CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, novembro 20, 2019

ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO AMAZONAS



Onde andarão os jovens atletas de futsal, ontem de futebol de salão, que –há exatos 50 anos– lavraram sob a baixa temperatura sulista uma excelente página para a história da antiga Escola Técnica, cujo ensino tanto evoluiu que se tornou uma Escola Superior (IFAM).
A aventura foi relatada pelo “enviado especial” de A Crítica, Ricardo Bessa, estampado na edição de 20 de novembro de 1969. Os nomes da embaixada esportiva ficaram pela metade, incompletos. Somente os dos jogadores, ainda assim, os de quadra. Deles, lembro apenas o do Torrado, que se aventurou pelo futebol profissional. Quem dirigiu a delegação? E o médico? 

Este achado me obrigou a procurar aquela Casa de Ensino, quem sabe, possa ali encontrar algum registro mais plausível dessa maratona. Assim prometo!

Ilustração da reportagem, sem identificação dos membros da
delegação (A Crítica, 20 nov. 1969)
Toda a saudade da cidade de Manaus, a acentuada diferenciação climática e a fadiga de uma viagem heroica, foram as dificuldades encontradas pela delegação da Escola Técnica do Amazonas, que representou muito bem nosso Estado nos IV Jogos de Estudantes Brasileiros do Ensino Industriai (JEBEI-4), realizado na cidade de Pelotas – Rio Grande do Sul.
Superando todos esses imprevistos, os amazonenses brilharam no Sul, conquistaram vitórias difíceis e mostraram aos estudantes do extremo Sul como se vive em Manaus; beneficiados por uma Zona Franca e sobre a amizade de um povo bastante hospitaleiro. O Amazonas classificou-se na JEBEI, venceu quatro Estados, inclusive os próprios gaúchos, destacando, enfim, o nosso Estado em todas as maneiras necessárias.

SHOW NO GELO
Até os sulistas condenavam o clima que no momento imperava na cidade de Pelotas. A temperatura baixou a 6 graus. O pessoal do Norte é quem mais sofria. Nos dois dias de realizações, ninguém conseguia sair para as quadras. Os amazonenses foram escalados para jogar no segundo dia contra o Maranhão. Caía neve na quadra da AABB e o Amazonas deu show no gelo. O Maranhão derrotado por um placar de 1x0, passou a ser considerado o GELAR de Pelotas.
Era a nossa primeira vitória, uma estreia no gelo. Não tínhamos aparelhos para esquiar, mas a bola corria de pé em pé. A temperatura subiu para 7 graus, e tivemos que enfrentar os gaúchos de Parobé. Nos ataques gaúchos quase sempre a nossa defesa ficava paralisada, mas de frio, e surgia a oportunidade para nosso goleiro, Raimundo Silva, classificar-se como o melhor de todo o JEBEI.
Iniciamos com um tento a zero, mas o final foi de 3x2 em nosso favor. A equipe amazonense venceu com: Raimundo, Zé Raimundo, Lourival (Zé Paulo), Walmir (Lucio), Paulinho (Torrado).
Começamos a jogar de manhã e à noite, sempre ganhando com dificuldade, lutando por um destaque. No mesmo dia, saímos para enfrentar o Piauí que vinha de uma campanha muito boa e já havia participado de diversos encontros desportivos. Era o primeiro que participávamos. Não tememos, e vencemos por 4x1. Daí, os amazonenses começaram a ser olhados com mais respeito e seriedade. Também iniciou a divulgação de nosso Estado. Muita gente procurava os amazonenses para saber sobre o Amazonas. Lá se desconhece o nosso modo de vida, a nossa civilização etc.
Partimos para uma quarta atuação e nossa equipe, até os reservas já estavam esgotados e então jogamos contra Alagoas já sem condições e somente por amor ao nosso Estado. Devido a longínqua distância, os Amazonenses participaram apenas de futebol de salão, composta de nove atletas. Contra o Alagoas só éramos três em forma, os outros 6 estavam quebrados sem poderem ao menos movimentarem-se. Jogamos desfalcados, mas conseguimos com muito esforço e boa vontade implantar um placar de 2X1 nos alagoanos.
Daí passamos a ser sucessos e éramos admirados por todos e visados por Espírito Santo e São Paulo que, igualmente a nós, já se encontravam classificados. Fomos para a final. Ou não fomos, porque ordem do departamento médico era que ninguém poderia jogar, todos estavam no estaleiro, esmagados e sem condição de jogar. Então tivemos que nos conformar com a classificação, já que nossa meta era o campeonato. Mas o médico proibiu e disse que não se responsabilizava quem teimasse e jogasse. Ganharíamos facilmente de São Paulo, mas não fomos à quadra. Nem mesmo andar a turma conseguia.

