CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, dezembro 24, 2013

NATAL DE JESUS


Para saudar a festa do Natal e relembrar o saudoso padre Raimundo Nonato Pinheiro, reproduzo o texto que ele publicou em O Jornal, três dias antes do Natal de 1958. 
O Esplendor do Natal (*)

Presépio na igreja São Pedro e
São Paulo, em Brasília
Daqui a três dias raiará sobre a humanidade mais uma festa de Natal. Todos os anos o esplendor do nascimento de Jesus rompe a caligem que envolve os povos e ilumina os caminhos da Justiça que levam os homens a Deus. Recorda esse acontecimento litúrgico a vinda do Salvador à terra para libertar a humanidade do jugo do pecado. O nascimento do Divino Infante foi a abertura solene da redenção, que se consumou nas alturas do Gólgota, quando o Sangue de Cristo lavou as iniquidades do mundo.

A humanidade que nos precedeu, no Antigo Testamento, suspirava pela chegada do Messias, o Cordeiro que devia dominar o orbe. Os profetas lançaram suas predições, cujos ecos ainda se reproduzem nas páginas da Bíblia e nas vozes das comemorações litúrgicas. Ficou celebra a exclamação messiânica de Isaías, em cujos lábios vibrou o clamor de todos os povos: Rorate, coeli, desuper, et nubes pluant Justum; aperiatur terra, et germinet Salvatorem! (Derramai, ó céus, lá dessas alturas o vosso orvalho, e as nuvens façam chover o Justo; abra-se a terra e brote o Salvador). Este canto sublime, lancinante grito de um mundo algemado, constituiu-se uma espécie de estribilho para o tempo do Advento, que agora expira interpretado com expressiva sonoridade pela melodia gregoriana.

Selo comemorativo do Natal de 1959
E o Messias chegou. Veio no esplendor de uma noite fulgurante e silenciosa, apenas embalada pelas vozes angélicas, que entornaram nos ares a beleza dulcíssima daquele cântico que ficou para sempre associado ao Natal: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Quis o Salvador nascer em plena meia-noite, talvez para ressaltar mais sua qualidade culminante de Luz do Mundo, como um dia deveria proclamar peremptoriamente: Ego sum lux mundi!

Nasceu na quietude de uma noite silenciosa, talvez para acentuar a sua condição excelsa de Verbo de Deus, que trouxe a palavra viva de seu Pai Celeste, o Evangelho, palavra que deveria ser anunciada em todo o mundo. O livro da Sabedoria predisse lindamente a misteriosa tranquilidade daquela noite memorável: Enquanto todas as coisas estavam mergulhadas em profundo silêncio e a noite no seu curso ia a meio do caminho, a tua palavra onipotente, Senhor, baixou dos céus, do seu trono real. Constitui esse trecho cintilante o introito da missa do domingo dentro da oitava do Natal.

Realmente, o Messias foi essa palavra augusta, que se fez carne, na expressão curta e luminosa do evangelista São João: Et verbum caro factum est! (E o verbo se fez carne!). Que profundeza admirável, e que abismo de grandeza nessa locução do prologo de São João. Toda a Teologia gravita inquestionavelmente em torno dessa frase lapidar, que nos lembra a encarnação do Verbo Divino, que se fez homem verdadeiro, sem deixar de ser verdadeiro Deus!.

Natal de Jesus! Há quase dois mil anos celebra a humanidade o mistério esplendente dessa realidade grandiosa, que nos encanta e comove. Jamais o mundo havia sentido tão perto a presença de Deus, agora revelado na ternura de um infante, envolto em humildes palhas. É ainda o sublime Isaías que empresta à Bíblia e à liturgia sagrada a trombeta de ouro de sua palavra inconfundível: Puer natus est nobis, et filius datus est nobis (Nasceu-nos um menino, e foi-nos dado um filho!).

Não conheço tema mais fecundo e sugestivo do que o Natal de Jesus. Os papas e os bispos todos os anos haurem luzes e claridade do berço do Salvador para as suas mensagens natalinas. Pio XII, o insuperável Pio XII, que assombrou a Igreja e o mundo com o milagre de sua genialidade, durante 19 anos de sumo pontificado dirigiu à humanidade estupendas mensagens de Natal, inspirando-se sempre nos mesmos temas clássicos e inestancáveis. Suas palavras (que já nos farão falta este ano) traziam sempre o brilho e a novidade de uma aurora. Eram meditações sublimes. Eram roteiros seguros. Eram cânticos de fé e de esperança. Já não entendíamos o Natal de Jesus sem a mensagem de Pio XII. A última, do Natal de 1957, foi uma das mais soberbas, cujos acordes ainda ressoam aos nossos ouvidos.

