CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Tefé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tefé. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, agosto 20, 2026

PRIMEIRA VIGEM AO PERU

Aproveitei as férias de julho de 1981, para viajar a Iquitos, no Peru, terra natal de meu pai. À época, José Lindoso exercia o cargo de governador do Estado e recebera um protótipo de barco – um catamarã – para emprego na região.  Como a viagem inaugural subiria o rio Solimões, vivenciei a prova de funcionamento. Parti de Manaus numa quarta-feira e só desembarquei na semana seguinte; sem recursos de comunicação, levei a semana sem qualquer notícia sobre o restante do país.

Autor no Callao - Peru, em julho de 1981

Em Tabatinga, procurei informações sobre a viagem até Iquitos; além do serviço aéreo da Cruzeiro do Sul, existia um hidroavião da FAP (Força Aérea Peruana), cujo atrativo era o preço da passagem.  Na margem peruana, o hidroavião embarcava os passageiros junto a um flutuante, onde também se comprava a passagem. Sem horário fixo, passei a tarde aguardando e tomando “umas e outras”. Por razões logísticas, o avião pousou num pelotão militar próximo à cidade de Pebas, onde pernoitei. Na manhã seguinte, desembarquei em Iquitos, sendo calorosamente recebido pelos familiares.

A família de tia Laura e filhos e nora na recepção,
em Iquitos, julho de 1981

Queria ir mais longe: a ida e volta à capital Lima foi encaminhada pelo parente Miranda, funcionário da Cruzeiro, que me adquiriu passagem como se fosse nacional. Em 26 de julho, embarquei em um DC-3 ou 4 da Faucett Perú, no aeroporto – Francisco Secada Vignetta, inaugurado em 1979; assentado à janela observei a mudança da selva amazônica para os picos nublados dos Andes e, por fim, as ondas do Pacifico. Um amigo da família me recepcionou no aeroporto Jorge Chavez, na província do Callao.

Avião da Faucett Peru, no aeroporto de Iquitos,
em 26 julho 1981.

Celebrei as “Festas Patrias” em Lima, junto aos amigos da família, ocasião em que visitei as principais atrações turísticas. No retorno a Iquitos, ainda pela Faucett Perú, fui assediado no aeroporto por inúmeras pessoas pedindo para levar uma “encomenda”. Lembrando a recomendação do Miranda: nada de transportar pacotes. Assim fiz. Em Iquitos, tomei passagem na Cruzeiro para Manaus, cujo voo fazia escala em Tabatinga e Tefé. Somente voltei a Iquitos em 2015.

terça-feira, agosto 04, 2026

AEROPORTO DE TABATINGA

 Há 50 anos (2 de agosto de 1976), a Comara concluiu a construção do aeroporto de Tabatinga (AM); na ocasião, o Boeing da Cruzeiro do Sul fez a inauguração da pista. Até então, o pouso era efetuado em Letícia (Colômbia), que implicava mais custos aos passageiros, como taxa de embarque e transporte para o município brasileiro. Aquele voo, desde 1965, era operado pela Cruzeiro entre Manaus e Iquitos (Peru). Em 1981, tomei esse voo em Iquitos, ao visitar os parentes naquela cidade, escalando em Tabatinga e Tefé, antes de desembarcar em Manaus. Poucos anos depois, esse voo foi suprimido. 

Recorte do jornal A Crítica, 02 agosto 1976
(acima e abaixo)

Desde ontem, os aparelhos “Boeings”, da Cruzeiro, estão fazendo escala em Tabatinga,             pouso este que há 11 anos vinha sendo feito em Letícia, na Colômbia, fronteira com o             Brasil. O pouso pioneiro do “Boeing” ocorreu às 11 horas, quando uma comitiva de                 autoridades convidadas pela diretoria da Cruzeiro do Sul se fez presente àquela viagem.

A chegada do aparelho em Letícia (?) foi festiva, e a multidão superlotou todas as dependências daquele campo de aviação, construído pela Comara, com o apoio do Exército, através do Comando de Fronteira do Solimões. As autoridades, ao desembarcarem do “Boeing”, foram cumprimentadas pelo Comando do CF-SOL e por diversas outras autoridades presentes ao aeroporto. 

