tempos que enfrentamos o “batente”, agarrados aos instrumentos e às velhas estantes de ferro, sem respeitarmos feriados nem dia santo. O músico militar é o tipo do folgado para o resto da tropa, e apelidado até de “cadete”, quando recebe qualquer regalia. É bem verdade que ele não aprecia muito o aperto, e, quando pode ir dando um jeito no corpo, aguente-se quem quiser! Arranja dispensa, vai à visita médica, o ajudante liga... tudo isso serve pra azucrinar o mestre, que tinha uma peça na estante!
Mesmo assim, o mestre sabendo levar, não existe gente melhor no mundo. O superior deve manter de pé a disciplina funcional e mui especialmente a militar. Com o que não concordamos é que, pelo fato de ser o mestre, se julgue este uma pessoa estranha ao meio musical. Da boa compreensão do regente e dos músicos é que surgem os grandes conjuntos!.

20 de dezembro de 2015

MANAUS MAGAZINE

Páginas em P&B retiradas da revista (3º trimestre 1989) que, por décadas, circulou em Manaus.






 


9 de dezembro de 2015

VILA MUNICIPAL (2)

Palácio Rio Negro, hoje Centro Cultural
Mais um nobre fundador deste bairro, que foi construído com o intuito de renovar a cidade de Manaus da belle époque.
Algumas observações pertinentes: a Vila se transformou no bairro de Adrianópolis; a rua Belém mencionada, hoje se conhece por Marciano Armond, e a Recife, por Mário Ypiranga. Enfim, o alemão Waldemar Scholtz era o então o proprietário do Palácio (sua residência), depois conhecido por Rio Negro, sede do governo do Estado, na avenida Sete de Setembro.

Em nossos dias o citado cruzamento está bastante modificado. E diante da ausência de outros dados sobre esse, mesmo em consulta ao GPS, tornou-se impossível identificar o lote de Scholtz. Pouco interessa. Certo mesmo é que a Vila teve múltiplos requisitos para prosperar, um deles, os poucos lotes de atrativos valores. Tanto que foram aforados aos homens endinheirados e bem situados na administração. Ainda assim, a única residência ali construída, e ainda existente, foi o Castelinho do prefeito Adolfo Lisboa.

LOTE Nº 6 – RUA BELÉM

Termo de aforamento feito ao Sr. Waldemar Scholtz de um lote de terras do patrimônio desta municipalidade, situado à rua Belém da Vila Municipal, como abaixo se declara:
 Aos vinte e oito dias do mês de dezembro de mil novecentos e seis, nesta cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, na secretaria da Superintendência Municipal onde se achava presente o Sr. Coronel Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, superintendente do município, e eu, secretário, Dr. Thaumaturgo Vaz, compareceu o Sr. Waldemar Scholtz e disse que vinha assinar o presente termo de contrato de aforamento de um lote de terras que lhe foi concedido na rua Belém da “Vila Municipal”, bairro de S. João desta cidade de Manaus, em sete de novembro findo, limitando-se ao Norte com a rua Belém; ao Sul com o terreno aforado a Antonio de Berredo Lisboa; a Leste com a rua Recife; e a Oeste com o terreno aforado ao Dr. José Duarte Sobrinho, tendo uma área de mil seiscentos e oitenta metros quadrados (1.680m2); ficando o enfiteuta sujeito às cláusulas seguintes: 1ª) O enfiteuta obriga-se a pagar o foro de dezesseis mil (16$800) réis correspondente a mil e seiscentos e oitenta  metros quadrados (1.680m2) da área ocupada pelo Lote número 6 da “Vila Municipal”, bairro de S. João dessa cidade, assim como o direito dominical em – laudêmio – correspondente à percentagem que estiver determinada por lei. 2ª) O pagamento do foro será feito na Contadoria da Intendência Municipal.

7 de dezembro de 2015

ITINERÁRIO TRASANDINO (2)

Na metade do século passado, dois médicos amazonenses empreenderam uma viagem por países andinos. Concluído o périplo, Djalma Batista, saudoso cientista, efetuou a publicação do relato dos acontecimentos.
Aviação regional na minha travessia para Lima (Peru)
Foi transformado em impresso, sob o título: Itinerário transadino (1951), que o autor dedicou ao companheiro de viagem – doutor Moura Tapajós, cujo nome designa a maternidade municipal instalada na avenida Brasil, bairro da Compensa.

Em agosto passado efetuei pela segunda vez a mesma travessia, entre Iquitos e Lima, em avião bem mais moderno, que impede de se sentir as agruras do doutor Djalma. Mas sua descrição do relevo andino me fez rever a sensação dessa mudança bem característica da região: da selva ao oceano, curtindo as cordilheiras.