VIAGEM HEROICA
A delegação Amazonense composta de nove atletas, um assistente técnico, um dirigente e um repórter de A Crítica, saiu de Manaus dia 24 do mês anterior até a cidade de Fortaleza, donde, irmanados com colegas do Ceará, iniciaram uma viagem heroica. Treinou em Fortaleza com a Escola Técnica local, e venceu por 12x0. O repórter não mandou a notícia porque o leitor pensaria não ser verídica. O treino deu início as movimentações da Escola do Amazonas. Passamos quatro dias ainda no Ceará, saindo em seguida para uma viagem por rodovia até ao outro extremo do País.
Passamos por 28 cidades, atravessamos os Estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, S. Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Foi uma viagem cansativa de cinco dias e quatro noites, noites sofridas de frio. Em Santa Catarina, paramos a viagem. Caía neve, e não tivemos condição de continuar. Uma viagem saudosa e de clima as [ilegível] cidade de Manaus, a acentuada diferenciação climática e a fadiga da viagem foram compensadas pelo ambiente festivo e empolgante desta grande realização cívico-desportiva do Ensino Industrial.
Vale ressaltar a boa realização dos dirigentes da Escola Técnica do Amazonas em lutar para que o Amazonas participasse dessa união de estudantes brasileiros. Pela primeira vez a nossa Escola participou de Jogos assim, isso representa o início dos trabalhos de uma nova diretoria, que luta pelo o engrandecimento da Escola Técnica Federal do Amazonas.

terça-feira, outubro 31, 2017

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ (II)

Escola Técnica Federal, hoje Ifam
Mais uma nota para assinalar a evolução dos Testemunhas de Jeová, na cidade de Manaus. Ontem, em abril de 1983, a assembleia foi realizada em edificação de terceiros, como a mencionada, na então Escola Técnica de Manaus.

Congresso em julho 2016




Hoje, as assembleias são realizadas no centro próprio, construído para esse fim, para acolher com dignidade e conforto um número considerável de irmãos. O centro é ocupado quase o ano inteiro, diante da expansão de seus adeptos. 




Testemunhas de Jeová encerram assembleia

As Testemunhas de Jeová encontram-se reunidas em Assembleia, com a duração de dois dias, desde ontem, em Manaus, no Ginásio de Esportes Elias Jacob Benzecry, da Escola Técnica Federal do Amazonas.

O evento que é realizado pelas Testemunhas periodicamente tem como tema principal: TORNEMOS MANIFESTA A VERDADE EM NOSSA VIDA.

No decorrer do programa de ontem, muitos pontos básicos foram destacados, onde o lema foi a importância que as Testemunhas dão ao viver segundo os preceitos de Deus, de acordo com os ensinamentos bíblicos.

Recorte de O Jornal, 3 abril 1983


O orador principal foi J.M. Souza, representante viajante da Torre de Vigia, de São Paulo, onde ao proferir seu discurso básico: Tornemos manifesta a Verdade em nossa Vida, deixou bem claro a fórmula específica de se fazer isso, por meio de nossos ATOS e AÇÕES aplicando na vida todas instruções emanadas de Deus mediante a sua palavra, a Bíblia.

Também houve o Batismo e a imersão de novas Testemunhas, onde em seu discurso o orador J. Jakuboski, mostrou para todos os presentes que SUA DEDICAÇÃO REQUER LEALDADE, e lealdade a Deus é o requisito básico na vida do verdadeiro cristão.

Hoje prosseguirá o programa desta assembleia, onde muitos outros pontos serão destacados no decorrer, através dos oradores que falarão sobre muitos temas importantes:
1. As Escrituras foram escritas para nossa Instrução.
2. Viva com bom Juízo na época atual.
3. Ande ordeiramente na verdade com a organização de Jeová.