Viagem

O “Boeing 737”, de prefixo PP-CJN, partiu de Manaus por volta das 9 horas e 30 minutos, levando passageiros comuns da rota, autoridades civis e militares convidadas pela diretoria da Cruzeiro do Sul, como o coronel Alfredo Menescal, comandante da Base Aérea de Manaus, o coronel João Baptista Storino, diretor da INFRAERO; Dr. Lauro Gedeão, delegado da Receita Federal; Walmores Barbosa, superintendente da Polícia Federal, todos acompanhados de suas respectivas mulheres. O Comando Militar da Amazônia se fez representar por uma comitiva de oficiais superiores, o coronel Saraiva — do Serviço Militar; tenente-coronel Salvio — da 3ª Seção; tenente-coronel Lisboa da 6ª Seção; tenente-coronel Araripe — comando do QG e o coronel Walmir — Ajudante-Geral. Representando a imprensa amazonense, foram os jornalistas Mário Jorge Costa (A Crítica), Epaminondas Barahuna (J. Comércio) e Maria de Lourdes Archer Pinto (O Jornal).

Após os cumprimentos iniciais no aeroporto de Tabatinga, a comitiva chefiada pelo agente local da Cruzeiro do Sul, Sr. Ítalo Bianco, deslocou-se até à sede do Círculo Militar de Tabatinga, onde foi oferecido um coquetel. Enquanto o aparelho seguiu a viagem de rota para Iquitos, e no seu retorno apanhou a comitiva chegando a Manaus por volta das 17 horas.

domingo, junho 26, 2022

PADRE NONATO & MONSENHOR PEDRO MOTTAIS

 Retirei esta coluna do Jornal do Commercio (edição de 10 de agosto de 1980), de autoria do padre Nonato Pinheiro. Meu interesse se deve às anotações sobre o sacerdote Pedro Mottais, que tive como reitor no Seminário São José. Lembro ainda que um destacado amazonense buscou comigo dados sobre o padre Mottais, o saudoso Ruy Lins que o conheceu na Faculdade de Ciências Econômicas.

Não se conhece o local e a data de sua morte, as últimas informações conhecidas são que vivia no estado de São Paulo, tanto que existe a rua Monsenhor Pedro Mottais, na cidade de Jundiaí.

Para saber mais: https://catadordepapeis.blogspot.com/2018/07/o-bispo-do-amazonas-dom-joao-da-matta.html 

Recorte da coluna citada 


 Fados, bodas & impressões

 Padre Nonato Pinheiro, da Academia Amazonense de Letras

BODAS DE OURO SACERDOTAIS

 

São muitos os que conhecem nesta cidade o sacerdote francês, naturalizado brasileiro, monsenhor Pedro Mottais, ora residente em Itanhaém, São Paulo, com seus 78 anos de idade. Neste domingo, 10 de agosto, está completando 50 anos de sacerdócio. Ainda jovem diácono, veio da Franca para servir como oblato, na Prelazia de Tefé, então administrada por monsenhor Miguel Barat, também francês, que exerceu naquelas plagas do Solimões um belo e diuturno apostolado.

O jovem diácono recebeu o sacerdócio na Catedral da Senhora da Conceição, aqui em Manaus, no dia 10 de agosto de 1930. Conferiu-lhe o presbiterato o santo Dom Pereira, o bispo de minha infância, de minha adolescência. Tinha eu meus 8 anos de idade, e foi a primeira ordenação sacerdotal a que assisti, acompanhando minha saudosa mãe, que era da Associação das Mães Cristãs da Catedral, cujo assistente espiritual era o próprio Bispo.

Depois de exercer seu ministério sacerdotal em Tefé, durante alguns anos, padre Pedro veio para Manaus, recebido pelo mesmo Bispo que o ordenara. Também serviu na administração diocesana de Dom João da Mata de Andrade e Amaral, de 1941 a 48. No governo metropolitano de Dom Alberto Gaudêncio Ramos foi incardinado na Arquidiocese, passando a pertencer oficialmente ao seu clero secular.

