CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Dom Sergio Castriani. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom Sergio Castriani. Mostrar todas as postagens

terça-feira, outubro 04, 2016

HISTÓRIA DO INSTITUTO HISTÓRICO (2)

Para concluir a postagem sobre o padre Constantino Tastevin, patrono da Cadeira 15 do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, reproduzo a segunda parte do texto.
Porto de Manaus
Esclareço que esta colagem foi extraída de livro publicado pela ordem dos padres do Espírito Santo, os Espiritanos. Ainda, o atual arcebispo de Manaus - Dom Sergio Castriani, pertence a esta congregação.

Pe. Constantino Tastevin

Os que encontravam o Pe. Tastevin nos corredores da Casa Mãe, nos anos 1950, diziam que sempre o viam correndo, enquanto continuava lendo, isto é, estudando alguma coisa. Um homem, que não perdeu tempo no serviço para as almas mais abandonadas. Sem dúvida, a pesquisa do Pe. Tastevin entre 1910 e 1920 pode ser considerada o primeiro início humilde da pastoral de índios no Juruá.

Quando Pe. Tastevin, nos anos 1920, fazia uma pesquisa das tribos, línguas e costumes, encontrou no Juruá e seus afluentes as seguintes tribos: os Marinawa, os Tushinawa, os Shahnindawa, os Yura, os Pacanawa, os Contanawa, os Yaminawa, os Catkina, os Cashinawa, os Shipinawa, os Arawa, os Yauavo, os Saninawa, os Sacuya, os Cuyanawa, os Nawa, os Canamari, os Anuari, Kulina, os Yamamadi, os Cuniba, os Tawari, as Parawa, os Ben-Dyapa, os Catishi, os Catukino.

Encontramos nesta região, também, numerosos nomes de lugares que indicam, que no séculos 18 e 19 os índios moravam na região do Juruá “em grandes massas" (Pe. Burmanje, A Evangelização no Juruá; jornal de Itamarati, nº 41, janeiro de 1981).

A Paróquia ou Missão de São Filipe, no Juruá (1910)

É uma outra paróquia, no meio-Juruá, situada onde o Juruá se encontra com o importante Rio Tarauacá. A população de cerca de 1.500 habitantes, quer padres para morar e lhes confiar uma escola, subvencionada pelo município. Pe. Tastevin é o grande missionário do Juruá, e universalmente conhecido.

Dia 1°.01.1911 escreveu ao Superior Geral: "Eu estou esperando desde 14.12.1910 um vapor para subir até Cruzeiro do Sul, no território do Acre, no Alto-Juruá. Em S. Filipe nos ofereceram um terreno, prometeram ajuda para construir uma casa e um hospital, pelo qual já há dinheiro, e insistem de nos dar escola com uma subvenção de 300 réis por mês (cerca de 400 francos).

Celebrei o Natal; cantaram as autoridades da cidade: o juiz de paz, o superintendente, o secretário da intendência..., com ajuda da banda de música. Fizeram uma quermesse para mim, o que rendeu mais de um conto [de réis].

Neste momento fazem um abaixo-assinado para pedir um prelado, um cura e um vigário. Todo mundo assina. Todos com um pouco de influência são maçons... e católicos. Contudo, há judeus, moslins, druzos, ortodoxos; mas todos querem padres.

O novo superintendente, venerável da loja, tomou a iniciativa de pedir um cura e vigário. O juiz de paz é materialista, ateu, maçom e católico, cantando o Te Deum. O procurador da República que aqui está, é materialista, ateu, maçom, mas católico, porém — segundo me disse —não 'fetichista como os sacerdotes'.

A igreja tem tudo de que necessita, tudo ganho por abaixo-assinado. Quase todos os dias tenho intenção para celebrar a Santa Missa, por exemplo, encomendada por uma mulher, que coletou o dinheiro necessário, andando com uma imagem de S. Sebastião.
Dia 12/01/1911

Maloca ndigena

Pe. Tastevin escreveu de Cruzeiro do Sul [AC], para onde subiu com Pe. Oliveira, sacerdote da diocese de Manaus, encarregado do serviço religioso no Alto-Juruá: "Cheguei dia 09.01.1911. É uma pequena cidade, começada em 1904, já com 1.200 a 1.500 almas, repartidas em 250 casas. Tem uma prefeitura, um colégio, uma serraria a vapor, duas olarias, uma usina elétrica para a iluminação da cidade, uma fábrica de gelo, umas cinquenta casas de comércio, das quais várias nacionais e outras libanesas, uma grega e uma judaica.