O clímax deste conclave será às 16:00 horas, quando o representante especial das Testemunhas de Jeová falará o palpitante tema: Como a verdade influencia a sua Vida.

Todos estão sendo convidados e serão bem-vindos. A entrada é franca e não se faz coletas.

PROGRAMA DOMINGO DIA 03/04/83

Às 10:00 horas - Discurso inicial, tema: As Escrituras foram escritas para nossa Instrução. Orador: A. M. Silva.
Às 10:15 horas - Discurso, com tema: Mostre Respeito pela Congregação de Jeová. Orador: J. M. Seabra.
Às 16:00 horas - Discurso público, tema: Como a Verdade influencia a sua Vida. Orador. J. M. Souza, representante especial da Sociedade Torre de Vigia (S. Paulo).
Às 17:30 horas – Discurso, com tema: Viva com bom juízo na época atual. Orador. V. G. Carvalho, superintendente de Circuito.

Às 18:00 horas - Discurso de encerramento, tema: Ande ordeiramente na verdade com a organização de Jeová. Orador: J. M. Souza, superintendente de Distrito. 

domingo, dezembro 15, 2013

WALDIR GARCIA


Faculdade de Direito do Amazonas,
1969
Recorro ao saudoso mestre Waldir Garcia que, em seu livro À Sombra dos igapós, relembra a sua turma na Faculdade de Direito, turma de 1946, da qual ainda se encontra morando em Brasília-DF o poeta Aureo Mello.
 
QUARENTA ANOS DEPOIS
No ano de 1942 após aprovação no 2º ano do Curso Complementar Pré-Jurídico, no Colégio Dom Bosco de Manaus, submetemo-nos à exame vestibular e ingressamos na vetusta Faculdade de Direito do Amazonas. Cinco anos após, concluímos o curso seriado.
Nossa turma, que teve como orador o José Lindoso, era assim constituída: Antônio Barbosa de Amorim Tupinambá, Aury Góis da Silva, Áureo Bringel de Mello, Edílio Ribeiro de Farias, Francisco Zenon Teófilo Lessa, José Bernardino Lindoso, José Ivan de Hugo Silva, Kideniro Stephenson Teixeira, Mário Ypiranga Monteiro, Mário Silvio Cordeiro de Verçosa, Mozart Cervinho Martins, Mateus da Silva, Neper Antony e Waldir Garcia.
De posse dos diplomas de Bacharéis em Direito, a turma partiu para o exercício da vida profissional, e pouco a pouco fomos medrando os mais altos postos da vida pública do Estado.

Escola Técnica Federal do Amazonas, anos 1960
 
Antônio Barbosa de Amorim Tupinambá fez concurso para Fiscal de Consumo e hoje está aposentado como Inspetor de Rendas da União. Reside em São Paulo.