Entre os cargos que exerceu, lembro os seguintes: capelão da Beneficente Portuguesa, da Escola do Bom Pastor e do Colégio de Santa Dorotéia, vigário ecônomo das paróquias de Nossa Senhora da Conceição e dos Remédios, chanceler da Cúria, reitor do Seminário de São José, procurador da Mitra, consultor arquidiocesano. Dom Alberto Ramos conferiu-lhe o canonicato honorário. Dom João de Sousa Lima providenciou-lhe o monsenhorato, conferido pelo Papa João XXIII. O autor destas linhas estruturou a exposição de motivos, justificando o pedido.

São poucos os sacerdotes que chegam ao cinquentenário de sua ordenação. Congratulo-me pela ocorrência dessas Bodas de Ouro e dou o endereço do IUELLANS SACRUM LITANS, professor aposentado de francês da [escola] Sólon de Lucena: Rua Leão XIII.

"Ad multos annos!"

sexta-feira, abril 16, 2021

NOTÍCIAS DA POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS

Revirando os boletins da corporação em busca de algum fato, encontrei duas preciosidades, publicadas em dezembro de 1989: a reverência ao comandante e uma visita frustrada deste comandante. Este comandante da Polícia Militar do Estado, entre 1989-91, foi o coronel Romeu Medeiros.

Os dois apontamentos, como afirmei, compartilhei dos boletins corporativos: 1) o primeiro detalhava a atitude que o policial deveria tomar ao toque indicativo da chegada do comandante-geral ao aquartelamento. Estava eu na ativa, nesse contexto, e não me recordo da sua aplicação. 

Recorte do Boletim Geral mencionado

2) a viagem frustrada aconteceu quando a delegação deste comandante, na qual eu estava incluído na condição de comandante do policiamento do Interior, intentou chegar em Tefé (AM). A finalidade da comitiva era prestigiar a formatura do 1º curso de formação de soldados, que creio tenha sido o primeiro no interior do Estado.

Extrato do Boletim Geral indicado

Viajamos em um pequeno avião, partindo da capital pela manhã bem cedo. Ao se aproximar de Tefé, onde se encontra a sede do 3º Batalhão, sob o comando do major Adson Costa Silva, o piloto foi informado da impossibilidade da aterrissagem devido a forte neblina. As opções então apresentadas ao coronel Medeiros: prosseguir até Eirunepé (AM), enquanto desanuviava o tempo, e retornar a Tefé; ou, retornar para Manaus. Coronel Medeiros optou pela segunda.

Detalhse da Ata e da relação dos aprovados





Recortando a Ata, pode-se ver os dirigentes do CFS, no outro, a relação dos cinco primeiros. E quanto à formatura, somente o ora coronel reformado Adson pode nos relembrar.


domingo, dezembro 04, 2016

terça-feira, outubro 04, 2016

HISTÓRIA DO INSTITUTO HISTÓRICO (2)

Para concluir a postagem sobre o padre Constantino Tastevin, patrono da Cadeira 15 do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, reproduzo a segunda parte do texto.
Porto de Manaus
Esclareço que esta colagem foi extraída de livro publicado pela ordem dos padres do Espírito Santo, os Espiritanos. Ainda, o atual arcebispo de Manaus - Dom Sergio Castriani, pertence a esta congregação.

Pe. Constantino Tastevin

Os que encontravam o Pe. Tastevin nos corredores da Casa Mãe, nos anos 1950, diziam que sempre o viam correndo, enquanto continuava lendo, isto é, estudando alguma coisa. Um homem, que não perdeu tempo no serviço para as almas mais abandonadas. Sem dúvida, a pesquisa do Pe. Tastevin entre 1910 e 1920 pode ser considerada o primeiro início humilde da pastoral de índios no Juruá.