Além do papa, os bispos costumam enviar a suas ovelhas palavras de saudação e de fé. Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, insigne cardeal-patriarca de Lisboa, desde que ascendeu àquele patriarcado, para lustre da Igreja em Portugal, todos os anos mimoseia seu dileto rebanho com uma página de Natal referta de sublimidades.

Dir-se-ia que a estrela dos magos continua a brilhar na voz e na pena dos nossos pastores, indicando o caminho de Belém e focando para os cristãos os valores sobrenaturais das verdades eternas. Afinal, é no berço de Jesus que todos vão haurir luz e esperança. Na pobreza daquelas palhas há mais riqueza do que na opulência das mais soberbas cortes, onde flamejam as purpuras dos reis.

Como a aurora rutilante espanca as trevas da noite e as sombras da madrugada com o esplendor cotidiano do sol nascente, o Natal rompe todos os anos as obscuridades que se acumulam sobre o mundo, toldando-nos a vista e roubando-nos a visão dessas verdades profundas que frutificam para a vida eterna.

Há sempre uma sensação de luz que brilha pelo Natal, irradiando das aras santas para os nossos lares, essa luz que fulgura há dois mil anos, e que já fora anunciada pelo verbo poderoso e inconfundível do já citado Isaías (9:12): Populus qui ambulabat in tenebris, vidit lucem magnum (O povo que andava nas trevas, viu uma grande luz). No Natal vivemos com mais intensidade o esplendor dessa luz. E a Igreja, inspirada nesse texto do profeta, reza ou canta no introito da Missa da Aurora: Lux fulgebit hodie super nos (Hoje uma luz brilhará sobre nós, porque nos nasceu o Senhor). (...)

Uma grande inquietação, pelo menos, aflige a humanidade: o temor de uma nova guerra. Queira Deus que a crise de Berlim não seja o estopim da terrível conflagração atômica, que destroçará a maior parte da humanidade, deixando talvez o resto em frangalhos, pelo flagelo das irradiações nucleares. Deus afaste do mundo a visão macabra desse quadro horroroso, do qual Hiroshima e Nagasaki se tornaram o horripilante vislumbre!

A esperança continua a brotar do berço do Deus-Menino. A claridade continua a provir do esplendor do Natal. A salvação continua a ser o caminho de Belém. Oxalá o esplendor dessa Lux Magna, de que nos fala o profeta Isaías, rompa mais uma vez a caligem que envolve o mundo e entenebrece as nações, de tal feitio que os homens possam retomar os caminhos da Justiça, e surja o mundo melhor que Pio XII desejou, mas não viu, um mundo de fraternidade e harmonia, de paz e de justiça social, que seja, numa palavra, a paz de Cristo no reino de Cristo!.
 
(*) O Jornal, 21 de dezembro de 1958

domingo, dezembro 22, 2013

BOMBEIROS DO AMAZONAS


Capa do livro
Trata-se do livro que escrevi, para efetuar uma retrospectiva desta instituição, surgida em Manaus há 137 anos. Como foi longo o tempo que levei para concluir esta memória, mas, enfim, saiu da gráfica na noite de quinta-feira (19). As dificuldades foram múltiplas: a inexistência de uma equipe de trabalho; apoiado pelo CBMAM, vieram os entraves burocráticos, como as substituições direcionais; concluído o texto, sobrevieram a seleção e o tratamento das imagens, com a necessidade de substituir, devido a acidentes de trânsito, o primeiro designer contratado; elaborada essa etapa, com os acréscimos de última hora, restava catar os recursos para a impressão.  E a data marcada para o lançamento, ou melhor, a apresentação deste aos “homens e mulheres do fogo” aproximando-se célere. Deu na medida!
Coronel BM Antonio Dias
Um ligeiro cálculo permite-me afirmar que desde 1993 venho trabalhando o tema. Em 1995, editei Os Bombeiros de Manaus que, diante do novo, se tornou um ensaio, um esboço. Somente em 2005, voltei ao trabalho, quando o então comandante dos Bombeiros Militares, coronel Marinho de Alcântara, contratou-me para a elaboração do texto. Tudo caminhava bem, até que a exoneração deste oficial do referido comando emperrou a conclusão da obra por outra temporada. Somente há três anos voltei ao batente sob o entusiasmo do coronel Antônio Dias e, como relatado, concluir o projeto. Assim, pois, essas diversas paradas na linha do tempo, devido aos entraves acima elencados, fizeram que este compêndio demorasse tanto.