Aury Góis da Silva, exímia cronista social, que assinava sob o pseudônimo de "Thais", destacou-se na vida social. Foi diretora do Departamento Feminino do Atlético Rio Negro Clube, e durante mais de 20 anos promoveu a Festa das Debutantes daquela agremiação, com invulgar sucesso. Funcionária destacada da Universidade do Amazonas, para tristeza nossa faleceu no corrente ano (1986).
Áureo Bringel de Mello é procurador autárquico. Foi deputado federal pelo estado da Guanabara. Poeta, escritor, jornalista profissional e político militante.
Edílio Ribeiro de Farias não militou na advocacia. Optou, entretanto, pela profissão de Despachante, onde se houve com invulgar sucesso.
Francisco Zenon Teófilo Lessa seguiu a carreira bancária. Foi gerente do Basa em várias cidades e está aposentado.
José Bernardino Lindoso: advogado, professor titular da Universidade do Amazonas. Foi secretário de Estado de Educação e Cultura, deputado federal, senador da República e Governador do Amazonas (1979-82). Escritor e membro da Academia Amazonense de Letras.
José Ivan de Hugo Silva: advogado militante e escritor de obras jurídicas. Reside, atualmente, no Rio de Janeiro.
Mário Ypiranga Monteiro: professor, escritor, historiador emérito. Membro destacado da Academia Amazonense de Letras, sodalício que preside com invulgar proficiência.
Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa: professor universitário, desembargador decano do Tribunal de Justiça do Estado. Já foi presidente do Tribunal três vezes, e interventor do mesmo Tribunal de janeiro a maio do corrente ano. Foi Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Amazonas de 1962 a 1977 e presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, em 1969. É escritor, com três obras publicadas.
Mozart Cervinho Martins foi juiz substituto da Capital. Faleceu no ano passado (1985).
Mateus da Silva é procurador jurídico da Prefeitura Municipal de Manaus. Estudioso de História da Civilização,  é considerado o maior egiptólogo existente no Amazonas.
Neper Antony: advogado brilhante e festejado jornalista, como tal destacado desde seu tempo de estudante, como colaborador da "Página Escolar" do Colégio D. Bosco, tendo merecido, por isso, elogiosas referências do então Diretor, Pe. Estélio Dálison. Nos seus escritos diários, Neper expressa a verdadeira função do jornal, que no dizer de Walter Ramos Poyares é, em resumo, "expor o homem ao homem todos os dias".
Waldir Garcia: professor decano da Escola Técnica Federal do Amazonas; membro do Conselho Estadual de Educação e conselheiro da OAB/AM. Foi juiz substituto da Capital; juiz Auditor Militar do Estado; secretário de Estado de Educação e Cultura e de Segurança Pública em Roraima, onde assumiu por diversas vezes, como substituto, o Governo daquele Território. Foi, também, diretor eleito da Escola Técnica Federal do Amazonas. É advogado militante.
Nossa formação jurídica devemo-Ia aos insignes mestres: Souza Brasil, Análio de Rezende, Manoel Barbosa, Augusto de Rezende Rocha, Sócrates Bonfim, Sadoc Pereira, Adriano Queiroz, Davi Alves de Melo, Raimundo Nonato de Castro, Abdul Sayol de Sá Peixoto, Henoch Reis, Cunha Costa, Alfredo Costa, Afonso Elvas Cordeiro e Tomás de Carvalho.
Eis, pois, numa visão rápida, os caminhos percorridos pelos Bacharéis em Direito de 1946, turma que, sem falsa modéstia, tem honrado e dignificado o nome da tradicional Faculdade de Direito do Amazonas. É o que se constata, Quarenta Anos Depois (1986), na efeméride comemorada pelos bacharéis em Direito de 1946, num lauto jantar de confraternização no dia 14 do fluente.

segunda-feira, novembro 11, 2013

À SOMBRA DOS IGAPÓS


Capa do livro
Waldir Garcia, juiz e educador, nascido em Silves (AM) registrou no livro de crônicas À sombra dos igapós (Manaus: Imprensa Oficial, 1987) uma série de fatos não apenas de sua cidade natal, mas igualmente de sua atividade em Manaus. O livro traz ilustrações do competente artista Edemberg Jr.

Bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas (turma 1946), Garcia aposentou-se como magistrado, depois de passar pela Auditoria Militar da PMAM, na condição de juiz. Foi nesta atividade castrense que o conheci. Depois, ele foi guindado a secretário de Estado da Educação pelo governador José Lindoso (1979-82).


Mestre e diretor da então Escola Técnica de Manaus, Garcia escreveu várias crônicas sobre este estabelecimento de ensino. Tomei de seu livro a crônica abaixo para relembrar o saudoso professor e eminente magistrado.