Quando Pe. Tastevin, nos anos 1920, fazia uma pesquisa das tribos, línguas e costumes, encontrou no Juruá e seus afluentes as seguintes tribos: os Marinawa, os Tushinawa, os Shahnindawa, os Yura, os Pacanawa, os Contanawa, os Yaminawa, os Catkina, os Cashinawa, os Shipinawa, os Arawa, os Yauavo, os Saninawa, os Sacuya, os Cuyanawa, os Nawa, os Canamari, os Anuari, Kulina, os Yamamadi, os Cuniba, os Tawari, as Parawa, os Ben-Dyapa, os Catishi, os Catukino.

Encontramos nesta região, também, numerosos nomes de lugares que indicam, que no séculos 18 e 19 os índios moravam na região do Juruá “em grandes massas" (Pe. Burmanje, A Evangelização no Juruá; jornal de Itamarati, nº 41, janeiro de 1981).

A Paróquia ou Missão de São Filipe, no Juruá (1910)

É uma outra paróquia, no meio-Juruá, situada onde o Juruá se encontra com o importante Rio Tarauacá. A população de cerca de 1.500 habitantes, quer padres para morar e lhes confiar uma escola, subvencionada pelo município. Pe. Tastevin é o grande missionário do Juruá, e universalmente conhecido.

Dia 1°.01.1911 escreveu ao Superior Geral: "Eu estou esperando desde 14.12.1910 um vapor para subir até Cruzeiro do Sul, no território do Acre, no Alto-Juruá. Em S. Filipe nos ofereceram um terreno, prometeram ajuda para construir uma casa e um hospital, pelo qual já há dinheiro, e insistem de nos dar escola com uma subvenção de 300 réis por mês (cerca de 400 francos).

Celebrei o Natal; cantaram as autoridades da cidade: o juiz de paz, o superintendente, o secretário da intendência..., com ajuda da banda de música. Fizeram uma quermesse para mim, o que rendeu mais de um conto [de réis].

Neste momento fazem um abaixo-assinado para pedir um prelado, um cura e um vigário. Todo mundo assina. Todos com um pouco de influência são maçons... e católicos. Contudo, há judeus, moslins, druzos, ortodoxos; mas todos querem padres.

O novo superintendente, venerável da loja, tomou a iniciativa de pedir um cura e vigário. O juiz de paz é materialista, ateu, maçom e católico, cantando o Te Deum. O procurador da República que aqui está, é materialista, ateu, maçom, mas católico, porém — segundo me disse —não 'fetichista como os sacerdotes'.

A igreja tem tudo de que necessita, tudo ganho por abaixo-assinado. Quase todos os dias tenho intenção para celebrar a Santa Missa, por exemplo, encomendada por uma mulher, que coletou o dinheiro necessário, andando com uma imagem de S. Sebastião.
Dia 12/01/1911

Maloca ndigena

Pe. Tastevin escreveu de Cruzeiro do Sul [AC], para onde subiu com Pe. Oliveira, sacerdote da diocese de Manaus, encarregado do serviço religioso no Alto-Juruá: "Cheguei dia 09.01.1911. É uma pequena cidade, começada em 1904, já com 1.200 a 1.500 almas, repartidas em 250 casas. Tem uma prefeitura, um colégio, uma serraria a vapor, duas olarias, uma usina elétrica para a iluminação da cidade, uma fábrica de gelo, umas cinquenta casas de comércio, das quais várias nacionais e outras libanesas, uma grega e uma judaica.

Tem loja maçônica. No cemitério, fora da cidade, há uma pequena capela. Tem um jornal semanal oficial, totalmente dedicado à maçonaria. A situação da cidade é magnífica, semeada em várias colinas verdejantes. Há uma agricultura extensa, campos de mandioca sem fim...".

Em maio de 1911 a população "católica" de S. Filipe ganhou os padres Krauss e Lang. Mas, logo os dois foram atingidos por uma epidemia, que dominava a região. Pe. Krauss desceu primeiro para buscar ajuda, depois subiu para embarcar Pe. Lang, mas este recusando todo remédio, morreu de febre aos 13.08.1911 e foi enterrado perto da boca do Andirá, nas margens do Juruá.

Pe. Krauss chegou a Boca do Tefé, também atingido, e rijo demorou a voltar para a Europa. Dia 02.10.1911 ele partiu e, em novembro de 1911 foi ligado à província da França.