Todavia, vencemos. Em especial pela dedicação do coronel Dias, empenhado ao extremo, mas cuidadoso com a administração que há alguns anos desenvolve no CBMAM. Às vezes, entusiasmado, eu tentei discordar, mas fui vencido, como quando recorri ao secretário de Estado da Cultura e ao presidente da Rede Amazônica. Desisti. Deixei que o coronel Dias conduzisse o processo. Foi desse modo que triunfamos. Este livro, por tantas razões e colaborações, pertence ao centenário Corpo de Bombeiros do Amazonas.

Para melhor expressar meu ponto de vista, reproduzo a Apresentação que assinei em os Bombeiros do Amazonas:


O exercício da significante função no Corpo de Bombeiros e o próprio tema que já expandi, nessa ordem, inquietaram-me. A primeira inquietação ocorreu quando servi na instituição em três situações e, a segunda, ao publicar a brevíssima retrospectiva dos Bombeiros de Manaus, em 1995. Ainda que na reserva, prossigo estimulado pela temática. Desse modo, a exploração que ora concluo
ultrapassa suficientemente a antecedente, ao recordar treze décadas de existência do serviço de extinção de incêndios na capital amazonense, núcleo básico de sua atuação.
De outro modo, creio existir um condão mágico seduzindo àquele que se relaciona com essa abnegada profissão, porque não dizer, a todos os combatentes do fogo. Daí meu reconhecimento: sofri o aludido fascínio. Os substratos deste estão assim sistematizados: anteontem, quando jovem capitão (1973) comandei o Corpo de Bombeiros, subordinado à Polícia Militar; ontem, ao retornar ao Corpo (e alma), em ocasiões bastante afortunadas. E hoje, por esta retrospectiva que entrego a você, leitor.
Para a concretização desta empresa, deste compêndio, busquei com afinco, documentos e outros elementos exequíveis; uns foram alcançados no Rio de Janeiro, onde os repositórios nacionais permitiram-me deslindar a fundação e a existência da Polícia Militar do Amazonas. Com semelhante intento estagiei em Belém do Pará, onde manuseei ou pus os olhos em centenários apontamentos. Pa-
tenteei, pois, com os papéis examinados, a saga desses bombeiros, aos quais, sem distinção externo meu profundo apreço.
Devo acrescentar que nesta obra, observei o relato cronológico dos fatos zelando pelos fundamentos básicos da corporação. Do efetivo geral; dos comandantes; das repetidas transferências devido às mudanças políticas; dos vencimentos; e por aí afora. E ainda há muito a relatar. Declaro, enfim, que o livro não me pertence com exclusividade - porque aqui e ali reproduzo citações honrosas e transcrições jornalísticas. E não foram poucas!
Estruturei esta obra em três fases: a primeira, mais alongada, narra desde a criação do serviço de extinção de incêndios até meados do século passado, cujo balizamento foi a passagem desse ofício para a competência da Prefeitura de Manaus. A segunda, iniciada em 1951, prospera até 1973, quando o Corpo de Bombeiros de Manaus foi incorporado à Polícia Militar do Amazonas. A terceira,
com duração de 25 anos, cobre a responsabilidade do Estado com os serviços, enquanto competência da Força Pública.
A partir de 1998 abre-se novíssima idade, quando o encargo do combate ao fogo prossegue com o Estado, porém, desvinculado da Polícia Militar, a corporação dos Bombeiros veleja autônoma.
Sou agradecido aos "companheiros de viagem", àqueles que contribuíram de qualquer modo para a concretização desta retrospectiva. O primeiro, sem dúvidas, é o "civil folgado" Ed Lincon. Ed vestiu a camisa, o boné, avermelhou-se de bombeiro, por isso, qual a todos os bombeiros, é um herói.
Fogo!,  assim se saúdam os Bombeiros. A mesma saudação para a Sandra Assayag, funcionária do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, pelo apoio dispensado, ontem e hoje. Ao sargento Jorge Medeiros, que mantém o arquivo desta corporação
com dedicação e zelo.