Contribuição de Silves para os eventos históricos pátrios


No dia 7 de setembro fluente encontrava-me em Silves em companhia dos diletos amigos José Menezes Ribeiro e Afonso Lima e de seus filhos Marco Aurélio e Edson, e assisti ao desfile dos estudantes saracaenses pelas ruas principais e o enaltecimento da efeméride feito por um professor local. Os estudantes, em fila e em ordem, empunhavam bandeirinhas do Amazonas e do Brasil, sob a entonação de hinos patrióticos emitidos por possante alto-falante.
Ilustração de Edemberg Jr.
Aquele acontecimento tocou-me a sensibilidade cívica e glebária, e, naquele momento, comecei a recordar a história da fundação de Silves em meu solilóquio, a coragem de frei Raimundo da Ordem das Mercês ao enfrentar corajosamente os ataques dos caboquenas, bararurus e guanavenes; o grande massacre dos indígenas da região pelo ferocíssimo selvaticida Pedro da Costa Favela; a heroica resistência de Silves à investida dos cabanos; o alusitanamento do município por Melo Póvoas; o romance "O Missionário", de Inglês de Sousa, reconstruindo a vida pacata da cidade em excelente obra de ficção, que mereceu os mais destacados encômios da crítica nacional; o esforço de Lauro Garcia e de Renato Farias de Almeida para traçar-lhe o perfil histórico; para, enfim, deter-me em dois fatos que merecem ser recordados neste setembro, de tanta evocação cívica.
O primeiro deles é o que se refere à iniciativa da Câmara Municipal de Silves que, em 1818, instada pelo último governador colonial do Amazonas, o coronel Manoel Joaquim do Paço e percebendo que a Capitania tinha como dos males maiores que a infelicitavam a sujeição ao Pará, em memorial dirigido a D. João VI, solicitou a autonomia da Capitania do Amazonas, o que veio apressar a promulgação da Lei nº 582, de 5 de setembro de 1850, que elevou o Amazonas à categoria de Província.

O segundo fato foi a adesão de Silves à Constituição Política Portuguesa, narrado em substancioso trabalho de pesquisa histórica da lavra do conceituado, inteligente e culto historiador amazonense, que é o Dr. Geraldo de Macedo Pinheiro. Conta-nos ele:

"Dia 24 do mês de julho do ano da graça de 1823, o Brasil, nessa época, já se tornara independente de Portugal, mas a alvissareira notícia que empolgou o ânimo de todos os brasileiros ainda não chegara a Silves”.
"A longa distância que se encontrava das Cortes e os sucessos e motins políticos que tinham curso em Belém, concorreram para que em
junho de 1823 os habitantes de Silves jurassem obediência à Constituição Política Portuguesa, de conformidade com o que preceituava o decreto real de 10 de outubro de 1822."

"Na igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, logo depois do cerimonial católico da missa cantada, como era de praxe naquele
tempo em todas as solenidades cívicas, foi processado o juramento solene, com a presença de todas as autoridades eclesiásticas, civis, militares, empregados públicos e do povo, perante as mãos sagradas do vigário Nuno Alves do Couto".

"As palavras que foram pronunciadas com ênfase transcreveu-as o escrivão da Câmara, Antônio R. Teixeira da Cunha, no auto que lavrou: Juro guardar, e fazer guardar, a Constituição Política da Monarquia Portuguesa, que acaba de decretar as Cortes Constituintes da mesma nação".

"Mais de 30 assinaturas constam do documento em foco, encabeçadas pelo vigário Nuno Alves do Couto, por si e como procurador de frei José Alves da Chagas e do padre João Pedro Pacheco. Seguem-lhe o cabo de esquadra da milícia, Alexandre Antônio Coimbra; o presidente da Câmara, Ciríaco Francisco; os camaristas João Evaristo Roiz, Preto e Felizardo Ferreira Gato; o substituto Manuel Antônio Gouveia; o procurador Pedro José Teixeira; o servente Aulete Antônio da Costa; o escrivão Antônio Lins Teixeira da Cunha; o arrecadador João Ramos de Oliveira, como procurador do juiz ordinário João José Dias; o tenente Crispim Lobo de Macedo como procurador do juiz substituto Joaquim da Fruta Chaves; o tesoureiro do selo Luiz José Coelho; os juízes de julgado Luiz José de Azevedo e Manoel Antônio Cidade; o capitão do 9º Regimento da 2ª linha, comandante no lugar Maués, Fabio José da Serra; ainda o tenente Crispim Lobo de Macedo; o alferes Henoch Friglono Peroglon Calle; o cavaleiro fidalgo da Casa Real Manoel da Silva Xavier; Luiz José de Azevedo, como procurador de d. Leonor da Cunha Xavier, o alcaide João da Costa, os porteiros João Francisco da Silva e Antônio Zacarias e, finalmente, os elementos do povo em número limitado".
Esses fatos tão significativos, sob o ponto de vista histórico, são o testemunho maior da contribuição de Silves para os eventos pátrios que se comemoram sob o mais caloroso entusiasmo cívico neste setembro canicular, revelando a disciplina e o patriotismo de um povo ordeiro e inflamado pelas nobres causas do nosso Amazonas e do Brasil.