A Missão de S. Filipe está recomeçando. Conforme notícia de 06.02.1912 os padre Tastevin e [Joseph] Fritsch acabaram de voltar para o Juruá, pretendendo subir até o afluente, o Tarauacá, cuja parte superior, dentro do território do Acre, acaba de nos ser confiada pelo bispo de Manaus. 

segunda-feira, outubro 03, 2016

HISTÓRIA DO INSTITUTO HISTÓRICO (1)

Anotações colhidas em Os Espiritanos no Brasil - 1885-1950, de Henrique Wennink, cssp (Belo Horizonte: Casa Provincial, 1985), para a história do IGHA, que em breve completa seu primeiro centenário.

Trata-se do padre Constantino Tastevin, que serve de patrono à uma cadeira desse Instituto. 


Pe. Constantino Tastevin (1880-1962)

Pe. Tastevin é mais conhecido por suas obras do que como pessoa. Valeria a pena, arrumar e organizar as informações sobre a pessoa e a importância dele, tanto para o conhecimento científico cultural sobre os povos indígenas da Amazônia e da África, como também para a pastoral missionária no meio deles.

Aqui no Brasil, o CIMI mostra sempre mais interesse por ele. Na Casa Mãe da Congregação em Paris, encontram-se, no Arquivo, várias grandes caixas, cheias de anotações do Pe. Tastevin, mais ou menos desorganizadas.

Nascido a 21.02.1880 em Constant (França), emitiu seus primeiros votos a 1º.10.1900; foi ordenado sacerdote a 02.04.1905; e morreu em Paris a 25.09.1962.

Sua atuação missionária se dividiu entre a Amazônia (1905-26), com publicações sobre os índios entre 1907 e 1930 (e também nos anos 1949 e 1955), e a África, com publicações sobre as mais variadas culturas (de Angola, Senegal, Congo, Ruanda-Urundi, Kenya, Kilimandjaro, Bagamoyo, Gabão, África Central, Madagascar, Ilha Maurício) entre 1931 e 1954.

A respeito de sua teoria de a língua malgaxe estar na origem das línguas africanas, surgem, de fato, objeções metodológicas. Parece que sua obra científica sobre a cultura dos índios da Amazônia ganhou a maior estimação, como se comprova das muitas decorações e prêmios que ganhou:

Condecorações:
* 1920: Médaille d'or Bonaparte Weyze
* 15/10/24: Palmes d'Officier d'Académie
* 30/3/25: Médaille Crévaux médaille d'or
* 1927: Chevallier de la Légion d'honneur
* Set-out 1928: Médaille d'or du Prix Louise-Bourbonnaud (de la Société de Géographie)
* 1937: Officier de l'Instruction Publique
* 10/12/50: La Croix d'Officier de la Légion d'Honneur.

Jovem missionário, Pe. Constantino Tastevin partiu, em novembro de 1905, para a "Missão" da Boca do Tefé, onde foi encarregado das crianças da Escola Profissional. Passou também pouco tempo para dar uma ajuda na escola profissional de Paricatuba.
Sua atividade missionária no Amazonas ficou interrompida pelo período de novembro de 1914 até novembro de 1919, quando foi mobilizado, durante a primeira guerra mundial. 
O resto de seu tempo no Amazonas, ele passou fazendo viagens pelos rios até os cantos mais afastados do Amazonas, fazendo ministério pastoral, preocupando-se, também, com as construções, por exemplo, de capelas, e visitando as tribos indígenas.

Em 1925, ele podia escrever que tinha visitado quase todos os índios da área do Rio Juruá e tinha estudado suas línguas, costumes e crenças; constatou que havia 1.500 índios, divididos em 40 tribos, com oito línguas e vários dialetos.

Chamado "o grande missionário do Juruá" (BG junho de 1912), que percorria toda a região do Alto até o Baixo Juruá, com todos os seus afluentes, visitou, também, várias vezes outros rios, como por exemplo o Japurá.

