CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de novembro de 2015

VELHOS TEMPOS

Saudoso cronista, os manauenses de ora não mais se lembram sequer da rua Marechal Deodoro, porque hoje não se conhece a cidade pelas suas artérias. Se conhece por referências.
Rua Marechal Deodoro, a partir da antiga agência
dos Correios; neste quarteirão estava a 
loja Antonio M. Henriques 
Então, para os novos, esta rua está situada no centro, é aquela tomada pelo comércio do “bate-palma”. Em uma dessas lojas de confecções e adereços funcionou a loja de Antonio M. Henriques, que conheci vendendo eletrodomésticos.
Pouco importa. Transcrevo esta memória para festejar ao amigo coronel Medeiros, ex-comandante da PMAM, cujo genitor vem citado (destaque) no texto do Jobim.


VELHOS TEMPOS (*)

André Jobim

(...) Na Rua Marechal Deodoro, aonde está hoje a loja e o escritório de Antonio M. Henriques, foi por muitos anos a Agência do Loide Brasileiro. Seu gerente naquela época, era o velho Trajano Mota, tendo como chefe de escritório o nosso amigo Raimundo Filgueiras [pai de Angelus Filgueiras, deputado estadual e prefeito de Manacapuru], hoje gerente da agência do Banco do Brasil; Caixa era o Romeu Pimenta Medeiros [pai do coronel PM Romeu Medeiros Filho], estudante de Agronomia e, consequentemente, colega de nosso Crisanto Jobim; chefe de tráfego, o incansável Ernesto Pereira, irmão do desembargador Sadoc Pereira, homem afeito ao trabalho e amigo sincero de seus colegas.

Recorte de O Jornal, então o periódico de maior circulação em Manaus 

Os demais auxiliares eram senhorita Adalgisa, esposa do Sr. Manoel Saraiva de Araújo, Clovis Catarino, e Anselmo Lopes de Sousa, um dos velhos auxiliares que ainda hoje trabalha na agência atual, sob a direção do nosso amigo Joaquim Sousa de Araújo --- o Quincas...

E talvez alguém ainda se lembre do "Macaco caiu", tipo popular da meninada, o "Mascarado", amigo dileto do Oliveira, dos Correios, da preta "Carolina", a primeira mulher no Amazonas a usar calcas de homem, afeita ao trabalho e dedicação aos seus filhos... Tudo isto passou e é comum naqueles que vão envelhecendo...

Era comum ver nas páginas principais das revistas, os retratos de Maria Angela Câmara, Simy Benaion, Maria de Nazaré de Figueiredo, quando de sua primeira comunhão e mais algumas, gentis ornamentos da nossa sociedade...
 Em homenagem a Herculano Castro e Costa [jornalista, genitor de Baby Rizzato], publicamos hoje, uma de suas adoráveis redondilhas, publicada numa revista amazonense em agosto de 1930: 
Para fazer-te uma saia
A maré vai, uma a uma, 
Passando a ferro na praia, 
As rendas brancas da espuma.
 (*) O Jornal, 18 dezembro 1960