domingo, julho 10, 2011

ESCOLA TÉCNICA DO AMAZONAS: ONTEM E HOJE (II)

Waldir Garcia,
que foi diretor da ETFA,
publicou este trabalho no Jornal do Commercio,
 Manaus, 5 out. 1971 

O Jornal, Manaus, 1.º out. 1961
É oportuno recordar, por outro lado, professores e funcionários que se encontram afastados da Escola, a quem deram muito de sua capacidade intelectual e operosidade funcional em prol da educação da mocidade amazonense. Como os professores Kideniro Stefesson Teixeira; Carlos Lopes Rodrigues; Iranaris Ferreira da Silva; João Segismundo Liberal; Raimundo do Espírito Santo; Maria Leonor Vasconcelos de Castro; Azélia Poggi Sampaio; Olga Falcone da Silva; Hosannah da Silva Guedes; Ritta Alves da Conceição; Raimundo Juliano Rego; Domingos da Cunha Elvas; Desirée Jansen da Silva; Carlos Garrido Teixeira e tantos e tantos.

Hoje, a Escola Técnica Federal do Amazonas adota métodos educacionais condizentes com a fase de mudança por que passa a sociedade contemporânea. Procura auscultar as tendências vocacionais e instituir cursos técnicos necessitados pelas contingencias da vida industrial incipiente, mas com perspectivas da afirmação e continuidade.
Diretor Hildemar Paes Barbosa
O Jornal, 8 maio 1949

Considera “que é preciso fazer sentir a todos os jovens, que não é necessário ser doutor para ajudar este país a crescer; que o técnico de nível médio é tão importante quanto o de nível superior; que é imprescindível romper a atual estrutura que só dá valor à inteligência verbal, deixar para trás a escola discursiva, a do ensino acadêmico orientado às escolas sueriores”.

A Escola se preocupa com uma reformulação que possibilite integrar o jovem, de maneira mais rápida possível, no processo de desenvolvimento nacional. Com este propósito, a Escola Técnica Federal do Amazonas se enquadra no entendimento de que a educação é o nosso primeiro problema nacional: primeiro, porque o mais urgente; primeiro, porque solve todos os outros; primeiro, porque, resolvido, colocará o Brasil a par das nações mais cultas, dando-lhe proventos e honrarias e lhe afiançando a prosperidade e a segurança; e, se assim faz-se o primeiro, na verdade se torna o único.


E como primeiro e único problema, já Aristóteles, o discípulo maior que o mestre, dirigiu este aviso a todos os povos imprevidentes: “Ninguém contestará que a educação deve ser um dos principais objetos do estudo dos governos, porque todos os estados que o desprezaram caíram em ruína”.

Edição comemorativa, O Jornal, Manaus, 8 maio 1949
Vinte e três séculos depois, o presidente Coolidge, dos Estados Unidos, haveria de externar o mesmo conceito, não com a advertência do estagirita, mas com a serenidade de uma consciência desempenhada e o mais justo orgulho patriótico: “Não se admire ninguém de ver a America do Norte tranquila, enquanto o resto do mundo se emprega nas tormentas. Esta glória a devemos aos nossos colégios e às nossas universidades!... Não há grande povo que não possua grande saber”.

Nós também seremos um grande povo, redimidos pela educação, e a Escola Técnica Federal do Amazonas, nos seus 61 anos de existência gloriosa, cumpre com eficiência a tarefa que lhe cabe, na construção do grande Amazonas e do Brasil grande.

Nota própria:
A Escola continua evoluindo, seguindo os ditames da Ministério da Educação. Hoje, já tendo ultrapassado o primeiro centenário de funcionamento, intitula-se Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), com o privilégio de escola de terceiro grau.
Sua sede continua à avenida Sete de Setembro, mas há outros estabelecimentos subordinados.

sexta-feira, julho 08, 2011

ESCOLA TÉCNICA DO AMAZONAS: ONTEM E HOJE (I)

Waldir Garcia

O primeiro conselho de representantes da Escola Técnica Federal do Amazonas foi empossado pelo saudoso professor doutor Aderson Andrade de Menezes, devidamente credenciado pelo ministro da Educação, em dezembro de 1960, e constituído dos industriais Isaac Benayon Sabbá, Mário das Neves Guerreiro, Armando Mesquita, dos engenheiros Antonio Carlos Rhossard Guimarães e Elias Morkazel e do professor José Dias Barbosa, seu primeiro presidente.

