CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, maio 03, 2026

POEMA DO DOMINGO

 

Revista Rionegrino 14, nov 1929

 

A CIDADE e o RIO

Na terra em que eu nasci desliza um rio

Ingente, caudaloso

Porém triste e sombrio... 

Paulino de Britto – “O Rio Negro”

 

A Heliodoro de Britto,

presidente da Academia Paraense de Letras

 

Minha linda cidade de Manaus

Berço de amor, de sonhos e quimeras,

Terra de exaltações!

Terra de sol intenso

De outono e primaveras

Abrindo-se em jardins, em beijos e em solaus

Sob as nuvens e incenso

Do afeto a desbordar os corações...

 

Vejo-te, refletida nos meus olhos,

D’um improviso de luz do pensamento

Aos íntimos refolhos

Do meu encantamento

Em perene requinte de emoção!

 

Esse eu grande e majestoso rio

Negro no aspecto e branco nas espumas

É a legenda mais nobre da cidade

 

Porque é renúncia e é perdão...

E quando o vento algumas

Vezes se alteia em louco rodopio

São as lendas e as histórias

De invicta heroicidade

E de infinitas glórias

Dos antigos barés e dos Manaus...

 

Teus jardins, teus palácios, tuas torres

E zimbórios e igrejas e pomares

São sorrisos, contornos e prenúncios

De vida, em tutelares

Paixões, doçuras, mágoas, esplendores!

 

As tuas filhas são sereias,

De olhos que são promessas

Ou arautos e núncios

De beleza, alegria e tentação!...

 

E quando chega a noite, devaneias

– Ó risonha cidade, --

Cantando ao luar cantigas

De saudade

Que recordam as antigas

Façanhas dos teus grandes lidadores

Manes de Ajuricaba

– O teu melhor brasão –

Que preferiu a morte a ter senhores!

 

... Minha alegre cidade de Manaus!

Berço de Ajuricaba, índio famoso

Terra-tapuia, enamorada

E apaixonada

Do teu sereno rio

Ingente, caudaloso,

Porém triste e sombrio... 

Paulo Eleutherio

Da Academia Amazonense de Letras

Nenhum comentário:

Postar um comentário