UM VOO DO AMAZONAS AOS ANDES


O DC-4 da Fawcett ganhava altura, os rios passavam a filetes minúsculos e a própria selva apequenava-se; começamos a notar a transição: rarefazia-se a vegetação; as carecas reluzentes dos granitos expostos a um sol vivo, e as lagoas sucessivas oriundas do degelo, alternavam com vales abissais; ao longe a fita geométrica da estrada de rodagem asfaltada. Estavam transportas (sic) afinal as fraldas orientais da Cordilheira! 

Já no alto o boletim aeronáutico distribuído aos passageiros anunciava: altura 22 000 pés (fiz mentalmente o cálculo: quase 6 000 metros!); temperatura — 4° (do lado de fora, bem entendido...). Começou a funcionar o sistema de aquecimento do aparelho e as mamadeiras de oxigênio foram instaladas junto de cada passageiro.

A princípio não me dei conta da rarefação atmosférica; achei mesmo desagradável o frio e o gosto do oxigênio (ninguém pense o contrário: o oxigênio a 6 000 metros não é insípido...). Aos montes se sucediam outros montes; aos vales se seguiam outros vales; as lagunas se repetiam a cada passo (aqui o passo é de centenas de HP dos quatro motores do aeroplano...), modificado o recorte caprichoso das bordas e variando a cor, ora esverdeada, ora clara, ora azulada das águas remansadas no infinito deserto de pedra escura.

Visão dos altiplanos peruanos, em direção a capital peruana



Bem em frente, batido da claridade de uma tarde límpida, o primeiro nevado, branco como a pureza, alto como a virtude, inatingível como o próprio céu. Ei-lo cada vez mais próximo, o Huascaran, ponto culminante do Peru e 3° pico andino: o comandante Bennett manda chamar-nos para a cabine, onde o Ingeniero de vuelo E. Arenas nos dá explicações e nos anima a fotografar o panorama deslumbrador, facilitando-nos a procura da Kodak na valise em que viajava (ainda tínhamos o complexo brasileiro de que é crime do aero viajante se acompanhar de máquina fotográfica). Não consegui no tumulto daquele momento dar com o aparelho, que por sinal sempre nos falhou, apesar da boa-vontade com que o Waldir Vieiralves nô-lo emprestou...

E senti naqueles minutos a estranha e terrível fome de ar! Foi então que me coube o bico do gás vital... Na cabine de comando andou ele de boca em boca: beijámo-nos todos por procuração, unidos pela emoção de contemplarmos, desnuda e inteira, a montanha gelada impassível, como se fosse um imenso bolo festivo, a que a natureza confeitara com os requintes que adoçam os sentidos e embevecem particularmente o olhar... Flanqueámos o pico soberbo e lá reapareceu a Cordilheira Negra. Aos quandos, numa fralda, indicava-nos o Sr. Arenas, se escondia um pueblo.
Pensávamos: antes ficara a solidão vegetal da Amazônia, quente e úmida, agressiva e feraz; agora tínhamos à vista o domínio mil vezes mais amedrontador do mineral, frio e seco, onde a vida não tinha o apoio da clorofila e a esterilidade da rocha fazia da sobrevivência um milagre. Só depois vim conhecer a frase do político escaldado: "Viver na Amazônia já é um heroísmo...”

Outra tomada dos Andes peruanos

O PACÍFICO DE DENTRO DE CAPUZES DE ALGODÃO


Aos poucos fomos tendo a sensação de que o avião baixava. O ar atmosférico passou a satisfazer a respiração e as elevações do terreno só eram visíveis quando se olhava para trás. Nesse instante vimo-nos como que sobrevoando um mar sereno, de espumas alvíssimas e intermináveis, batendo contra os penedos andinos e se estendendo até onde o olhar alcançava.
Só depois de muito andarmos convenci-me de que eram nuvens justapostas, que pareciam formar um tapete de algodão protegendo o céu... Nuvens densas, para atravessar as quais foram gastos vários minutos; por fim, ao sair dos capuzes de estratos e cúmulos, apresentou-se nos em toda a sua beleza e em toda a sua grandiosidade o oceano de Balboa. Eis-nos diante do mar! Dias depois conheci o desafio soberbo que lhe lançou o poeta cuencano Palacios Bravo:

Oh inmensidad de gotas! Oh vanidad de espuma!Y si quieres que luego tu soberbia se ablande,
medita que solo eres una lágrima grande...
Son tus aguas amargas una inmensa amargura...
Menos mísero fueras si fueses más pequeño!
Desventurado amigo, tus enojos aquieta,
y aprende mansedumbre de mi alma de poeta ...
Que si tu eres conjunto de gotas a millares,
mi inmensidad se forma de millones de mares.
                
