O Campo de Pouso da
Base Aérea de Manaus e o Aeroporto de Ponta Pelada: resultados de uma
aproximação americana (*)
3º
Sgt QSS Mecânico de Aeronaves Eliaquim
Batista da Rocha
Graduando
do curso de História da
Universidade
Federal de São Paulo - UNIFESP
Base
Aérea de São Paulo - 4°ETA
Guarulhos/SP
- Brasil
sgtrochasp@hotmail.com
Chesterson Aguiar Ferreira
Graduando
do curso de História da
Universidade
Federal do Amazonas - UFAM
Manaus/AM - Brasil
filhodocampo@hotmail.com
Diogo Lopes e Lopes
Graduando
do curso de História da
Universidade
Federal do Amazonas - UFAM
Manaus/AM
- Brasil
diogolopeselopes@hotmail.com
5. BASE AÉREA DE MANAUS
Idealizada a partir da pista de pouso de Ponta Pelada e
tendo como referência as experiências que a antecederam, como o Comando dos
Pelotões de Fronteira (criado em 1946), o Destacamento de Base Aérea de Manaus
(efetivado em 1954), o Destacamento de Aeronáutica de Manaus (iniciado em 1955)
e ainda o Grupamento de Aeronáutica de Manaus (instituído em 1968), a BAMN
iniciou suas atividades em 31 de março de 1970.
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Base Aérea de Manaus em construção, 1979 |
Efetiva e de valor inestimável, tem sido a participação das
Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – na integração de toda a
Amazônia [...] Registra-se com patriotismo e satisfação, para todos os
brasileiros em geral e os amazônidas em particular, o trabalho que as Forças Armadas
desenvolveram em favor do nosso progresso, do bem estar e desenvolvimento de toda
área. É a Amazônia esquecida que desponta para a realidade sua integração ao
resto do Brasil. (PRESENÇA... 1970, p. 1).
O início de suas atividades aéreas, conforme o livro histórico
do 1°/9°GAv (1970), começou em 3 de julho de 1970 e teve como propósito
integrar a região Norte, fornecendo apoio às Unidades de fronteira do Exército
Brasileiro e da Marinha de Guerra, provendo apoio ao Instituto de Pesquisa da
Amazônia (INPA), às situações de calamidades públicas e também às missões de
misericórdias, entre outras atribuições.
Depois do Destacamento de Base Aérea de Manaus (inaugurado
em 1954), o 1º/9ºGAv, instalado na Base Aérea de Manaus, tornou-se a segunda
Unidade aérea da Força Aérea Brasileira a operar na Amazônia a partir de
Manaus. Porém, antes de sua efetivação na capital amazonense, mais
especificamente na região de Ponta Pelada, sua primeira subordinação de
comando, conforme boletim interno n° 67, da Base Aérea de Belém, de 11 de abril
de 1969, foi exercida em Belém (PA), sob a direção do Major Aviador Raimundo
Alves de Campos.
Ainda locado na 1° Zona Aérea (capital paraense), o
esquadrão foi denominado Núcleo de Primeiro do Nono, onde permaneceu até 17 de
abril de 1970. Logo em seguida foi transferido com todo o seu efetivo e
equipamentos para as instalações recém-inauguradas na Base Aérea de Manaus,
dando início às suas atividades sob o comando do Major Aviador Camilo Ferraz de
Barros.
Seja pela efetivação do aeroporto internacional ou pela
intensificação da presença da aviação militar, essas ações mostraram-se de
valor inestimável no quesito socioeconômico e estratégico. Com a incorporação e
aprimoramento de um espaço capaz de atender à aviação comercial e militar, os
negócios, tendo em vista as atividades do polo industrial, se intensificaram
com a abertura do Aeroporto de Ponta Pelada. Paralelamente, conforme livro
histórico do 1°/9°GAv (1970), com a renovação das atividades militares, a
Amazônia passou
a desfrutar da garantia de envio de ajuda às populações mais
carentes e apoio aos órgãos governamentais vigentes na região.
CONCLUSÃO
Tendo como meta mostrar o contexto historiográfico que
envolve a região de Ponta Pelada, em Manaus, o presente artigo direcionou-se
para uma avaliação da repercussão da passagem americana por esta área, durante
a Segunda Guerra Mundial, e da pista de pouso aberta em 1943. Para definir este
momento, quatro pontos foram avaliados: a não admissão da área de Ponta Pelada
(como espaço destinado à
aviação) em 1941 pelo técnico Francisco Oliveira, do Departamento
de Aeronáutica Civil; o direcionamento da primeira pista de pouso de Manaus
para o bairro de Flores (aberta em 1941); os acordos firmados entre Brasil e
Estados Unidos em 3 de março de 1942, por meio dos quais, após o ataque de Pearl Harbor (7 de dezembro de 1941) e a tomada dos seringais na Ásia (início
de 1942), conduziram a diplomacia americana para a Amazônia brasileira em busca
da borracha natural, consequentemente forçando a edificação de uma estrutura capaz de auxiliar no escoamento desta matéria-prima
e; por fim, a assinatura do decreto n° 1.020, de 7 de maio de 1943, o qual
declarou a área de Ponta Pelada de utilidade pública e oficializou a construção
de um aeródromo.
O trabalho observou que, na região em análise, diferentes
contextos se seguiram após a desmobilização americana. Deste exame destacou-se
que, entre 1954 e 1976, a área de Ponta Pelada esteve voltada às atividades do
primeiro aeroporto de Manaus, sendo substituído apenas em 26 de março de 1976,
após a inauguração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Por outro lado, a mesma região contou ainda com a forte e
atuante presença da Força Aérea Brasileira, que iniciou suas atividades já na
década de 1940. Sobre este aspecto, a região de Ponta Pelada, como já
sinalizado no contexto, revelou significativo crescimento após a Segunda Guerra
Mundial, evolução esta que contribuiu de diferentes formas para a aviação
militar.
Nessa conjuntura, destacou-se o Comando dos Pelotões de Fronteira, efetivado em 1946, e o Destacamento de Base Aérea
de Manaus, inaugurado em 20 de janeiro de 1954.
Os levantamentos
indicaram ainda o Destacamento de Aeronáutica de Manaus, efetivado em 1955, e o
Grupamento de Aeronáutica de Manaus, idealizado em 1968; logo em seguida
substituído pela Base Aérea de Manaus, inaugurada em 31 de março de 1970. Tendo
em vista a historiografia militar e os estudos ligados à Amazônia, a presente
pesquisa espera ter estimulado novos trabalhos que possam explorar a
conjuntura que envolve o contexto ligado à Força Aérea Brasileira e as lacunas que possam ter sido evidenciadas neste
trabalho.
Este estudo espera ainda ter despertado o interesse para
futuros trabalhos que venham a contribuir no entendimento das operações aéreas
que se realizavam, a partir de Manaus, nas décadas posteriores à desmobilização
americana, e das estruturas logísticas que foram empregadas pela FAB, tendo em
vista a distância dos grandes centros e as limitações operacionais.
Diante disso, o trabalho em questão encerrasse esperando
ter contribuído de forma plausível na identificação das etapas e dos mecanismos
que auxiliaram no escoamento da borracha silvestre, a partir da região de Ponta
Pelada, e seus resultados para o contexto militar e socioeconômico regional.
(*) Revista
UNIFA, Rio de Janeiro, v. 25, n. 31, dez. 2012.
Excelente, agora tenho um norte para começar minha pesquisa da guarnição Manaus.
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