CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

13 de janeiro de 2013

PELO RIO JURUÁ, DE CAIAQUE



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O coronel Hiram Silva escolheu conhecer os rios amazônicos de maneira peculiar: viaja de caiaque. Já tendo realizado algumas dessas viagens, diria, nos mais “movimentados” rios do Amazonas, ele nesse momento enfrenta o rio Juruá. E, devido às margens inundadas, às nuvens de piuns e o vazio demográfico, isso tudo e um pouco mais têm deixado os integrantes desta expedição com “sérias dificuldades logísticas e consequentes implicações financeiras”.
Em respeito a esses novos desbravadores, reproduzo parte do texto (com ligeira arrumação gráfica) que o coronel Hiram vem publicando em seu blog.

Uma heroica missão

Hiram Reis e Silva, Ipixuna (AM), 09 de janeiro de 2013



Chegamos a remar quase 100 km em um único dia tendo em vista os grandes vazios demográficos no Rio Juruá e as poucas pesquisas que aí tivemos oportunidade de realizar. As margens inundadas e pródigas em piuns determinaram uma mudança de rotina de somente aportarmos no nosso destino depois de remar uma média de 8h30 diárias ou quando precisássemos coletar informações sobre as comunidades.
A ingestão d’água ou alimento foi feita no meio do rio com o propósito de evitar o assédio desses terríveis insetos. As comunidades ribeirinhas são formadas por verdadeiros heróis e na acepção literal da palavra e não naquela que a mídia sensacionalista prima em empregar. Os “heróis midiáticos” não seriam capazes de suportar uma semana se quer o desafio cotidiano das barrancas da bacia do Juruá.

A histórica insalubridade da região agravada pela falta de políticas públicas de longo prazo, que melhorem as condições de vida da população tem provocado um êxodo contínuo para os grandes aglomerados urbanos, o grande número de eleitores concentrados nessas regiões faz com que os politiqueiros de plantão não se preocupem com a rarefeita população marginal de cujo voto não dependem, absolutamente, para se eleger.
A Amazônia precisa com urgência de um ministério que trate de suas endêmicas e seculares questões. Carece de planos plurianuais e não de medidas emergenciais que atendam apenas as necessidades eleitoreiras momentâneas de seus idealizadores e que não solucionam os problemas que se arrastam há décadas.
Rio amazônico
Quero deixar aqui patente meu apreço por estes homens e mulheres que nos acolheram no seio de suas casas e comunidades, partilharam suas refeições conosco, nos contaram suas histórias de vida e ouviram emocionados nossos relatos conquistando por fim nossos corações e mentes.

- Movimento Pró-Acre
A proximidade física de Guajará e de Ipixuna, municípios do sul do Amazonas criaram uma dependência extrema ao Estado do Acre através de Cruzeiro do Sul, e está ligado ao resto do país, ainda que precariamente pela BR 364.
A distância dos grandes centros do estado do Amazonas, a dificuldade de atendimento as questões sanitárias e educacionais, agravadas pelos problemas de abastecimento no período da estiagem vem simulando um movimento sutil que ambiciona que os municípios de Guajará e Ipixuna passem a integrar o estado do Acre e não do Amazonas. É interessante verificar que um estado que tanto lutou para que o Acre fosse integrado ao seu território se veja agora envolvido num processo que coloca em risco sua própria integridade.

- Ipixuna, AM (09.01.2013)
Pela primeira vez, desde que iniciamos nossas amazônicas expedições, estamos encontrando sérias dificuldades logísticas e consequentes implicações financeiras. A ausência de um suprimento de fundos para arcar com as despesas de combustível com a lancha de apoio tem sido o item mais preocupante.
Felizmente, em Ipixuna, a promessa feita pelo empresário Sr. Abraão Cândido se realizou e além de conseguirmos autorização para aportar nossas embarcações no seu porto flutuante, fomos abastecidos com 115 litros de combustível gratuitamente. Estes “ermos sem fim” determinam que só tenhamos a possibilidade de abastecer daqui a 570 km em Eirunepé dificuldade que se estende até a foz do Juruá.
A quantidade de combustível que precisa ser carregada a bordo aumenta consideravelmente o seu consumo. Este fator acrescenta uma dificuldade maior ainda a essa já tão complexa e difícil missão de descer de caiaque os 3000 km do Juruá e os 900 km de sua foz, pelo Solimões, até Manaus.

Mais uma vez agradecemos à pronta e gentil acolhida, em Ipixuna, de nossos caros amigos da Polícia Militar do Amazonas, na pessoa do seu comandante, Primeiro Tenente Rodney Barros Ferreira, que providenciou hotelaria, abrindo mão de seu próprio quarto no hotel e o de um de seus auxiliares para nos acomodar, além de providenciar três refeições diárias aos membros da expedição durante esses dois dias de permanência na sua cidade. Faço votos para que em Eirunepé tenhamos a ventura de encontrar outros amigos de mesmo quilate.
Mais uma vez fazemos um apelo desesperado aos nossos investidores para que continuem colaborando, cada um dentro de suas posses, para que possamos cumprir a meta de chegar a Manaus. Àqueles que ainda não conhecem nosso projeto, peço que visitem o Blog: