CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

4 de fevereiro de 2013

BIBLIOTECA PÚBLICA DO AMAZONAS

O texto foi redigido no dia imediato, quando li nos jornais, à abertura da Biblioteca Pública do Amazonas, na rua Barroso com Avenida Sete de Setembro. Entretanto, submetido à mudança de endereço e suas consequências, retorno com a velha nota sobre a casa dos livros e afins.
Júlio Uchoa, que assistiu o esforço de Genesino Braga,
contou o fato em O Jornal, 23 agosto 1949

De qualquer sorte, aleluia! A Biblioteca Pública do Amazonas ressurgiu para os interessados, depois de mais de cinco anos de restauração sobre restauração. Não houve reinauguração ou coisa semelhante. Simplesmente apareceu.

Nem o eminente secretário de Cultura, que tantas vezes prometera, ao menos em uma oportunidade com a mão sobre uma bíblia medieval, teve a consideração de prestigiar o evento que não existiu.

Quem falou para a imprensa, e falou demoradamente, foi o Sharles (assim mesmo), diretor do setor das bibliotecas da Secretaria de Estado da Cultura. E falou das surpreendentes novas que o espaço oferece aos manauenses. Até elevador para os deficientes e outros entes.

Antigamente, eram as igrejas que demoravam em ser construídas, acredito que alguma deve ter superado um século. Para ficar no paroquial, a matriz de Nossa Senhora Conceição levou quase três décadas até ser benta em 1876. Os beatos e seus contrários comentam que não interessa construir dentro do cronograma, para usar uma preocupação de Copa do Mundo. A demora, o retardamento sempre permite arrecadar um dízimo diferenciado.

Genesino Braga (GB), nome de sala, quando deveria ser o patrono da Biblioteca Pública, deve ter se contorcido no túmulo. Para justificar, conto uma velha historia: em agosto de 1945, um incêndio consumiu todos os livros, e queimou e fez ruir uma parte do edifício. Não havia bombeiros, nem recursos tantos como se conhece em nossos dias. GB era o diretor. Recorreu a quem pode e, em novembro de 1947, a Biblioteca voltou a funcionar e funcionava até aos domingos.

Agora, atende de segunda sexta e, para quem cumpre horário comercial, não tem como usufruir de seus modernos recursos. Tudo poderia ser contornado com o aumento do terceiro turno de atendimento.

Para encerrar: surpreendeu-me o comercial gerado pelo Governo do Amazonas e exibido pela rede de TVs, que falando da abertura da Biblioteca, não mais a subordina à SEC. A mesma pertence ao Governo de Omar Aziz, que igualmente não esteve na reabertura.

Ainda no correr da semana vou lá conferir as maravilhas, oxalá os jornais locais de antanho estejam disponíveis.