Aproveitei as férias de julho de 1981, para viajar a Iquitos, no Peru, terra natal de meu pai. À época, José Lindoso exercia o cargo de governador do Estado e recebera um protótipo de barco – um catamarã – para emprego na região. Como a viagem inaugural subiria o rio Solimões, vivenciei a prova de funcionamento. Parti de Manaus numa quarta-feira e só desembarquei na semana seguinte; sem recursos de comunicação, levei a semana sem qualquer notícia sobre o restante do país.

Autor no Callao - Peru, em julho de 1981
Em Tabatinga, procurei informações sobre a viagem até Iquitos; além do serviço aéreo da Cruzeiro do Sul, existia um hidroavião da FAP (Força Aérea Peruana), cujo atrativo era o preço da passagem. Na margem peruana, o hidroavião embarcava os passageiros junto a um flutuante, onde também se comprava a passagem. Sem horário fixo, passei a tarde aguardando e tomando “umas e outras”. Por razões logísticas, o avião pousou num pelotão militar próximo à cidade de Pebas, onde pernoitei. Na manhã seguinte, desembarquei em Iquitos, sendo calorosamente recebido pelos familiares.
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| A família de tia Laura e filhos e nora na recepção, em Iquitos, julho de 1981 |
Queria
ir mais longe: a ida e volta à capital Lima foi encaminhada pelo parente Miranda,
funcionário da Cruzeiro, que me adquiriu passagem como se fosse nacional. Em 26
de julho, embarquei em um DC-3 ou 4 da Faucett Perú, no aeroporto – Francisco Secada Vignetta,
inaugurado em 1979; assentado à janela observei a mudança da selva amazônica
para os picos nublados dos Andes e, por fim, as ondas do Pacifico. Um amigo da
família me recepcionou no aeroporto Jorge Chavez, na província do Callao..jpeg)
Avião da Faucett Peru, no aeroporto de Iquitos,
em 26 julho 1981.
Celebrei as “Festas Patrias” em Lima, junto aos amigos da
família, ocasião em que visitei as principais atrações turísticas. No retorno a
Iquitos, ainda pela Faucett Perú, fui assediado no aeroporto por inúmeras pessoas
pedindo para levar uma “encomenda”. Lembrando a recomendação do Miranda: nada
de transportar pacotes. Assim fiz. Em Iquitos, tomei passagem na Cruzeiro para
Manaus, cujo voo fazia escala em Tabatinga e Tefé. Somente voltei a Iquitos em 2015.

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