LIMA, SUAS FLORES E SEUS ENCANTOS


A sala de visitas da capital peruana é magnífica: um palácio de mármore e pórfiro, onde o viajante admira majestosa obra de arte, com uma perfeita distribuição de serviços. Do Aeroporto de Limatambo, numa tarde friorenta e sem sol, começamos a mirar a cidade, cercada de morros nublados e se estendendo para todos os lados. (continua)

6 de dezembro de 2015

5 de dezembro de 2015

PRIMEIRO AMAZONENSE NA FAB (2)

Mais algumas informações sobre o primeiro oficial amazonense graduado na FAB, recolhidas no Google, sigo catando.
Coronel Afranio, então comandante
da Base Aérea de BH

ESCOLA PREPARATÓRIA DE PORTO ALEGRE FORMANDOS DO ANO DE 1941  
Adalberto Gomes Macedo
Afranio da Silva AguiarAfrânio Mendonça Sarmento Aimône Espindola (...) 

1944 
Criação do 2o Grupo de Caça

O Decreto-Lei nº 6.796, de 17 de agosto de 1944, criou o 2o Grupo de Caça, equipado com aviões Curtiss P-40, com sede na Base Aérea de Natal.  Decreto-lei nº 6.796, de 17 de agosto de 1944
Cria Unidades de Aviação

 Os primeiros aspirantes-aviadores classificados nessa nova Unidade Aérea, relacionados no Boletim de 6 de setembro, foram os seguintes: Rodopiano de Azevedo Barbalho, Ney Osório, Octávio Campos, Afrânio da Silva Aguiar, Orze de Morais Pupo, Murilo Altemberg Brasil, (...). Art. 2.º O 2.º Grupo de Caça tem sua sede transferida da Base Aérea de Natal para a Base Aérea de Santa Cruz [Rio], a fim de integrar o 1.º Regimento de Aviação (Art. 2º) do Decreto-lei n.º 6.796, de 17 de agosto do corrente ano. Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1944,


Getúlio Vargas
Joaquim Pedro Salgado Filho
 

1959 
Base Aérea de Santa Cruz, 1o Grupo de Aviação de Caça, Primeiro Esquadrão: Cmt. Maj. Av. Afrânio da Silva Aguiar, gente boa, homem dos P-40; Operações Cap. Av. Luis de Gonzaga Lopes, o Lopão, muito fechado. A esquadrilha, 4 aviões F-8, código "Vermelho", missão operacional no aeródromo de Pirassununga tempo estimado de voo 50 minutos, Bombardeio Picado (BP) simulado, ataque ao solo com tiro terrestre de canhão (TT), algumas passagens até a conta corrente para o abandono com proa de Santa Cruz, reunião em rota.

 1963-67 
Escudo militar
Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica,
Comandante da Base Aérea de Belo Horizonte Ten Cel Av AFRANIO DA SILVA AGUIAR 
De: 3 de fevereiro de 1963
Até: 16 de março de 1967  


1964 
MINAS: HORA A HORA

Reportagem de Fernando Richard e José Nicolau 

Dia 31 de março.
3h30m. A reunião continua. O General Bragança é incumbido de fazer a convocação dos civis para a revolução. O Governador Magalhães Pinto, no Palácio da Liberdade, declara que apoia e comanda o movimento. 
7h30m. O Comandante da Base Aérea de Belo Horizonte, Coronel Afrânio da Silva Aguiar, é chamado ao Palácio da Liberdade pelo Governador Magalhães Pinto. O Chefe do Executivo mineiro expõe ao oficial os seus planos. Fala a respeito dos motivos que o levaram a tomar a decisão. Após conferência de uma hora, a portas fechadas, o Coronel Afrânio dirige-se para a Base Aérea: tinha dado total apoio ao Governador.

1964 

Concede o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte ao tenente-coronel aviador Afrânio da Silva AguiarFica concedido o título de "Cidadão Honorário de Belo Horizonte" ao Tenente-Coronel Aviador Afrânio da Silva Aguiar, em reconhecimento aos grandes serviços que tem prestado a este Município.
A entrega do título, objeto da presente lei, será feita em sessão solene da Câmara Municipal.
Belo Horizonte, 25 de setembro de 1964.

Jorge Carone Filho
Prefeito de Belo Horizonte


(Publicado no Minas Gerais de 26/09/1964)