CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de janeiro de 2013

HISTÓRIA DO AMAZONAS: ARTHUR REIS (1ª parte)


Folha de rosto da edição
 
Aos 25 anos, em 1931, o saudoso historiador Arthur Cezar Ferreira Reis publicou seu primeiro livro: História do Amazonas, impresso em Manaus pela editora de Augusto Reis, 269p. Em nossos dias, uma edição rara, mas ainda se encontra exemplar na Biblioteca Pública e na Mário Ypiranga Monteiro. Somente em 1989, muito depois de o autor deixar o governo do Amazonas (1964-67), a Superintendência Cultural do Amazonas, em parceria com a editora Itatiaia, encetou a publicação da 2ª edição, em Belo Horizonte. Esta edição é bem mais conhecida.
Curioso é que o jovem Arthur Reis nunca mais se importou em dar sequência à sua História. Permaneceu ali na posse de Eduardo Ribeiro, em 1892. Logo ele que esmiuçou, que escreveu em abundância sobre os acontecimentos, locais e personagens amazônicos.
Acredito eu ter encontrado uma explicação: a dúvida que seus contemporâneos lançaram sobre sua obra primeira, de que seria plágio ou cópia sem brilho. Veja a documentação aqui exposta, reproduzida do Jornal do Commercio, de 9 dezembro de 1931, com as atualizações impostas pela ortografia.

AOS MEUS CONTERRÂNEOS


Recorte do Jornal do Commercio
Levo à mocidade de minha terra uma explicação a respeito da História do Amazonas, de que se pretendeu arrebatar-me a autoria, insinuando-se, capciosamente, ora ser ela cópia de um livro do Sr. Bertino de Miranda Lima, ora deixando transparecer ser cópia de um livro do Sr. João Batista de Faria e Souza.
Nem de um, nem de outro. A minha História do Amazonas tem 260 páginas de texto. A Cidade de Manáos, do Sr. Bertino de Miranda Lima é um opúsculo de 117 páginas, das quais mais de 40 versam sobre história paraense.
O Sr. Bertino de Miranda Lima faleceu no Rio de Janeiro em 1919. Dos trabalhos que me serviram de fonte e vêem todos honestamente, probidosamente citados na História do Amazonas, 37 são publicações posteriores à morte daquele erudito.
O Sr. João Batista de Faria e Souza nunca escreveu uma História do Amazonas. Nem ele, nem o Sr. Bertino de Miranda Lima.
As provas do que digo? Falem os documentos que vão a seguir, inclusive o parecer que solicitei a três homens comprovadamente ilustres e competentes, desembargadores Sá Peixoto e Ricardo Amorim e reverendo padre Estélio J. D´Allison, que, em comissão, confrontaram A Cidade de Manáos, único livro do Sr. Bertino de Miranda Lima, com a História do Amazonas, de minha autoria, emitindo um parecer esmagador.


Nota: seguem os documentos expostos no periódico.