Jornal do Commercio, 1970
A partir da reforma do Ensino Industrial de 1959, a Escola Técnica Federal do Amazonas vem experimentando reformas radicais em sua estrutura pedagógica-didática. Assim é que, a partir de 1962, passaram a funcionar os cursos técnicos. O primeiro deles foi o de eletrotécnica, criando-se, posteriormente, os de edificações e estradas, e, a partir de 1972, funcionará o curso técnico de eletrônica, com equipamento já instalado.

Consta-se que quando da instalação da velha Escola de Aprendizes Artífices, o então secretário de Estado, senhor Antonio Teixeira, fazia “via sacra” pelo bairro da Cachoeirinha, implorando aos pais de jovens em idade escolar, que matriculassem seus filhos na nova Escola Profissional, que funcionou, inicialmente, com apenas três alunos.
Hoje a Escola Técnica Federal do Amazonas, com sua capacidade didática ampliada, instalações e equipamentos renovados, conta com 1.999 alunos regularmente matriculados nos diversos cursos, assim distribuídos:


Ginásio industrial................. 363
Técnico de edificações.......... 419
Técnico de eletrotécnica....... 264
Técnico de estradas............. 153 ................ 1.999


A Escola conta, ainda, com um Conselho de Professores, como órgão consultivo e deliberação pedagógica-didática, presidido pelo diretor executivo e constituído dos seguintes titulares: professores Alfredo Barbosa Salermo, Carlos Alberto Rocha, Edson Alves Pereira, Elias Abdalla Aucar, Geraldo Bonates Bezerra, Helio Prestes Assayag, Jorge Humberto Barreto, Waldir Garcia e Manoel do Carmo Chaves Neto.
Moacir Andrade, Jornal do
Commercio, 1970

Durante seus 61 anos de existência, que comemora com jubilo neste 1.º de outubro de 1971, pela Escola Técnica Federal do Amazonas já passaram alunos que se notabilizaram na vida profissional e se destacaram nas funções que exercem, sendo oportuno recordar, dentre outros, o saudoso professor [Pedro] Silvestre da Silva, fundador do Colégio Brasileiro de Manaus; professores Pojucan Rafael de Souza; Ildefonso Olindo dos Santos e José Dias Barbosa, já aposentados; doutor Agnus Carvalho Veloso, atual vice-diretor da Receita Federal; Afonso Pereira Lima, atual gerente da Nestlé, em Manaus; o famoso massagista Raimundo (Dico) Paiva; o atual diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas, engenheiro Orlando Cabral Holanda; além de professores em atividade na Escola, como Moacir Couto de Andrade. Hélio Prestes Assayag, José Orestes de Holanda, Alfredo Barbosa Salermo e muitos e muitos. 

Os dados acima explicam, por si sós, a grande procura da atual Escola Técnica Federal do Amazonas, que conta com um corpo docente seleto e com uma direção de grande visão pedagógica e administrativa. Seu Conselho de Representantes é presidido pelo industrial Elias Jacob Benzecry e constituído dos engenheiros Gerson Skrobot, Ernani Vilar Parente da Câmara, do industrial Américo Ernesto Pinho e dos professores Ataíde Dias ferreira e João Lupercinio de Sá Nogueira Filho, coadjuvado pelo sereno e dinâmico vice-diretor professor João de Pinho Pessoa Neto.

quarta-feira, julho 06, 2011

ESCOLA TÉCNICA DO AMAZONAS: ONTEM E HOJE

Waldir Garcia

Coube ao presidente Nilo Peçanha, depois de vinte anos de implantado o regime republicano, a feliz iniciativa de, através do decreto n.º 7.566, de 23 de setembro de 1909, instituir as Escolas de Aprendizes de Artífices, em número de dezenove, uma em cada Estado, com exceção do Rio Grande do Sul, onde já existia o Instituto Parobé, anexo à Escola de Engenharia local, que a partir dessa data ficou sendo subvencionado pelo governo federal.