Impressionantes são já os nomes, que falam de suas desobrigas, sobretudo, quando a gente se dá conta das distâncias, das circunstâncias e dos meios de transporte que caracterizam estas viagens: o Meio-Solimões e seus afluentes; o Baixo e Alto-Juruá; o Rio Tarauacá (afluente do Juruá), até o Alto-Tarauacá; Rio Japurá; o Rio Muru; o Rio Envira; o Rio Jutaí etc.

Para dar uma pequena impressão, eis alguns trechos de relatórios de suas viagens: "Pe. Tastevin é o grande missionário do Juruá, tendo feito muitos mapas dele, e é universalmente conhecido. Dia 1º.01.1911 escreveu ao Superior Geral que, desde 14.12.1910, estava esperando um vapor para subir até o Cruzeiro do Sul (território do Acre, Alto-Juruá).

Em São Felipe (hoje Eirunepé) lhe ofereceram um terreno, prometeram ajuda para construir uma casa e um hospital... Celebrou a festa de Natal em São Filipe, enquanto todas as autoridades da cidade cantaram a Santa Missa..., cantando o Te Deum... Fazem um abaixo-assinado para pedir um padre. Todo mundo assina, inclusive aqueles que têm pouca influência: todos maçons... e católicos...

Dia 09.01.1911 chegou a Cruzeiro do Sul [AC]... Conforme uma notícia de 06.02.1912, ele acabou de voltar para o Juruá, acompanhado por Pe. Fritsch, para subir até o Tarauacá, cuja parte superior, dentro do Acre, foi confiada à Prefeitura de Tefé na reunião dos prelados do Amazonas de 1º.09.1912, em Manaus, da qual fora nomeado secretário.

Em 1913-1914 fez duas viagens no Alto-Juruá (BG 29,23243). Conforme carta de 1921, Pe. Tastevin, depois de quatro meses de desobriga no Juruá, queixa-se da crise da borracha, a única indústria e do aumento de preços de alimentos europeus; o dízimo em uso no Brasil, que dificulta o ministério...

O Japurá é o rio menos populoso de todos os nossos rios; ele passou nove dias com os canamaris, tribo índia, nunca visitada, sobre os quais encheu dois cadernos de notas interessantes, suas lendas e crenças; devia deixá-los depois de nove dias, por causa de doença do pequeno remador e falta de comida... Os canamaris mudaram para um outro acampamento a 30 km de distância, nas águas do Jutai. (Um relatório da viagem do Pe. Tastevin no Japurá foi publicado em Les Missions Catholiques, de Lyon...).

Pe. Tastevin acabou de voltar do Japurá com boa saúde... Em 1923, Pe. Tastevin comprou em S. Filipe uma casa e um horto, ao lado do terreno da igreja... Encontrou em Carauari a pequena capela arruinada...

Pe. Tastevin, oficialmente ligado ao Baixo Juruá (1.600 km), percorreu três vezes o Japurá (800 km), em seguida as cascatas na Colômbia, onde nunca aparece um padre colombiano; administrou três vezes o Médio Juruá (700 km), depois da partida do Pe. Dornic; duas vezes o Baixo Tarauacá (500 km); o Rio Liberdade (500 km), que a partir da metade para cima não tinha sido administrado há 18 anos. O Meio-Juruá compreende ainda o Rio Gregário (600 km), o Ipixuna, o Lagoinha e o Campinas (300 km cada), e o Aciraua.

Em 1924 visitou, no Alto-Tarauacá, o Rio Muru (400 km) e o Jordão (150 km), onde naufragou. (...). (segue no próximo post)


domingo, novembro 08, 2015

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ

A Casa de formação sacerdotal, em Manaus, funcionou à rua Emílio Moreira esquina da rua Ramos Ferreira, até 1967. Pouco depois, a Ufam instalou o ICHL e, atualmente, funciona unidade da Uninorte.

Entrada do estabelecimento, pela rua Emílio Moreira
Parte de um pavilhão, onde funcionava a capela do Seminário, e a jaqueira que
produzia a sobremesa do pessoal

Costa, hoje advogado, foi comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, e
o saudoso Sazinho foi deputado estadual eleito por Tefé, sua terra natal