Tem loja maçônica. No cemitério, fora da cidade, há uma pequena capela. Tem um jornal semanal oficial, totalmente dedicado à maçonaria. A situação da cidade é magnífica, semeada em várias colinas verdejantes. Há uma agricultura extensa, campos de mandioca sem fim...".

Em maio de 1911 a população "católica" de S. Filipe ganhou os padres Krauss e Lang. Mas, logo os dois foram atingidos por uma epidemia, que dominava a região. Pe. Krauss desceu primeiro para buscar ajuda, depois subiu para embarcar Pe. Lang, mas este recusando todo remédio, morreu de febre aos 13.08.1911 e foi enterrado perto da boca do Andirá, nas margens do Juruá.

Pe. Krauss chegou a Boca do Tefé, também atingido, e rijo demorou a voltar para a Europa. Dia 02.10.1911 ele partiu e, em novembro de 1911 foi ligado à província da França.

A Missão de S. Filipe está recomeçando. Conforme notícia de 06.02.1912 os padre Tastevin e [Joseph] Fritsch acabaram de voltar para o Juruá, pretendendo subir até o afluente, o Tarauacá, cuja parte superior, dentro do território do Acre, acaba de nos ser confiada pelo bispo de Manaus. 

sábado, fevereiro 23, 2013

DOM SÉRGIO CASTRIANI

Dom Sergio Castriani

O sexto arcebispo de Manaus toma posse na noite de hoje. Dom Sérgio é natural da cidade de Regente Feijó (SP) e integra a Congregação do Espírito Santo, portanto, um religioso espiritano. Ordenado sacerdote em 1978, veio para a região amazônica, e dirigiu nos últimos catorze anos a prelazia de Tefé (AM).

A posse ocorreu na igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ocasião em recebeu o cajado com que conduzirá o novo rebanho das mãos de Dom Luiz Soares Vieira, que deixa compulsoriamente esta arquidiocese, após conduzi-la por 21 anos.

O novo pastor conhece a região, há décadas convive com o povo do beiradão amazônico, assim não será um estranho no aprisco. Já começa a sentir, porém, isso ele tem repetido nas entrevistas, a dimensão das cidades, pois deixa o município de Tefé, no médio rio Solimões, com cerca de cem mil habitantes, para encarar a capital do Amazonas, com cerca de dois milhões de habitantes.

Nascido em São Paulo, como seu antecessor, Dom Sérgio mantém a escrita de que ainda não foi dessa vez que um amazonense cuidará nesta arquidiocese dos seguidores da Igreja Católica. Esse fato talvez seja explicável pela máxima bíblica, de que nenhum profeta faz sucesso em sua terra. Se não for este, é por aí.

Esta festividade lembrou-me a chegada a Manaus de um bispo, para assumir a arquidiocese. Ocorreu em 1958, quando Dom João de Souza Lima desembarcou no aeroporto de Ponta Pelada e foi conduzido pelo governador Plínio Coelho e variadas representações católicas pelas ruas centrais da cidade. O cortejo passou pelo bairro de Educandos para alcançar a avenida Sete de Setembro e, por esta via, em direção a Cúria Metropolitana, no mesmo endereço atual.

Os tempos são outros, o avanço evangélico, o trânsito agitado e outras atividades pessoais modificaram essa praxe. Hoje, o pastor católico parece ser mais conhecido pela mídia, que pelas celebrações. De outro modo, a presença de um novo dirigente em qualquer setor sempre traz expectativa de evolução. Nesse sentido, os católicos manauenses começam hoje essa renovação, e renovam esta no próximo mês com a entronização do novo Papa.

Seja bem-vindo, Dom Sérgio, com votos de mais conquistas junto com o povo de Deus.