CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

4 de novembro de 2015

SANTUÁRIO DE BORBA (3)

Encerro a reprodução do folheto Histórico da Igreja de Santo Antonio de Borba. Este folheto, sem identificação expressa de autoria, foi serviço da Imprensa Oficial, em Manaus, deduzindo-se da sigla D.I.O. 1946, gravada na capa.
 
Página final com a assinatura do vigário
De 1847 a 1863, regeram a freguesia 3 vigários. Apenas um colado, permaneceu 10 anos. Em dezembro de 1863, aparece, pela primeira vez, a assinatura do Pe. Francisco Benedito da Fonseca Coutinho que, em 1869, assina: o Vigário, interino, P. Francisco Benedito da Fonseca Coutinho. 
Por quanto tempo e quantas vezes, foi monsenhor Coutinho vigário de Borba, até agora não se conseguiu achar. Durante deste grande brasileiro e ínclito chefe político de Borba, esta paróquia esteve vaga diversas vezes e não por pouco tempo. Em 1900, monsenhor Coutinho pede provisão de vigário de Borba e obtém de monsenhor Hipólito Costa. 
Dez anos depois, a 6 de janeiro de 1916, com 82 anos, tendo recebido todos os sacramentos, faleceu em casa do seu irmão Vitor da Fonseca Coutinho, casa que hoje é propriedade do município e residência dos prefeitos. Monsenhor Coutinho foi por diversas vezes deputado estadual e, de 2 de dezembro de 1903 a 2 de abril de 1904, Governador do Amazonas. Foi sócio correspondente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. O diploma assinado em 3 de novembro de 1900 pelo presidente, Marquês de Paranaguá, está no arquivo da Matriz de Borba. 
Foi o primeiro vigário-geral da diocese de Manaus, por provisão do bispo D. José Lourenço da Costa Aguiar, passada em 19 de junho de 1894. O documento está no arquivo da Matriz. Durante toda a sua vida, foi Borba a primeira Vila e um dos lugares de mais importância do Amazonas, tinha até Mesa de Rendas. 
Promoveu a instrução no município. Ainda hoje encontramos caboclos velhos, cuja caligrafia causa inveja. Como sacerdote foi muito zeloso da igreja de Santo Antonio e do culto divino. A Matriz atual é obra dele e de sua família. Dotou-a do que melhor havia na época. Monsenhor Coutinho também cometeu erros, basta ter sido político: "Quem não era Coutinho, dizem, era coitadinho", mas, também, deixou uma memória abençoada. 
Borba, atualmente em decadência, com uma população de 400 almas, possui uma das maiores e das mais belas igrejas do Amazonas, com boas alfaias, bonitos paramentos, grandes e lindas imagens. O Senhor Morto de 1,70m comove. O Coração de Jesus, de 1,20m é, talvez, a mais bela imagem da diocese. A Igreja de Borba é um lugar querido de Deus. Todos os que nela entram, sentem-se envolvidos por um ambiente de piedade e unção. 
Estão eretas na matriz o Apostolado da Oração, agregado em 5 de junho de 1937, a Arquiconfraria do Rosário, canonicamente fundada em 5 de julho de 1938, e a Pia União de Santo Antonio, instituída em 1940. 
Sendo a Igreja de taipa, com os anos algumas paredes abateram. Ocorrendo o 2° centenário de Borba e de sua elevação à Vila (1755 a 1955 e 1756 a 1956), para comemorar dignamente essa data histórica, o vigário iniciou a restauração da secular Matriz, marco mais antigo do Cristianismo e da civilização do Rio Madeira e talvez do Amazonas. 
A fachada principal quase pronta, estaria ladeada por duas altas torres se não fosse a carência do material. Do mesmo modo, a fachada lateral do poente com o transepto e a cúpula, remate e coroa do edifício estariam adiantados se além da falta de material e de transporte, não houvesse tudo encarecido espantosamente. 
Confiando na Divina Providência e na proteção de Santo Antonio. Todos têm como certo que nas festas bicentenárias de 1955 e 56, Borba possuirá a mais bela igreja do interior do Amazonas.

Pe. Bento José de Souza
Vigário de Borba