A postagem expõe a segunda parte do trabalho sobre os oficiais nascidos no Ceará que estiveram no comando da Polícia Militar do Amazonas.
4. Camillo
de Lellis Pacheco Amora - coronel PM graduado
19 outubro 1901 – 13 agosto 1902 (interino)
Oriundo
da capital cearense, onde nasceu em 15 de julho de 1863. Não há registro de quando
desembarcou em Manaus, porém, sua iniciação maçônica ocorreu em 11 de dezembro
de 1886, aos 23 anos, na Loja “Amazonas”. Dois anos depois, ingressou na Guarda
Policial do Amazonas, como alferes (06 jul. 1888); e seguiram as promoções: tenente
(29 ago. 1891); capitão (26 abr. 1892); major (1º nov. 1897) e tenente-coronel
(29 out. 1898).
Algumas
funções exercidas na corporação: capitão fiscal do 2º Batalhão (1897); ajudante
de pessoa de governador Silvério Nery (1900 e 1904); comandante interino.
Diversas atividades políticas: superintendente (prefeito) de Fonte Boa
(1896-97); de Coari (1902); de Floriano Peixoto (1903 e 1905).
Casado
com Raimunda Amora, era pai de Honorina e Marina Amora, nascidas na capital
amazonense; estas jovens eram
formadas em Odontologia pela antiga Universidade de Manaus, atual UFAM, e possuíam
gabinete cirúrgico-dentário localizado na Praça dos Remédios, 5. Também se
notabilizaram pelo ensino de piano e canto, diplomadas pela Escola Normal e
Conservatório de Música do Amazonas.
Inexiste, todavia, foto e data do falecimento deste oficial nos arquivos da entidade.
5. Pedro
Vidal de Negreiros - capitão PM
07 outubro 1910 – 12 junho 1912
Embora oficial intermediário, este capitão assumiu de fato o
comando da corporação em face de um acontecimento marcial, que atingiu o
governo do Estado. O episódio é conhecido na historiografia amazonense por
“Bombardeio de Manaus”, ocorrido em 10 de outubro de 1910 (data singular: em
10.10.10). No entanto, a 7 desse mês o comandante titular foi reformado
(diagnostico: arteriosclerose). Face à ausência do governador Antonio
Bittencourt, a situação do Estado estava caótica, tanto que foi o desembargador
Benjamin Rubim, no exercício do cargo de governador, que nomeou para o comando
do Batalhão, em 28 de outubro, ao capitão Pedro Vidal de Negreiros.
Negreiros era natural do Ceará, filho de João Antônio e de
Liberalina Barroso Vidal de Negreiros, nascido em 19 de maio de 1874. Foi
incluído na Força amazonense como alferes em 08 out. 1896; tenente em 04 ago. 1898;
capitão em 15 maio 1900. Tão logo assumiu o comando da corporação, foi
promovido a tenente-coronel em 1º de novembro de 1910 e, finalmente, coronel
enquanto exercia a chefia, em 26 de janeiro de 1911.
Deixou o comando no ano seguinte, mas permaneceu residindo em Manaus, onde veio a falecer aos 41 anos, em 30 de novembro de 1915. Encontra-se sepultado em jazigo existente na Quadra 09 e SP 7869 do cemitério São João Batista.
6. José Onofre Cidade - coronel PM
22 dezembro 1912 – 21 janeiro 1913
Ilustre natural do Ceará, filho de José Joaquim Cidade Filho, nascido em 1875, a comandar a Polícia Militar do Amazonas, ainda que para tanto tenha promovido um festival de subversão da ordem. Sua inclusão na corporação aconteceu em 1896, na condição de soldado. Em 1899, foi promovido a 2º tenente; em 1903, 1º tenente; em 1908, capitão; em 1911, major; em 1912, tenente-coronel e coronel. Finalmente, agraciado com uma distinção incomum: funcionário público vitalício, em dezembro de 1912.
A questão primordial que o conduziu ao comando teve início com a eleição regional, que elegeu Jonathas de Freitas Pedrosa (1848-1922), a tomar posse no primeiro dia de 1913. Os vencidos na eleição, as vivandeiras políticas bateram no portão do quartel da Praça da Polícia. Atendidas, conseguiram aliciar alguns oficiais que, descontentes por motivos que nunca faltam em quartel, fizeram acontecer. Escolhido pela oficialidade, Cidade constituiu um triunvirato – com os majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes – que, a 22 de dezembro, assumiu o comando da Força Policial, e, seguidamente, escorraçou o governador Antônio Bittencourt, em fim de mandato.
A insurreição perdurou por 48 horas, com o estado “governado” pelos oficiais insubmissos. Movimentação judicial oportuna pôs fim ao movimento, porém, na Praça da Polícia, a corporação prosseguia sob o comando do rebelado coronel Onofre Cidade. Empossado, o governador Pedrosa obviamente deparou-se com a Força Policial desestabilizada, fracionada e sob enormes suspeitas. Logo, em 23 de janeiro, promoveu a reorganização da corporação, expurgando os elementos sediciosos e nomeando novo comandante. Coronel Onofre Cidade faleceu em sua residência, em Manaus, a 1º de dezembro de 1936, aos 61 anos.

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