Agradeço ao Antônio Matos, subtenente, e ao Jocemar Luís P. Marcos, soldado, ambos do arquivo-geral do Centro Histórico e Cultural do Corpo de Bombeiros Militar (RJ) o adjutório dispensado. Ainda, a Salete Lima, da Fundação Dirson Costa, pela gravação das entrevistas, e ao Carlos Navarro, pelas fotografias elaboradas. Finalmente, aos familiares de combatentes do fogo que, entre fortes emoções e copiosas lágrimas, me emprestaram suas lembranças para tornar bem mais crível esta retrospectiva.
Fogo!

segunda-feira, dezembro 16, 2013

CINQUENTANOS (4)



Padre Nonato Pinheiro, em A Notícia, 1975
Quatro lembranças afluem nesta publicação: o matutino O Jornal que, então predominava na imprensa amazonense, hoje desaparecido; o padre Nonato Pinheiro, presente com seus escritos nas páginas do periódico da família Archer Pinto; o aniversário do deputado Roberto Jansen, jornalista de respeito, que desapareceu pelo caminhos de Brasília; e, por fim,  a homenagem aos 15 anos de Maria das Graças, filha de Osmar Pedrosa.
Apenas não se tem notícia do falecimento desta debutante, os demais já passaram à eternidade.
Aproveito para anunciar que uma equipe de abnegados trabalha no espólio literário do saudoso acadêmico padre Nonato Pinheiro. A intenção é republicar esse material, a partir do próximo ano, quando este sacerdote completa 20 anos de falecimento.
Dois poemas desse legado são aqui expostos. Curiosamente, ambos completam 50 anos; aquele que saúda o aniversário do deputado ocorreu ontem. O da princesa rosa, amanhã.  
Aniversário
O Jornal, 15/12/1963 

Para o amigo deputado Roberto Jansen,
pela passagem do seu aniversário 

 

O dia em que nascemos é festivo,
E ao voltar cada ano o celebramos,
Inda que a vida traga desenganos
E duras provações, sem lenitivo... 

E quantas vezes fico pensativo,
A contemplar o decorrer dos anos,
Na maioria autênticos tiranos,
Com seu jugo fatal e imperativo... 

Quem não tem sua cruz e seu Calvário,
Contando as horas cheias de amargura
No relógio de um triste campanário?! 

E apesar disso a ingênua criatura
Inda festeja o seu aniversário,
Que é mais um passo para a sepultura!...
 

O botão de rosa 

O Jornal, 17/12/1963
 

Comemorando os quinze anos de
Maria das Graças de Assunção Pedrosa 

 

Após risonha e leda meninice,
Quinze anos de existência hás alcançado.
Conservando esse raro predicado
De ser mulher sem nímia faceirice. 

Na  graça da ternura e da meiguice
Manténs o coração alcandorado,
E sei que guardarás como legado
As virtudes cristãs de Dona Eunice! 

Que os céus te mandem bênçãos, ó Maria,
Para seres no mundo venturosa,
Nobre na dor e sóbria na alegria! 

De ouro se banha o lar de Osmar Pedrosa,
Porque na luz de tão festivo dia
Um  mimoso botão tornou-se rosa!...

domingo, dezembro 15, 2013

WALDIR GARCIA


Faculdade de Direito do Amazonas,
1969
Recorro ao saudoso mestre Waldir Garcia que, em seu livro À Sombra dos igapós, relembra a sua turma na Faculdade de Direito, turma de 1946, da qual ainda se encontra morando em Brasília-DF o poeta Aureo Mello.
 
QUARENTA ANOS DEPOIS
No ano de 1942 após aprovação no 2º ano do Curso Complementar Pré-Jurídico, no Colégio Dom Bosco de Manaus, submetemo-nos à exame vestibular e ingressamos na vetusta Faculdade de Direito do Amazonas. Cinco anos após, concluímos o curso seriado.
Nossa turma, que teve como orador o José Lindoso, era assim constituída: Antônio Barbosa de Amorim Tupinambá, Aury Góis da Silva, Áureo Bringel de Mello, Edílio Ribeiro de Farias, Francisco Zenon Teófilo Lessa, José Bernardino Lindoso, José Ivan de Hugo Silva, Kideniro Stephenson Teixeira, Mário Ypiranga Monteiro, Mário Silvio Cordeiro de Verçosa, Mozart Cervinho Martins, Mateus da Silva, Neper Antony e Waldir Garcia.
De posse dos diplomas de Bacharéis em Direito, a turma partiu para o exercício da vida profissional, e pouco a pouco fomos medrando os mais altos postos da vida pública do Estado.