Waldir Garcia, no Jornal
do Commercio, 1971
O estado do Amazonas foi, assim, contemplado com a criação da Escola de Aprendizes de Artífices, instalada a 1.º de outubro de 1910, sendo seu primeiro diretor o bacharel e jornalista vigoroso e intimorato Saturnino Santa Cruz de Oliveira, a quem coube a tarefa de organizar o ensino técnico-profissional oficial, em nosso estado.

Segundo o testemunho do professor Ildefonso Olindo dos Santos, um dos primeiro alunos, a Escola de Aprendizes de Artífices foi instalada na rua Urucará, numa chácara de propriedade da família [Raymundo] Afonso de Carvalho. Posteriormente, funcionou, a título precário, no edifício da Penitenciária do Estado, passando daí a um prédio de madeira, onde se ergue hoje o mercadinho da Cachoeirinha, logo ao fim da ponte Benjamin Constant, na rua Humaitá.

Em 1942, já com a denominação de Liceu Industrial de Manaus, que lhe foi conferida por força das modificações introduzidas no então Ministério da Educação e Saúde, em decorrência das diretrizes determinadas no art. 129 da Constituição de 10 de novembro de 1937, instalou-se no atual edifício, na avenida Sete de Setembro n.º 1.975, ocupando a área de 24.649m2, a essa época com área construída de 5.887m2 e capacidade para 400 alunos, inclusive 100 internos.
Penitenciária do Estado, onde
funcionou a Escola Técnica Federal

A lei orgânica do Ensino Industrial de 1942 (Decreto-lei n.º 4.073, de 30 de janeiro de 1942) trouxe novas diretrizes ao ensino técnico-industrial, em conformidade com a nova filosofia educacional adotada pelo Estado Novo, então imperante, que a essa altura enfatizava o progresso industrial.

E, por força do art. 8.º do decreto-lei n.º 4.127, de 25 de fevereiro de 1942, o Liceu Industrial passou a chamar-se Escola Técnica de Manaus, até que pela Portaria n.º 239, de 3 de setembro de 1965, do ministro da Educação e Cultura, arrimado na Lei n.º 4.795/65, passou a denominar-se Escola Técnica Federal do Amazonas. Essa escola singular, hoje um suntuoso edifício, muito bem instalado e equipado, dirigido e orientado com eficiência para cumprir a sua grande parcela no processo de integração do Amazonas, no pertinente à formação de mão de obra especializada para a indústria local e regional.

Nos seus 61 anos de existência, a Escola Técnica Federal do Amazonas teve, em ordem cronológica, os seguintes diretores titulares:
Doutores Saturnino Santa Cruz de Oliveira; Generino Maciel; Esmeraldo Coelho; Tibiriça de Oliveira; Esmeraldo Coelho (novamente); Antonio Carlos de Mello Barreto; Luiz Paulo Sarmento; professor Hildemar Paes Barbosa; doutor Sylvio Serra de Menezes; professor Dario Faria de Lima; doutor Waldir Garcia; professores Guilherme Pinto Nery e Hugo Mário Tavares; doutores Dario Vizeu; Oyama César Ituassu da Silva; José Ribamar Costa; Roberto de Melo Barreto e, atualmente, Lupercínio de Sá Nogueira Filho.

Com a reforma do Ensino Industrial instituída pela Lei n.º 3.552, de 16 de fevereiro de 1959, a Escola Técnica Federal do Amazonas passou a ser administrada por um Conselho de Representantes, composto de seis representantes da comunidade, escolhidos pela presidência da República, e por um diretor executivo, nomeado pelo presidente do Conselho. (segue)

Notas:
Publicado no Jornal do Commercio, Manaus, 5 out. 1971.
O autor, o saudoso Waldir Garcia, foi presidente da Escola Técnica Federal do Amazonas, e juiz de direito, tendo exercido a função na Auditoria Militar da PM do Amazonas.
Afonso de Carvalho foi coronel da Polícia Militar e seu comandante, entre 1892-96, depois eleito deputado estadual. Ao assumir a presidência do Poder Legislativo, em 1907, assumiu o governo do Estado. Possuía a chacara entre a rua Borba e Urucará.