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quarta-feira, fevereiro 06, 2013

PMAM: RETROSPECTIVA (Parte III)

NA PROVÍNCIA

Quando se anuncia que a Policia Militar do Amazonas (Pmam) possui 175 anos, isso soa incongruente com a idade do próprio Estado que, gestado em1850, nasceu dois anos depois, em 1º de janeiro. Dai o questionamento: como é que aquela instituição é mais antiga, no jargão militar, que o próprio Estado? Os esclarecimentos que aqui se expõe têm em vista aclarar e fundamentar notável  longevidade.
1º PRESIDENTE
PROVÍNCIA
O Jornal, 24 outubro 1948
Tudo começou no combate à Cabanagem, como já consagrado, a rebelião cabocla sucedida em Belém do Pará, em 1835, que se estendeu pela província, a hoje reconhecida Amazônia, por cinco anos. Reabilitada a capital paraense pelo presidente Soares d´Andrea, os cabanos se espalharam pelos rios e afluentes amazônicos, alcançando a povoação de Manaus (então Lugar da Barra do Rio Negro) em 1836. A província do Pará já dispunha da sua Polícia Militar (fundada em 1820), porém seu efetivo não era bastante para prover a segurança do território coberto pela imensa floresta amazônica.
Igualmente é notório que as forças militares imperiais estavam à frente da repressão aos cabanos, tanto que foi enviada a Expedição ao Alto Amazonas, cuja tropa sequer saiu do hoje delimitado território paraense, instalando-se em Santarém (PA). Também, que esses militares não dispunham de efetivo para combater os rebeldes. 

Então, para suprir tantas deficiências, o presidente Andrea tomou uma coerente iniciativa: autoriza a criação de força paramilitar, sob a denominação de Guarda Policial (GP), em qualquer povoação, conhecida por lugar, vila, paróquia, freguesia e adjacências. Para melhor disciplinar tais forças e estabelecer a conduta contra os rebeldes, Andrea baixa, em 4 de abril de 1837, as Instruções Gerais.
Esse fato não passou despercebido pelas autoridades amazonenses empossadas em 1852, pois, como registra em seu Relatório o presidente provincial do Pará, Fausto Aguiar, havia sido criados “no novo território 16 guardas policiais”, em obediência às Instruções Gerais, mas sem indicar o local e a situação de cada uma delas. Bastante compreensível essa situação, pois o estabelecimento de quaisquer dessas GP ficou adstrito à capacidade de cada região.

Se houve algum domínio sobre o efetivo, ou a direção, ou o armamento, este controle se perdeu nos escaninhos do tempo ou se encontra em arquivos em Belém (PA). Que outros obstáculos poderiam ainda ter contribuído para esse “esquecimento”? Dois me parecem substanciais: 1) o analfabetismo, que reduzia a número berrante os capazes de escrever; 2) a escassez de população, que obrigava a que todos os homens válidos servissem à Guarda Policial.

Quando da instalação da província do Amazonas, a situação da Segurança não passa despercebida, com detalhe para a Guarda Policial. O presidente amazonense, Tenreiro Aranha, confere a veracidade da presença de Guardas. Validando o citado relatório paraense, confirma o número indicado, igualmente sem definir outras situações, senão de que pequenos serviços eram prestados pela Guarda Policial. Sequer se refere à capital, onde se encontrava a administração, portanto, fácil de ser controlada.

Uma passagem é definitiva: ambos os relatórios confirmam a criação de alguma Guarda Policial no território amazonense, em decorrência das Instruções Gerais. De qualquer que tenha existido, não se tem notícia da localização ou de outro dado concernente à atividade policial. Ao contrário, tem-se registro do desaparecimento. Em 1876, o reaparecimento desse serviço enseja o início da contagem do tempo para a instituição, tanto que, em 1926, comemora o meio centenário. O registro dessa efeméride encontra-se no Diário Oficial e vai, para melhor percepção do leitor, reproduzido na terceira parte deste trabalho. (SEGUE)

sexta-feira, abril 09, 2010

Memorial Amazonense

Abril, 9



1836 – Assume o comando das Armas e a presidência da Província do Pará, o general brigadeiro Francisco José de Souza Soares d’Andrea. Sua posse ocorre em meio a rebelião da Cabanagem, com a missão de restaurar a província paraense, da qual pertencia a Comarca do Rio Negro, hoje estado do Amazonas.


1872 – Nasce em Grünberg, cidade da atual Alemanha, Theodor Koch. Morre em 1924, na vila Vista Alegre situada no Rio Branco, ao participar de expedição ao Amazonas. Notabilizou-se pelas pesquisas e publicações sobre os índios amazônicos. A transladação dos restos mortais foi prejudicada pela Segunda Guerra Mundial. Somente acontece em1953, para o cemitério São Batista, de Manaus. Koch-Grünberg é patrono de Cadeira do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, ocupada por Rui Alberto Costa Lins.


1916 – Morre no Rio de Janeiro, o pintor Aurélio Figueiredo, que visitou Manaus, ao menos em duas oportunidades. É autor dos quadros Imperador Dom Pedro II e Princesa Isabel, de 1888, existentes no IGHA; A Libertação dos escravos, exposto na Biblioteca Pública, e o Banho de Ceci, do acervo da Pinacoteca do Estado.

Na foto, pormenor do quadro de Dom Pedro II


1953 – Fundação do Clube dos Oficiais da Policia Militar do Amazonas  (Copmam). Seu primeiro presidente foi o coronel da reserva Jonas Paes Barreto. Ainda permanece funcionando, em sede própria na avenida André Araujo - Aleixo.

2003 – Morre, em Manaus, Paulo Herban Maciel Jacob, desembargador aposentado. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, ingressa na magistratura e é empossado desembargador em 11 Nov. 1964. Foi presidente da Alta Corte no biênio 1982-1983, quando assumiu ocasionalmente o governo do Estado. Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, onde ingressou em 1969. Publicou vários títulos: Muralha verde, 1964, o primeiro; Dos ditos passados nos acercados de Cassianã, 1969, detentor do prêmio nacional Walmap, Um pedaço de lua cheia caía na mata, 1989, entre outros. Seu corpo foi sepultado no cemitério São João.