Escola Técnica Federal do Amazonas, anos 1960
 
Antônio Barbosa de Amorim Tupinambá fez concurso para Fiscal de Consumo e hoje está aposentado como Inspetor de Rendas da União. Reside em São Paulo.

Aury Góis da Silva, exímia cronista social, que assinava sob o pseudônimo de "Thais", destacou-se na vida social. Foi diretora do Departamento Feminino do Atlético Rio Negro Clube, e durante mais de 20 anos promoveu a Festa das Debutantes daquela agremiação, com invulgar sucesso. Funcionária destacada da Universidade do Amazonas, para tristeza nossa faleceu no corrente ano (1986).
Áureo Bringel de Mello é procurador autárquico. Foi deputado federal pelo estado da Guanabara. Poeta, escritor, jornalista profissional e político militante.
Edílio Ribeiro de Farias não militou na advocacia. Optou, entretanto, pela profissão de Despachante, onde se houve com invulgar sucesso.
Francisco Zenon Teófilo Lessa seguiu a carreira bancária. Foi gerente do Basa em várias cidades e está aposentado.
José Bernardino Lindoso: advogado, professor titular da Universidade do Amazonas. Foi secretário de Estado de Educação e Cultura, deputado federal, senador da República e Governador do Amazonas (1979-82). Escritor e membro da Academia Amazonense de Letras.
José Ivan de Hugo Silva: advogado militante e escritor de obras jurídicas. Reside, atualmente, no Rio de Janeiro.
Mário Ypiranga Monteiro: professor, escritor, historiador emérito. Membro destacado da Academia Amazonense de Letras, sodalício que preside com invulgar proficiência.
Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa: professor universitário, desembargador decano do Tribunal de Justiça do Estado. Já foi presidente do Tribunal três vezes, e interventor do mesmo Tribunal de janeiro a maio do corrente ano. Foi Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Amazonas de 1962 a 1977 e presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, em 1969. É escritor, com três obras publicadas.
Mozart Cervinho Martins foi juiz substituto da Capital. Faleceu no ano passado (1985).
Mateus da Silva é procurador jurídico da Prefeitura Municipal de Manaus. Estudioso de História da Civilização,  é considerado o maior egiptólogo existente no Amazonas.
Neper Antony: advogado brilhante e festejado jornalista, como tal destacado desde seu tempo de estudante, como colaborador da "Página Escolar" do Colégio D. Bosco, tendo merecido, por isso, elogiosas referências do então Diretor, Pe. Estélio Dálison. Nos seus escritos diários, Neper expressa a verdadeira função do jornal, que no dizer de Walter Ramos Poyares é, em resumo, "expor o homem ao homem todos os dias".
Waldir Garcia: professor decano da Escola Técnica Federal do Amazonas; membro do Conselho Estadual de Educação e conselheiro da OAB/AM. Foi juiz substituto da Capital; juiz Auditor Militar do Estado; secretário de Estado de Educação e Cultura e de Segurança Pública em Roraima, onde assumiu por diversas vezes, como substituto, o Governo daquele Território. Foi, também, diretor eleito da Escola Técnica Federal do Amazonas. É advogado militante.
Nossa formação jurídica devemo-Ia aos insignes mestres: Souza Brasil, Análio de Rezende, Manoel Barbosa, Augusto de Rezende Rocha, Sócrates Bonfim, Sadoc Pereira, Adriano Queiroz, Davi Alves de Melo, Raimundo Nonato de Castro, Abdul Sayol de Sá Peixoto, Henoch Reis, Cunha Costa, Alfredo Costa, Afonso Elvas Cordeiro e Tomás de Carvalho.
Eis, pois, numa visão rápida, os caminhos percorridos pelos Bacharéis em Direito de 1946, turma que, sem falsa modéstia, tem honrado e dignificado o nome da tradicional Faculdade de Direito do Amazonas. É o que se constata, Quarenta Anos Depois (1986), na efeméride comemorada pelos bacharéis em Direito de 1946, num lauto jantar de confraternização no dia 14 do fluente.